Libélulas, rãs, aves… instale um lago para as acolher!

Libélulas, rãs, aves… instale um lago para as acolher!

Como criar um lago acolhedor para a fauna selvagem

Resumo

Criado em 6 de julho de 2025  por Alexandra 6 min.

Instalar um ponto de água no jardim, mesmo de pequenas dimensões, é uma iniciativa extremamente benéfica para a biodiversidade local. Ao proporcionar água e abrigo a numerosas espécies, cria-se um pequeno ecossistema onde a fauna pode prosperar. Para além do seu valor ornamental, um ponto de água natural contribui para o equilíbrio ecológico do jardim, transformando-o num verdadeiro refúgio de vida. Descubra todos os nossos conselhos para criar um ponto de água acolhedor para a fauna selvagem, nomeadamente para insetos, anfíbios e aves.

Dificuldade

Por que razão atrair a fauna selvagem para o jardim?

Atrair a fauna local significa favorecer a diversidade e reforçar os equilíbrios naturais no jardim. Um lago bem concebido torna-se um ponto de convergência para muitos animais. Os anfíbios, como as rãs, os tritões ou os sapos, encontram aí um local ideal para se reproduzirem e se alimentarem. Desempenham também um papel importante na regulação das populações de insetos, nomeadamente dos mosquitos, cujas larvas consomem. A rã alimenta-se de muitos insetos nocivos: mosquitos, traças, baratas, lagartas… As libélulas e as libelinhas, por sua vez, não se limitam a acrescentar um toque poético ao local: são predadoras temíveis de insetos nocivos. São, nomeadamente, grandes consumidoras de mosquitos (as larvas de libélula alimentam-se das larvas de mosquito).

Muitas aves também visitarão o lago, seja para beber, tomar banho ou caçar. Piscos-de-peito-ruivo, chapins e pintassilgos podem ser atraídos por um ponto de água estável e rico em vida. Nas margens do lago, também verá instalar-se abelhas selvagens, borboletas e sirfídeos, preciosos para a polinização das suas plantas. Em suma, um lago atrai uma cadeia de interações naturais, benéfica para todo o jardim.

Postura e larva de libélula num lago

Ovos e larva de libélula

As necessidades dos animais para se instalarem de forma duradoura

Para que esta fauna se instale e permaneça no seu jardim, é essencial respeitar algumas regras básicas. A água deve ser limpa e parada, sem uma filtração mecânica demasiado potente nem remoinhos constantes, pois isso perturbaria os insetos aquáticos e os anfíbios. O lago deve apresentar margens de declive suave, de modo a permitir que os animais entrem e saiam facilmente, sobretudo as rãs jovens ou pequenos mamíferos, como os ouriços-cacheiros, que poderão aproximar-se para beber.

É igualmente essencial criar zonas pouco profundas (10 a 20 cm), que aquecem rapidamente ao sol e servem de berçários naturais. Pelo contrário, uma zona mais profunda (até 1 m) permite aos animais refugiarem-se durante o calor intenso ou as geadas de inverno. Além disso, esta profundidade do lago evitará que seque no verão. As rãs hibernam debaixo de água, a pelo menos 50 cm de profundidade, para se protegerem da geada. O lago deve permanecer cheio durante todo o ano para assegurar a sobrevivência das rãs.

Desaconselha-se vivamente a introdução de peixes ou patos no lago, pois poderiam comer as árvores-podadas e os ovos de rãs, libélulas, etc., comprometendo a instalação de numerosas espécies úteis.

É importante criar uma margem de declive suave em pelo menos um dos lados da charca, para facilitar o acesso dos animais. Evite os declives abruptos.

Preserve espaços selvagens em redor da charca: prado, ervas altas, plantas silvestres, sebe campestre… E instale pedras e pedaços de madeira nas margens da charca, para oferecer abrigo aos animais.

Lago não adequado para animais selvagens, aves, libélulas, rãs...

Um exemplo de lago que não é adequado para a fauna selvagem: margens demasiado abruptas, pouca diversidade vegetal e ausência de plantas, madeira ou pedras na proximidade imediata do lago

Como criar um lago natural e acolhedor para a fauna selvagem?

Eis as principais etapas a seguir para instalar um lago que atraia libélulas, rãs e aves:

  • Escolha um local de meia-sombra, idealmente exposto ao sol durante a manhã e à sombra durante a tarde. Deve receber pelo menos 6 h de sol por dia. Evite zonas demasiado ventosas ou situadas diretamente sob árvores de grande porte, de modo a limitar a queda de folhas na água.

  • Desenhe a forma: um lago de forma irregular integra-se melhor no jardim e oferece maior diversidade de habitats.

  • Escave o lago criando diferentes profundidades, de modo a poder acolher uma maior diversidade de plantas e oferecer diferentes habitats aos animais. Preveja vários patamares: uma zona muito pouco profunda (10–20 cm), uma zona de profundidade média (30–40 cm) e uma zona central mais profunda (com pelo menos 60 cm de profundidade, para favorecer a hibernação das rãs).

A criação de um lago acolhedor para a fauna selvagem

Escave o lago criando vários patamares, com pouca profundidade nas margens e maior profundidade no centro

  • Instale uma camada de areia ou de manta geotêxtil para proteger a tela contra as raízes e as pedras.
  • Instale a tela: cubra o fundo do lago com uma tela própria para lagos (em EPDM ou PVC) ou opte por um recipiente pré-formado em plástico rígido.

  • Encha o lago com água da chuva (de preferência), que não contém cloro nem produtos químicos. Se utilizar água da torneira, deixe-a repousar durante alguns dias num recipiente antes de a adicionar, para eliminar o cloro.

  • Prepare as margens do lago: estabilize as margens com pedras, seixos ou plantas adequadas. Preveja zonas de acesso suave (em rampa ou em socalcos) para permitir aos animais beber sem perigo e sair facilmente da água.

  • Plante de acordo com as zonas: instale as plantas aquáticas consoante as suas necessidades de profundidade (submersas, flutuantes ou de margem) e complete depois com plantas de terreno húmido e plantas de cobertura em redor do lago, para reforçar o efeito ecológico.

Lago adaptado à fauna selvagem, com diferentes profundidades

Instale as plantas no centro ou nas margens do lago, consoante as suas necessidades

Para atrair as aves, não hesite em instalar caixas-ninho nas proximidades do lago. Para as libélulas, acrescente plantas melíferas no lago ou nas suas imediações.

Também pode retirar um pouco de água de outro charco natural para «semear» o que acabou de criar: isso acelerará a instalação de micro-organismos, insetos aquáticos, girinos, etc.

Uma vez instalado, deixe a natureza seguir o seu curso. O lago irá equilibrar-se progressivamente, acolher os seus primeiros visitantes e tornar-se num local de vida fascinante para observar ao longo de todo o ano.

Que plantas instalar dentro e à volta do lago para favorecer a biodiversidade?

A escolha das plantas é essencial para transformar o lago num verdadeiro ecossistema vivo. Cada uma desempenha um papel específico: purificação da água, abrigo, suporte para a postura de ovos, fonte de alimento… Eis uma seleção de plantas adequadas para instalar de acordo com a sua zona de preferência.

Plantas submersas (oxigenantes)
Estas plantas vivem sob a superfície da água e asseguram uma boa qualidade da água, produzindo oxigénio e absorvendo os nutrientes em excesso.

  • Pinheirinha-de-água (Myriophyllum spicatum): planta com caules muito flexíveis e plumosos, muito eficaz para oxigenar a água. Oferece numerosos esconderijos às larvas de libélulas e aos girinos.

  • Callitriche (Callitriche stagnalis): pequena planta com caules submersos, que produz rosetas à superfície da água.

  • Pessa-d’água (Hippuris vulgaris): planta rizomatosa com caules eretos de 20 a 50 cm de altura. A sua parte emergente, que se assemelha a pequenos abetos, serve de local de muda para as libélulas e de abrigo para os anfíbios.

Consulte também o nosso artigo: “8 plantas aquáticas oxigenantes para lago ou charco” e Plantas aquáticas invasoras: reconhecê-las e limitar a invasão, pois algumas podem revelar-se problemáticas.

Plantas flutuantes
Limitam a incidência direta do sol na água, impedindo a proliferação das algas, ao mesmo tempo que proporcionam sombra e abrigo.

  • Nenúfares (Nymphaea): muito decorativos, também oferecem refúgios sob as suas folhas.

  • Pistia (alface-d’água): perfeita para pequenos lagos, flutua livremente, criando pequenas zonas frescas.

Plantas das margens
Instalam-se em zonas muito pouco profundas e criam abrigos para insetos, anfíbios e aves.

  • Íris amarelo (Iris pseudacorus): atrai os insetos polinizadores e estrutura a bordadura do lago.

  • Hortelã-aquática (Mentha aquatica): tem um aroma agradável e é muito apreciada pelas abelhas.

  • Salgueirinha (Lythrum salicaria): tem uma bela floração cor de malva, rica em néctar.

  • Junco (Juncus effusus): os seus caules densos protegem as rãs jovens e os pequenos insetos.

  • Caniços: caules longos e eretos e espigas plumosas muito decorativas. Contribuem para fixar as margens e constituem um abrigo para os pequenos mamíferos e as aves passeriformes.

  • Carex : forma tufos com folhas verdes compridas. É apreciado pelas rãs. Estabiliza as margens.

Plantas das zonas húmidas envolventes
Estas plantas desenvolvem-se bem num solo húmido a encharcado, mas não submerso. Prolongam o efeito do lago sobre a biodiversidade local.

  • Filipêndula (Filipendula ulmaria): atrai os insetos polinizadores, nomeadamente as borboletas.

  • Lisimáquia (Lysimachia vulgaris): muito melífera, é ideal para uma bordadura húmida.

  • Cavalinha-aquática (Equisetum fluviatile): confere um toque gráfico e é excelente para a biodiversidade.

Ao variar as alturas, as formas e os tipos de vegetação, favorece-se uma biodiversidade rica e equilibrada. Convém também privilegiar as espécies locais, mais bem adaptadas ao clima e às necessidades das espécies selvagens da região.

Escolha de plantas para vegetalizar um lago acolhedor para a fauna selvagem

Myriophyllum spicatum, Hippuris vulgaris, Nymphaea, Pistia stratiotes, Iris pseudacorus, Lythrum salicaria

Como fazer a manutenção de um lago natural?

Um lago natural requer pouca manutenção, mas alguns gestos simples permitem mantê-lo saudável. No outono, retire as folhas mortas que caíram na água, para evitar que apodreçam e libertem demasiada matéria orgânica. Isso limitará a acumulação de lodo no lago. Na primavera, pode fazer-se uma ligeira limpeza (para eliminar eventuais algas, detritos, folhas mortas, etc.), sem remover todo o lodo, pois este abriga numerosos micro-organismos úteis. No verão, vigie o nível da água, sobretudo durante os períodos de seca, e complete-o com água da chuva, se necessário.

Não utilize produtos químicos (pesticidas, etc.) nas proximidades do lago e deixe a natureza autorregular-se. Um lago equilibrado encontrará rapidamente o seu ritmo: as algas podem surgir no início da estação, mas serão rapidamente suplantadas pelas outras plantas, se estas estiverem bem instaladas.

Para mais informações, consulte as nossas fichas: Fazer a manutenção de um lago de jardim na primavera ; Fazer a manutenção de um lago de jardim no outono e Fazer a manutenção de um lago de jardim no inverno.

Fazer a manutenção de um lago, removendo as algas verdes e filamentosas

As algas filamentosas podem asfixiar o lago e desequilibrar a biodiversidade. Retire-as se verificar uma proliferação excessiva.

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