Resumo

Modificado em 20 de novembro de 2025  por Pascale 12 min.

Acolher galinhas no jardim… por que não? Algumas comunidades intermunicipais incentivam-no, aliás, para reduzir a quantidade de lixo (recorde-se, a propósito, que a separação dos biorresíduos será obrigatória para todos no final de 2023). Contudo, a adoção de galinhas exige alguma reflexão. Para além da recolha dos ovos, sempre entusiasmante, as galinhas exigem cuidados e implicam algumas limitações relacionadas com a higiene, além de despesas de que é necessário ter plena consciência antes de avançar com a compra ou a construção de um galinheiro. Vejamos quais são os erros a evitar quando se adotam galinhas.

Dificuldade

Não ter em conta a vizinhança e a lei

É certo que não existe qualquer obrigação relativamente à vizinhança e que é livre de acolher galinhas, ou até um galo, na sua propriedade. Mesmo em meio urbano. Ainda assim, é honesto avisar os vizinhos da chegada das galinhas. Assim, poderá testar a reação deles. Tanto mais que, em caso de férias, esses mesmos vizinhos poderão ficar encarregados de abrir e fechar o galinheiro. Em troca de alguns ovos frescos, claro!

Do mesmo modo, antes de iniciar a construção do galinheiro, recomenda-se consultar a câmara municipal ou o regulamento do loteamento onde reside. Alguns proíbem-nos, enquanto outros impõem restrições. Veja também o que exige a lei relativamente aos galinheiros.

Escolher as galinhas erradas

A principal razão para criar galinhas é, naturalmente, a vontade de comer ovos frescos, permitindo também reduzir os resíduos orgânicos da mesa. Ainda assim, uma galinha não é um caixote do lixo!

Se pretende galinhas poedeiras reconhecidas pela sua capacidade de postura, escolha raças como a galinha vermelha ou galinha de quinta, a Sussex, a Harco, a Vorwerk, a galinha de Gournay, a Coucou de Rennes e a Marans (que põe ovos cor de chocolate). Não se esqueça também das galinhas locais, originárias da sua região e, por isso, adaptadas às condições climáticas, como a Cou nu du Forez, a Gatinaise ou a Géline de Touraine.

galinhas

A galinha vermelha ou galinha de quinta, a Sussex, a Harco, a Vorwerk, a galinha de Gournay, a Coucou de Rennes e a Marans são excelentes poedeiras.

Se pretende que as galinhas choquem os ovos e, assim, acolher pintos, precisa primeiro de um galo. De seguida, escolha raças de galinhas conhecidas por serem boas chocadeiras, como a Sussex, a Wyandotte ou a Orpington. Se preferir a estética, escolha a galinha-sedosa (uma excelente mãe!) ou a galinha de Pádua. Ou a Araucana, pelos seus ovos verdes!

Planear um galinheiro demasiado pequeno

Quer seja de madeira, de plástico ou de alvenaria, um galinheiro garante o conforto, o bem-estar e a segurança das galinhas. Entenda-se que o galinheiro designa apenas o espaço onde põem ovos e dormem. Os especialistas tendem a recomendar 0,5 m² por galinha, pelo que um galinheiro de 2 m² é mais do que suficiente para 3 a 4 galinhas. Num galinheiro mais pequeno, as suas frangas não se sentiriam confortáveis, o que poderia causar-lhes stress, levando à bicagem ou à interrupção da postura.

Ainda assim, é preferível optar por um espaço maior desde o início. Porquê? Porque as galinhas são animais muito cativantes e não é raro aumentar a capoeira acolhendo novas galinhas.

Além disso, para lá das dimensões, o galinheiro deve ser suficientemente funcional para ser facilmente limpo. Deve estar equipado com ninhos de postura e um poleiro (embora as minhas galinhas nunca tenham querido empoleirar-se, preferindo a boa liteira de palha para dormir!). Deve ainda ter uma porta ou portinhola que feche fácil e hermeticamente.

Importa também saber que, em matéria de limpeza e longevidade, nada se compara a um galinheiro de alvenaria ou de plástico. Os galinheiros de madeira favorecem o aparecimento de piolhos vermelhos.

Oferecer-lhes um recinto exterior demasiado estreito

Mais uma vez, trata-se de um erro frequente cometido por quem começa a criar galinhas. Uma galinha precisa de esticar as pernas e de debicar. Precisa, por isso, de um recinto ou espaço relvado onde possa andar livremente, esgravatar o solo à procura de alguns insetos e descansar. Conte com 5 a 10 m² por galinha para satisfazer as suas necessidades.

Este recinto deverá ser perfeitamente seguro e poderá colocar-se no seu interior um abrigo para se proteger da chuva e refugiar-se à sombra, equipado com um poleiro. Pode acrescentar-se um recipiente com pó, areia ou cinza, para que possa tomar “banhos” que lhe permitam livrar-se dos vermes e parasitas escondidos na plumagem.

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O recinto das galinhas deve ser suficientemente grande e perfeitamente seguro

Não hesite em interditar ocasionalmente uma parte do recinto para deixar a relva crescer. Com efeito, onde as galinhas passam, nem uma erva sobrevive!

Não se esqueça de preparar, no recinto, um espaço abrigado para colocar os comedouros e o bebedouro.

Não ter consciência da importância da higiene

Criar galinhas não se limita a apanhar os ovos. É também necessário cuidar das galinhas, e uma boa higiene do galinheiro é essencial. Um galinheiro limpo é uma garantia de bem-estar para as galinhas, mas sobretudo de boa saúde. Com efeito, é muitas vezes num galinheiro sujo e mal cuidado que se desenvolvem parasitas frequentemente fatais para as galinhas.

Assim, reserve algum tempo para retirar os excrementos, no mínimo, a cada 2 a 3 dias, ou, de preferência, todos os dias. Aproveite para sacudir a liteira. Uma vez por semana, retire a liteira suja e substitua-a por liteira limpa, à qual se poderá adicionar um pouco de terra de diatomáceas. Aproveite também para limpar os comedouros, os bebedouros e o poleiro com sabão preto líquido, vinagre branco ou bicarbonato de sódio.

Uma a duas vezes por ano, lave profundamente o galinheiro, do chão ao teto.

Descubra como utilizar os excrementos de galinha no jardim

Negligenciar os potenciais predadores

Um ataque de raposa ou de fuinha, os principais predadores das galinhas, ou até mesmo de uma ave de rapina, não acontece apenas aos outros. Quer esteja no campo ou num ambiente urbano, os predadores estão por todo o lado. É, por isso, essencial garantir a segurança das galinhas, sobretudo durante a noite, período propício aos ataques.

Nem pensar em deixar as galinhas dormir no exterior, mesmo numa bela noite de verão estrelada! Todas as noites, as galinhas regressam naturalmente ao galinheiro e será necessário fechá-las lá dentro até à manhã seguinte. É uma obrigação, mas indispensável para garantir a segurança das suas galinhas. Para quem gosta de dormir até tarde ou de sair à noite, a melhor solução consiste em instalar uma porta automática que se fecha e abre às horas programadas.

Tome também a precaução de inspecionar regularmente o galinheiro, onde um buraco, por mais pequeno que seja, pode permitir a entrada de uma fuinha.

O recinto também deve estar perfeitamente protegido. Será necessário enterrar a rede metálica a pelo menos 30 cm de profundidade ou colocar tábuas na vertical ou na horizontal para evitar a entrada de uma raposa. A instalação de um filamento ou de um recinto para galinhas é igualmente recomendada para proteger contra as aves de rapina.

galinha

A raposa é o principal predador da galinha

Consulte todos os meus conselhos detalhados para combater os predadores das galinhas.

Não variar suficientemente a alimentação das galinhas

Uma galinha não se alimenta apenas de restos de comida ou de cascas. Para que ponha ovos adequadamente e se mantenha saudável, precisa de uma alimentação variada, equilibrada e rica em vitaminas, minerais e oligoelementos. Tal como acontece connosco!

Recorde-se que a galinha é omnívora, por isso inclui na sua alimentação alimentos de origem vegetal, como sementes, erva e cereais, mas também alimentos de origem animal, fontes de proteínas, como insetos, caracóis ou minhocas.

Os cereais encontram-se facilmente em centros de jardinagem ou lojas especializadas, ou, melhor ainda, junto de um agricultor da região. Prefira misturas de cereais que contenham trigo, cevada, milho, soja, colza, sementes de linhaça e, por vezes, ervilhas partidas.

→ Ler também: que alimentação dar às galinhas poedeiras?

alimentação das galinhas

As galinhas devem ter à disposição uma mistura de cereais

Para satisfazer a sua gula ou compensar um recinto demasiado pobre em minhocas, não hesite em dar-lhes insetos secos. Trata-se de um importante suplemento de proteínas. Quanto às conchas de ostra, são indispensáveis para fornecer cálcio.

Se tiver tempo, sobretudo quando o frio aperta, prepare-lhes papas ou sopas espessas, servidas mornas, compostas por massa, arroz, lentilhas ou grão-de-bico misturados com cascas de legumes cozidas. É claro que também se podem dar restos de comida, mas com moderação. E não pode ser qualquer coisa! Alguns alimentos são proibidos devido à sua toxicidade ou ao seu teor excessivo de sal ou açúcar.

Por fim, uma galinha bebe muita água, por isso deve ter sempre água à disposição.

Não recolher os ovos regularmente

É uma evidência, mas convém recordá-lo, sobretudo se se ausentar durante um período prolongado. Os ovos devem ser recolhidos todos os dias, primeiro para evitar que se partam (o que poderia levar as galinhas a comer os próprios ovos, uma vez que encontram neles uma boa quantidade de matérias gordas e cálcio), e depois para não atrair os apreciadores que são os corvídeos (pegas, gralhas e corvos) ou os ratos.

galinhas

Os ovos devem ser recolhidos todos os dias

Por isso, se estiver a planear umas férias, peça a um vizinho que recolha os ovos, que terá todo o gosto em comer.

Não prever os custos decorrentes

Ao adotar galinhas, poupa na compra de ovos. Isto, sabendo que não põem ovos 365 dias por ano… A postura pode, de facto, ser interrompida durante períodos de frio intenso, com o calor do verão ou durante a muda.

Ainda assim, adotar galinhas também implica alguns custos. Será necessário prever o custo do galinheiro, quer o compre, quer o construa, mas também da alimentação e da palha. Sem esquecer os possíveis tratamentos para combater determinados parasitas ou doenças.

Deixá-los frequentar os seus canteiros e a sua horta

É compreensível que queira oferecer alguma liberdade às suas galinhas. Mas atenção: são verdadeiras destruidoras ambulantes. Se valoriza os seus canteiros bem protegidos com cobertura morta ou a sua horta acabada de plantar com jovens hortícolas, não solte as galinhas.

galinha

Se quiser manter uma relva impecável, não solte aí as suas galinhas!

Por outro lado, se valoriza o lado selvagem do seu jardim ornamental, não se prive.

Durante o período de inverno, quando a sua horta está vazia, deixe as suas galinhas vaguear por ela. Não só vão eliminar as ervas-daninhas, como também os insetos nocivos e as larvas que aí se teriam refugiado, ao mesmo tempo que arejam a terra graças à sua tendência para esgravatar.

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