Resumo
Frequentemente visto nos jardins junto ao mar, pois resiste tanto à maresia como ao vento, a tamargueira é um daqueles arbustos muito utilizados nas décadas de 70 e 80, mas que depois caíram um pouco em desuso. No entanto, não lhe faltam atrativos, com o seu hábito flexível e arqueado, a sua floração e a sua folhagem azulada muito leve.
Mais ou menos cor-de-rosa consoante as espécies e variedades, a tamargueira revela-se um arbusto ideal para plantar em solos difíceis. Apresentamos algumas ideias para integrar corretamente uma já presente no jardim ou para plantar uma.
Num jardim junto ao mar
O litoral atlântico protegido e a Costa Azul são cenários ideais para as tamargueiras. São estas as regiões em que se pensa primeiro quando se fala de tamargueiras. Quer tenham floração primaveril ou estival, todas apreciam solos arenosos e podem até servir de corta-vento nestas regiões. Recorra a uma tamargueira já bem instalada ou plante uma, de preferência no limite do jardim, por exemplo em sebe ou num grande canteiro arbustivo.
Num jardim bem exposto ao sol e que não sofra com as geadas de inverno, acompanhe-a com uma árvore muito exótica, que combina perfeitamente com a leveza da tamargueira, a casuarina (Casuarina equisetifolia). Evoca um pinheiro e integrar-se-á muito bem num grande jardim aberto para o mar. Escolha também um eucalipto pela sua folhagem persistente acinzentada e pela sua casca incomparável. Introduza algumas florações originais, como a do limpa-garrafas, escolhendo uma variedade de cor rosa-viva ou amarelo-pálido para variar um pouco (o Callistemon citrinus combina com todas as cores). Associe também a este cenário uma escallónia de flores cor-de-rosa e uma bela palmeira, que evocarão horizontes longínquos. Conte, por fim, com o exotismo da pássaras (Geranium maderense), tão ornamental pela sua floração abundante como pela sua folhagem recortada, que deverá ser plantada num solo que se mantém fresco.

Tamargueira e palmeira, Geranium maderense, Escallonia ‘Apple Blossom’, eucalipto e Casuarina equisetifolia
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Tamargueira: plantar, podar e cuidarNum jardim naturalista
Com o seu hábito naturalmente arqueado e a sua folhagem plumosa, a tamargueira adapta-se bem a zonas de aspeto natural do jardim. No meio de uma pradaria, ou num canteiro amplo, combina maravilhosamente com bonitas plantas perenes em tons pastel e com a leveza das gramíneas. Também pode ser integrada numa sebe ou utilizada para delimitar um jardim amplo.
Uma tamargueira de primavera, como a Tamarix parviflora, combinará assim o seu caráter ligeiro com o grafismo do Echinops ritro, de folhagem cinzenta prateada e floração em forma de bola espinhosa de um azul vivo.
Plante à sua volta bonitas gramíneas que ganham interesse no outono, como o Schizachyrium scoparium (que adquirirá tons avermelhados no final do verão) e o Miscanthus sinensis ‘Gracillimus’. A sua floração outonal em espigas avermelhadas evocará os gomos recém-formados da tamargueira, alguns meses antes. A estatura alta e elegante de Veronicastrum, o aspeto despenteado das bergamotas cor-de-rosa vivo e a beleza solar das equináceas são outras associações florais muito ornamentais, para acompanhar longamente a tamargueira depois de esta terminar a floração. Por fim, um ou dois arbustos virão enriquecer este cenário natural, por exemplo um Hibiscus syriacus de flores azuis simples, colocado no fundo do canteiro. Esta longa floração azul acrescentará alguma profundidade.

Echinops ritro, Veronicastrum e bergamotas, Hibiscus syriacus, equinácea-purpúrea e Schizachyrium scoparium, Miscanthus sinensis ‘Gracillimus’ fazem boa companhia a um Tamarix parviflora.
Num jardim cor-de-rosa
Todas as tamargueiras são cor-de-rosa (exceto a variedade ‘Hulsdonk White’), com tonalidades mais ou menos intensas consoante a espécie e as variedades hortícolas desenvolvidas.
O jardim monocromático cor-de-rosa presta-se naturalmente às florações plumosas, que proporcionam uma textura única durante algumas semanas; as flores em botão e os ramos avermelhados, de uma tonalidade mais escura, prolongam este efeito vaporoso no jardim a partir do mês de abril, consoante as espécies. Instala-se aqui uma tamargueira num grande canteiro, acompanhada por plantas baixas que florescem ao mesmo tempo ou mais tarde, para prolongar o efeito, numa paleta que vai do cor-de-rosa suave ao púrpura.
Acompanhe-a também com dois belos arbustos que a valorizam particularmente: um leptospermo que antecipará a sua floração ou florescerá ao mesmo tempo nas regiões de clima ameno, pois este magnífico arbusto é sensível ao frio (idealmente junto ao mar, pois suporta bem a maresia), e uma árvore-da-peruca bastante rústica, que florescerá mais tarde. Este segundo arbusto, chamado Cotinus coggygria em latim, é encantador, com uma das florações mais vaporosas. Uma variedade de folhagem púrpura, como ‘Grace‘ ou ‘Royal Purple‘, dará algum relevo e integrar-se-á perfeitamente num jardim cor-de-rosa. Complete com belas plantas perenes. Aqui escolhemos penas roxas para um toque malva, onagras cor-de-rosa e ásteres bicolores ‘Prince’.

Tamaris tetrandra, Leptospermum scoparium ‘Coral Candy’, Cotinus coggygria ‘Grace’, Aster lateriflorus ‘Prince’, Liatris spicata e Oenothera speciosa ‘Twilight’.
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Como podar a tamargueira?Num jardim melífero
As tamargueiras são apreciadas por abelhas, borboletas e abelhões. Por que não aproveitar esta vantagem para incluir uma num jardim onde a biodiversidade é particularmente valorizada, ou junto de colmeias?
A Tamarix ramosissima é a mais melífera entre as tamargueiras. Pode associar-se a uma grande variedade de plantas, consoante o estilo pretendido e o clima, dando preferência às espécies-tipo em vez das variedades hortícolas. Também neste caso, o terreno deverá ser sobretudo arenoso e pobre. Algumas florações pontilhadas, como a linária-roxa, a linária-do-marrocos e o limónio, combinam muito bem com o aspeto extremamente vaporoso da tamargueira. Têm a vantagem de atrair insetos polinizadores, abelhas e algumas borboletas. O mesmo acontece com arbustos que suportam as mesmas condições de cultivo que a tamargueira (exposição e solo), como as estevas salviifolius ou albidus, bem como o agnocasto (Vitex agnus castus), com magníficas panículas azul-arroxeadas quando se escolhe a espécie-tipo. Por fim, uma bela massa de aquileias em tons vivos ou de planta de cobertura com a Achillea crithmifolia realça bem o conjunto com uma floração em panículas, enriquecendo simultaneamente o jardim com as suas qualidades melíferas. Não se esqueça da floração aguardada na primavera de um pilriteiro, ou de uma budleia de hábito pendente (Buddleia alternifolia), que também se adapta muito bem a este contexto campestre.

Ao centro, em cima, Tamarix ramosissima, rodeada por (da esquerda para a direita): Vitex Agnus Castus, Achillea crithmifolium, Limonium vulgare, linária-roxa e Buddleia alternifolia.
Num jardim de areia
O jardim de areia é uma das tendências mais recentes desenvolvidas pelos arquitetos paisagistas para repensar os nossos jardins numa era de alterações climáticas. Plantar espécies vegetais na areia é a resposta à necessidade de criar espaços simultaneamente estéticos, resilientes e económicos no consumo de água, capazes de se adaptarem a verões cada vez mais secos e a solos pobres. Na realidade, este é o terreno de eleição da tamargueira!
Num solo arenoso, a combinação da tamargueira com as alfazemas impõe-se naturalmente. Os rosmaninhos, cujas espigas violáceas irão dialogar com o rosa das tamargueiras de primavera, e os alecrins rastejantes, que formarão uma planta de cobertura perfumada, serão os protagonistas deste jardim de areia. Alguns tufos arredondados de santolinas cinzentas acrescentarão uma nota prateada, enquanto as sálvias-russas azuladas prolongarão a floração estival. Na bordadura, agaves ou troviscos-machos irão estruturar o espaço com o seu perfil gráfico.
Esta paleta, sóbria e resistente, tem ainda a vantagem de exigir pouca manutenção, sendo perfeita para um jardim de uma casa de férias!

Tamargueiras, Lavandula stoechas, Trovisco-macho ‘Glacier Blue’, Agave havardiana e espiral de arbustos num jardim de areia (Yucca, Pinus mugo, Aeonium, Westringia fruticosa).
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