A Carpocapsa das Fruteiras
Luta contra a lagarta dos frutos
Resumo
A carpocapsa ou bicho-da-fruta é um parasita bem conhecido que afeta muitos frutos como as maçãs, as ameixas, as cerejas e as peras.
Na realidade, não se trata de um verme mas de uma pequena lagarta rosada com cabeça castanha que se alimenta da polpa do fruto antes de se transformar em pupa e dar origem a uma mariposa.
Para combater a sua instalação, é importante agir antes ou no momento da postura dos ovos no fruto ou nos 15 dias que se seguem, pois uma vez que a lagarta penetrou no fruto, os tratamentos tornam-se inúteis.
Quais são as fruteiras sensíveis à carpocapsa?
As Macieiras, Pereiras, Abricoteiros e Nogueiras-europeias são sensíveis a esta mariposa da família dos tortricídeos, Cydia pomonella.

Cydia pomonella
As Cerejeiras são parasitadas por Cydia funebrana, enquanto os Castanheiros o são por Cydia splendana. A carpocapsa encontra-se nos seis continentes graças à sua capacidade de adaptação, que lhe permite entrar em dormência quando os frutos escasseiam.
Como reconhecer um ataque de carpocapsa?
Reconhecer um ataque de carpocapsa é bastante simples:
- nas macieiras e pereiras, os frutos caem prematuramente quando parecem maduros.
- Os frutos podem parecer sãos, uma vez que o orifício de penetração da larva se situa por vezes na cavidade do olho ou na parte inferior do fruto, em particular na pera, cuja pele é mais dura do que na maçã.
- Um orifício com serradura castanha marca a entrada de uma galeria escavada pela lagarta que conduz às sementes do fruto, estimulando assim o amadurecimento precoce antes de este terminar de crescer.
- Nas ameixas, a infestação reconhece-se pela tonalidade violácea e pela produção de goma em junho-julho. Acabam por apodrecer e apresentam frequentemente sinais de moniliose.

Danos da carpocapsa
Uma vez que a larva penetrou no fruto, já é tarde demais para combater a praga. Neste caso, grande parte do fruto torna-se rapidamente imprópria para consumo e, muito menos, vendável.
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A carpocapsa e o seu ciclo de vida
Pode identificar-se esta pequena borboleta pelas asas mosqueadas de cinzento e castanho escuro (inteiramente cinzentas na carpocapsa da cerejeira), ao crepúsculo, enquanto voa à volta dos frutos jovens para aí depositar os ovos no final de abril (ameixa) ou no final de maio (maçã e pera) quando a temperatura noturna atinge os 14 °C, e de novo em junho (ameixa) ou julho (maçãs e peras), período em que os danos são frequentemente mais graves, pois afeta frutos já bem formados.
A borboleta Cydia pomonella, com 16 a 19 mm de envergadura, possui asas estriadas de cinzento com uma mancha castanho-escura na extremidade quando dobradas sobre o corpo em repouso. O corpo forma uma espécie de onda com as antenas apontadas para trás.
O ciclo da carpocapsa, Cydia pomonella
- Quando a temperatura crepuscular atinge os 16 °C, as borboletas acasalam-se e a fêmea deposita, na face superior das folhas ou nos frutos jovens, ovos isolados que eclodem ao fim de 15 dias.
- As lagartas percorrem então a árvore durante 1 a 2 dias à procura de um fruto que lhes servirá de despensa até chegar o momento de se encrisalidarem. Esta fase torna a lagarta vulnerável. Penetra frequentemente pelo olho do fruto.
- A lagarta, que passa por 5 estádios dentro do mesmo fruto durante 20 a 30 dias, mede de 16 a 20 mm e torna-se rosada com a cabeça castanha. Alimenta-se da polpa do fruto jovem formando uma espiral até às sementes. Os seus excrementos formam uma espécie de serradura à entrada da galeria.
- Sai então do fruto para se encrisalidar, tecendo um casulo esbranquiçado nas fendas da casca do tronco ou dos ramos estruturais, ou ainda num abrigo no solo. Algumas delas entram em vida ralentada (diapausa) até à primavera seguinte, enquanto outras se transformam em borboleta, desencadeando um novo ciclo de infestação a partir de meados de julho, que pode causar ainda mais danos. Por vezes é mesmo seguida de uma terceira geração nas regiões do sul.
- As lagartas transformam-se em crisálidas castanho-amareladas a castanho-escuro brilhante de 11 mm; depois as borboletas surgem do início de abril a junho, consoante as regiões. Acasalam-se e a fêmea põe os ovos logo no dia seguinte, entre 50 a 100 ovos. A sua longevidade é de 15 a 18 dias.

Lagarta da carpocapsa
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Os tratamentos contra a carpocapsa são difíceis no sentido em que é necessário agir no momento certo. Com efeito, a colocação de armadilhas de feromonas, a aplicação de um inseticida como o macerado de urtiga ou o Bacillus thuringiensis só são eficazes numa fase bem precisa do ciclo da mariposa.
É difícil estabelecer um calendário preciso, pois este ciclo varia de ano para ano em função das temperaturas. Assim, a menos que seja alertado pelo Boletim de Saúde Vegetal da sua região, ao qual se pode subscrever, é difícil para um amador agir no momento certo.
Existem, no entanto, alguns gestos simples suscetíveis de limitar os danos nas suas árvores de fruto, por ordem de dificuldade:
- Favoreça os chapins (chapim-azul e chapim-carvoeiro), os morcegos (pipistrelo, orelhão) e as tesourinhas, que são predadores eficazes da carpocapsa: coloque ninhos para chapins e morcegos, e vasos invertidos cheios de palha para as tesourinhas.
- Envolva os troncos com faixas-armadilha de cartão canelado a meados de junho, que deverá retirar em novembro para avaliar a quantidade de lagartas e queimar ou esmagar as que foram capturadas.
- Ensaque os frutos, em maio-junho para maçãs e peras após o desbaste natural e artificial, com papel kraft leve preso por um elástico, denominados mangas ou sacos para frutos (vendidos na Profertyl, Magellan ou Nutrisol). Retire os sacos cerca de 1 mês antes da colheita para que os frutos ganhem cor. O método requer paciência, mas revela-se eficaz, especialmente se tiver o cuidado de desbastar bem as suas árvores de fruto para obter frutos de maior calibre!
- Recolha (por volta de meados de julho) o maior número possível de frutos bichados caídos no chão, bem como os que ficaram na árvore, a fim de limitar o número de lagartas antes de saírem do fruto para empuparem.
- A aplicação de elicitores (também chamados SDP – Estimuladores das Defesas das Plantas) é um método relativamente recente, bastante simples de realizar, utilizado atualmente em Agricultura Biológica. Trata-se simplesmente de aplicar preventivamente substâncias naturais como o açúcar ou a frutose na folhagem, a fim de estimular as suas próprias defesas naturais. Atenção, é imprescindível respeitar as doses, que são muito baixas! A dose de sacarose é de 0,1 g por 10 l de água e aplica-se de 15 em 15 dias, 7 a 10 vezes por temporada, a partir do fim da floração. Com Frutose, a dose passa para 1 g por 10 l de água, de 21 em 21 dias, 5 a 7 vezes por temporada.
- Pinte o tronco com cal no outono, um método tradicional para eliminar todos os parasitas que encontram refúgio nas cascas.
- A colocação de armadilhas sexuais de feromonas limita os acasalamentos ao difundir o odor da mariposa fêmea que, consoante a densidade das armadilhas, atrai os machos para a cola da armadilha ou os desorienta, tornando impossível o encontro dos parceiros. Se dispõe de um pomar grande, coloque uma armadilha a partir do final de maio de 15 em 15 m para capturar as mariposas da carpocapsa. A colocação de iscas açucaradas, mistura de mel e água, é eficaz se as renovar de 10 em 10 dias.

Armadilha de feromonas
- Existem nemátodos auxiliares e específicos para combater a carpocapsa das maçãs e das peras.
- Na fase «errante» da larva, aplique um inseticida (ao fim do dia) do tipo Carpovirusine, que transmite o vírus da granulose à lagarta sem afetar outros insetos, num total de 3 ou 4 tratamentos espaçados de 8 a 12 dias entre maio e junho, e depois entre julho e agosto para a segunda geração. Atenção, o produto conservado no frigorífico perde a validade ao fim de um ano. Pode alternar com uma aplicação de Bacillus thuringiensis (BT), que infelizmente apresenta casos de resistência no sudeste de França.
- Aplique macerado de urtiga como inseticida, de 7 a 15 dias em abril e maio nas macieiras e pereiras, na dose de 15 g/l de urtiga seca ou 75 g/l de urtiga fresca.
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