Jardim em média altitude: quais são as plantas adequadas e os erros a evitar?
Os nossos conselhos para ter sucesso no seu jardim em altitude média
Resumo
Geralmente, define-se a média altitude entre os 500 e os 1000 metros. Escusado será dizer que, a esta altitude, o jardineiro se depara com condições climáticas particulares. A esta altura, a natureza dita as suas leis e impõe o seu ritmo. As estações são mais curtas, as noites continuam frescas mesmo em pleno mês de julho e o vento pode transformar uma brisa suave numa corrente de ar fria e seca. Mas, ao mesmo tempo, reina uma luz intensa. Por isso, a perseverança, a humildade e a capacidade de adaptação são as principais qualidades do jardineiro. Ainda assim, cultivar um jardim na montanha oferece recompensas únicas. As cores das flores são muitas vezes mais vivas graças aos raios UV, e os sabores dos legumes, mais intensos.
Para ter sucesso no jardim de média altitude, não se trata de lutar contra os elementos, mas de aprender a adaptar-se a eles. Apresentam-se algumas orientações para evitar erros grosseiros.
Quais são as limitações da média altitude?
Antes de semear uma única semente ou de plantar um arbusto ou uma planta hortícola, é essencial compreender as diferenças entre um jardim de média altitude e um jardim de planície. As limitações são, aí, mais numerosas.
Um ciclo vegetativo curto
Num jardim situado a baixa altitude, é frequentemente possível começar a semear já em fevereiro, ou mesmo em março nas regiões com um clima menos ameno. As sementeiras e plantações podem prolongar-se até outubro ou mesmo novembro.
Em média altitude, a primavera instala-se muito mais tarde, frequentemente em maio ou mesmo em junho, e o inverno chega cedo, por vezes já em setembro. O jardineiro dispõe de uma janela de oportunidade reduzida, de cerca de 90 a 120 dias sem geadas fortes. Isto significa que cada dia conta. A escolha das variedades terá de privilegiar os ciclos curtos.
A amplitude térmica
Eis o maior desafio. Com efeito, na primavera ou no outono, em média altitude, é fácil passar de 25°C nas horas mais quentes do dia para 4 °C de madrugada. Escusado será dizer que muitas plantas, sobretudo as de origem exótica ou tropical, podem sentir uma espécie de stresse. Em contrapartida, as plantas alpinas adaptam-se naturalmente a estas amplitudes térmicas graças a mecanismos de proteção, como os pelos nas folhas ou o hábito rastejante.
Além disso, em média altitude, os invernos podem ser frios, com episódios de queda de neve mais ou menos intensos, períodos de geadas fortes e presença de nevoeiro húmido. Quanto às geadas, podem ser tardias na primavera e precoces no outono.
A intensidade dos raios UV
Talvez seja menos evidente, mas, em zonas de média montanha, os raios ultravioleta são mais fortes e, por isso, mais perigosos, pois podem provocar queimaduras nas plantas jovens.
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5 legumes de folha para horta em altitudeQuais são as plantas indispensáveis em média altitude?
Para um jardim de média altitude, é necessário apostar em valores seguros, que se mostrem resistentes ao frio e relativamente precoces. E, sobretudo, robustos. Eis uma pequena seleção de alguns vegetais fiáveis para um jardim de média altitude.
Os arbustos e as árvores ornamentais
- O sabugueiro ( Sambucus nigra) : resistente a tudo, oferece flores para fazer xaropes e bagas para as aves
- O pilriteiro (Crataegus) : muito rústico, suporta o vento e oferece uma magnífica floração primaveril
- O lilás (Syringa) : um clássico dos jardins de montanha. A sua floração tardia permite-lhe muitas vezes escapar às últimas geadas
- O rododendro : é ideal num canteiro de montanha, aprecia a humidade da altitude e mostra-se rústico até -30°C
- O lariço (Larix) : se houver espaço, é o rei da média montanha. É a única conífera a perder as agulhas e proporciona uma luz dourada no outono
- As pequenas fruteiras, como a groselheira, o framboeseiro e a groselheira-preta: são originárias de regiões frescas, florescem relativamente tarde e receiam os calores intensos
- A macieira ‘Belle fille de Salens’ : é uma antiga variedade de macieira originária do Jura, que floresce tardiamente, no final de maio, e produz em outubro maçãs crocantes, que se conservam bem
- A aveleira comum (Corylus avellana) : cresce naturalmente nas nossas florestas de montanha até aos 1 700 metros. É uma das primeiras árvores a florescer, anunciando o despertar da natureza, e oferece colheitas generosas no outono.

O sabugueiro, o pilriteiro, o lilás e o lariço apreciam a média altitude
As plantas perenes
As plantas perenes são preferíveis às anuais, pois desenvolvem um sistema radicular profundo, capaz de sobreviver ao inverno.
- A aquilégia : semeia-se espontaneamente e adora o frescor noturno
- O tremoço-de-jardim : fixador de azoto, estrutura o jardim com as suas espigas coloridas
- A genciana : para os solos mais ácidos, é o símbolo da resistência
- O milefólio : extremamente robusto, suporta a seca e o vento
- A centáurea das montanhas : é muito resistente e regressa todos os anos
- A anémona-do-japão : a sua floração no final da estação é magnífica
- O sédum de outono : é muito resistente aos ventos secos.

A aquilégia, o tremoço-de-jardim, o milefólio e a genciana desenvolvem-se bem em média altitude
Os legumes da horta
Na horta, é preferível escolher variedades precoces ou rústicas:
- Os legumes de raiz: rabanetes, cenouras, nabos e batatas-inglesas (a ‘Charlotte’ ou a ‘Bintje’) desenvolvem-se muito bem em altitude
- As folhas: espinafres, acelgas e alfaces espigam menos depressa do que na planície graças às noites frescas, sem esquecer as couves
- O ruibarbo : é uma planta fácil de cultivar em altitude.
Ainda assim, também é possível cultivar legumes de verão, mas é necessário dar preferência às variedades precoces.
Os erros clássicos a evitar
Certos hábitos de cultivo revelam-se catastróficos em média altitude.
Plantar demasiado cedo na primavera
É o erro número um. Um sol radioso em abril pode ser enganador. Na montanha, os «Santos do Gelo» (em meados de maio) são muitas vezes uma realidade bem concreta.
Espere até o solo estar realmente aquecido. Uma muda de tomate plantada demasiado cedo num solo a 8°C sofrerá uma paragem no crescimento da qual nunca recuperará, enquanto uma muda plantada em junho num solo a 15°C recuperará o atraso em duas semanas.
Subestimar o efeito secante do vento
Na montanha, o vento não é apenas frio: evapora a humidade das folhas a uma velocidade recorde. O solo pode estar húmido, mas a planta pode murchar, pois perde água mais depressa do que a absorve. O principal erro consiste, portanto, em não prever a instalação de corta-ventos, como sebes vivas, treliças, muros baixos…
Negligenciar a cobertura morta de inverno
Pensa-se muitas vezes que a neve é suficiente. É verdade que a neve é um excelente isolante, pois mantém o solo a cerca de 0°C, mesmo quando estão -15°C no exterior. Mas, se o inverno for frio e sem neve, as raízes podem congelar. É, portanto, necessário aplicar uma camada generosa de cobertura morta com folhas mortas ou palha antes das primeiras descidas acentuadas da temperatura.
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5 legumes de raiz para horta na montanhaQue estratégias adotar em média montanha?
Para ganhar alguns graus ou alguns dias de crescimento que farão a diferença, o jardineiro de altitude deve ser engenhoso:
- Será necessário aproveitar a melhor exposição: um muro de pedra seca exposto a sul permite acumular o calor que restitui durante a noite. É o local ideal para tentar cultivar plantas mais frágeis. Pelo contrário, evite as zonas baixas das encostas, onde se acumula o ar frio
- Recomenda-se investir em estufins e estufas, que podem ser necessários para os legumes de verão, como os tomates, os pimentos e os pepinos. Ao escolher uma estufa, esta deve ser extremamente resistente para suportar o peso da neve e as rajadas de vento. Os modelos em policarbonato ou em vidro hortícola reforçado são preferíveis aos túneis de plástico flexível, que podem ser levados pelo vento ou rasgar-se
- O cultivo em recipientes é também uma solução interessante. Ao cultivar em recipientes elevados, ganham-se graus preciosos, pois a terra aquece mais rapidamente do que em plena terra.

O cultivo em recipientes é ideal para a média altitude
Calendário das culturas em média montanha
Este calendário pode ser seguido a título indicativo, embora os anos não sejam todos iguais:
- Março-abril: sementeira no interior, junto a uma janela virada a sul ou sob uma lâmpada, de legumes de verão
- Maio: preparação do solo. Aplicação de composto. Podem semear-se as ervilhas e as favas, que não receiam as geadas ligeiras
- Meados de junho (depois do dia 10): plantação dos tomates (com proteção durante a noite no início), das abóboras-gigantes e dos feijões
- Julho-agosto: manutenção, rega e vigilância face às tempestades de granizo
- Setembro: colheita das culturas sensíveis. Começa-se a cobrir os canteiros de cultivo para prolongar a época
- Outubro: limpeza, plantação dos bolbos de primavera (tulipas, narcisos), que precisam do frio do inverno para florescer.
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