Proteger as plantas do frio e do gelo no inverno

Proteger as plantas do frio e do gelo no inverno

Métodos e conselhos

Resumo

Modificado 0,01  por Ingrid B. 6 min.

À aproximação do inverno, em clima rigoroso ou quando uma vaga de frio se anuncia em clima ameno, pode revelar-se necessário proteger algumas plantas do frio. Na verdade, se as plantas verdadeiramente rústicas não correm qualquer risco, as que o são menos podem não resistir a geadas severas, às temperaturas negativas cujo efeito é frequentemente amplificado pelo vento e pela chuva.

É o caso de muitas plantas mediterrânicas ou exóticas cultivadas em plena terra, no jardim.

Para tal, existem vários métodos a adaptar a cada tipo de planta e a combinar, se necessário, para uma proteção máxima!

Descubra também o nosso podcast de áudio : O frio, um aliado natural no jardim

Inverno, Outono Dificuldade

Proteger a base das plantas com cobertura morta (palha, folhas mortas)

A cobertura morta não serve apenas para evitar a evaporação e o aparecimento de ervas daninhas — constitui igualmente uma excelente proteção térmica. De facto, uma boa camada de cobertura morta funciona como um colchão isolante que permite ao solo arrefecer menos, ou até não congelar.

  • Para que plantas?

Este tipo de cobertura morta é eficaz para proteger os tubérculos de dálias, as raízes de plantas perenes caducas, os rizomas de algumas exóticas como as conteiras, as trepadeiras que podem gelar mas que rebrotam da cepa (como as bignónias e o jasmim).

  • Com o quê cobrir?

No inverno, como proteção térmica, privilegie materiais secos como a palha ou as folhas mortas. Volumosos, constituem uma proteção mais eficaz do que o material triturado. Por não reterem demasiada humidade, evitam também qualquer risco de bolor.

  • Como proceder?

Não poupe na quantidade — não hesite em estender uma camada espessa que pode atingir 20 – 30 cm — e deixe o colo das plantas ligeiramente à descoberto, de modo a evitar qualquer excesso de humidade.

  • Quando aplicar a cobertura morta?

Para que esta cobertura morta seja eficaz, não espere pelo coração do inverno. Intervenha no final do outono, antes que o solo esteja demasiado frio. Pelo contrário, não aplique cobertura morta se o frio já estiver bem instalado e o solo gelado: estaria apenas a reter o frio.

  • E depois?

Com a chegada da primavera, esta cobertura morta terá em grande parte decomposto. Consoante o que restar no solo, poderá deixá-la no lugar ou colocá-la no composto (ou noutro sítio), caso pretenda fazer novas plantações ou semear.

→ a ler, sobre o assunto: “Cobrir com cobertura morta, porquê? Como?” e “As folhas mortas, como utilizá-las no jardim”

Proteger as partes aéreas com uma manta de proteção

Chamada por alguns “véu de noiva”, a tela de inverno é um tecido não tecido (polipropileno) mais ou menos leve (as espessuras podem variar) que permite cobrir as plantas deixando passar o ar e a luz. Utiliza-se na horta, para proteger os legumes e as primeiras sementeiras do frio, mas também no jardim ornamental, para proteger os arbustos mais sensíveis ao frio, do vento e do frio.

  • Para que plantas?

as plantas mediterrânicas como o loendro, o abutilão, o limpa-garrafas… e, de um modo geral, todos os arbustos que não suportam temperaturas inferiores às que normalmente se registam no inverno na sua região. Algumas plantas rústicas também podem ser abrangidas em caso de geadas excecionalmente severas e quando se trata de proteger os botões das florações precoces, como as das camélias. As plantas muito rústicas mas jovens também podem beneficiar de proteção.

  • Que tela de inverno escolher?

Existem vários tipos de telas de inverno que se distinguem pela sua gramagem. A mais clássica é a P 17 (17 gramas por m2), mas, procurando bem, é possível encontrar a P 30 e até a P 60, que garantem uma proteção ainda mais eficaz. São também mais resistentes. Saiba ainda que pode perfeitamente utilizar a tela em várias camadas, para reforçar a proteção.

As telas de inverno vendem-se ao metro ou sob a forma de capas confecionadas, por vezes até com fecho de correr. Estas últimas são mais dispendiosas e só são práticas se tiver optado por um formato que corresponda bem ao tamanho dos seus arbustos (o que nem sempre é fácil de avaliar). Recomenda-se, por isso, a compra ao metro!

Atenção: nas lojas de jardinagem, encontrará frequentemente no mesmo corredor filmes de forçamento, em matéria plástica e, por vezes, até plástico de bolhas. Não são de todo adequados para a proteção dos arbustos, pois geram condensação. Por fim, mesmo que seja apanhado de surpresa, não cubra as suas plantas com um saco do lixo (dedicatória especial a um dos meus vizinhos, que talvez se reconheça): não protege do frio e vai matar a planta, sobretudo se demorar a retirá-lo!

Uma jovem camélia protegida por uma tela de inverno

  • Como colocar uma tela de inverno?

a colocação de uma tela de inverno é uma operação simples. Eis como proceder:

· Corte um pedaço de tela suficientemente grande para cobrir a totalidade da planta,

· Envolva a tela à volta do arbusto,

· com o auxílio de fio, fixe a tela ao nível da base e no topo.

Depois de colocada a tela, não hesite em completar a proteção cobrindo a base do arbusto com uma camada espessa de folhas mortas ou de palha.

  • Quando colocar a tela de inverno?

A necessidade de colocar uma tela de inverno depende do seu clima e do nível de rusticidade das plantas a proteger… Se habita na costa atlântica, é perfeitamente desnecessário “mumificar” a totalidade do seu jardim logo no final de novembro! Por outro lado, se plantou um limpa-garrafas numa região onde o frio é frequente, rigoroso e prolongado, é prudente colocá-la logo aos primeiros sinais da instalação do inverno.

  • Quando retirar a tela de inverno?

Mesmo que as telas de inverno sejam respiráveis, os seus arbustos precisam de ar fresco. Se vive num clima ameno, pode retirar as telas de inverno assim que o episódio de frio intenso terminar. Em clima frio, aguarde o início da primavera, mas, em caso de abrandamento temporário do frio, não hesite em abrir um pouco as telas, sobretudo nas belas tardes de sol!

→ para ler, no blogue: “Horta: proteger sementeiras e culturas do frio”

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Proteger as plantas exóticas com "embrulho" ou "enfaixamento

As plantas exóticas não rústicas cultivadas no jardim necessitam de uma proteção à medida, adaptada à sua morfologia.

No Canadá, no Jardim Botânico de VanDusen, os fetos-arbóreos são protegidos de acordo com as regras da arte

  • Para que plantas?

As bananeiras, mesmo as rústicas como as bananeiras-japonesas, as palmeiras, os ruibarbos-gigantes…

  • Como agasalhar uma planta exótica?

Existem quase tantas técnicas quanto jardineiros, alguns chegando mesmo a construir pequenas estufas ou abrigos à volta das suas plantas preferidas!

Para as bananeiras e os fetos-arbóreos, o método mais simples consiste em:

  • Rodear o tronco com uma rede metálica de malha larga para formar um tubo amplo,
  • enchê-lo com palha ou folhas secas,
  • cobri-lo com as folhas cortadas da própria planta

→ para saber mais, descubra os nossos tutoriais em vídeo:

Proteger uma bananeira no inverno - vídeo de jardinagem Proteger um ruibarbo-gigante no inverno - vídeo de jardinagem

 

As palmeiras não rústicas, bem como as plantas em roseta como as iúcas e os aloés, constituem um caso um pouco à parte, pois mais ainda do que o frio, temem o excesso de humidade que pode apodrecer a lança (as folhas do ano seguinte) ou o estipe, no caso das palmeiras. Para evitar este inconveniente… que as levaria à morte, convém cobrir a copa com uma proteção em forma de guarda-chuva, seja ele um guarda-chuva verdadeiro ou constituído por uma lona de plástico ou uma placa de policarbonato, solidamente fixada.

Além disso, sempre no caso das palmeiras, não hesite em rodear o seu estipe (o tronco) com uma tela de inverno.

  • Quando intervir?

Cultivar plantas exóticas não rústicas exige prudência. As proteções devem, por isso, ser colocadas no final do outono ou no início do inverno, de modo a evitar qualquer surpresa desagradável, relacionada com o frio ou, no caso das palmeiras, com precipitações abundantes.

  • E depois?

As proteções devem permanecer no lugar até à primavera e ser retiradas mesmo antes da retoma da vegetação.

Abrigar as orelhas-de-porco e as cactáceas

Em clima frio, é mais sensato cultivar suculentas e cactáceas em vasos e guardá-las no interior durante o inverno. Em clima ameno, se ficou rendido a um jardim seco onde se misturam cactos e suculentas, será necessário construir-lhes abrigos. Com efeito, tal como as plantas exóticas, estas plantas temem tanto a humidade ambiente que reina nos espaços confinados como os solos encharcados pelas chuvas invernais e o frio, ainda que algumas espécies, como as figueiras-da-índia, apresentem uma boa rusticidade.

  • Para que plantas?

As agaves, as figueiras-da-índia, as rosas-de-pedra…

  • Como proteger estas plantas?

A primeira precaução consiste em plantá-las num solo pobre e bem drenado, que deixe escoar a água em todas as estações. Para as proteger da chuva, pode optar por proteções individuais em forma de guarda-chuva ou construir abrigos mais sólidos com tijolos empilhados cobertos por uma placa de policarbonato ou de vidro. Estes abrigos não devem ser completamente herméticos: o ar deve poder circular para evitar a condensação, que provocaria o apodrecimento das plantas.

  • Quando intervir?

Como com as palmeiras, será necessário vigiar o estado do tempo e estar pronto a colocar as proteções logo com os primeiros frios.

  • E depois?

Se a ventilação for adequada, os abrigos podem permanecer no lugar até ao início da primavera. Mantenha-se, no entanto, vigilante e não se deixe surpreender por uma geada tardia! Da mesma forma, e sobretudo se utilizar vidro, cuidado com os dias muito soalheiros, que podem fazer subir de forma brusca a temperatura sob o abrigo.

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