Primavera muito húmida: como ter sucesso nas plantações?
Adote as medidas certas para proteger as raízes da asfixia e do apodrecimento
Resumo
Jardinar sob uma chuva persistente ou trabalhar um solo saturado de água é um verdadeiro desafio técnico que põe a paciência do jardineiro à prova. Se a água é, por natureza, a fonte de toda a vida no jardim, o seu excesso na primavera torna-se, paradoxalmente, um veneno: ao preencher as microcavidades do solo, expulsa o ar indispensável, asfixia brutalmente as radículas e cria condições ideais para o apodrecimento e para as doenças criptogâmicas.
Ainda assim, uma meteorologia caprichosa não significa a interrupção total das atividades. Para evitar que as suas plantações definhem antes mesmo de criarem raízes, é importante reaprender a observar o seu terreno e adaptar os seus hábitos de cultivo. Eis como adaptar com precisão as suas práticas e os seus métodos para evitar perder as nossas plantas, quer na horta, quer no pomar ou nos nossos canteiros ornamentais.
Horta: truques engenhosos contra a asfixia e a podridão
A sementeira «fora do solo» para ganhar um tempo precioso
Em vez de lutar contra um solo saturado, leve o cultivo para sob abrigo (estufa, estufim ou simplesmente o parapeito de uma janela).
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Faça a sementeira em placas alveoladas ou em vasinhos. Isso permite controlar com precisão a humidade e a temperatura do substrato.
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Enquanto espera que a sua horta «seque» (elimine o excesso de água), as plantas desenvolvem um sistema radicular denso e vigoroso.
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Assim, quando o solo finalmente estiver praticável, não instalará uma semente frágil, mas uma planta robusta com 10 a 15 cm. Esta terá a força necessária para absorver o excesso de água e resistir aos ataques de fungos e lesmas, muito mais frequentes em meios húmidos.
A técnica do camalhão: cultive «em altura»
O camalhão (ou cultivo em canteiro elevado comprido) é uma excelente técnica dos produtores hortícolas que têm de cultivar em zonas húmidas ou em solos argilosos.
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Implementação: com uma enxada ou um ancinho, puxe o solo para formar linhas elevadas com cerca de 15 cm de altura.
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A drenagem natural: pela simples ação da gravidade, a água escorre do topo do camalhão para os caminhos. O centro da zona de plantação mantém-se assim arejado, evitando que as raízes fiquem mergulhadas numa «piscina» subterrânea.
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O ganho térmico: um solo elevado já não é arrefecido pela água estagnada. Capta muito melhor os raios solares, mesmo quando são ténues. Resultado: ganhará 2 a 3°C ao nível das raízes, o que favorece literalmente a retoma do crescimento dos legumes.

A técnica do camalhão é amplamente utilizada pelos profissionais em solos húmidos.
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10 árvores para um solo pesado e húmidoPomar: prevenir as doenças das raízes
A plantação
Num solo argiloso ou encharcado, cavar uma cova convencional equivale a criar uma depressão impermeável onde a água ficará estagnada. As raízes, privadas de oxigénio, acabam por apodrecer: é o que se chama podridão radicular.
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A solução: não cave em profundidade. Instale o torrão da árvore praticamente ao nível do solo original, ou mesmo ligeiramente acima.
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O domo protetor: coloque terra (misturada com composto e um pouco de areia) à volta, formando um talude ou um «domo» que cubra as raízes. A água da chuva deslizará pelas encostas deste domo, em vez de se acumular junto à base do tronco.
A escolha estratégica do porta-enxerto
Se o terreno for naturalmente húmido, escolha criteriosamente o porta-enxerto no qual a variedade frutífera está enxertada.
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Os mais resistentes: nas macieiras, os porta-enxertos do tipo MM106 toleram melhor os solos frescos. Nas ameixeiras, o Saint-Julien é uma escolha segura para solos pesados.
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Os mais sensíveis: evite absolutamente as cerejeiras (frequentemente enxertadas em merisier ou Sainte-Lucie) e os damasqueiros nas zonas que permanecem encharcadas durante demasiado tempo; detestam ter as raízes submersas e podem definhar numa única primavera.
Tutoragem reforçada
Um solo impregnado de água perde toda a capacidade de suporte. Torna-se uma espécie de lama macia que já não segura as raízes dos jovens garfos.
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O risco: ao mais pequeno golpe de vento, a árvore oscila. Este movimento de balanço cria uma bolsa de ar (ou de água) à volta do colo, o que fragiliza a ancoragem e pode rasgar as jovens radículas em formação.
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A técnica: opte por uma tutoragem inclinada (voltada para o vento dominante) ou por uma tutoragem dupla, ligada por uma travessa. Enterre os tutores profundamente, muito para além da zona de terra macia, para garantir uma estabilidade total enquanto o solo recupera a firmeza.
Uma pequena nota do Oli: se plantar quando estiver a chover muito, evite «compactar» a terra com o pé com toda a força. Uma boa rega (sim, mesmo debaixo de chuva!) será suficiente para pôr a terra em contacto com as raízes sem compactar o solo.
No jardim ornamental: salvar as flores e os bolbos
Bolbos de verão
As dálias, gladíolos, canas-da-Índia e begónias são órgãos de reserva ricos em açúcares. Em terra fria e encharcada, tornam-se verdadeiras esponjas para os fungos e apodrecem em poucos dias.
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O truque da camada de areia: no momento da plantação, nunca coloque o bolbo diretamente sobre a terra nua no fundo da cova. Coloque uma camada de 3 cm de areia de rio, cascalho fino ou lava. Coloque simplesmente o bolbo por cima e cubra-o depois com terra (ou substrato). Esta camada de areia ou de cascalho permitirá que a água escoe imediatamente para longe da base do bolbo, onde as raízes começam a desenvolver-se e onde frequentemente começa o apodrecimento.
Plantas perenes mediterrânicas
As plantas de sol, como as alfazemas, as sálvias ou as santolinas, estão adaptadas à seca, mas de modo algum aos solos húmidos. As suas raízes precisam de uma drenagem perfeita.
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Adiar a plantação: se o seu solo for uma esponja, espere obrigatoriamente que a terra escorra antes de plantar.
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Elevar: se for absolutamente necessário instalá-las, plante-as sobre pequenas elevações de terra ou integre-as num jardim de rochas. O objetivo é que a base da planta (o colo) fique sempre situada num ponto alto, para que a água nunca fique retida no centro da touceira.
O caso particular das roseiras
A humidade persistente na folhagem, combinada com a suavidade primaveril, é a combinação favorita das doenças. A mais temida é a “doença das manchas negras” (marsonia), que desfolha prematuramente as roseiras. Para saber mais, leia a nossa ficha sobre as doenças das roseiras.
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Uma boa circulação do ar: não plante demasiado junto. Ao deixar 10 a 20 % de espaço adicional entre cada planta, permite que o vento circule. Uma folhagem que seque em 30 minutos depois de um aguaceiro corre muito menos riscos do que uma folhagem que permaneça molhada durante todo o dia.
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Limpeza preventiva: retire as folhas inferiores que tocam no solo molhado; são as primeiras portas de entrada para os esporos de fungos que ressaltam com as gotas de chuva.

As plantas que apreciam ter “os pés secos” beneficiam quando são plantadas num jardim de rochas ou sobre uma elevação de terra.
Os gestos indispensáveis
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Evite pisar no solo: pisar em solo molhado fecha todas as galerias de ar. Utilize pranchas de circulação para distribuir o peso.
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A falsa boa ideia: a cobertura morta espessa. Num ano seco, recorre-se à cobertura morta para conservar a água. Num ano húmido, uma cobertura morta espessa impede a evaporação da água do solo e favorece o aparecimento de lesmas. Deixe o solo descoberto durante alguns dias assim que surgir um raio de sol, para «enxugar» a superfície.
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As ferramentas certas: ao contrário da pá de cova, a forquilha de cavar e a forquilha biológica não asfixiam o solo ao criarem uma camada lisa e impermeável. Permitem arejar o solo sem o revolver.

A forquilha de cavar ou forquilha de jardim respeita o solo e é ideal quando a terra está encharcada.
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