Resumo

Modificado 0,01  por Alexandra 15 min.

As dedaleiras em poucas palavras

  • As dedaleiras impressionam-nos no verão com os seus longos escapos florais eretos!
  • As suas florações apresentam-se em tons suaves: rosa, púrpura, amarelo, branco, chocolate, alperce…
  • Trazem estrutura e verticalidade aos canteiros
  • São plantas perfeitas em canteiros de estilo natural ou em jardins de cottage
  • Precisam de poucos cuidados e tendem a ser autossemeadoras espontâneas
Dificuldade

A palavra da nossa Especialista

As dedaleiras são plantas bienais ou perenes que florescem no verão. Produzem então longas hastes florais, muito eretas, conferindo estrutura e altura ao jardim. São apreciadas tanto pelo seu grafismo, pela sua floração luminosa como pelo seu aspeto muito natural! A mais conhecida é a dedaleira, Digitalis purpurea, mas encontram-se muitas outras espécies e variedades. Entre a floração elegante da dedaleira branca (Digitalis purpurea ‘Alba’), o tom ocre-acastanhado da dedaleira-lanosa ou a floração luminosa da dedaleira amarela, a escolha é ampla, e estas plantas ainda têm muito para nos surpreender com os seus tons variados e o seu grafismo impecável! Algumas delas podem ser muito diferentes, como as campânulas flamejantes da Digitalis obscura.

As dedaleiras preferem a meia-sombra ou o pleno sol, num substrato leve, drenante, rico em húmus. Não gostam de solos encharcados nem de terrenos demasiado secos. Requerem poucos cuidados: apenas algumas regas em caso de seca, tutoragem se estiverem expostas ao vento, e a remoção eventual das flores murchas. São perfeitamente rústicas. Se não vivem muito tempo no jardim, as dedaleiras compensam ressemeando-se abundantemente.

Botânica

Ficha de identidade

  • Nome latino Digitalis sp.
  • Nome comum Dedaleira, Luva-de-Nossa-Senhora, Luva-de-Pastora...
  • Floração De junho a agosto - setembro
  • Altura Até 2 metros de altura
  • Exposição Meia-sombra ou pleno sol
  • Tipo de solo drenante, humífero, leve
  • Rusticidade consoante as variedades, entre – 15 e – 30 °C.

As dedaleiras contam entre 20 e 25 espécies de plantas bienais ou de perenes de curta duração de vida. São completamente rústicas. São originárias da Europa, da Ásia e do Norte de África. A mais conhecida é a dedaleira, Digitalis purpurea, que cresce em estado selvagem numa boa parte de Portugal, com exceção da região mediterrânica. Encontra-se na orla de bosque, nas bermas de caminhos, clareiras ou em terrenos incultos. Em França, é ainda possível encontrar na natureza Digitalis grandiflora e Digitalis lutea.

As dedaleiras pertencem à família das Plantagináceas, mas eram anteriormente classificadas na das Escrofulariáceas. As Plantagináceas reúnem numerosas plantas, frequentemente herbáceas, como a tanchagem, os penstémones, as verónicas ou as bocas-de-lobo. As dedaleiras assemelham-se aliás muito às flores dos penstémones!

O nome da dedaleira vem do latim digitus, que significa «dedo», pois é possível introduzir um dedo na flor como se se tratasse de uma luva. É também por esta razão que lhe chamam às vezes «Luva-de-Pastora», «Luva-da-Virgem» ou «Luva-de-Nossa-Senhora».

A dedaleira é uma planta alta, muito ereta, que confere verticalidade ao jardim. É uma planta bastante imponente: tem um aspeto natural e integra-se facilmente, mas nota-se de imediato graças à sua altura, à sua forma majestosa e à sua luminosidade. As hastes florais atingem até dois metros de altura na dedaleira! Contudo, nalgumas espécies mais baixas não ultrapassam os 60 cm (Digitalis lutea, Digitalis dubia, Digitalis parviflora…). A dedaleira possui uma grande haste floral, muito ereta, não ramificada. É sólida, robusta, oca e pubescente. As dedaleiras são aliás frequentemente plantas pubescentes: os seus caules, flores, cápsulas e a face inferior das folhas apresentam geralmente uma fina penugem de pelos brancos.

Dedaleira, ilustração botânica

Digitalis purpurea : ilustração botânica

A dedaleira produz uma roseta de folhas no primeiro ano e só floresce no ano seguinte. Poderá morrer após a floração (autossemeando-se), ou viver ainda alguns anos. Se procura uma dedaleira perene, escolha por exemplo Digitalis mertonensis ou Digitalis ‘Glory of Roundway’.

A dedaleira floresce em junho-julho, por vezes até setembro. É preciso esperar pelo segundo ano para a ver florescer, pois no primeiro ano produz apenas uma roseta de folhas.

As dedaleiras possuem longas hastes florais eretas, compostas por numerosas flores. Estas últimas estão agrupadas de forma densa, todas do mesmo lado do caule, e abrem-se de baixo para cima. As que se situam no topo da haste estão ainda fechadas quando as da base se abrem. Digitalis lutea tem um aspeto muito delicado: os seus cachos são estreitos e compridos, constituídos por flores pequenas e finas.

As flores são tubulosas ou assumem a forma de sinos alongados, voltados para o solo. São compostas por cinco pétalas soldadas que formam um tubo alargado, rodeado por cinco sépalas. Na extremidade, a corola abre-se em dois lábios, nem sempre muito distintos. O lábio superior forma dois lobos e o inferior três lobos, por vezes muito desenvolvidos. No interior do tubo da corola encontram-se quatro estames. É bastante frequente que as flores sejam pubescentes.

A dedaleira apresenta flores grandes, que medem entre quatro e cinco centímetros de comprimento. São bem mais pequenas noutras variedades. Em Digitalis parviflora, por exemplo, não ultrapassam os dois centímetros de comprimento.

Embora a mais conhecida seja a dedaleira, as dedaleiras podem assumir outras cores. Encontram-se belas variações de tonalidades, com vermelhos, mauves e rosas claros, mas também dedaleiras de flores amarelas, ou por vezes branco puro, o que confere à planta uma elegância muito especial! (como em ‘Snow Thimble’). Outras vezes, assumem uma tonalidade castanho chocolate, como em Digitalis parviflora. As cores são bastante quentes, mas frequentemente suaves. Digitalis obscura destaca-se das outras variedades pelas suas flores de tons muito vivos, vermelho alaranjado. À exceção desta dedaleira particular, para desfrutar de florações deslumbrantes, deve optar-se por os digiplexis, plantas resultantes do cruzamento entre dedaleiras e Isoplexis!

O interior das flores das dedaleiras é geralmente marcado por padrões mais escuros: pode apresentar pequenos pontos ou formas irregulares, ou ainda veios. O contraste é bastante excecional na dedaleira purpurea ‘Pam’s Choice’, tornando o conjunto da haste floral quase hipnótico! Quanto a Digitalis purpurea, apresenta flores de um púrpura – rosado bastante claro, contrastadas por manchas de púrpura escuro no interior da corola.

A dedaleira é uma planta melífera: a sua polinização é feita pelos insetos, nomeadamente os abelhões e as abelhas. O lábio inferior da corola serve de pista de aterragem aos insetos que vêm libar o néctar que se encontra no fundo da flor.

As flores das dedaleiras

As diferentes florações das dedaleiras! Digitalis purpurea (foto H. Zell), Digitalis lanata (foto Katya), Digitalis_grandiflora (foto Orchi) e Digitalis obscura (foto Peganum)

 

As folhas da dedaleira são inteiras e alongadas, ovais, não divididas. Consoante as diferentes variedades, medem entre 5 e 25 centímetros de comprimento. Por vezes são dentadas na margem do limbo. São de cor verde escuro e frequentemente aveludadas na face inferior. As nervuras são muito marcadas, o que confere às folhas um aspeto gofrado. Uma parte das folhas está disposta em roseta na base da haste floral, enquanto outras estão presas ao caule, colocadas de forma alterna (uma após a outra). As folhas basais são grandes e com pecíolo longo. À medida que se sobe na haste floral, as folhas tornam-se mais pequenas, quase sésseis (pecíolo muito curto), e vão rareando. As folhas de Digitalis obscura são muito estreitas, quase lineares.

 

A folhagem da dedaleira

Digitalis purpurea : roseta de folhas basais (Jean-Marc Pascolo), e uma folha isolada

 

Os frutos são cápsulas tomentosas (cobertas de pelos finos), que se abrem na maturidade e libertam então uma multidão de sementes minúsculas. São dispersas pelo vento ou pelos animais. As dedaleiras tendem a autossemear-se espontaneamente.

As dedaleiras foram cruzadas com as isoplexis (Isoplexis canariensis) — uma planta muito próxima, por vezes classificada entre as dedaleiras — para dar origem aos Digiplexis. Estes híbridos possuem, tal como as dedaleiras, hastes florais eretas, mas as suas flores assumem tonalidades deslumbrantes: vermelho, laranja, amarelo, rosa… cores ainda mais vivas do que as das dedaleiras. A cultivar, contudo, em clima ameno, pois são pouco rústicos.

As principais variedades de dedaleiras

As variedades mais cultivadas
As variedades que toleram o calcário e o sol
Os digiplexis

Muito difundidas, estas variedades precisam de condições de cultura «clássicas» para dedaleiras: plante-as de preferência a meia-sombra, em terreno leve, ácido, humífero, simultaneamente fresco e drenante.

Digitalis purpurea

Digitalis purpurea

É a espécie mais conhecida e mais difundida! Possui flores cor-de-rosa maculadas de púrpura no interior da corola. Autossemeadora, instala-se facilmente por si só.
  • Período de floração Julho à Setembro
  • Altura à maturidade 1,50 m
Digitalis purpurea Suttons Apricot

Digitalis purpurea Suttons Apricot

Esta dedaleira é notável pela sua tonalidade suave, cor-de-rosa abricot, muito pálida, quase cor de pele. É perfeita para um jardim campestre ou um jardim de estilo romântico.
  • Período de floração Julho, Agosto
  • Altura à maturidade 1 m
Digitalis purpurea Pam's Choice

Digitalis purpurea Pam's Choice

Uma variedade que oferece um contraste excecional: as flores são brancas e maculadas de manchas púrpura – vermelho escuro no interior da garganta. O tubo da corola é recortado, fendido, ao contrário das outras dedaleiras em que as pétalas estão unidas em toda a extensão. A flor assume assim uma forma surpreendente!
  • Período de floração Junho à Agosto
  • Altura à maturidade 1,20 m
Digitalis Glory of Roundway

Digitalis Glory of Roundway

Aprecia-se pela sua floração delicada e refinada! Flores de um belo tom rosa suave, ligeiramente alaranjado, com o interior maculado de manchas castanhas. Floresce durante muito tempo e, ao contrário de outras dedaleiras, é perfeitamente perene.
  • Período de floração Junho à Setembro
  • Altura à maturidade 80 cm
Digitalis purpurea Alba

Digitalis purpurea Alba

Trata-se de uma variedade muito elegante, com os seus longos espigões compostos por flores de um branco puro, muito ligeiramente maculadas no interior da corola. Trará luminosidade aos seus canteiros.
  • Período de floração Junho à Agosto
  • Altura à maturidade 1 m
Digitalis híbrida Goldcrest

Digitalis híbrida Goldcrest

Uma dedaleira de porte compacto, que exibe belas flores amarelo-alaranjadas, matizadas de rosa. Tolera bem as exposições ensolaradas e adapta-se a uma plantação em vaso. Trata-se de um híbrido estéril, que não produzirá sementes.
  • Período de floração Agosto à Novembro
  • Altura à maturidade 50 cm

Algumas dedaleiras distinguem-se das variedades mais comuns pelas suas condições de cultura. Se a dedaleira aprecia solos ácidos, outras podem crescer em terreno calcário. Toleram exposições ensolaradas, mas é preferível evitar o sol abrasador, sobretudo se viver no sul de Portugal.

Dedaleira Amarela

Dedaleira Amarela

Trata-se de uma dedaleira verdadeiramente perene, que oferece numerosas flores pequenas de um amarelo muito suave, reunidas em longos cachos estreitos. Cresce em Portugal em estado selvagem!
  • Período de floração Julho à Setembro
  • Altura à maturidade 80 cm
Digitalis parviflora

Digitalis parviflora

Esta dedaleira exibe longos espigões compostos por flores cor de mel acastanhado, ligeiramente alaranjadas. Um tom muito quente e acolhedor! Pode crescer ao sol desde que o solo se mantenha fresco.
  • Período de floração Agosto, Setembro
  • Altura à maturidade 70 cm
Digitalis grandiflora

Digitalis grandiflora

A dedaleira-amarela exibe flores de um amarelo suave, cujo interior é marcado por veias mais escuras, castanhas. Uma floração simples e luminosa! Pode crescer a meia-sombra ou ao sol, evitando sempre as exposições mais abrasadoras.
  • Período de floração Julho à Setembro
  • Altura à maturidade 80 cm
Digitalis ferruginea Gigantea

Digitalis ferruginea Gigantea

Esta dedaleira oferece flores de cor amarelo pálido – ocre, contrastadas por veias castanhas no interior da corola. Evite o sol abrasador. Sentir-se-á bem em solos pedregosos ou num jardim de cascalho.
  • Período de floração Agosto, Setembro
  • Altura à maturidade 1,20 m
Digitalis obscura

Digitalis obscura

Trata-se de uma dedaleira muito bela, com flores em tons laranja – vermelho, em longas campânulas pendentes, e uma folhagem muito fina e delicada. Pode instalá-la sem qualquer problema em situação quente e seca, a pleno sul, por exemplo numa rocha decorativa!
  • Período de floração Julho à Outubro
  • Altura à maturidade 60 cm

 

Os digiplexis são variedades pouco rústicas, mas muito coloridas, resultantes de um cruzamento entre as dedaleiras e o seu parente Isoplexis canariensis.

 

Digiplexis Illumination Flame

Digiplexis Illumination Flame

Aprecia-se esta variedade pela sua floração deslumbrante! A flor é vermelha no exterior e abre-se revelando uma garganta amarelo-alaranjada... Um subtil degradé de tons quentes!
  • Período de floração Julho à Novembro
  • Altura à maturidade 1 m
Digiplexis Berry Canary

Digiplexis Berry Canary

Este digiplexis exibe espigas eretas compostas por flores cor-de-rosa muito belas, com garganta branco-creme maculada de púrpura. Uma variedade de porte bastante compacto.
  • Período de floração Julho à Novembro
  • Altura à maturidade 70 cm

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Plantação das dedaleiras

Onde plantar a dedaleira?

As dedaleiras são conhecidas por serem plantas de meia-sombra, que se dão bem, por exemplo, na orla de bosque. Se é verdade que não gostam de sol abrasador, as dedaleiras (nomeadamente as variedades cultivadas) também podem crescer em plena exposição solar. Tudo depende da localização geográfica: em regiões mediterrânicas, é preferível instalá-la num local onde tenha sombra nas horas mais quentes, enquanto em regiões de clima mais fresco pode ser plantada a pleno sol.

A dedaleira tem preferência por terrenos ligeiros. Evite solos demasiado pesados, argilosos, que permanecem húmidos no inverno e favorecem o aparecimento de doenças. Pode remediar esta situação incorporando pozolana, cascalho ou areia grossa no momento da plantação. Assim, a água infiltrar-se-á mais rapidamente no solo. A dedaleira aprecia igualmente os solos ricos em matéria orgânica, pelo que é aconselhável incorporar composto na plantação. Um substrato do tipo terra de bosque seria o ideal (solto, ligeiro, arejado, rico em húmus).

A dedaleira é uma planta bastante alta: prefira colocá-la no fundo do canteiro, atrás de plantas mais baixas. Também pode instalar a dedaleira mesmo à frente de uma sebe. Plante-a igualmente em local abrigado do vento, pois este pode dobrar os caules. Caso contrário, será necessário tutorá-los. Escolha bem o local: uma vez instaladas, as dedaleiras não gostam de ser transplantadas!

A dedaleira aprecia os terrenos ácidos. Pode incorporar um pouco de terra de urze no momento da plantação. No entanto, os solos calcários adaptam-se perfeitamente a outras espécies, como Digitalis lutea, Digitalis parviflora ou Digitalis laevigata

Se as dedaleiras apreciam os solos humíferos e que se mantêm frescos no verão, certas espécies adaptam-se bem a situações mais secas e darão-se bem num canteiro de pedras ou num jardim mediterrânico. É o caso, por exemplo, de Digitalis obscura, uma magnífica dedaleira com flores cor de laranja-avermelhado.

Quando plantar?

Plante as dedaleiras de preferência no outono, idealmente em outubro. Também é possível fazê-lo na primavera.

Como plantar?

Aconselhamos a espaçá-las de 30 a 40 centímetros. Coloque-as em grupo, no mínimo em três ou cinco exemplares, mas evite isolá-las.

  1. Mergulhe o torrão numa bacia com água para o reidratar bem
  2. Abra um buraco de plantação. Descompacte o fundo e incorpore um pouco de composto para enriquecer o solo e, se o terreno for pesado, acrescente cascalho ou pozolana para facilitar a infiltração da água.
  3. Plante o torrão no buraco.
  4. Reponha a terra em volta, misturada com algumas mãos-cheias de substrato, e compacte ligeiramente.
  5. Regue abundantemente.

Continue a regar regularmente, até a planta se estabelecer.

 

A dedaleira mertonensis, em flor

Digitalis mertonensis (foto SB Johnny)

 

Manutenção

As dedaleiras são plantas de cultivo fácil e que exigem pouca manutenção. Apreciam solos frescos; deve evitar-se que sequem totalmente durante o verão, regando um pouco em caso de calor intenso. Regue diretamente na base para não molhar a folhagem, o que favoreceria o aparecimento de doenças como o oídio ou o míldio.

Uma vez instaladas, é absolutamente necessário evitar deslocar as dedaleiras, para não danificar a sua raiz pivotante, que é bastante frágil. Podem necessitar de tutoragem, pois as suas longas hastes florais são sensíveis ao vento. Pode também depositar uma camada de cobertura morta (BRF, folhas secas…) na base da dedaleira para impedir o crescimento de ervas daninhas e manter um solo fresco no verão.

Aconselhamos a cortar as hastes florais assim que estejam murchas, pois isso estimula o aparecimento de novas flores e evita desgastar a planta desnecessariamente. Pode também deixá-la ressemear-se espontaneamente, deixando algumas flores murchas no pé.

A dedaleira aprecia solos ricos e férteis: beneficiará de um aporte de composto bem decomposto na primavera. Deposite-o na sua base e incorpore-o ao solo com uma ligeira raspagem.

As dedaleiras são, de um modo geral, pouco sensíveis a doenças. Podem, no entanto, ser afetadas pelo oídio ou pelo míldio. O oídio reconhece-se pela presença de uma penugem branca nas folhas. Trate pulverizando bicarbonato de sódio. Podem também ser atingidas pela antracnose, que provoca o aparecimento de manchas castanhas na folhagem. As lesmas e os caracóis apreciam os rebentos jovens. Proteja as suas plantas de dedaleira colocando aparas de madeira ou cinza à volta para os impedir de passar, ou fabrique uma armadilha para lesmas.

Multiplicação : semear dedaleiras

É fácil multiplicar as dedaleiras semeando as suas sementes. A sementeira das variedades hortícolas produz plantas que tendem a reverter para a sua forma de origem. Não serão necessariamente fiéis à variedade que pretende multiplicar, nomeadamente nas cores de floração. Para obter plantas jovens idênticas à planta-mãe, semeie de preferência as espécies botânicas (Digitalis purpurea, D. grandiflora, D. lanata, etc.).

Sementeira

Se as condições lhes forem favoráveis e se não tiverem sido retiradas as flores murchas, as dedaleiras ressemeiam-se sozinhas, em abundância. Assim, pode deixar algumas flores murchas nas hastes, ou recolher as cápsulas e esmiuçá-las no local onde pretende ter novas plantas. Não hesite também em recolher as sementes para as semear. Pode ainda comprar sementes de dedaleiras, para ter a certeza de obter uma variedade fiel.

 

A sementeira da dedaleira é fácil de realizar. Pode semear sob abrigo ou diretamente em plena terra. Como regra geral, só florescem no segundo ano, e por vezes morrem após a floração, pelo que é aconselhável semear regularmente (ou, mais simplesmente, deixar que se ressemeiem sozinhas no jardim), para desfrutar da sua floração todos os anos.

Sob abrigo:

Semeie as sementes na primavera, por volta dos meses de maio a junho.

  1. Encha um vaso ou uma caixa de sementeira com substrato (terra de cultura à qual deverá adicionar areia grossa para a drenagem, e eventualmente um pouco de terra de urze para a acidez). Nivele a superfície e compacte ligeiramente.
  2. Espalhe as sementes sobre o substrato. Pressione-as muito ligeiramente, mas não as cubra, pois necessitam de boa luminosidade para germinar.
  3. Regue com chuva fina.

Coloque a sementeira num local luminoso, a uma temperatura de 18 a 20 °C aproximadamente. Mantenha o substrato ligeiramente húmido até à germinação. Transplante as plantas jovens para vasos individuais quando atingirem entre 6 e 8 centímetros de altura. Tenha cuidado, pois as raízes são frágeis, o que torna a repicagem delicada. Poderá plantá-las no jardim no outono, por volta do mês de outubro.

Digitalis purpurea em vaso: os primeiros rebentos após uma sementeira

Uma planta jovem de dedaleira

 

 

Em plena terra:

Pode semear diretamente no local, a partir do mês de maio e durante todo o verão.

  1. Trabalhe o solo preparando uma cama de sementeira bastante fina (retire as ervas daninhas, os torrões e as pedras maiores). Se o seu terreno for calcário, adicione terra de urze. Pode também incorporar um pouco de terra de cultura.
  2. Semeie as sementes à superfície.
  3. Cubra com uma camada muito fina de substrato.
  4. Regue com chuva fina.

Continue a regar nas semanas que se seguem à sementeira. Muitas sementes vão germinar; será então necessário proceder ao desbaste para ficar apenas com algumas plântulas, as mais vigorosas.

Associar as dedaleiras no jardim

Com as suas grandes hastes robustas e direitas, a dedaleira é uma planta muito estruturante. Dá imediatamente volume e verticalidade a um canteiro um pouco plano. Aproveite para inserir as suas altas hastes florais no meio de plantas mais baixas, como os gerânios, sinos-de-coral, bergénias ou alquemilas… De um modo geral, as dedaleiras plantam-se de preferência no fundo dos canteiros, com plantas menos altas à sua frente. Com os seus espigos finos e elegantes, podem criar belos contrastes de formas e quebrar a monotonia de um canteiro mais plano.

A dedaleira tem um lado muito selvagem, integra-se facilmente num jardim de estilo natural. Pode instalá-la entre gramíneas e flores como as dos álios, astrâncias, aquilégias, knáutias ou cariofiladas… Prefira flores bastante simples, sóbrias, ligeiras. E, sobretudo, deixe a dedaleira ressemear-se espontaneamente e regressar cada vez, às vezes num local diferente. Para um aspeto sempre muito natural, não hesite em instalar a dedaleira em sub-bosque! Componha um jardim muito fresco e selvagem, plantando-a com fetos, tricyrtis, hostas ou bruneras… E eventualmente com hortênsias que gostam da sombra, como as Hydrangea serrata. O tom ácido da dedaleira-roxa combina perfeitamente com o verde tenro dos fetos, sem contar que se trata de duas plantas gráficas que trazem frescura. Como a dedaleira é uma planta que cresce naturalmente na orla da floresta, pode também instalá-la junto a uma sebe campestre, para criar um efeito de linha de fronteira entre o campo e o bosque.

A dedaleira é uma planta elegante que oferece uma paleta de cores muito delicadas. As suas flores têm um lado refinado, com os motivos que ornamentam o interior da corola. Use-a para compor um ambiente romântico. Escolha as variedades em tons pastel: rosa, amarelo ténue, branco, damasco (por exemplo, ‘Sutton’s Apricot’), etc. E combine-as com roseiras, astrâncias, mosquitinhos, gerânios perenes e papoilas-orientais!… Um pouco no mesmo espírito, romântico e poético, pode integrar a dedaleira num jardim de cottage. Privilegie os tons azuis e brancos, as folhagens exuberantes, e deixe escapar algumas hastes eretas: as das dedaleiras, claro, mas também as dos álios ou dos veronicastrums… Aproveite também as graciosas umbelas brancas das Apiáceas, como Orlaya grandiflora. As dedaleiras combinam igualmente bem com as flores delicadas das campânulas (por exemplo Campanula trachelium).

Algumas dedaleiras, nomeadamente as espécies mediterrânicas, podem ser integradas num jardim seco ou jardim de cascalho. É o caso da Digitalis obscura, que possui flores muito belas de cor vermelho-alaranjado e suporta muito bem o calor e a seca. Plante-a num jardim exposto a sul, em solo drenante e pedregoso, na companhia de plantas de rocha: milefólios, Stipa tenuifolia, santolinas, sempre-vivas…

Exemplos de associação no jardim com a dedaleira, em tons suaves e românticos

Uma associação com Digitalis ‘Suttons Apricot’, Iris ‘Jane Phillips’ e Papaver orientale ‘Patty’s Plum’ (foto Clive Nichols – MAP) / Digitalis mertonensis, Veronicastrum e Aruncus aethusifolius ‘Horatio’

→ Descubra outras ideias de associação com as dedaleiras na ficha de conselhos de Christine

 

Recursos úteis

 

Perguntas frequentes

  • A folhagem da minha dedaleira está coberta de penugem branca. O que fazer?

    A sua planta está afetada por oídio, uma doença criptogâmica (causada por um fungo). Pode cortar as partes afetadas e, ao regar a planta, evite molhar a folhagem, dirigindo o jato preferencialmente para o solo. Trate por pulverização com uma solução à base de enxofre ou de bicarbonato de sódio.

  • Ouvi dizer que a dedaleira é tóxica. É verdade?

    Sim, encerra nos seus tecidos várias substâncias cardiotónicas (estimulantes cardíacos), nomeadamente digitalina. A sua ação poderosa sobre o coração leva a que seja por vezes utilizada em medicamentos, mas enquanto tal, a dedaleira é tóxica. No entanto, não nos passaria pela cabeça comê-la... Contentamo-nos em admirá-la! Da mesma forma, é sempre preferível lavar as mãos depois de manipular a planta.

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