Resumo

Modificado 0,01  por Virginie T. 9 min.

A Salgueirinha em poucas palavras

  • Adaptada a zonas húmidas, Lythrum ou salgueirinha é a planta perene ideal para ornamentar os arredores dos pontos de água, as rochas húmidas ou os canteiros em terrenos pantanosos
  • É dotada de uma graciosa floração estival em espigas, geralmente rosa e malva
  • De cultivo fácil, prefere situações húmidas, embora se satisfaça também com qualquer boa terra de jardim que se mantenha fresca no verão
  • Não necessita de qualquer manutenção, exceto rega se o calor se instalar
  • Esta grande perene rústica de hábito esguio confere verticalidade aos jardins naturalistas
Dificuldade

A palavra da nossa especialista

A salgueirinha, Lythrum em latim, é uma vigorosa planta perene de solo húmido ou pantanoso. A salgueirinha comum (Lythrum salicaria), também conhecida como «erva-das-cólicas», é a espécie mais difundida nos nossos jardins. Planta medicinal e comestível, possui inúmeras propriedades e benefícios, concentrados sob a forma de cápsulas ou de tintura mãe. Consoante as variedades, exibe durante todo o verão longas espigas de flores rosa carmim brilhante no Lythrum salicaria ‘Robert’, rosa pálido no Lythrum salicaria ‘Blush’, ou ainda rosa púrpura no Lythrum virgatum ‘Dropmore Purple’.

Encontra-se a salgueirinha em estado selvagem nas margens dos cursos de água e das ribanceiras húmidas.

Preferindo os lugares húmidos, sente-se bem nas proximidades dos pontos de água, nas zonas frescas dos jardins naturais, onde forma touceiras espetaculares por vezes com até 1,80 m de altura! Cultiva-se tanto em canteiro que se mantenha fresco como em vaso encharcado. Aventura-se por vezes até à própria água, mantendo a cepa parcialmente submersa.

Vigorosa e rústica, aceita igualmente qualquer boa terra de jardim desde que seja fresca, e não exige qualquer manutenção, exceto rega se o calor for demasiado intenso!

Descubra a nossa coleção de salgueirinhas, estas belas perenes indispensáveis nas margens de um tanque e em terras frescas!

Descrição e botânica

Ficha de identidade

  • Nome latino Lythrum
  • Nome comum Salgueirinha, Erva-das-cólicas
  • Floração Junho-setembro
  • Altura 0,45 a 2 m
  • Exposição Sol, meia-sombra
  • Tipo de solo Pesado e húmido
  • Rusticidade -15 °C

O Lythrum, também conhecido como salgueirinha, é uma planta perene de solo húmido ou pantanoso. O género reúne 35 espécies de perenes e anuais da família das Litrácias. Esta planta perene herbácea muito comum em França é originária da Europa, do Norte de África e da Ásia setentrional, onde cresce espontaneamente em valas, à beira de lagoas e cursos de água, ou em zonas e prados húmidos.

Nos nossos jardins, encontra-se essencialmente o Lythrum salicaria ou salgueirinha, com espigas rosa-arroxeadas. Esta espécie deu origem a algumas formas hortícolas com espigas de coloração particularmente intensa, entre as quais ‘Blush’ ou ‘Robert’. Encontra-se mais raramente o Lythrum virgatum, ou “lythrum filiforme”, menos conhecido mas verdadeiramente espetacular com os seus 1,80 m de altura. As cultivares oferecem nuances de rosa mais variadas do que as que se observam nestas espécies-tipo.

Ancorada numa cepa lenhosa compacta e robusta, dotada de rizomas nodosos, a salgueirinha forma com relativa rapidez tufos altos e eretos, com 0,45 a quase 2 m de altura, consoante as variedades, e pelo menos 50 cm de largura. Devido a este tapete de raízes rizomatosas e à sua tendência para se ressemear espontaneamente, em certas regiões (América do Norte, Austrália, ilha da Reunião), a salgueirinha é considerada uma planta invasora, pois coloniza as zonas húmidas.

salgueirinha

Lythrum salicaria – ilustração botânica

A folhagem caduca é composta por folhas estreitas, lanceoladas, sésseis e amplexicaules, de 4 a 10 cm de comprimento. Estão geralmente dispostas de forma oposta ao longo dos caules robustos, pubescentes, angulosos e ramificados. As folhas evocam, pela sua forma, as do salgueiro, daí o nome “salicaria”, derivado do latim “salix”, que significa “salgueiro”. De um belo verde vivo no verão, tingem-se de suntuosas nuances vermelho-alaranjadas no outono. Apresentam um reverso mais pálido. Algumas oferecem folhagem arroxeada, como é o caso do Lythrum virgatum ‘The Rocket’.

Sobre esta folhagem densa mas elegante, a salgueirinha revela uma bela floração estival, muito graciosa, em altas inflorescências terminais que se elevam acima da folhagem.

De junho-julho a setembro, surgem longas espigas florais espetaculares, de 25 a 45 cm de comprimento, nas extremidades dos caules. Estão densamente cobertas de pequenas flores estreladas, formadas por 6 pétalas franzidas e reunidas em grupos de 3 em verticilos. Abrem-se da base para o topo. Estas inflorescências são mais ou menos densas consoante as variedades. O Lythrum virgatum distingue-se por inflorescências mais leves e aéreas.

Exploram diferentes tons de rosa e malva, consoante as espécies e variedades, desde o rosa-magenta ao rosa pálido, passando pelo rosa-lilás intenso, pelo rosa-carmim brilhante (‘The Beacon’) e pelo rosa-púrpura (Lythrum virgatum ‘Dropmore Purple’). Existem algumas formas raras, como o Lythrum salicaria ‘Alba’, que apresentam floração branca.

Muito ricas em néctar e em pólen, alegram durante todo o verão borboletas, abelhas e outros insetos polinizadores.

Compõem belas flores de corte para ramos de flores frescos no verão.

Estas flores dão lugar à formação de pequenas cápsulas deiscentes que contêm duas pequenas sementes dispersas pela água ou pelas aves, com tendência para se ressemear quando as condições são favoráveis, o que torna a salgueirinha por vezes um pouco invasora.

A salgueirinha é uma planta rústica que suporta temperaturas negativas até pelo menos -15 °C. Cresce um pouco por todo o lado em França, exceto talvez em clima mediterrânico, demasiado seco e quente no verão: a sua única exigência de cultivo é um solo permanentemente húmido.

Desenvolve-se bem ao sol ou a meia-sombra, nas margens húmidas, por vezes mesmo parcialmente submersa. Cresce facilmente em qualquer tipo de solo fresco a húmido, fértil, neutro a calcário, pois não aprecia solos muito ácidos. Será uma mais-valia num jardim naturalista, junto a um espelho de água, a um charco, na orla de um sub-bosque, de um canteiro ou de qualquer zona fresca do jardim onde o solo se mantenha pesado, húmido ou mesmo encharcado.

Principais espécies e variedades

Os Lythrum distinguem-se principalmente pelo seu tamanho e pela cor das suas flores.

Os mais populares
As nossas preferidas
Lythrum salicaria Robert

Lythrum salicaria Robert

Esta variedade forma grandes tufos eretos, mais compactos do que os da espécie-tipo. Floresce em longas espigas de flores rosa carmim brilhante, particularmente densas, ao longo de todo o verão.
  • Período de floração Agosto à Outubro
  • Altura à maturidade 80 cm
Lythrum salicaria The Beacon

Lythrum salicaria The Beacon

'The Beacon' diferencia-se da espécie-tipo pela sua altura mais baixa e pelas espigas mais densas e particularmente coloridas. Impõe-se em solo húmido, ou mesmo encharcado, em água pouco profunda, à margem dos pontos de água.
  • Período de floração Agosto, Setembro
  • Altura à maturidade 60 cm
Lythrum salicaria Blush

Lythrum salicaria Blush

Uma salgueirinha de desenvolvimento menos vigoroso, mas com uma floração rosa pálido muito delicada. Perfeita também para lagos de tamanho modesto.
  • Período de floração Agosto, Setembro
  • Altura à maturidade 90 cm
Lythrum virgatum Dropmore Purple

Lythrum virgatum Dropmore Purple

Uma espécie de hábito mais esguio, com flores rosa-púrpura bastante vivas. Igualmente à vontade à beira de um espelho de água ou em vaso encharcado.
  • Período de floração Agosto, Setembro
  • Altura à maturidade 1,50 m
Lythrum salicaria Swirl

Lythrum salicaria Swirl

Uma cultivar um pouco menos alta do que a espécie-tipo, que exibe no verão longas espigas elegantes, repletas de flores cor-de-rosa. Variedade ideal para lagos de tamanho modesto.
  • Período de floração Agosto, Setembro
  • Altura à maturidade 60 cm

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Plantação

Onde plantar a salgueirinha?

Rústica até pelo menos -15 °C, a salgueirinha cresce em quase todo o território, exceto em clima mediterrânico, demasiado árido no verão, pois exige um solo húmido ou pelo menos fresco. Suporta o calor estival nas regiões temperadas, desde que o solo se mantenha sempre húmido e fresco. A sua touça tolera também a imersão parcial sob 10 cm de água.

Aprecia o pleno sol nas regiões mais frias e a meia-sombra sobretudo nas regiões mais quentes. É uma planta heliófila que necessita de uma exposição luminosa para se desenvolver plenamente.

A sua única exigência é um solo pesado e permanentemente húmido, podendo mesmo estar inundado, humífero, profundo e fértil. Tolera solos argilosos, mas recusa crescer num solo demasiado ácido ou turfoso.

A salgueirinha não é invasiva no nosso clima. Não hesite em plantá-la junto a pontos de água, numa margem húmida, num lago ou numa zona pantanosa do seu jardim, que ela iluminará com a sua floração luminosa. Com o seu hábito leve e estruturante, traz movimento e verticalidade também em canteiro, desde que o solo nunca seque no verão.

Cultiva-se também muito bem em vaso encharcado.

Quando plantar?

A plantação da salgueirinha faz-se na primavera, de fevereiro a abril, após as geadas, ou no outono, de setembro a novembro, após o calor intenso. Em zona pantanosa, pode ser plantada durante todo o ano, fora dos períodos de geada.

Como plantar a salgueirinha?

Em plena terra

Plante em quincôncio 3 pés de lythrum por m², espaçados de cerca de 50 cm em todos os sentidos; privilegie uma plantação em pequenos grupos para criar um belo efeito.

  1. Mergulhe o torrão num balde antes da plantação
  2. Cave o solo em profundidade e limpe-o antes de plantar
  3. Cave um buraco 2 a 3 vezes maior do que o torrão
  4. Acrescente um pouco de composto à terra do seu jardim se o solo for demasiado pobre
  5. Coloque o torrão e volte a tapar para envolver as raízes
  6. Compacte e regue abundantemente, especialmente no primeiro ano após a plantação
  7. Aplique uma camada de mulch para manter o solo fresco

Em vaso

  1. Num vaso grande, espalhe uma boa camada de drenagem
  2. Plante o torrão num substrato de terra e composto sempre húmido
  3. Aplique mulch e regue com muita regularidade, sem nunca deixar o substrato secar

salgueirinha, lythrum

Manutenção e cuidados

Rústica e vigorosa, uma vez bem estabelecida num solo bem fresco, a salgueirinha requer pouca atenção. A frescura e a humidade do solo são os segredos para o seu bom desenvolvimento.

Regue regularmente após a plantação, depois no verão e sobretudo se a seca se instalar: certifique-se de que a terra nunca seque completamente, sob pena de a ver definhar rapidamente. No inverno, reduza as regas.

Mantenha o solo fresco na base com uma cobertura orgânica (cânhamo, palha de linho…) e renove esta cobertura durante o verão se necessário.

No final do inverno, espalhe algumas pazadas de composto na base da planta. Em vaso, fertilize regularmente com um adubo orgânico durante o período de floração.

Retire as espigas murchas à medida que aparecem, de modo a evitar a formação de sementes: as sementeiras espontâneas tornam a salgueirinha por vezes um tanto invasora.

Colha as sementes desde as primeiras geadas para as semear na primavera.

Corte a touceira rente ao solo no outono, ou na primavera limpe a base da planta para a libertar das partes secas.

Quando as primeiras folhas aparecerem, pense em protegê-las da apetência das lesmas, que têm particular preferência pelos meios húmidos. Descubra as nossas 7 formas de combater eficazmente e naturalmente as lesmas e como fabricar uma armadilha anti-lesmas.

Multiplicação

Embora a salgueirinha se multiplique facilmente por sementeiras espontâneas ou com sementes colhidas no outono e semeadas no início da primavera (após estratificação), a divisão de tufos é mais rápida e permitirá conservar a planta de forma idêntica. Pratica-se na primavera, após as geadas, em tufos bem enraizados.

Divisão

  • Com uma forquilha de jardim, desinterre uma parte da cepa após o início da vegetação
  • Com um golpe de pá, corte para recuperar um ou vários fragmentos
  • Replante imediatamente os fragmentos no jardim num solo adequado

Associar o lythrum no jardim

A salgueirinha é uma planta incontornável nos jardins de charco, onde ilumina com a sua floração colorida as zonas frescas e húmidas. A sua silhueta fina e erguida intercala-se facilmente entre muitas plantas estivais.

Nas margens de um lago ornamental, misture-a com outras perenes de margens húmidas, com as vaporosas astilbes, com a barba-de-cabra, com a Liatris spicata, com a ulmária (Filipendula rubra ‘Venusta’), lírios japoneses, rodgérsias, Veronicastrum virginicum e bistortas.

Plante-a na companhia das belas umbelas dos eupatórios (Eupatorium maculatum ‘Atropurpureum’), da eufórbia-dos-pântanos e das ligulárias de espigas amarelas para um efeito mais contrastado, por exemplo.

Num jardim rochoso húmido, misture-a com o gerânio-dos-pântanos ou com flox. Na orla de bosque, é um bom companheiro para os fetos, os talíctros, as anémonas-do-japão e as pulmonárias em tons pastel.

No fundo de um canteiro selvagem, as variedades mais altas de salgueirinha formam uma associação muito bem conseguida com grandes gramíneas, como os miscantos, o painço ou a estipa.

Em canteiro, em solo de preferência pesado e sempre fresco, a salgueirinha cria um belo contraste de forma com o hábito menos flexível dos fetos-reais e das hostas entre as perenes.

Sabia que?

A salgueirinha é uma planta medicinal e comestível que contém princípios ativos. As suas folhas jovens podem ser consumidas cruas em salada ou cozidas como legume, enquanto os seus caules carnudos podem ser apreciados depois de cozinhados. As suas flores servem como corante alimentar, nomeadamente na confeitaria.

Conhecida popularmente como «erva-das-cólicas», é uma planta utilizada pelas suas propriedades antidiarreicas, mas também antissépticas, cicatrizantes e hemostáticas. No século XVIII, era utilizada para tratar diarreias e disenteria. Em fitoterapia, utilizam-se as partes aéreas, as sumidades floridas e o sumo fresco. As suas virtudes são apreciadas no tratamento da insuficiência venosa e também de certas dermatoses como o eczema. Utiliza-se sob a forma de tintura-mãe, extrato fluido, decocções, loções, pós ou unguentos.

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