Resumo
Para muitas pessoas, um terreno inclinado é considerado um obstáculo, um problema, uma dificuldade… Para outras, pode ser uma verdadeira oportunidade para criar um jardim único e dinâmico, com volumes originais. Com efeito, com um mínimo de imaginação, alguma criatividade e muito esforço, é possível jogar com os diferentes níveis, as curvas e as perspetivas para suavizar a inclinação. Do mesmo modo, a utilização de diferentes materiais e a plantação de plantas adequadas permitem transformar este talude inclinado, à primeira vista inóspito, num jardim estético e fácil de manter.
Descubra todos os nossos conselhos e boas dicas para transformar este terreno com um declive acentuado num espaço ajardinado e com vegetação, simultaneamente bonito e fácil de manter.
Os desafios de um terreno com forte inclinação
Antes de iniciar qualquer trabalho de organização, é essencial analisar e ter em conta as características específicas do seu terreno com um declive acentuado. Com efeito, esta reflexão sobre as vantagens e os inconvenientes deste terreno permitirá selecionar as melhores soluções.
O principal problema de um terreno inclinado é a erosão. Quando chove, a água escoa-se muito rapidamente, arrastando consigo a terra, as diferentes partículas do solo e os nutrientes. Além disso, esta água de escoamento não tem tempo para penetrar no solo e proporcionar os seus benefícios aos sistemas radiculares das plantas. É, por isso, essencial controlar bem a drenagem para evitar o escoamento das águas pluviais. Assim, a instalação de valetas, drenos ou canalizações pode ajudar a encaminhar a água da chuva para longe das zonas sensíveis. Do mesmo modo, a plantação de determinadas plantas de cobertura pode contribuir para a estabilização do solo. Estas plantas formam um tapete vegetal que protege o solo do escoamento e favorece a infiltração da água. Mas voltaremos a este assunto num próximo parágrafo.
Para planear da melhor forma a organização do seu terreno inclinado, é também fundamental conhecer a natureza do solo e o ângulo do declive. É evidente que um solo argiloso terá limitações diferentes das de um solo arenoso, sobretudo no que diz respeito à drenagem e à estabilidade. Para determinar a natureza do solo, existem testes para realizar uma análise profissional do solo e determinar as suas características físicas (textura) e químicas (acidez, presença de nutrientes…). Oliveira também explica algumas dicas no seu texto: Fazer uma análise do solo: porquê e como? . Não negligencie também a orientação do declive. Não se plantam as mesmas plantas num jardim inclinado, em pleno sol ou à sombra total.

As principais dificuldades dos terrenos inclinados são a erosão e o escoamento das águas
É também muito importante avaliar o grau de inclinação do terreno para definir as melhores soluções e prevenir a erosão ou qualquer deslizamento de terras. Consoante a percentagem do declive, será necessário encontrar as soluções de contenção mais adequadas.
Pense também nos acessos às diferentes zonas deste jardim organizado num terreno muito inclinado. Sem esquecer a manutenção. A plantação de relva parece estar excluída, pois a passagem do corta-relva é difícil ou até impossível. Ainda assim, não deve negligenciar a rega nem a poda.
Depois de abordar e analisar todas estas questões, é fundamental fazer um esquema ou uma planta para visualizar o projeto no seu conjunto e definir as diferentes zonas. Ainda assim, mesmo que este projeto pareça trabalhoso e cheio de obstáculos e dificuldades, nunca se esqueça de que um terreno inclinado, com as suas diferentes perspetivas, permite criar um jardim dinâmico e original. Por fim, este terreno inclinado oferece vistas únicas sobre a paisagem envolvente.
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Como amenizar um jardim em declive?Suavizar a inclinação com estruturas adequadas
Num terreno com uma inclinação acentuada, o ravinamento e o escoamento das águas pluviais são muito importantes. A erosão é máxima, podendo formar-se rapidamente fendas e buracos. Assim, a água não penetra no solo, arrastando consigo os elementos fertilizantes. É, por isso, essencial organizar este terreno para tornar possível o cultivo. E a melhor solução continua a ser a construção de terraços ou patamares que permitam criar espaços planos, de diferentes dimensões. Estas superfícies planas são naturalmente mais fáceis de organizar ou de explorar, permitindo também facilitar o escoamento da água.
Para construir estes terraços ou patamares, existem diferentes métodos. Naturalmente, consoante as capacidades, é sempre possível recorrer a um profissional para aplicar estas técnicas. Com efeito, algumas exigem conhecimentos e um certo domínio técnico, enquanto outras requerem um grande esforço físico. A observação de técnicas ancestrais, como os socalcos do Sul, pode ser uma fonte de inspiração.

A construção de terraços ou patamares permite atenuar a inclinação
- O muro de pedra seca é ideal para jardins campestres ou jardins mediterrânicos. Trata-se de uma estrutura ancestral, inspirada nos socalcos, que tem a vantagem de ser natural, muito duradoura e muito permeável. Esta técnica consiste em empilhar cuidadosamente pedras mais ou menos planas, sem adicionar argamassa ou um ligante como o cimento. O muro de pedra seca é muito interessante, pois é flexível e capaz de resistir aos movimentos do solo, à geada ou ao degelo nas regiões mais frias, sem fissurar. A forma, o tamanho e a posição das pedras são cuidadosamente escolhidos para garantir a estabilidade da estrutura. Em geral, para construir estes muros de pedra seca, escolhem-se rochas locais, calcárias, graníticas ou xistosas, para que se integrem na paisagem, mas também para facilitar o fornecimento.
- Os terraços de madeira podem ser uma solução para jardins mais modernos ou espaços mais pequenos. Em contrapartida, são estruturas com uma vida útil mais curta, sobretudo na presença de humidade. Ainda assim, caso se escolha esta solução à base de troncos, pranchas, vigas de madeira ou barrotes, será necessário selecionar espécies como o carvalho ou o castanheiro, ou madeiras exóticas, mais sólidas e densas do que o abeto. Para aumentar a vida útil da madeira, recomenda-se colocar uma manta imputrescível antes de voltar a cobrir com terra
- A solução do murete de betão é possível, mas também se pode optar pelos gabions, estas estruturas metálicas cheias de pedras. É uma solução muito apreciada para estabilizar eficazmente o solo dos terrenos inclinados, assegurando simultaneamente uma drenagem natural. Além disso, trata-se de uma técnica de organização do espaço muito duradoura, ecológica e respeitadora do ambiente, muito estética, modular e bastante fácil de instalar.
Imaginar acessos ou caminhos
Um terreno com uma grande inclinação exige pensar em percursos funcionais, de modo a facilitar a circulação e o acesso às diferentes zonas do jardim. Podem instalar-se escadas de pedra, madeira ou metal para ligar os diferentes terraços e garantir uma circulação fluida. É importante escolher cuidadosamente a localização das escadas, tendo em conta a utilização de cada espaço, mas também a inclinação.
Os caminhos também podem ser construídos com pavês, cascalho ou pedras de passagem japonesas, consoante o aspeto estético que se pretende conferir ao jardim. É essencial que estes caminhos sejam bem drenados, para evitar qualquer acumulação de água e garantir a sua durabilidade.
Integrar elementos naturais decorativos para estabilizar o talude
Para estruturar o espaço e, ocasionalmente, sustentar o declive, também é possível integrar elementos naturais na encosta. Estes elementos naturais não só embelezam o terreno, como também permitem tirar partido da topografia e acompanhar o declive. Entre estes elementos decorativos, podem acrescentar-se jardins de rochas e pedras para valorizar o espaço. Devem ser escolhidos com cuidado e, de preferência, pertencer à mesma natureza, de modo a criar uma certa unidade. Consoante a região onde vive, poderá escolher rochas como o grés, o calcário… O conjunto deve manter um aspeto natural, pelo que as pedras deverão ser colocadas de forma aleatória, sem parecerem demasiado artificiais ou alinhadas. Para que se mantenham firmes no declive, as pedras devem ser enterradas pelo menos até um terço do seu volume. As rochas maiores deverão ser colocadas em baixo e as mais leves em cima.

Podem integrar-se pedras locais para sustentar terrenos com forte declive
Outra forma de tornar os terrenos com forte declive muito atrativos consiste em instalar elementos de água, como cascatas ou ribeiros artificiais que acompanhem a inclinação do solo. Estes elementos de água conferem um toque de frescura, criando simultaneamente um efeito visual e sonoro muito agradável. Estas instalações podem ser complementadas com seixos ou plantas aquáticas. A instalação de elementos deste tipo exige obras específicas e a compra de bombas ou tanques.
Uma iluminação subtil também pode valorizar um declive.
Selecionar as melhores plantas
Num terreno com um declive acentuado, a escolha das plantas é crucial para estabilizar o solo e, ao mesmo tempo, criar um efeito estético. É bastante lógico que se escolham plantas de cobertura cujo sistema radicular fixa a terra e limita a erosão. No entanto, alguns arbustos ou gramíneas também se adaptam muito bem a uma plantação num terreno inclinado.
As nossas sugestões de plantação:
- Plantas de cobertura para o sol: a hera (Hedera), o tomilho, o flox, a campânula, os gerânios vivazes, o delosperma, o sédum, a aubrecia, a erva-dos-gatos, a neve-do-verão (Cerastium), a betónica (Stachys), a lippia (Lippia nodiflora), a búgula (Ajuga reptans), a arméria (Armeria maritima), o milefólio de cobertura (Achillea crithmifolia), a ibéris (Arabis), o Erigeron…

Algumas plantas vivazes de cobertura perfeitas para jardins com declive acentuado
- Plantas de cobertura para meia-sombra ou sombra: o musgo da Irlanda (Sagina subulata), a lágrima-de-bebé, a hosta, a pervinca, a pulmonária, o sino-de-coral…
- As gramíneas: a festuca-azul, o carriço...
- Os arbustos: a alfazema, as roseiras miniatura, a madressilva arbustiva (Lonicera nitida), o cotoneáster rasteiro, o zimbro-rasteiro (Juniperus horizontalis)…
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