A densidade de plantação de plantas de lago
Que quantidade de plantas para um lago?
Resumo
Quando se dispõe de um elemento de água no jardim, seja um tanque, uma charca ou um pequeno lago, é importante diversificar os tipos de plantas, não só pelos diferentes papéis que desempenham, mas também por razões estéticas e para favorecer a biodiversidade. Mas atenção ao excesso de plantas aquáticas ou, pelo contrário, à falta de vegetação, se não quiser acabar com uma cloaca em vez do bonito tanque desejado… A regra de ouro nos elementos de água será sempre manter dois terços da superfície livres de qualquer plantação, para preservar o bom equilíbrio da água.
Sabe-se realmente quantas plantas é necessário instalar para garantir uma boa filtração da água? A densidade de plantação num jardim aquático é, efetivamente, muito diferente da de um canteiro em terra firme.
Descubra qual é o número adequado das plantas aquáticas emblemáticas a colocar no seu tanque, para que este lhe agradeça!
Algumas considerações gerais sobre as quantidades de plantação em meio aquático
A densidade de plantação das plantas de lago é um elemento fundamental para garantir a beleza do seu lago. Ao respeitar as necessidades de espaço e de volume de água de cada espécie, contribuirá sobretudo para a criação de um ecossistema equilibrado.
Para limitar a eutrofização da água (uma quantidade excessiva de matéria orgânica), é aconselhável eliminar uma grande parte das plantas todos os anos ou de dois em dois anos. Considera-se que uma boa proporção num lago consiste numa maioria de plantas emergentes, algumas plantas oxigenantes e uma pequena proporção de plantas flutuantes, não devendo o conjunto exceder um terço da superfície do lago.
É também importante ter em conta que algumas plantas apresentam um crescimento invasivo, sendo necessário vigiar o seu desenvolvimento desde a plantação. Consulte profissionais para obter acompanhamento no seu projeto de jardim aquático!
Plantas de margem
As plantas de margem, também chamadas plantas de meios húmidos, são indispensáveis para estabilizar as margens, trazer diversidade vegetal e ornamentar as zonas envolventes do espelho de água. Formam também uma zona-tampão entre a água e o resto do jardim e constituem um habitat para a pequena fauna. Devem ser plantadas em solo húmido, na proximidade imediata da água, mas sem deixar as raízes dentro de água. Eis alguns exemplos:
- O carriço (Carex spp.): gramínea decorativa, plantar 3 a 5 plantas por m².
- A hortelã-aquática (Mentha aquatica): planta aromática, para plantar em solo húmido, plantar 3 a 5 plantas por m².
- A salgueirinha (Lythrum salicaria): planta com flores púrpuras de junho a agosto, para plantar em solo húmido, cerca de 3 a 5 plantas por m².
- Os Acorus calamus, com a sua bela folhagem linear, devem ser plantados à razão de 4 por m².
- O ruibarbo-gigante ou o taro atingirão grandes dimensões: uma planta por m² é mais do que suficiente.
- As plantas perenes de lago mais leves, como o eupatório ou as ligulárias, devem ser plantadas à razão de 1 a 3 por m².

Lythrum salicaria, Acorus calamus e Gunnera manicata
As plantas aquáticas oxigenantes
As plantas oxigenantes desempenham um papel crucial na filtragem e oxigenação da água. Devem ser plantadas em quantidade suficiente para assegurar essa função, mas por vezes revelam-se invasoras. Entre as espécies mais comuns encontram-se:
- A elódea-do-canadá (Elodea canadensis), uma planta submersa. Plante 1 a 3 caules por m². Atenção: será necessário vigiar o seu desenvolvimento.
- A erva-do-peixe-dourado (Ceratophyllum demersum): uma planta flutuante que deve ser colocada num cesto, à razão de 1 a 2 ramos de flores por m².
- A pinheirinha-de-água (Myriophyllum spicatum): planta submersa entre 10 e 60 cm; plante 3 caules por m², obrigatoriamente em cestos, para limitar o seu caráter invasor.
- A lentilha-de-água (Limnobium laevigatum), também bastante prolífica, deve ser vigiada quanto à sua expansão. Plante-a em regiões de clima ameno, limitando-a a 1 planta por m², em água pouco profunda e em tanques fechados ou artificiais.

Elodea canadensis (© Andreas Rockstein – Flickr) e Ceratophyllum demersum
Leia também
A melhor época para plantar as plantas de lagoaAs plantas aquáticas emergentes
As plantas emergentes, que crescem com as raízes submersas e a parte superior fora de água, são essenciais para a estabilização das margens e para acolher a fauna. Incluem plantas com flor e plantas de folhagem ornamental. Devem ser plantadas em vaso, a uma profundidade de água adequada a cada espécie. Entre as mais bonitas e comuns encontram-se:
- A íris amarelo (Iris pseudacorus), de flores amarelas, deve ser plantada em vaso, a uma profundidade de 5 a 20 cm, à razão de 4 plantas por m².
- A pontedéria (Pontederia cordata), de magníficas flores em espigas azul-alfazema, planta-se em vaso, a uma profundidade de 10 a 20 cm. Plante 3 a 4 exemplares por m².
- O caniço (Phragmites australis): uma planta alta e elegante, que deve ser plantada em vaso, a uma profundidade de 10 a 20 cm, à razão de 2 caniços por m².
- A sagitária (Sagittaria sagittifolia ou Sagittaria latifolia , de magníficas folhas): uma planta aquática muito bonita, com folhas em forma de seta, que deve ser plantada em vaso, a uma profundidade de 10 a 40 cm, à razão de 3 a 5 plantas por m².
- A calta-dos-pântanos (Caltha palustris) produz muitas pequenas flores amarelas de junho a agosto. Deve ser plantada até 5 cm de profundidade, à razão de 4 a 5 plantas por m2.
- A tália (Thalia dealbata), apreciada pela sua folhagem larga e pela sua verticalidade exótica, planta-se até 40 cm de profundidade, à razão de apenas 1 planta por m².
- Os juncos (Juncus effusus, Juncus inflexus, Juncus gracilis…) devem ser plantados entre 5 e 10 cm de profundidade, à razão de 3 a 4 plantas por m².
- As tábuas ou caniços (Typha sp.) plantam-se a uma profundidade entre 5 e 50 cm. Plante apenas 2 plantas por m2.

Iris pseudacorus, Pontederia cordata e Sagittaria sagittifolia
As plantas aquáticas flutuantes
As plantas flutuantes não estão fixadas no fundo do lago, mas desenvolvem-se à superfície da água. Contribuem para o sombreamento, a depuração da água e a limitação da proliferação das algas. Devem cobrir cerca de 20 % da superfície da água. Eis algumas espécies emblemáticas e as respetivas densidades de plantação:
- A lentilha-de-água (Lemna minor): pequena planta flutuante que deve ser disposta à superfície sem excessos, pois tende a sufocar as plantas vizinhas. Distribua 1 a 2 plantas por m².
- A azola (Azolla filiculoides, Azolla caroliniana): pequena samambaia flutuante, que deve ser distribuída pela superfície da água, cerca de 4 plantas por m² (atenção também ao seu caráter muito invasivo).
- Salvinia natans: outra samambaia flutuante, anual (sensível à geada), muito filtrante e oxigenante, e bastante menos expansiva. Coloque à superfície da água 4 a 5 plantas por m².

Lemna minor à esquerda (© Andreas Rockstein -Flickr) e Salvinia natans à direita (© K. Ziarnek – Wikimedia Commons)
As plantas aquáticas submersas
As plantas submersas oferecem abrigo aos peixes e à fauna aquática e contribuem para a depuração e o ensombramento da água. Devem ser plantadas em vaso, a uma profundidade adequada a cada espécie. Nesta categoria, encontram-se plantas com folhagem flutuante, algumas das quais apresentam florações muito espetaculares. Entre as mais populares:
- O nenúfar (Nymphaea spp.): é A planta-estrela dos lagos, para plantar em vaso, com uma profundidade de água de 30 a 100 cm, consoante o seu desenvolvimento (formas anãs ou nenúfares de grandes dimensões). A densidade ideal é de 1 planta por m² (mas deve ser ajustada em função das variedades: algumas precisam de mais espaço e será necessário contar com 1 nenúfar para 2 m2 de água). N.B.: os nenúfares devem ser controlados à medida que crescem e será necessário eliminar cerca de um terço quando atingirem o tamanho adulto.
- O loto (Nelumbo nucifera e Nelumbo japonica sp.): uma planta espetacular para lagos profundos e climas suaves a temperados. Conte com 1 planta por m2 de água, sob 20 a 40 cm de água.
- O potamó (Potamogeton spp.): esta planta submersa e oxigenante planta-se em vaso, a uma profundidade de 50 a 100 cm, consoante as espécies. Contam-se 2 plantas por m² (a ajustar em função das espécies P. natans, P. lucens, etc.)
- O Aponogeton distachyos ou aponogeton-de-duas-espigas, com elegantes flores brancas perfumadas ao entardecer: recomenda-se plantar no máximo 3 a 4 rizomas por metro quadrado. Os bolbos devem ser enterrados a uma profundidade de 20 a 60 cm.

Nenúfares, lotos (Nelumbo nucifera) e aponogeton-de-duas-espigas
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