Existe algum corniso de folhagem persistente?
Sim, sim, existe...
Resumo
Nunca falha! Quando se fala de um género botânico de árvores ou arbustos, seja qual for, há sempre alguém que faz a pergunta fatal: “Existe algum de folhagem persistente?” Pois bem, no caso dos cornisos ou Cornus, a resposta é: sim!
E são mesmo muito bonitos e, na sua maioria, suficientemente rústicos para serem cultivados no nosso país. Conheça, nesta ficha de aconselhamento, os corniso de flores de folhagem persistente ou semi-persistente, como o Cornus capitata, o Cornus angustata, o corniso de Hong Kong ou ainda o fascinante Cornus urbiniana !
Nota: folhagem persistente ou semi-persistente, o que significa? Uma folhagem persistente renova continuamente as suas folhas, independentemente da estação. Cada uma delas tem uma duração de vida de 3 a 5 anos. Uma folhagem semi-persistente é um tipo de folhagem caduca que não cai imediatamente. As folhas deste tipo permanecem verdes e na árvore ou no arbusto durante todo o inverno, se o verão não tiver sido demasiado seco, se o inverno não for demasiado rigoroso, se não houver demasiado vento… Mas, logo na primavera, estas folhas serão substituídas pela nova folhagem.
Córniso-do-Himalaia: persistente em clima ameno
O Cornus capitata (sin. Benthamia capitata) é originário da região oriental dos Himalaias, mais precisamente de uma zona que se estende do Nepal à China, onde cresce nas orlas de florestas de coníferas e de folhosas, num clima ameno e húmido.
Este córniso-do-Himalaia apresenta um hábito arredondado e uma folhagem persistente (até -5°C), de cor verde-viva a verde-escura. A sua floração de fim da primavera, com brácteas brancas-creme tendentes para o amarelo, é magnífica. Os frutos, semelhantes a grandes morangos (mas sem o sabor!), que se seguem à floração, também são ornamentais. Este grande arbusto ou pequena árvore adapta-se a uma grande variedade de solos, desde que sejam drenantes e se mantenham frescos. A sua rusticidade situa-se entre -10/-12°C, talvez um pouco mais, consoante a drenagem do solo. No entanto, não suporta nem os grandes calores nem os frios intensos do inverno: reserve-lhe um local à sombra e bem protegido!
A saber: o Cornus ‘Norman Hadden’ resulta de um cruzamento entre o Cornus kousa e o Cornus capitata. O resultado deste cruzamento foi uma pequena árvore que produz grandes brácteas, que passam do branco-creme ao rosa intenso, e uma folhagem semi-persistente que adquire tons amarelos ou vermelhos no outono. Uma maravilha!
⇒ Uma palavra de Oli: o Cornus capitata pode crescer sem problemas no norte de França e até na Bélgica, desde que o solo seja suficientemente drenado. No entanto, na minha zona, perto de Lille, comporta-se mais como uma planta semi-persistente, ou até mesmo como uma planta caducifólia durante os invernos mais rigorosos ou ventosos. Não há motivo para preocupação: a folhagem voltará a surgir na primavera seguinte.

Cornus capitata (© Globetrotteur 17) e, à direita, o cultivar ‘Norman Hadden’
Corniso: verdadeiramente persistente
O Cornus hongkongensis ou corniso de Hong Kong é originário do sul da China, do Laos e do Vietname, onde cresce em florestas de árvores caducifólias. Trata-se de uma pequena árvore vigorosa, de hábito arbustivo e esbelto, cuja casca bege, percorrida por sulcos brancos, é muito decorativa no inverno. A folhagem é persistente, mas mutável: as folhas jovens apresentam tons púrpura, depois a folhagem torna-se verde, para finalmente adquirir tons alaranjados e castanho-púrpura no outono. Em junho-julho, este corniso revela uma infinidade de flores perfumadas, rodeadas por quatro grandes brácteas branco-creme. Esta floração é seguida por uma frutificação em setembro-outubro, sob a forma de frutos esféricos granuloso, vermelhos.
O cultivar ‘Parc de Haute Bretagne’ difere da espécie-tipo pela floração rosa-pálida. Em suma, é o mesmo, mas melhor.
Os corniso de Hong Kong são bastante rústicos (-12°C ou menos em solo drenante), mas receiam os ventos frios, sobretudo na primavera. Reserve-lhes um local protegido, de preferência à meia-sombra.
⇒ A pequena nota do Oli: o Cornus hongkongensis é provavelmente o corniso de flores (bem, de brácteas!) que cresce mais depressa. Em apenas dois anos de cultivo no meu jardim, já me ultrapassa ligeiramente, ou seja, um pouco mais de 170 cm.

Cornus hongkongensis
Cornus angustata: persistente em clima ameno
O corniso (sin. Cornus elliptica, Dendrobenthamia angustata) é originário do sudeste da China e pode tornar-se numa pequena árvore de 4 m em todas as direções. A folhagem é composta por folhas coriáceas, brilhantes, de um verde-claro, mas com reflexos em tons de rosa, que adquirem tonalidades vermelho-púrpura no outono, voltando a ficar verdes no inverno. A floração é constituída por pequenas flores verdes rodeadas por 4 brácteas branco-creme. É seguida por uma frutificação ornamental: frutos semelhantes aos do corneiro-do-japão.
O cultivar Cornus angustata ‘Empress of China’ (por vezes denominado ‘Elsbury’) é o mais vendido e o mais espetacular, com uma floração mais duradoura e abundante e um vigor excecional. É também um cultivar menos sensível ao frio do que a espécie-tipo.
⇒ Nota do Oli: o Cornus angustata ‘Empress of China’ resistiu de forma notável e surpreendente aos 3 meses de seca que se fizeram sentir este verão (norte de França). No entanto, embora seja rústico até -18°C, comporta-se mais como uma planta semi-persistente durante um inverno frio.

Cornus angustata (© Puddin Tain)
O caso particular do corniso-da-flórida
O Cornus florida subsp. urbiniana ou corniso com flores do México é uma subespécie do Cornus florida mais conhecido dos jardineiros. Esta pequena árvore surpreendente cresce nas florestas do leste do México. A floração é tão surpreendente quanto característica: as brácteas de um branco puro fecham-se em torno da flor, dando-lhe o aspeto de uma campainha-de-natal. A folhagem verde-azulada é semi-persistente, exceto durante os invernos frios. Convém protegê-la do frio, sobretudo durante os primeiros anos, e plantá-la à meia-sombra, no sub-bosque. Não suporta o sol abrasador.
Existe um cultivar com brácteas ligeiramente rosadas e folhagem quase dourada: o Cornus florida subsp. urbiniana ‘Le Try Soleil Printanier’. O Cornus florida var. pringlei, ainda mais raro, é semelhante a urbiniana, mas talvez seja um pouco mais rústico.
⇒ A palavrinha do Oli: este corniso é realmente uma pérola rara. Um dos Cornus mais procurados pelos colecionadores. No entanto, atenção: não resistirá abaixo de -10°C, mesmo num solo drenante e bem protegido. Além disso, esta árvore torna-se caduco por vezes logo a partir da primeira geada. Uma raridade a reservar para regiões de clima ameno e húmido.

Cornus florida subsp. urbiniana
Cornisos persistentes, mas ainda mais exóticos
Encontram-se cornisos em todos os continentes (bem, quase: faltam a Oceânia e a Antártida). Alguns, que infelizmente não podemos plantar no nosso país, crescem espontaneamente em África ou na América do Sul. Estes Cornus «tropicais» apresentam todos uma folhagem persistente.
É o caso de Cornus volkensii (ou Afrocrania volkensii), uma árvore de grande porte, com mais de 30 m, e a única espécie do género que é dióica, que cresce em África: no Congo, no sul do Sudão, até ao Quénia, Zimbabué e Tanzânia.
Cornus peruviana (sin. Swida boliviana) é uma árvore pequena (10 m), colonizadora de clareiras e encostas íngremes, que cresce no Peru, na Colômbia, no Equador, na Cordilheira dos Andes, na Bolívia e na Costa Rica.
Na América Central, encontra-se o maior de todos os cornisos (mais de 30 m): Cornus disciflora. Existe também uma espécie que forma uma árvore mais pequena, Cornus excelsa.
Em suma, como já se percebeu, o género Cornus é vasto e encontra-se um pouco por todo o mundo. As poucas espécies referidas neste último ponto foram mencionadas apenas a título informativo. Nenhuma destas espécies poderia viver no nosso país. Enfim… pelo menos por enquanto.
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