Resumo
Os psílidos são insetos picadores-sugadores alados, comparáveis a pulgões, que atacam muitas árvores de fruto (sendo bem conhecido o psílido da oliveira) ou ornamentais, bem como plantas herbáceas como a cenoura e o alho-francês. Os adultos, mas sobretudo as larvas, são muito vorazes e sugam a seiva produzindo melada e cera que tornam as folhas pegajosas, as deformam e por vezes levam à morte da planta. Descubra os nossos conselhos para se prevenir e combater de forma eficaz e natural.
Quais são as espécies sensíveis ao psilídeo?
Os psilas pertencem à família das cigarras e pulgões e são frequentemente específicos de uma planta hospedeira ou de um grupo de plantas hospedeiras, como:
Nas fruteiras:
- Psila da oliveira (Euphyllura olivina),
- Psila da pereira (Cacopsylla pyri),
- Psila da macieira (Cacopsylla mali),
- Psila dos citrinos (Diaphorina citri),

Psila da macieira
Nas árvores e arbustos ornamentais:
- Psila do buxo (Psylla buxi)
- Psila do eleagno (Cacopsylla fulguralis)
- Psila do loureiro (Trioza alacris)
- Psila da albízia (Acizzia jamatonica)
- Psila do freixo (Psyllopsis fraxini)
Outras espécies são consideradas suscetíveis: acácia, pilriteiro, acácia, eucalipto, olaia, espinheiro-cerval, Citrus, Ficus.
Nas plantas hortícolas:
- Psila da cenoura (Trioza apicalis),
- Psila do alho-francês e da cebola branca (Bactericera tremblayi)
- Psila da batata-inglesa (Bactericera cockerelli), por enquanto limitada à América do Norte, ao Guatemala e à Nova Zelândia
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A psila pertence à família dos Homópteros, tal como a cigarra e o pulgão, mas ao contrário deste último, os machos e as fêmeas mantêm as asas durante toda a sua vida adulta. Estes insetos, com 2 a 6 mm de comprimento, deslocam-se ainda assim aos saltos — são apelidados de “pulgas das folhas” — com as asas anteriores que em posição de repouso formam um teto. Munidos de longas antenas e de uma cabeça bem distinta do corpo, que possui um rostro em guisa de boca, picam a epiderme da folha e sugam a seiva.
- Segregam aglomerados de filamentos cerosos e melada, que tornam a superfície pegajosa e coberta de fumagina: um pó negro produzido por um fungo não parasitário que oculta a luz e impede os tecidos vegetais de respirar. A ação conjugada da fumagina e da psila provoca uma deformação das folhas, que ficam gofradas ou enroladas sobre si mesmas, acabando por cair e causando por vezes a morte da planta.

Aglomerados de filamentos cerosos segregados pelas psilas
- Mais fáceis de observar do que os adultos, as larvas de psila medem alguns milímetros e são ainda mais vorazes do que os adultos. Têm o aspeto de minúsculas lesmas de corpo achatado, amarelo, castanho ou verde, que apresentam esboços de asas no dorso e são pouco móveis. Concentram-se na face inferior das folhas e, em algumas espécies, cobrem-se de melada para se protegerem de ataques externos.
- A presença de formigas a subir pelo tronco é um indicador da presença de melada, que pode ser produzida por outros insetos picadores-sugadores de seiva, como os pulgões. A melada depositada nos gomos dá-lhes um aspeto queimado, enquanto os jovens rebentos se enrolam, se deformam ou chegam mesmo a secar.
- Na cebola branca e no alho-francês, as larvas provocam a secagem da folhagem e a produção de uma melada tóxica que «queima» as folhas, acompanhada por vezes de um depósito de fumagina. No alho-francês, estrias amarelas na base do tronco conduzem à secagem das folhas, podendo chegar à desaparição total da planta.
- Na cenoura, a psila Trioza apicalis hiberna sob a forma adulta em diversas coníferas e migra para as culturas hortícolas na primavera. Provoca grandes danos nas plântulas, originando a crispação das folhas e a paragem do crescimento ao injetar uma toxina. As larvas resultantes das posturas já não produzem esta toxina e o seu impacto é menor, tanto mais que existe apenas uma geração por ano.
- Um padrão em forma de mosaico amarelo pode marcar a superfície do limbo,
- O crescimento da planta fica abrandado.
- Os frutos podem ficar contaminados, nesse caso, e dificilmente comercializáveis.
- No amieiro e no buxo, um revestimento fofo esbranquiçado cobre as larvas nos rebentos e no verso das folhas.
- Na albizia, a psila Acizzia jamatonica verde-amarelada (castanha no outono) produz uma melada contida em pequenas pérolas cristalizadas que rebentam e sujam abundantemente os automóveis estacionados por baixo, quando a folhagem cai.
Nota: A morte da planta resulta por vezes da inoculação de um vírus pela psila, como acontece na pereira vítima de um fitoplasma.
Os fatores que favorecem o Psilídeo
É bastante difícil prever os ataques de psilídeos, dado o grande número de espécies existentes. Os danos dependem também da presença ou ausência dos auxiliares predadores do inseto.
A postura ocorre na primavera, por vezes no inverno, junto aos gomos, de tal forma que as larvas se alimentam depois das folhas jovens. Diferentes gerações sucedem-se ao longo do ano e por vezes chegam mesmo a sobrepor-se.
Os tratamentos repetidos e direcionados exclusivamente contra os adultos revelam-se inúteis. A sobreposição dos ciclos e, em particular, a presença dos ovos permitem a continuação do ataque. Os adultos ou os ovos hibernam na casca ou em plantas hospedeiras diferentes das plantas infetadas.

Psilídeo (Trioza alacris) em Laurus nobilis (foto Katja Schulz)
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- Observe o verso das folhas desde o início da primavera até ao início do verão e tente expulsar as larvas com um jato de água.
- Se as folhas estiverem pegajosas devido ao melado, pulverize uma solução de sabão negro (3 colheres de sopa de sabão negro líquido em 1 l de água) como para os pulgões, a renovar a cada 15 dias. Pode também utilizar a piretrina, um inseticida natural autorizado em agricultura biológica. Em qualquer caso, evite tratar nas horas em que as abelhas estão ativas; espere que o sol se ponha.
- Pense antes de tudo em favorecer a fauna auxiliar (joaninha, sirfídeo, crisopa, antocorídeos…), cujas larvas, e por vezes os próprios adultos, se alimentam de psilídeos. Para isso, plante sebes ou canteiros de arbustos com flores variadas ou semeie prados melíferos.
- A introdução de pequenos percevejos predadores Anthocoris nemoralis (4 mm de comprimento) pode reforçar a ação dos auxiliares já presentes.
- Se o ataque já estiver bem avançado, corte e queime os ramos contaminados.
- Evite os excessos de azoto no solo, que fragilizam a planta face às agressões.
- Coloque uma rede anti-insetos de malha fina sobre as plantas hortícolas como as cenouras e os alhos-franceses.
- Semeie variedades precoces de cenoura, pois as plantas já desenvolvidas resistem melhor aos ataques de psilídeos.
- As armadilhas amarelas com cola permitem estimar a chegada dos psilídeos, mas podem também apanhar outros insetos. Por isso, não se deve abusar delas.
- Pode também aplicar um óleo (colza, rícino, mineral parafínico) (3,6 ml/m²) no final do inverno — a partir de janeiro na pereira, a fim de eliminar os adultos que saem da hibernação e que põem ovos cerca de um mês depois, no final de abril-início de maio no buxo — a fim de eliminar os ovos ou outras formas hibernantes presentes nas anfractuosidades da casca (olaia, macieira). Os ovos eclodem ao fim de 3 semanas e os danos tornam-se visíveis na folhagem ao fim de 15 dias.
- O talco é um meio preventivo homologado para as árvores de fruto para repelir os psilídeos na dose de 30 g/l na primeira aplicação, e de 20 g/l nas seguintes, espaçadas de 3 a 4 semanas. (fonte 2019 ITAB Institut de l’Agriculture et de l’Alimentation Biologique).
Confusões possíveis
As picadas e a presença de melada nas folhas podem ser causadas por outros insetos picadores-sugadores, como os trips, as cigarrinhas ou os pulgões.
Por exemplo, na cebola e no alho-francês, os trips criam manchas prateadas ao longo da folhagem e um dessecamento das extremidades. Os insetos alongados de 1 mm são acastanhados no inverno e depois alaranjados no verão. Os ovos e as larvas amarelados dos trips são difíceis de observar, ao passo que os ovos do Psílio Bactericera tremblayi são alaranjados e presos com um fio à folha.
Na pereira, um ataque de pulgões cor-de-violeta que provoca o enrolamento das folhas é frequentemente seguido de uma invasão de psílios que transmitem um vírus. É então importante desinfetar bem as ferramentas de corte ao passar de uma pereira para a outra.
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