Resumo

Modificado 0,01  por Virginie T. 10 min.

Os Acorus em poucas palavras

  • O ácoro-gramíneo e o ácoro são plantas perenes fáceis de cultivar, ideais para ornamentar os arredores dos pontos de água ou as zonas pantanosas
  • Considerados plantas aquáticas semi-imersas, os ácoros cultivam-se tanto em canteiro encharcado como em tina aquática no terraço
  • Crescem em tufos decorativos, semi-persistentes, unicolores ou variegados
  • Preferem exposições ensolaradas e de meia-sombra
  • Rústicos e resistentes, desenvolvem-se bem em solo pesado e húmido, trazendo volume às composições aquáticas
Dificuldade

A palavra da nossa especialista

O ácoro, Acorus, também chamado “ácoro-gramíneo”, é uma elegante planta perene de margem húmida que forma belas touceiras eretas revestidas de uma folhagem longamente afilada e muito ornamental. O ácoro é muito procurado pelas suas variedades variegadas, como os Acorus gramineus ‘Variegatus’, ‘Ogon’ ou o Acorus gramineus ‘Argenteostriatus’.

Esta planta aquática semi-imersa é também utilizada em fitoterapia pelas suas propriedades, em especial a espécie Acorus calamus ou “ácoro”: os seus rizomas com aroma de alcaçuz libertam uma substância ativa que, apesar de um uso ancestral, poderia aumentar o risco de cancro, embora este ponto seja ainda objeto de debate.

Do miniature Acorus gramineus ‘Hakuro Nishiki’ com apenas 15 cm de altura, frequentemente utilizado em segundo plano num aquário, ao grande Acorus calamus que pode ultrapassar 1 m de altura, os ácoros oferecem muitos outros atrativos e pode simplesmente optar por utilizá-los para ornamentar as margens de um tanque ou em tina aquática no terraço!

À semelhança do carriço, o ácoro é uma falsa gramínea que cresce com as raízes submersas, que prospera sempre em solo húmido, ou mesmo encharcado, e se estende em águas pouco profundas.

Bastante resistente ao frio e pouco exigente quanto à natureza do solo, é fácil de cultivar ao sol ou a meia-sombra, em qualquer local onde o solo se mantenha molhado, pois não tolera a seca.

Ideal em solo pesado, húmido e pantanoso, indispensável na orla dos pontos de água, o ácoro confere um belo volume às cenas aquáticas que ilumina com a sua folhagem de linhas marcadas.

Descubra os nossos ácoros para valorizar os seus pontos de água doce e deixe-se seduzir pela nossa seleção de plantas perenes de margens.

Descrição e botânica

Ficha de identidade

  • Nome latino Acorus
  • Família Araceae
  • Nome comum Ácoro, Ácoro-gramíneo, Cana aromática, Calamo
  • Floração junho-julho
  • Altura 0,20 a 1,20 m
  • Exposição Pleno sol, meia-sombra
  • Tipo de solo solo húmido
  • Rusticidade -5-15°C

O ácoro, Acorus ou calamo, também chamado “ácoro-gramíneo” ou “cana aromática”, é uma planta perene herbácea da família das Aráceas, como os jarros. Esta planta aquática é originária do Japão, da Coreia e do leste da Ásia, onde cresce espontaneamente nas margens de cursos de água, de valetas húmidas, em águas pouco profundas e em zonas pantanosas.

Encontram-se duas espécies cultivadas: o Acorus calamus ou ácoro e o Acorus gramineus ou ácoro-gramíneo. Deram origem a algumas cultivares, nomeadamente ‘Variegatus’ ou ‘Ogon’, que se distinguem por uma folhagem variegada de amarelo-creme ou amarelo vivo. O Acorus gramineus ‘decoratus’ e o Acorus gramineus ‘Pusillus’ são cultivares muito apreciados pelos aquariofilistas para a decoração de aquários, não ultrapassando os 15 cm de altura.

O Acorus desenvolve-se de forma bastante lenta a partir de uma raiz rizomatosa pouco rastejante, formando uma bela touceira de hábito ereto, ligeiramente aberta em leque, de 15 cm até 1,20 m de altura por 60 cm de largura no caso do Acorus calamus. O Acorus gramineus apresenta um desenvolvimento menor, formando touceiras mais modestas que não ultrapassam os 30 cm de altura. Em alguns anos, a touceira ganha volume graças aos seus finos rizomas ramificados que se estendem, sem nunca se tornarem invasivos. Suportam uma imersão até -10 a 15 cm de água. São comestíveis e libertam um forte odor aromático que lembra o alcaçuz.

O Acorus é notável pela sua folhagem semi-persistente em clima ameno, muito decorativa durante boa parte do ano e de aspeto graminiforme. Destes rizomas superficiais ou semi-imersos emergem grandes folhas lineares e pontiagudas, eretas em forma de espada, com 8 a 35 cm de comprimento e cerca de 2 cm de largura, coriáceas, espessas, com a nervura central marcada e as margens finamente onduladas. Semelhantes a longas fitas brilhantes e cortantes, imbricadas umas nas outras em leque, assemelham-se às do íris amarelo (Iris pseudoacorus), mas libertam ao toque um ligeiro perfume anisado ou a lima-persa. Aromática, esta folhagem é igualmente comestível e perfumará subtilmente uma salada.

gramínea acorus

Acorus calamus – ilustração botânica

As duas espécies-tipo, o Acorus calamus e o Acorus gramineus, com folhagem de um belo verde lustroso, deram origem a cultivares com tonalidades soberbiamente variegadas e subtilmente riscadas de creme e de amarelo; verde chartreuse marginado de amarelo dourado na cultivar ‘Ogon’, verde vivo riscado de branco-creme na Acorus calamus ‘Variegatus’ e na Acorus gramineus ‘Variegatus’, ou ainda estriado de prateado na Acorus gramineus ‘Argenteostriatus’. No início da brotação, os jovens rebentos apresentam reflexos rosados.

Se esta planta aquática surpreende pela luminosidade da sua folhagem, a sua floração, quando ocorre, é muito mais discreta, pois o ácoro só floresce se tiver as raízes submersas. Sem grande expressão, as flores com 6 pétalas amarelo-esverdeadas reunidas em pequenas espigas cilíndricas aparecem em junho-julho e têm pouco interesse ornamental.

O Acorus tem uma rusticidade variável consoante as variedades, mas é mais rústico do que se pensa, suportando temperaturas que vão de -5°C a -15°C, por vezes mais, dependendo das condições de cultivo. Nas regiões frias, o cultivo em vaso a recolher na estação desfavorável é mais indicado.

Aprecia um solo pesado, permanentemente húmido ou mesmo em água pouco profunda, a meia-sombra nas regiões do Sul para preservar as variedades de folhagem variegada, a pleno sol em todas as outras.

O Acorus é a planta ideal nas margens de um lago ou de um charco, para iluminar um canto fresco do jardim. Pode também ser utilizado em borda de canteiro ou de caminho permanentemente húmido, e ainda em alguidar ou em vaso aquático.

O rizoma seco do Acorus calamus ou “ácoro”, possui propriedades aromáticas e medicinais utilizadas há milénios em herboristeria sob a forma de infusão e em fitoterapia pela sua ação digestiva.

Principais espécies e variedades

Encontram-se duas espécies de ácoros nos nossos jardins, que deram origem a cultivares com folhagem variegada muito luminosa numa zona de meia-sombra:

  • o Acorus calamus ou «Ácoro ou Junco-odorante», que é aromático e medicinal, e o mais alto, podendo atingir 1,20 m. A sua cultivar Acorus calamus ‘Variegatus’, também chamada «Ácoro-variegado», apresenta dimensões mais modestas, não ultrapassando 1 m de altura.
  • o Acorus gramineus ou «ácoro-gramíneo» é muito semelhante ao anterior, mas oferece dimensões mais reduzidas, com apenas 20 a 30 cm de altura. Também existe em cultivares com folhagem variegada, como Acorus gramineus ‘Variegatus’ e Acorus gramineus ‘Ogon’.

As nossas preferidas

Acorus gramineus Variegata

Acorus gramineus Variegata

Uma bela variedade com folhagem luminosa orlada de creme ou amarelo vivo. Instala-se junto ao lago, em menos de 10 cm de água, para ornamentar cascatas e riachos!
  • Período de floração Julho, Agosto
  • Altura à maturidade 30 cm
Acorus gramineus Ogon

Acorus gramineus Ogon

Uma pequena variedade com folhagem variegada ao mesmo tempo densa e fina, que permanece decorativa durante boa parte do ano. Pode também colocá-la numa tina ou num jardim com solo particularmente pesado e húmido.
  • Período de floração Julho, Agosto
  • Altura à maturidade 40 cm
Acorus calamus Variegatus

Acorus calamus Variegatus

Esta cultivar distingue-se por uma folhagem muito elegante. O seu tamanho modesto permite plantá-la na margem de um espelho de água, num canteiro em solo muito húmido ou ainda num grande vaso para criar um mini-jardim aquático!
  • Período de floração Julho, Agosto
  • Altura à maturidade 50 cm

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Plantação

Onde plantar o ácoro ou ácoro-gramíneo ?

Esta planta perene rizomatosa semi-aquática tem uma rusticidade moderada e tolera temperaturas entre -5 °C e -15 °C consoante as variedades, sendo o Acorus calamus a mais rústica de todas.

Pode acontecer que, em climas mais rigorosos, não resista às geadas fortes abaixo de -10 °C, razão pela qual é preferível cultivar o ácoro em vaso para ser recolhido no inverno num local luminoso e protegido do gelo. A planta é sensível ao frio nos primeiros anos, mas uma vez bem estabelecida, ganha em rusticidade.

Resistente à maresia, é uma boa planta para zonas costeiras, ideal em jardins à beira-mar.

Planta de margem húmida, aprecia as zonas encharcadas e de meia-sombra do jardim. Prefira uma exposição de meia-sombra em regiões quentes, para evitar que o sol intenso danifique a folhagem dos ácoros variegados.

O ácoro cresce num solo de preferência ácido, rico e humífero, húmido durante todo o ano, preferindo terrenos argilosos. Aceita mesmo uma submersão permanente a baixa profundidade, de 10-15 cm.

Escolha bem o local de plantação, pois uma vez bem instalado, o ácoro não aprecia ser transplantado.

Usado isolado ou plantado em grupo, o ácoro ou ácoro-gramíneo estrutura o espaço e acrescenta relevo, amplitude e luminosidade às zonas frescas e húmidas do jardim, sendo indispensável nas proximidades de um espelho de água. Muito decorativo, pode também ser usado na borda de um canteiro ou de um caminho que se mantenham permanentemente húmidos. Em vaso ou numa grande bacia, onde a terra deve ser mantida constantemente húmida, permite compor um mini-jardim aquático e acrescentará um toque de fantasia e modernidade aos terraços.

ácoro

Acorus gramineus

Quando plantar o ácoro ou ácoro-gramíneo ?

A plantação do ácoro faz-se preferencialmente na primavera, de março a maio, quando já não há risco de geada.

Como plantar o ácoro ?

Em plena terra ou em vaso, certifique-se de que a planta nunca fica sem água. Encontre os gestos certos para plantar bem uma planta perene no nosso vídeo!

Em plena terra

Espaçe os vasinhos de ácoro cerca de 30 cm e plante aproximadamente 7 pés por m² consoante o tamanho na maturidade, para uma boa densidade num canteiro: plante no mínimo 3 pés da mesma variedade. O ácoro-gramíneo pode ser plantado em solo não encharcado, mas que se mantenha fresco a húmido e com alguma sombra.

  • Afofar bem o solo e cavar um buraco de 2 a 3 vezes o volume do vaso
  • Plantar o torrão do ácoro no centro do buraco numa mistura de terra franca e terra de folhas
  • Tapar o buraco e compactar ligeiramente com o pé
  • Cobrir a base com palhiça orgânica para manter o frescor do solo e regar abundantemente na plantação, depois muito regularmente para manter a terra constantemente húmida

Plantação de um ácoro na borda de um lago

O ácoro é uma planta de zonas pantanosas que pode ser plantado na margem de um lago, perto da água mas sem ficar submerso. Para evitar que se torne demasiado invasivo, pode plantá-lo em contentores na borda da margem: a planta ficará assim mais fácil de recolher em climas frios.

  • Num solo enriquecido com matéria orgânica, enterre os rizomas a cerca de 10 a 15 cm

Plantar um ácoro em vaso

  • Encha um vaso ou uma bacia de zinco não furada com pelo menos 50 cm de diâmetro com substrato para plantas aquáticas
  • Plante o torrão solto ou colocado num cesto perfurado para plantações aquáticas
  • Regue de forma a manter o substrato constantemente húmido
  • Recolha o vaso ao abrigo do gelo no outono nas regiões frias
ácoro em vaso

O Acorus gramineus ‘Ogon’ adapta-se bem ao cultivo em vaso!

Manutenção e cuidados

O Acorus é fácil de cultivar nas regiões onde o frio não é intenso.

Esta planta considerada de pântano não suporta a secura: em vaso como em plena terra, cuide para que o substrato se mantenha constantemente encharcado, e regue em conformidade.

Proteja a base da planta com uma boa cobertura orgânica (liteira de folhas mortas) para conservar a humidade do solo no verão e proteger as suas raízes rizomatosas do frio no inverno, sobretudo nas regiões mais frias, durante pelo menos os 2 a 3 primeiros anos.

Os acoros cultivados em vaso apreciam um aporte de matéria orgânica (do tipo chifre moído ou composto) na primavera e no verão. Regue abundantemente durante o período de crescimento: a terra nunca deve secar, mesmo no inverno.

A manutenção resume-se a uma simples limpeza das touceiras no final do inverno: corte rente as folhas murchas, mirradas ou totalmente amareladas, e corte as inflorescências murchas. Adote os gestos certos seguindo os nossos conselhos sobre a poda das gramíneas!

Nas regiões com invernos mais frios, leve os seus acoros para um compartimento fresco e luminoso, ao abrigo do gelo, mantendo as regas.

A cada três ou quatro anos, divida as touceiras mais antigas para as rejuvenescer, pois, como acontece com todas as plantas perenes, as plantas tendem a perder vigor ao longo dos anos.

À exceção das limneas, gastrópodes de água doce frequentes em poças e lagos, que podem eventualmente devorar as folhas jovens, o Acorus não tem qualquer inimigo: elimine os seus ovos aglutinados sob as folhas e capture-as com folhas de alface colocadas sobre a água, das quais se desfará.

Multiplicação

A multiplicação dos Acorus faz-se por divisão de tufos na primavera. Esta permite perpetuar a planta, mas também rejuvenescê-la. Pratica-se em tufos bem enraizados com 3 ou 4 anos.

  • Com uma pá, retire fragmentos de rizomas na periferia que tenham algumas folhas e gomos
  • Corte as folhas ao meio
  • Replante imediatamente as secções de rizomas em vasos ou em plena terra, numa mistura de boa terra de jardim e composto de folhas
  • Mantenha a terra sempre húmida

→ Como multiplicar o Acorus dividindo os seus rizomas?

→ Siga passo a passo as etapas essenciais no nosso vídeo!

Associar o Ácoro

Com a sua folhagem elegante, por vezes salpicada de creme ou de amarelo, e a sua silhueta muito gráfica, o Acorus traz sempre muita luminosidade, volume e estrutura nas zonas húmidas do jardim e nas proximidades dos pontos de água. Em climas amenos, permite manter um belo jardim mesmo no inverno com a sua folhagem persistente.

Com o seu aspeto de gramínea semi-aquática, combina com uma multitude de plantas e integra-se em todos os jardins contemporâneos, selvagens ou naturais. Merece um lugar de destaque na borda de lago, num grande canteiro encharcado ou num terraço contemporâneo.

É indispensável nas composições aquáticas num jardim de água na companhia de outras perenes de margens húmidas como as astilbes, os carriços, os juncos dos jardineiros, as barba-de-bode, os acónitos, as alquémilas, as eufórbias-dos-pântanos, as canas, as rodgérsias e as filipêndulas.

As suas folhas esguias formam um belo contraste com o hábito mais amplo e fluido dos fetos-reais, das hostas e das eufórbias-dos-pântanos.

Num canteiro húmido, rodeie os seus ácoros-gramíneos de plantas com flor de porte ereto como os íris amarelos, os lírios japoneses, as salgueirinhas, as lisimáquias, as liguláricas e as prímulas candelabro.

Recursos úteis

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