A antracnose
Luta contra a Antracnose do Feijão, da Framboeseira, do Salgueiro...
Resumo
A antracnose é uma doença induzida por diversos fungos capazes de infectar as plantas hortícolas, como o feijão, as ervilhas, os pequenos frutos (groselheiras, framboeseiras), mas também o plátano, a olaia, o salgueiro, a nogueira-europeia… É favorecida por uma humidade elevada associada a temperaturas específicas consoante o fungo, ora frescas como na antracnose do plátano, ora elevadas (superiores a 20 °C) nas plantas hortícolas. Manifesta-se mais frequentemente por manchas bege ou castanhas na folhagem, uma dessecação dos caules que enfraquecem a planta e podem causar grandes danos na colheita dos legumes em particular.
Quais são as espécies sensíveis à antracnose?
Muitas plantas são infetadas, mas o impacto da antracnose, exceto no feijão, é frequentemente sem consequências graves e não justifica tratamento.
Na horta e no pomar
É na horta que a antracnose coloca mais problemas:
- no feijão (Colletotrichum lindemuthianum);
- na alface (Microdochium panattonianum), sobretudo sob abrigo no inverno ou em pleno campo;
- na ervilha (Ascochyta pisi), transmitida unicamente pelas sementes;
- no morangueiro (Colletotrichum acutatum);
- no tomate (Colletotrichum diversos) em cultura de pleno campo e no jardim de amador.
- na família das Cucurbitáceas (melões, pepinos, abóboras), onde a doença causada por Colletotrichum orbiculare recebe o nome de Nuile rouge. Manifesta-se sobretudo em países com clima húmido, de temperado a tropical, pelo que raramente se encontra em França, sendo também bem controlada com a aplicação de um fungicida como a decocção de cavalinha. As sementeiras jovens são um pouco mais sensíveis; convém arejá-las bem.

Folhas de pepino com manchas, sinal da doença
- São os pequenos frutos os mais afetados, como as Framboeseiras e a Silva-Framboesa (Elsinoe veneta), as Groselheiras de fruto ou de flor (Gleosporium ribis), bem como a Videira (Elsinoe ampelina).
- Na Cerejeira, a doença recebe o nome de Antracnose da Cerejeira ou Cylindrosporiose (Blumeriella jaapii).
- Na Nogueira-europeia (Gnomonia leptostyla), no Carvalho…
Entre as plantas ornamentais
- O Plátano plantado ao longo das ruas é também frequentemente vítima da antracnose (Apignomonia veneta) na primavera.
- A Árvore-de-Judas (Cercis siliquastrum),
- Os Cornisos alba e florida são particularmente sensíveis em épocas chuvosas (Discura destructiva),
- a Hortênsia,
- a Roseira,
- o Salgueiro…
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- A antracnose do feijão manifesta-se sob a forma de manchas enegrecidas alongadas que necrosam nas folhas e nos caules. As vagens apresentam manchas redondas cobertas de pústulas rosadas que se aprofundam e são rodeadas de vermelho, enquanto as sementes ficam manchadas de castanho e se tornam impróprias para consumo.
- No melão, manchas redondas enegrecidas de 1 a 2 cm, cobertas posteriormente por um bolor rosado, maculam o fruto.
- Nas groselheiras (de cacho, espinhosas) e nos casiseiros, a doença identifica-se em junho-julho através de manchas angulosas, brancas orla das de vermelho-acastanhado, associadas à queda prematura da folhagem e, por vezes, ao dessecamento dos cachos.
- Na framboeseira, lesões castanho-escuras marcam os caules em junho, seguidas de máculas violáceas em agosto em torno dos gomos, que encinerem ao centro no inverno, culminando no dessecamento do caule. As folhas ficam por vezes manchadas de púrpura.
- No morangueiro, manchas castanhas rodeadas de um halo amarelo de 1 a 2 cm surgem nas folhas, nos caules e depois nos frutos — zonas de necrose deprimidas de 1 a 2 cm, que passam do castanho ao rosa (esporos) e depois ao negro.
- O tomate apresenta pequenas lesões castanho-claras ligeiramente deprimidas que, ao alargarem-se, podem provocar a podridão do fruto.

Pepino afetado pela antracnose
- Na videira, a antracnose maculada traduz-se por manchas angulosas negras ou violáceas de 1 a 5 mm, cujo tecido seca e depois se perfura, provocando a deformação e depois o rasgamento do limbo. Cancros alongados bordeados de negro maculam o raminho, e a extremidade dos jovens raminhos tem aspeto de queimada.
- No plátano, necroses surgem ao nível das nervuras, estendendo-se por uma parte do limbo da folha, que se enrola e cai. Cancros provocam o dessecamento dos gomos antes do abrolhamento. A árvore adulta forma nova folhagem sã assim que a temperatura sobe.
- A olaia apresenta igualmente sinais semelhantes, por vezes confundidos com outro fungo, a septoriose: manchas cinzentas a castanhas, mais ou menos arredondadas, cobertas de pequenas pontuações enegrecidas.
- Na cerejeira, manchas redondas vermelho-violáceas surgem na face superior das folhas por meados de maio, que acabam por amarelecer e, por vezes, cair prematuramente. Esta desfolhação repetida ao longo de vários anos torna as árvores mais sensíveis às geadas invernais, produzindo menos cerejas.
- No salgueiro, pequenas lesões castanho-pálidas percorrem os caules e manchas avermelhadas surgem nas folhas. Estas acabam por cair e os rebentos das extremidades murcham. O salgueiro-chorão pode perder o seu hábito característico.
- Na nogueira-europeia, manchas cinzentas bordeadas de castanho nas folhas e invólucros dessecados que permanecem aderentes à casca são os sinais da antracnose.
- O corniso branco e o Cornus florida apresentam manchas foliares avermelhadas a castanhas cobertas de pequenas pontuações enegrecidas, bem como cancros nos raminhos, o que permite distingui-los da septoriose.
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Os fatores que favorecem a antracnose
O excesso de humidade é a principal causa da doença, pois favorece a germinação dos esporos conservados no solo, nos resíduos vegetais e nas fissuras da casca durante vários anos. No entanto, a sua ocorrência ao longo da estação depende do fungo, influenciado por temperaturas específicas:
- Períodos chuvosos do início do verão até ao final do outono são responsáveis pela antracnose do feijão.
- Períodos chuvosos e ventosos na primavera favorecem a antracnose do framboeseiro.
- Condições quentes e húmidas, como sob um túnel, favorecem a antracnose do melão.
- No plátano, a doença surge na primavera com tempo fresco e chuvoso, provocando a queda da parte da folhagem infetada, mas sem consequências graves para as árvores adultas, pois a contaminação cessa assim que o tempo se torna seco e quente.
- Temperaturas de 16 a 20 °C aliadas a uma forte humidade favorecem a antracnose da cerejeira, etc.

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Gestos simples comuns a todas as culturas
Geralmente, alguns gestos simples bastam para evitar a antracnose:
- Aere a cultura plantando com densidades mais baixas ou suprimindo folhagem;
- Controle as suas culturas e retire rapidamente as folhas manchadas ou a totalidade das plantas infetadas;
- No inverno, apanhe as folhas doentes das árvores de fruto caídas no solo e queime-as;
- Evite molhar a folhagem durante a rega;
- Evite trabalhar no jardim (binar, podar, colher…) em períodos de humidade elevada;
- Evite aportes excessivos de azoto, que tornam os tecidos das plantas mais frágeis;
- Em prevenção, trate com cobre ou com uma decocção de cavalinha de 2 em 2 a 3 semanas (morangueiros, tomates, pepinos…). A decocção de casca de salgueiro está homologada para atuar sobre os fungos foliares das árvores de fruto, se necessário, todas as semanas.
Encontrará informações e a receita do tratamento à base de cobre na nossa ficha de conselho “Calda bordalesa e outros tratamentos ao cobre”.
Alguns gestos específicos à planta
No feijão:
- Evite resembrar feijão numa parcela infetada durante 5 ou 6 anos.
- Escolha variedades resistentes como o feijão-verde anão ‘Marbel’, o feijão-verde de vagens marmoreadas de violeta ‘César’, o anão manteiga ‘Rocdor’ ou o anão come-tudo ‘Primel‘;
No melão:
- Respeite uma longa rotação de 5 a 6 anos;
- Trate com calda bordalesa logo a partir da floração.
Na framboeseira:
- Elimine as hastes doentes assim que possível;
- Trate com calda bordalesa na primavera logo que os gomos atinjam 1 cm de comprimento.
- Plante cultivares resistentes como Malling Amiral e Leo.
Na groselheira:
- Apanhe e queime as folhas caídas no solo.
- Pulverize um fungicida (cobre) no final da floração, 15 dias depois e novamente após a colheita.
Na cerejeira:
- Realize uma poda para arejar corretamente a ramagem.
- Trate com calda bordalesa antes do abrolhamento e imediatamente antes da queda das folhas.
Na videira:
- Aplique calda bordalesa aos primeiros sintomas;
- Trate os troncos com óleo no inverno.
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