Poda em nuvem ou niwaki
Técnica de formação e manutenção de um niwaki
Resumo
A poda em nuvem ou niwaki é inspirada nos jardins japoneses da época de Edo (séculos XVII ao XIX). É uma arte topiária que consiste em formar plataformas na ramagem de uma árvore ou arbusto. O objetivo é realçar a arquitetura do tronco e dos ramos principais que se decide conservar, como na técnica do bonsai. Trata-se depois de definir um equilíbrio entre os eixos e a folhagem conservada, que se poda em andares para dar uma silhueta pitoresca ao exemplar, que parece assim esculpido pelo vento.
A compra de uma árvore já formada tornou-se algo habitual, nomeadamente em oliveiras, pinheiros, buxos e azevinhos, e isto apesar de um preço bastante elevado, pois esta condução requer vários anos de formação e uma certa arte para dar à árvore uma forma harmoniosa. Caberá então ao jardineiro amador conservar a silhueta e as suas proporções ao longo dos anos, segundo uma técnica bastante simples.
Que espécies escolher para a poda em nuvem?
As espécies persistentes como as coníferas são muito apreciadas pois constituem uma decoração permanente, quase imutável, são pouco exigentes e requerem pouca manutenção.
Entre os pinheiros, prefira espécies de agulhas curtas como Pinus thunbergii, parvifolia, densiflora, sylvestris, bem como a maioria das formas anãs destinadas a composições rochosas, para formar um pequeno exemplar de 1 a 3 m de altura ou uma bonsai.
Outros géneros podem também ser trabalhados em nuvem como o cipreste (Cupressus), o cipreste-hinoki (Chamaecyparis obtusa), a tuia (Thuja), o teixo (Taxus) ou o zimbro (Juniperus)… É uma forma perfeita de renovar o interesse por uma árvore antiga que se tornou demasiado densa, volumosa e sem forma (desprovida de folhagem na base, como acontece frequentemente).
As caducifólias de crescimento lento toleram também muito bem esta condução em nuvem quando apresentam folhas pequenas e ramos flexíveis, como o azevinho-japonês (Ilex crenata), a cárpea (Carpinus betulus) e, claro está, o buxo (Buxus).

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A poda começa muito cedo nos pinheiros, que são os vegetais geralmente escolhidos para esta forma de condução quando atingem 1,50 a 2 m de altura, ao passo que pode intervir muito tarde em velhos Juniperus ou buxos volumosos que se pretende renovar.
Num buxo centenário que pretenda transformar em niwaki, proceda em 2 fases: comece por libertar o tronco na primavera e realize depois a poda em nuvens em agosto.
A modelação do tronco e dos ramos principais executa-se o mais cedo possível, de forma a poder torcer ou inclinar os ramos sem os partir, e pode prosseguir ao longo de toda a vida da árvore em função do aspeto definitivo desejado. Se quiser poupar tempo, escolha nos viveiros pinheiros com um aspeto interessante pelo carácter tortuoso do tronco e dos ramos.
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Em que época do ano se realiza a poda em nuvens?
A formação da arquitetura dos troncos e ramos principais
Escolha de preferência o período compreendido entre setembro e abril para as coníferas e as folhosas de folha persistente. As espécies caducifólias são podadas durante o repouso vegetativo, ou seja, entre novembro e o final de março.
A manutenção das nuvens e poda dos novos rebentos em patamares
Realiza-se todos os anos de abril ao final de junho para as coníferas e de abril a setembro para todos os outros vegetais.

Como realizar uma poda em nuvem?
O princípio
Trata-se de expor o tronco e a base dos ramos principais, modificando por vezes a inclinação destes para dar uma forma assimétrica.
Depois, deixar o olhar percorrer o espaço, criando as famosas nuvens que acentuam a perspetiva do jardim e dão a impressão de estar perante uma árvore antiga da natureza, com formas tortuosas.
A poda deve manter um equilíbrio entre as dimensões da planta e o volume da sua folhagem.
A execução da poda em nuvem
A formação dos troncos e dos ramos principais
Pode desde já acentuar o aspeto tortuoso do exemplar inclinando o tronco de um pinheiro com 1,50 a 2 m de altura aquando da sua plantação. São necessários vários anos de intervenção para obter uma forma acabada de niwaki. É importante proceder pela ordem seguinte para não se perder:
- Com um serrote de poda ou uma tesoura de poda resistente, retire os ramos secos, exceto se alguns ramos mortos acrescentarem um lado estético, bem como os ramos desajeitados ou danificados;
- Corte de seguida os ramos verticais e demasiado vigorosos;
- Liberte o tronco até atingir o primeiro ramo de estrutura;
- Dê a volta ao exemplar, observando-o com atenção sob todos os ângulos, com o objetivo de selecionar os melhores ramos a conservar:
- Evite que se sobreponham, para que o sol possa atingir toda a folhagem;
- Privilegie os ramos de estrutura horizontais, distribuídos regularmente ao longo do tronco.
- Limpe os ramos de estrutura e o tronco de todos os pequenos raminhos frondosos, de modo a conservar apenas tufos de folhagem nas extremidades. Se necessário, encurte o ramo de estrutura de forma a criar andares homogéneos.
- Aproveite para descer do escadote e avaliar a árvore no seu conjunto: recue e contorne-a, tirando fotografias se necessário. As nuvens de folhagem e os espaços vazios devem distribuir-se por toda a estrutura de forma homogénea, tanto na vertical como na horizontal, evitando sempre a simetria dos ramos.
Importante: Se retirar demasiada folhagem de uma vez, a planta vai reagir produzindo rebentos em abundância e todo o trabalho terá de recomeçar. Atue ao longo de 2 anos se necessário, limitando-se a retirar no máximo 1/3 da folhagem por ano.
- Para modificar a inclinação de um raminho fino, é importante agir com suavidade, usando cordas finas que não estrangulam o raminho. Em raminhos de maior calibre, utilize extensores de borracha (tipo câmara de ar), aumentando progressivamente a tensão, pois o ramo pode ceder sem aviso.

A formação ou escultura das nuvens
Consoante a precisão da poda, utilize uma tesoura de lâminas curtas, uma tesoura de buxo ou uma tesoura de bonsai:
- Molde uma forma plana na base da nuvem e arredondada no topo, de modo a obter uma silhueta em andares. Este trabalho exige paciência.
- Monitorize regularmente a evolução da silhueta e passe a mão pelos raminhos para retirar os rebentos com cuidado.
- Realize até 3 podas por ano para densificar as nuvens.
A manutenção de um niwaki
Uma poda repetida dos rebentos acaba por formar uma massa demasiado densa de pequenos ramos, dos quais uma parte morre por falta de luz. Logo que observe manchas castanhas ou secagem, é urgente intervir para desbastar as nuvens.
Pode intervir em qualquer altura do ano nos pinheiros e antes do abrolhamento de primavera nas árvores de folha caduca.
Retire com uma pequena tesoura de poda ou uma tesoura de bonsai uma parte dos ramos muito ramificados de forma a criar espaços. Este desbaste permitirá a renovação dos raminhos da nuvem.
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