Resumo

Modificado em 12 de janeiro de 2026  por Leïla 6 min.

As cerejeiras ornamentais, também conhecidas pelo nome latino Prunus, são árvores muito apreciadas pela sua floração espetacular na primavera. Podem ser afetadas pelas mesmas doenças fúngicas que as cerejeiras de fruto e as fruteiras em geral. Identificar estes problemas e aplicar tratamentos naturais, bem como medidas preventivas, é essencial para manter as suas cerejeiras saudáveis. Este artigo aborda as doenças e as pragas mais comuns que afetam as cerejeiras ornamentais.

Dificuldade

A moniliose

A moniliose, também conhecida como podridão dos frutos ou moniliose das flores, é uma doença fúngica que pode afetar as cerejeiras ornamentais. É causada pelo fungo Monilinia spp e manifesta-se principalmente na primavera, durante os períodos húmidos, comprometendo a floração e o vigor da árvore.

Identificação

Os primeiros sinais da moniliose são a murchidão das flores e dos rebentos jovens, que adquirem uma cor acastanhada e parecem queimados pelo fogo. As flores infetadas tornam-se castanhas, secam e permanecem frequentemente presas à árvore, formando aquilo a que se chama “múmias”.

Tratamento

Para combater a moniliose, é essencial agir rapidamente assim que surgem os primeiros sintomas. Comece por eliminar todas as partes infetadas da árvore, incluindo as flores, os frutos e os ramos afetados. Estas partes devem ser queimadas para evitar a propagação dos esporos.

Prevenção

Pode aplicar pulverizações de calda bordalesa ou de chorume de urtiga, que são fungicidas naturais eficazes, para proteger preventivamente a árvore. Estes tratamentos podem ser repetidos em intervalos regulares, consoante as condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da doença.

→ Leia o artigo Calda bordalesa e outros tratamentos à base de cobre e o artigo para saber tudo sobre o Chorume de urtiga.

Assegure uma boa circulação do ar à volta da árvore e elimine os ramos mortos ou doentes. De resto, a cerejeira ornamental não precisa de poda, mas, caso efetue uma, aplique mástique nas feridas. Evite também as regas excessivas e a humidade estagnada junto à base da árvore. Mantenha uma boa higiene no jardim, eliminando os detritos vegetais e os frutos caídos no solo, para limitar as fontes de infeção.

cerejeiras ornamentais

Coryneum ou doença do crivado

O coryneum, também chamado crivado, é uma doença criptogâmica causada pelo fungo Stigmina carpophila e caracteriza-se pelo aparecimento de manchas nas folhas e nos rebentos jovens. Esta doença é particularmente visível na primavera e pode reduzir significativamente o valor ornamental e o vigor da árvore.

Identificação

O crivado manifesta-se inicialmente através de pequenas manchas vermelhas ou arroxeadas nas folhas, que aumentam e se transformam em buracos, dando a impressão de que a folhagem foi perfurada por balas. Os rebentos jovens podem também apresentar lesões, o que dificulta o seu desenvolvimento. A identificação precoce destes sintomas é essencial para limitar a propagação da doença.

Tratamento natural

O tratamento natural do crivado começa pela remoção e destruição das partes infetadas da árvore assim que surgem os primeiros sintomas. Esta ação limita a dispersão dos esporos do fungo.

Em seguida, aplique um tratamento por pulverização à base de enxofre molhável misturado com água. A dose é de 7,5 g de pó diluído em 1 litro de água para as plantas em geral.

Soluções preventivas

Para proteger a árvore contra futuras infeções, podem aplicar-se pulverizações de calda bordalesa desde o início da primavera e repetir-se de acordo com as instruções do produto, sobretudo após períodos de chuva que favorecem a propagação da doença. A utilização de chorume de cavalinha, rico em sílica, pode também reforçar a resistência das plantas contra os ataques de fungos.

Recomenda-se também manter o solo limpo à volta da árvore, removendo as folhas mortas e outros detritos vegetais que possam albergar os esporos do fungo. Regue bem junto ao pé da árvore, evitando molhar a folhagem.

→ Ler o artigo sobre o Coryneum ou crivado.

crivado

Cancro bacteriano

O cancro bacteriano é uma doença grave que afeta as cerejeiras ornamentais e as árvores fruteiras. Causada pela bactéria Pseudomonas syringae, esta doença caracteriza-se pelo aparecimento de feridas abertas e exsudantes no tronco, nos ramos e, por vezes, nas folhas. Se não for controlada, pode provocar a morte da árvore.

Identificação

Os sintomas do cancro bacteriano incluem feridas húmidas e exsudantes no tronco e nos ramos principais, das quais escorre um líquido gomoso. À medida que a doença evolui, estas feridas podem transformar-se em úlceras negras e profundas. Nas folhas e nos rebentos jovens, podem surgir manchas negras ou deformações. A identificação rápida destes sinais é crucial para controlar a doença.

Tratamento natural

O tratamento do cancro bacteriano baseia-se principalmente em medidas preventivas e na gestão sanitária, uma vez que não existe um tratamento curativo eficaz quando a árvore está fortemente infetada. O primeiro passo consiste em eliminar as partes infetadas da árvore. Utilize ferramentas de poda esterilizadas para cortar bem abaixo da zona infetada e, em seguida, desinfete as ferramentas após cada corte, de modo a evitar a propagação da bactéria. Os cortes devem ser realizados durante um período seco, para minimizar o risco de infeção. Depois da poda, as feridas podem ser cobertas com pasta cicatrizante, para proteger a árvore e favorecer a cicatrização.

Soluções preventivas

Como medida preventiva, pode aplicar, em pleno inverno, cal branca para árvores, à base de cal, sobre a casca seca. Aplique com um pincel, usando vestuário e luvas de proteção adequados.

É importante manter a árvore saudável, uma vez que as árvores debilitadas são mais suscetíveis a infeções. Isso inclui uma rega adequada, uma fertilização equilibrada e a prevenção de ferimentos mecânicos. Evite ferir a casca durante os trabalhos de jardinagem.

→ Ler o artigo sobre o cancro das árvores fruteiras.

cerejeiras em flor

Armilária

A armilária, também conhecida como podridão radicular, é uma doença fúngica causada por Armillaria mellea. Esta doença afeta uma grande variedade de árvores e plantas, incluindo as cerejeiras ornamentais. É particularmente destrutiva, pois ataca o sistema radicular da árvore, provocando o seu declínio e, nos casos mais graves, a sua morte.

Identificação

Os sintomas da armilária podem ser difíceis de detetar no início, porque se manifestam primeiro debaixo da terra, ao nível das raízes. Acima do solo, os sinais incluem o amarelecimento e a murchidão progressiva das folhas, um abrandamento do crescimento e, por vezes, a morte súbita da árvore. Podem observar-se filamentos brancos, semelhantes a algodão, sob a casca das raízes e na base do tronco. No outono, podem surgir na base da árvore ou sobre as raízes grupos de fungos em forma de chapéu, de cor amarela a castanha.

Tratamento natural

O tratamento da armilária é complexo, pois, quando a árvore está fortemente infetada, é muitas vezes demasiado tarde para a salvar. O controlo desta doença baseia-se, por isso, sobretudo na prevenção. No entanto, no caso de infeções ligeiras, melhorar as condições de crescimento da árvore pode ajudar a reforçar a sua resistência. Isso inclui sobretudo garantir uma boa drenagem. Retirar e destruir as partes infetadas da árvore e os fungos visíveis também pode ajudar a reduzir a carga de fungos.

Na maioria das vezes, a única solução consiste em retirar a árvore e a terra da cova. Evite plantar árvores novas em solos onde tenham sido anteriormente retiradas árvores infetadas.

Soluções preventivas

Garantir uma boa drenagem do solo é essencial para evitar a acumulação de humidade, que favorece o desenvolvimento da armilária. A utilização de barreiras físicas no solo pode ajudar a proteger as raízes das árvores saudáveis contra a invasão dos rizomorfos da armilária. Por fim, manter uma boa higiene no jardim, eliminando os resíduos vegetais e a madeira morta, pode reduzir as fontes de infeção.

→ Ler o artigo sobre a armilária.

cerejeiras ornamentais

Pulgões

Estes pequenos insetos sugadores alimentam-se da seiva das plantas, provocando um enfraquecimento geral, o amarelecimento das folhas e, por vezes, a transmissão de doenças virais através da fumagina.

Identificação

Os pulgões são facilmente identificáveis a olho nu. Reúnem-se frequentemente nos rebentos jovens, nas folhas e, por vezes, nas flores, onde podem ser vistos como pequenas massas móveis de cor verde, amarela ou preta. As folhas atacadas podem enrolar-se, deformar-se ou amarelecer. Os pulgões produzem também um líquido pegajoso chamado melada, que pode favorecer o desenvolvimento da fumagina, um fungo enegrecido que cobre as folhas e reduz a fotossíntese.

Tratamento natural

Uma solução simples consiste em lavá-los com um jato de água forte, fazendo-os cair das plantas. A aplicação de sabão preto diluído por pulverização (15 a 30 g de sabão por um litro de água) é eficaz para eliminar os pulgões sem prejudicar a planta.

Soluções preventivas

A prevenção dos ataques de pulgões baseia-se na promoção de um ambiente favorável aos inimigos naturais dos pulgões, como as joaninhas, os sirfídeos e os crisopídeos. Incentivar a biodiversidade no jardim, plantando uma variedade de flores e ervas, pode atrair estes predadores. Evite a utilização excessiva de adubos azotados, que favorecem um crescimento tenro das plantas, tornando as cerejeiras mais atrativas para os pulgões.

→ Ler o artigo sobre os pulgões.

pragas do Prunus

cochinilhas

As cochonilhas apresentam-se sob duas formas principais: as cochonilhas de carapaça, reconhecíveis pelo seu escudo protetor ceroso, e as cochonilhas farinhentas, que parecem estar cobertas por um pó branco semelhante a algodão.

Identificação

As cochonilhas de carapaça fixam-se firmemente aos ramos, aos caules e, por vezes, aos frutos, formando aglomerados duros e protuberantes que podem ser difíceis de remover. As cochonilhas farinhentas, por sua vez, preferem zonas escondidas, como a parte inferior das folhas ou as junções entre os ramos, onde formam colónias semelhantes a algodão. As infestações de cochonilhas podem provocar o amarelecimento das folhas e um abrandamento do crescimento.

Tratamento natural

Para combater as cochonilhas de forma natural, é possível removê-las manualmente ou com um jato de água no caso de infestações ligeiras. A aplicação de álcool a 90° com um cotonete pode ser eficaz para eliminar as cochonilhas por contacto. Dilua uma colher de chá de cada um dos seguintes produtos: sabão preto, álcool de queimar e óleo vegetal, num litro de água. Pulverizar esta solução pode ajudar a controlar a população de cochonilhas sem prejudicar os insetos benéficos.

Soluções preventivas

Favorecer a presença de inimigos naturais das cochonilhas, como as joaninhas, as crisopas e alguns tipos de vespas parasitoides, pode contribuir para controlar naturalmente a sua população. Inspecionar regularmente as plantas permite detetar precocemente as infestações e intervir antes de estas se propagarem.

doenças pragas prunus

Comentários

Este formulário está protegido pelo reCAPTCHA - aplicam-se a Termos de Serviço e Política de Privacidade do Google.