Resumo

Modificado em 27 de janeiro de 2026  por Pascale 5 min.

Na horta, os afídeos estão entre os insetos nocivos mais persistentes, prolíficos e disseminados. Embora existam muitas soluções naturais para combater eficazmente as infestações de afídeos, muitos jardineiros preferem prevenir em vez de remediar, evitando a instalação destes insetos parasitas. Entre as diferentes técnicas preventivas, a sementeira de plantas companheiras com flor permite desviar os afídeos das culturas da horta, favorecendo simultaneamente a sua regulação natural graças à ação dos insetos auxiliares.

Descubra quais as flores que deve semear na horta para evitar as invasões de afídeos e convidar a biodiversidade para o jardim.

Dificuldade

Por que semear flores para evitar os pulgões?

É bastante lógico que a sua horta se destine ao cultivo de legumes e pequenos frutos. No entanto, as flores podem encontrar aí o seu lugar, e não apenas para trazer cor! Algumas plantas com flores, anuais, bienais ou perenes, são alternativas ecológicas e naturais aos inseticidas. Sem esquecer que contribuem para a polinização de culturas melíferas, como as Cucurbitáceas.

Atrair insetos auxiliares

As flores companheiras desempenham um papel fundamental no jardim, ao atraírem insetos auxiliares, conhecidos por devorarem pulgões. Muitos deles, como os sirfídeos, as crisopas e as joaninhas, na fase adulta, alimentam-se sobretudo de pólen e néctar. Em contrapartida, as suas larvas são grandes consumidoras de pulgões. Ao semear espécies floridas atrativas, proporciona-se habitat e alimento a estes insetos auxiliares, incentivando a sua instalação duradoura na horta.

que flores escolher para afastar os pulgões?

As joaninhas e as suas larvas são grandes consumidoras de pulgões

Criar uma distração

Algumas flores, sobretudo as chagas, funcionam como “plantas-armadilha”: muito atrativas para os pulgões, concentram-nos nos seus caules e folhas, poupando assim os legumes das proximidades. Pode então deixar estas flores cobertas de pulgões: servirão de fonte de alimento às larvas de joaninha, de crisopa ou de sirfídeo. Outra solução consiste em borrifar estas flores com água, para eliminar as colónias de pulgões antes que atinjam as culturas principais.

Afastar os pulgões

Outras plantas com flores são preciosas aliadas dos jardineiros devido ao odor que libertam. Com efeito, algumas plantas são repelentes formidáveis para os insetos parasitas, em particular para os pulgões. Estas flores confundem os sentidos dos pulgões, que se afastam assim naturalmente das culturas.

Que flores, úteis contra os pulgões, semear na horta?

Eis uma seleção das principais plantas com flores contra os afídeos. Permitem combater ecologicamente os afídeos, acrescentando, ao mesmo tempo, um toque ornamental à horta.

As flores-armadilha para os afídeos

Entre as flores emblemáticas que atraem os afídeos, a capuchinha (Tropaeolum majus) é a estrela incontestável. Cultivada como planta trepadeira ou como planta de cobertura, a capuchinha apresenta uma folhagem densa e flores vermelhas, amarelas ou cor de laranja, de junho a outubro. Anual, tem a capacidade de se semear facilmente. É uma planta rica em compostos voláteis que atraem os afídeos. Quanto à sua seiva, é particularmente atrativa para os afídeos. Para atrair os afídeos para um canto da horta, sacrifica-se esta planta, fazendo-a trepar junto a uma rede metálica.

capuchinha como planta-armadilha para os afídeos

As capuchinhas atraem os afídeos

As plantas repelentes para afastar os afídeos

Se algumas flores desempenham o papel de isco para desviar os afídeos, outras, pelo contrário, atuam como repelentes naturais graças aos seus compostos aromáticos voláteis. Estas flores, frequentemente pertencentes às famílias das Asteráceas ou das Lamiáceas, libertam odores que os afídeos consideram desagradáveis, perturbando a sua orientação olfativa e dificultando a identificação das suas plantas hospedeiras. Ao integrá-las estrategicamente na horta, cria-se uma barreira sensorial dissuasora.

Entre as mais eficazes, os tagetes, que incluem os cravos-túnicos e as tagetes, são indispensáveis. As suas raízes segregam substâncias que também repelem determinados nemátodos, mas o seu odor característico atua igualmente contra os afídeos. Colocam-se idealmente junto às margens ou alternadamente com culturas sensíveis, como os tomates ou os pimentos.

flores repelentes para os afídeos

Os cravos-túnicos têm propriedades repelentes para os afídeos

Outras flores interessantes: a atanásia (Tanacetum vulgare), muito aromática e por vezes invasora, que deve ser utilizada com moderação. Repele afídeos, moscas-brancas e formigas. O absinto (Artemisia), com uma folhagem prateada e muito aromática, é também conhecido por perturbar as infestações.

Também se poderia mencionar a calêndula, o antémis

Ao combinar estas flores repelentes com espécies atrativas para os auxiliares, o jardineiro experiente implementa uma estratégia completa: afastar os afídeos, reforçando, ao mesmo tempo, as defesas naturais da horta. Bem posicionadas, estas flores tornam-se aliadas preciosas para proteger as culturas de forma estética e duradoura.

As flores atrativas para os auxiliares

São numerosas as flores que atraem auxiliares particularmente eficazes, que se alimentam de afídeos. Poderiam, contudo, mencionar-se:

Que técnicas de sementeira adotar?

A integração das flores na horta depende tanto da escolha das espécies como da forma de as instalar. Algumas prestam-se particularmente bem à sementeira direta, como a facélia, a borragem, o amor-em-nevoeiro ou as chagas. Fáceis de semear em linha ou em covacho logo no início da primavera, estas espécies permitem uma instalação rápida e pouco exigente. A sementeira direta permite cobrir rapidamente o solo e obter uma floração precoce, favorável aos primeiros auxiliares. É, no entanto, essencial garantir uma boa humidade durante a germinação, sobretudo no caso das chagas, que podem ter dificuldade em germinar num solo seco.

flores atrativas para os auxiliares contra os pulgões

O amor-em-nevoeiro é fácil de semear

Outras espécies, como o milefólio, beneficiam do transplante. Estas plantas, muitas vezes mais lentas a instalar-se ou com uma floração mais tardia, são mais fáceis de controlar quando são primeiro cultivadas em vasinhos e depois transplantadas numa fase de desenvolvimento mais robusta. Este método permite controlar o local onde são plantadas e garantir um enraizamento ideal em zonas específicas da horta.

Como dispor as flores na horta para uma estratégia mais eficaz?

A forma como as flores se encontram dispostas na horta desempenha um papel central no sucesso de uma estratégia de controlo biológico contra os pulgões. Muito mais do que um simples elemento decorativo, a sua localização influencia diretamente a dinâmica das pragas e dos seus auxiliares.

Em bordaduras dos canteiros de cultivo, por exemplo ao longo das redes metálicas, espécies como a capuchinha funcionam como verdadeiras plantas-armadilha. Muito atrativas para várias espécies de pulgões, concentram nelas os ataques, desviando assim as pragas das culturas principais. Estas zonas-tampão são fáceis de observar, o que permite intervir rapidamente se uma colónia se tornar demasiado densa.

A utilização de covachos florais intercalados entre as linhas de hortícolas constitui outra abordagem pertinente. Ao semear pequenos grupos de facélia entre linhas de alfaces, feijões ou cenouras, garante-se a presença contínua de flores produtoras de néctar ao longo de toda a estação. Estes covachos funcionam como corredores ecológicos, mantendo no local populações de sirfídeos, joaninhas e outros auxiliares predadores.

Por fim, para culturas particularmente sensíveis, como os tomates, as beringelas ou os pimentos, a criação de um canteiro floral dedicado, densamente plantado e com uma floração abundante, pode ser muito eficaz. Este pequeno espaço, composto por várias espécies complementares, atrai simultaneamente os pulgões, os seus predadores naturais e numerosos polinizadores. Esta concentração localizada favorece um equilíbrio natural e limita consideravelmente a dispersão dos pulgões por toda a horta. Ajustando a densidade, a altura e a diversidade das flores, cria-se assim um sistema de defesa vegetal coerente, vivo e autónomo.

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