Porque é que os meus tomates deixaram de amadurecer depois de um calor intenso?
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Resumo
Na horta, o cultivo de tomates é sempre motivo de orgulho para qualquer jardineiro. O que poderá ser mais bonito e saboroso do que belos tomates bem vermelhos (ou amarelos, ou verdes…) a dar cor à horta no auge do verão? O problema é que, com as alterações climáticas, os verões são cada vez mais quentes, as canículas sucedem-se e os legumes sofrem. Quanto ao jardineiro, passa do desespero à incompreensão perante tomates que parecem ter ficado bloqueados no seu crescimento. Como explicar que os seus cachos de tomates deixem de crescer e conservem obstinadamente a cor verde, apesar de uma exposição solar ideal? Porque é que o girassol perene, apesar de estar tão presente e de ser tão útil para o amadurecimento dos frutos hortícolas, não faz com que os seus tomates fiquem vermelhos?
Procura-se explicar estes mecanismos que impedem os seus tomates de se revestirem das suas cores mais bonitas.
Uma entrada em dormência perante o stress térmico
Imagine-se imóvel no meio da horta, enquanto o termómetro se aproxima dos 40 °C há vários dias… Não teria grande vontade de se dedicar a qualquer atividade e teria apenas um objetivo: sobreviver, recorrendo às suas reservas. Até certo limite. É um pouco isso que acontece às suas plantas de tomate nos verões de calor intenso ou de canículas repetidas.
Com efeito, quando a canícula se abate sobre a horta, os tomates tendem a interromper e a atrasar o seu amadurecimento. Na prática, os frutos atingiram o seu calibre normal, estão bem presos aos caules, mas continuam desesperadamente verdes. Este fenómeno não é consequência de uma doença. E o jardineiro não tem qualquer culpa. Perante temperaturas excessivas, que ultrapassam os limites de conforto da planta, a planta de tomate desencadeia um verdadeiro mecanismo de sobrevivência.

Durante a canícula, os tomates interrompem o seu crescimento e não ficam vermelhos
Em vez de desperdiçar os seus recursos nutritivos e energéticos a formar e a colorir os frutos e, por acréscimo, a torná-los mais doces, a planta de tomate concentra toda a sua energia nas funções essenciais. Assim, procura sobretudo limitar a evapotranspiração e preservar os seus tecidos, que devem manter-se o mais hidratados possível. O amadurecimento dos frutos fica, portanto, colocado em pausa. Os tomates fazem uma pausa, forçada é certo, no seu ciclo natural. Em vez de produzirem frutos para se reproduzirem, os tomates concentram todas as suas forças na sobrevivência.
O bloqueio da síntese dos pigmentos
Abordemos agora uma razão mais científica, que tentaremos explicar da forma mais clara possível. A polpa dos tomates é rica em numerosos pigmentos que influenciam diretamente a sua cor. Assim, a maioria dos tomates é vermelha simplesmente porque é rica em licopeno, um pigmento vermelho muito abundante na polpa dos tomates maduros. Este pigmento é, além disso, um poderoso antioxidante. Ora, para que um tomate passe do verde vivo ao vermelho intenso, tem de sintetizar este pigmento graças a enzimas. Acontece que estas enzimas são muito sensíveis ao calor e a sua tolerância térmica é reduzida. Para funcionarem de forma ótima e desempenharem a sua função, a temperatura ideal situa-se entre 20 e 25 °C.
Assim que o termómetro ultrapassa os 30 a 32 °C de forma prolongada, estas enzimas bloqueiam-se. E a síntese do licopeno deixa de ocorrer. Por isso, os seus tomates permanecem verdes, pelo menos enquanto o termómetro indicar temperaturas demasiado elevadas.
Por outro lado, alguns jardineiros que gostam de cultivar a diversidade, plantando tomates com frutos amarelos ou cor de laranja, como as variedades ‘Ananas’ ou ‘Orange Queen’, poderão surpreender-se ao constatar que os seus tomates amadurecem normalmente, enquanto os tomates vermelhos permanecem verdes. Isto acontece simplesmente porque estas variedades de tomate contêm pouco licopeno, mas muito betacaroteno, o pigmento responsável pela sua cor amarela-alaranjada. Ora, este pigmento tolera bastante melhor o calor do que o licopeno, pelo que as variedades com frutos amarelos ou cor de laranja amadurecem apesar do calor intenso.

Por uma questão de pigmentos, os tomates amarelos amadurecem mais facilmente durante os períodos de canícula
O impacto da desidratação
Para além da simples produção de pigmentos, o calor intenso do verão modifica profundamente o metabolismo das plantas. Com efeito, uma planta de tomate exposta durante muito tempo a calor intenso vai consumir os seus açúcares e nutrientes para tentar regular a sua temperatura. Inevitavelmente, consome muito mais energia, e este consumo excessivo faz-se em detrimento dos frutos, sobretudo se estiverem no final do desenvolvimento. Resultado: não amadurecem.
Além disso, as raízes também sofrem as consequências do calor intenso, não conseguem absorver a água e os minerais do solo de forma correta e em quantidade suficiente para compensar a evaporação maciça ao nível das folhas. Assim, para limitar as perdas de água por evapotranspiração, fecham os seus estomas, ou seja, os seus poros. A consequência é lógica: a fotossíntese não ocorre. Por isso, os frutos aguardam dias menos quentes para retomarem o seu desenvolvimento.
O erro a não cometer...
Durante os períodos de canícula, alguns jardineiros pensam estar a agir corretamente ao removerem a folhagem dos tomateiros. Simplesmente porque imaginam que os tomates, sem folhagem e expostos aos raios solares, amadurecerão mais depressa. É um gesto que pode parecer compreensível, mas que acaba por ser totalmente contraproducente. É um erro que pode até agravar o bloqueio do amadurecimento. Porquê?

É recomendável deixar alguma folhagem, mesmo seca, nos tomateiros durante os períodos de canícula
As folhas desempenham um papel de barreira térmica, pois proporcionam sombra direta aos cachos de frutos. Esta folhagem evita que a pele do tomate se queime e que a polpa aqueça em excesso. Com efeito, um tomate exposto diretamente a uma radiação solar com temperaturas de 40 °C ou superiores sofrerá verdadeiras queimaduras, que se manifestam através de necroses ou manchas brancas a alaranjadas. Estas queimaduras bloqueiam definitivamente qualquer possibilidade de amadurecimento. Por isso, conservar a folhagem, mesmo que também sofra com o calor e a seca, permite proteger a pele dos frutos dos raios diretos do sol. E permite esperar por dias melhores…
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