Resumo

Modificado 0,01  por Eva 10 min.

A sorveira em poucas palavras

  • As sorveiras são árvores perfeitas para jardins pequenos, pois têm um hábito esguio e ocupam pouco espaço no solo
  • As suas bagas alaranjadas, vermelhas, cor-de-rosa ou brancas são muito decorativas no final do verão
  • A folhagem simples ou composta, de um verde escuro e brilhante, veste-se de tons cintilantes no outono.
  • Muito rústicas, estas árvores servem de alimento às aves e plantam-se isoladas, tanto em ambiente urbano como no campo, ou integradas numa sebe campestre.
Dificuldade

A palavra da nossa especialista

As sorveiras, Sorbus em latim, são arbustos de cultivo fácil que apreciam invernos rigorosos. São igualmente conhecidas pela sua madeira dura e densa e pelos seus frutos decorativos, apreciados sobretudo pelas aves. A tramazeira é valorizada tanto pelo seu papel ornamental como pelo seu papel ecológico. O Sorbus aucuparia forma uma pequena árvore de silhueta graciosa, arredondada e bem equilibrada, com folhas plumosas que viram ao amarelo-dourado no outono e que se cobre de pequenas bagas vermelho-carmesim de julho a dezembro. Os caçadores serviam-se destas bagas como isco para atrair os tordos, daí o seu outro nome de “árvore dos tordos”. A sorveira-doméstica, por sua vez, é muitas vezes plantada perto das casas, pois os seus frutos — as sorvas, com aspeto de pequenas peras (2,5 cm de comprimento) ou maçãs vermelho-acastanhadas — têm um sabor adocicado quando demasiado maduros (castanhos), o que os torna excelentes para compotas e xaropes.

Se a tramazeira (Sorbus aucuparia) teme a seca e aprecia os climas frescos — encontra-se até na Islândia e na Ásia boreal —, já a sorveira-doméstica (Sorbus domestica) aprecia o calor da Europa meridional e encontra-se até ao norte de África. Esta última é apreciada pelo valor da sua madeira, tal como a sorveira-bastarda (Sorbus torminalis), outra espécie indígena, comum nas florestas a leste da Bacia de Paris, do Centro e do Poitou-Charentes, cuja área de distribuição geográfica se estende até ao Cáucaso e ao Médio Oriente.

As sorveiras são árvores rústicas, suportando geadas até -25 °C em média, fáceis de cultivar, muito floríferas e que não exigem qualquer cuidado. Têm um crescimento rápido durante os primeiros 20 anos, que abranda posteriormente. A introdução de novas cultivares e espécies asiáticas oferece uma variedade de formas e cores de bagas excecionais, que mereceria um uso mais frequente em arranjos paisagísticos. A única precaução é plantá-las afastadas de um terraço ou de uma alameda alcatroada, devido à sujidade provocada pela grande quantidade de frutos e pela sua atração sobre as aves.

Tramazeira

Floração e folhagem do Sorbus aucuparia.

Descrição e botânica

Ficha de identidade

  • Nome latino Sorbus sp.
  • Nome comum Sorveira, mostajeiro, sorveira-doméstica
  • Floração entre maio e julho
  • Altura entre 6 a 30 m
  • Exposição sol ou meia-sombra
  • Tipo de solo qualquer solo bem drenado, de preferência fresco
  • Rusticidade Muito boa na maioria dos casos

O género Sorbus reúne mais de 200 espécies de árvores e arbustos que habitam exclusivamente o clima temperado fresco e até mediterrânico do hemisfério norte. Pertence à família das Rosáceas e apresenta flores em corimbo terminal de cor branco-creme ou rosadas, muitas vezes de cheiro desagradável, e frutos geralmente decorativos. A folhagem simples ou composta adquire com frequência belas tonalidades outonal.

O Sorbus aucuparia, rowan em inglês, que é o mais comum nos nossos jardins, é uma árvore pioneira em zonas de altitude média, que cresce frequentemente de forma isolada graças à dispersão das sementes pelas aves. Surge na metade leste e norte de França, muitas vezes nas orlas das florestas e em espaços abertos, em solos pedregosos bem drenados, ácidos mas por vezes também em solos básicos calcários ou cretáceos. Não aprecia solos pesados ou compactados, asfixiantes, nem a brisa marinha.

O seu tronco, bastante curto e delgado, possui uma casca lisa de cor cinzento-prateado, salpicada de lenticelas, que se torna negra e ligeiramente fissurada com a idade. Sustenta uma copa arredondada e densamente ramificada. Os ramos são de cor castanho-avermelhado violáceo, pubescentes e depois glabros, e ostentam gomos pilosos. Na natureza, a tramazeira forma frequentemente uma touceira de várias hastes que partem do solo. Tolera bem o corte pela base. A sua esperança de vida é de cerca de 150 anos.

A folhagem alterna, de 15 a 20 cm de comprimento, é composta por 9 a 15 folíolos finamente dentados, exceto na base nesta espécie; porém, outras sorveiras como a sorveira-bastarda (Sorbus torminalis) ou o mostajeiro-branco (Sorbus aria) apresentam folhagem simples ou lobada. O limbo do Sorbus aucuparia é verde-escuro brilhante na página superior e verde mais claro na inferior.

Tramazeira

Sorbus aucuparia – ilustração botânica

As inflorescências de cor creme, com 10 a 15 cm de diâmetro, são densas e constituídas por cerca de 250 flores hermafroditas de 6 a 15 mm, com um perfume mais ou menos apreciado, entre abril e junho. A corola de 5 pétalas arredondadas exibe um abundante conjunto de 15 a 20 estames que atrai tanto moscas como coleópteros, borboletas noturnas, abelhas e vespas.

As bagas vermelho-vivo chamadas «sorvos» criam um contraste surpreendente com a folhagem verde-intensa a partir do mês de julho; depois, esta última cobre-se de tons amarelo-alaranjado-avermelhados que transformam a paisagem no outono. As bagas são então consumidas pelas aves, nomeadamente tordos, corvos e dom-fafes. As sementes possuem uma dormência profunda que requer até 6 meses de estratificação para ser quebrada.

As bagas oferecem uma variedade de cores, como o branco-creme matizado de rosa do Sorbus cashmiriana, o rosa-vivo do Sorbus alnifolia, o vermelho-escarlate do Sorbus commixta ‘Belmonte’, ou ainda o amarelo suave do Sorbus aucuparia ‘Xanthocarpa’. O Sorbus aucuparia ‘Edulis’, denominado Sorveira-da-Morávia, é uma árvore mais vigorosa do que a espécie-tipo, com frutos maiores, macios e comestíveis. O consumo das bagas pelo ser humano provoca distúrbios digestivos, sendo preferível cozinhá-las ou destilá-las (utilizadas na Europa para o kirsch ou para aromatizar a vodka na Polónia); enquanto isso, as folhas de sorveira têm propriedades medicinais.

Do ponto de vista botânico, trata-se de falsos frutos (pyridion) e não de bagas, à semelhança da maçã ou da pera, formados pelo recetáculo floral hipertrofiado que envolve o mesocarpo. Os frutos da sorveira-bastarda (Sorbus torminalis) chamados «aliças» diferem um pouco dos das sorveiras comuns: ovoides, com uma pele coriácea de cor bronze mosqueada de protuberâncias verrucosas e um diâmetro que atinge 1,2 cm. Maduros em setembro-outubro, a sua acidez atenua-se após um longo processo de maturação independente do gelo. Consomem-se quando demasiado maduros ou sob a forma de licor. Eram utilizados para tratar cólicas e para aromatizar a cerveja antes do uso do lúpulo na Irlanda. As flores e as folhas serviam para preparar decocções contra a gripe, as otites e a tuberculose. Os sorvos da sorveira-doméstica, muito adstringentes quando a polpa está firme e a pele avermelhada, também se consomem depois de a polpa ter amolecido e a pele ter escurecido.

A madeira branco-rosada, dura e densa da tramazeira servia para fabricar cabos de ferramentas e peças sujeitas a desgaste, dada a sua dureza e densidade. A madeira da sorveira-bastarda, dotada de um cerne avermelhado mais ou menos escuro, é igualmente apreciada para o fabrico de ferramentas, instrumentos musicais, em ebanisteria, tornaria e marchetaria.

Tramazeira

Evolução da floração do Sorbus aucuparia.

As principais variedades de sorveiras

Diferentes nomes vernaculares designam as árvores do género Sorbus como a sorveira ou sorveira-doméstica (Sorbus domestica), a sorveira-bastarda (Sorbus torminalis), o mostajeiro-branco (Sorbus aria), o mostajeiro (Sorbus latifolia). A tramazeira é a espécie que deu origem ao maior número de cultivares, como uma forma de folhas muito recortadas que lembram um feto ‘Aspleniifolia’, uma forma de frutos amarelo-alaranjado ‘Xanthocarpa’, uma forma chorona ‘Pendula’, um hábito cónico a ovoide estreito ‘Sheewater Seedling’ ideal ao longo de uma avenida… ‘Gibbsii’ é um belo híbrido entre Sorbus aucuparia e aria, com porte espalhado e frutos grenada, enquanto ‘Joseph Rock’ é um taxon de origem asiático-oriental imprecisa, com grandes cachos de frutos amarelo-vivo e magníficas colorações outoniças. Sorbus commixta ‘Belmonte’ exibe largos cachos rutilantes…

 

Tramazeira - Sorbus aucuparia

Tramazeira - Sorbus aucuparia

Árvore decorativa da primavera ao outono, que se encontra em grande número nos parques. De maio a junho, uma profusão de pequenas flores brancas em corimbos de 12 cm de diâmetro dão lugar a suntuosos frutos vermelho-sangue.
  • Período de floração Junho, Julho
  • Altura à maturidade 8 m
Sorbus cashmiriana - Sorveira-da-caxemira

Sorbus cashmiriana - Sorveira-da-caxemira

Pequena árvore de hábito leve, cujas bagas brancas ornamentais persistem no inverno. Floração em botões cor-de-rosa, pequenas flores rosa-pálido a brancas. Folhagem dourada alaranjada no outono. Tolerante e polivalente.
  • Período de floração Junho à Agosto
  • Altura à maturidade 8 m
Sorbus randaiensis - Sorveira-de-taiwan

Sorbus randaiensis - Sorveira-de-taiwan

Esta pequena sorveira asiática desenvolve uma folhagem finamente recortada, acobreada à rebentação, verde no verão, assumindo magníficas tonalidades outoniças. Após uma floração branca na primavera, produz uma abundância de pequenos frutos vermelhão que se destacam admiravelmente da folhagem e alimentam as aves até ao inverno. Muito elegante e magnificamente colorida, esta pequena árvore aprecia solos frescos mas drenados e exposições soalheiras.
  • Período de floração Junho, Julho
  • Altura à maturidade 5 m

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Plantar uma sorveira

Onde plantar a sorveira?

As sorveiras, apreciadas pela sua sombra ligeira, são geralmente muito rústicas. A tramazeira, ausente no oeste e no sul, tolera a meia-sombra mas prefere o pleno sol desde que a atmosfera se mantenha húmida. Aprecia estar na orla de um bosque para beneficiar da frescura envolvente. A plantação isolada deve ser reservada a climas frescos, pois a sua casca é sensível ao sol e teme a seca. Em solo pesado, o enraizamento mantém-se superficial, o que torna a sorveira sensível às rajadas de vento. Evite plantá-la junto ao mar ou num local demasiado mineralizado.

O mostajeiro-branco (Sorbus aria) e, em particular, o seu cultivar ‘Majestica’, de hábito esguio atingindo 10-15 m de altura, é apreciado em meio urbano pois tolera bem a poluição, o calcário e os salpicos do mar.

Não plante a sorveira demasiado perto de uma laje ou de um terraço, pois a abundância de frutos pode manchar o chão e torná-lo escorregadio.

Quando plantar?

Plante as sorveiras de preferência no outono ou no final do inverno, de outubro a março, de forma a garantir um enraizamento profundo antes de enfrentar a seca estival.

Como plantar?

Eis as diferentes etapas para plantar uma sorveira:

  1. Mergulhe o torrão num balde de água para o humedecer bem.
  2. Cave um buraco de plantação de 50 cm em todos os sentidos, arejando bem a terra. Adicione um ou dois baldes de areia grossa ou cascalho à terra de enchimento para facilitar o arejamento em torno das raízes, bem como uma camada drenante de 10 cm (cascalho, areia…) se o seu solo for muito argiloso.
  3. Adicione estrume ou composto decomposto se a terra for arenosa.
  4. Instale a sorveira ao nível certo, de forma a que o colo não fique enterrado.
  5. Recoloque a terra e compacte ligeiramente.
  6. Regue.
  7. Espalhe uma camada de cobertura morta na base para manter uma boa frescura em redor das raízes e limitar o crescimento das ervas daninhas.
Tramazeira

Folhagem de outono do Sorbus aucuparia

Manutenção

Mantenha o solo fresco com regas abundantes em caso de seca prolongada, durante os dois primeiros anos. Corte os rebentos de raiz e os rebentos na base do tronco para manter a planta num tronco único. Retire os eventuais rebentos do porta-enxerto situados abaixo do ponto de enxerto, bem como os ramos mortos e os ramos que se esfregam entre si. A poda pode efetuar-se durante todo o período hibernal, antes da retoma da vegetação. Limite a ramagem a 4-5 ramos estruturais bem equilibrados, de modo a que se possam ramificar sem impedimento.

Doenças e pragas eventuais

O fogo bacteriano é a principal doença a temer nas sorveiras, sendo que neste caso o corte e a queima da árvore são obrigatórios. Manifesta-se pelo acastanhamento de ramos que parecem queimados em forma de báculo. Os ácaros, pulgões e cochinilhas têm consequências menores e raramente necessitam de tratamento. A folhagem também pode ser parasitada pelo oídio, que cria um depósito esbranquiçado. De forma geral, deve evitar-se plantar sorveiras na proximidade de um pomar para evitar contaminações recíprocas destas essências sensíveis aos mesmos males.

Multiplicação

Separe os rebentos, frequentes na base da árvore, puxando-os e coloque-os a enraizar em terra macia no outono.

A sementeira pratica-se após um período de frio que pode durar até 6 meses. O mais simples consiste em recolher plântulas naturais, facilitadas pela intervenção das aves.

Utilizações e associação

As sorveiras utilizam-se com maior frequência isoladas numa clareira, em sebe livre mas também em alinhamento ao longo de uma alameda.

Associar a sorveira

Um exemplo de associação em canteiro na primavera: Sorbus aucuparia, Euphorbia amygdaloides var. robbiae, Viburnum plicatum ‘Watanabe’, Aquilegia ‘Green Apples’, Aucuba japonica ‘Sulphurea Marginata’, Geranium nodosum ‘Silverwood’, Aruncus dioicus.

A tramazeira ou a sorveira de Taiwan são árvores de porte modesto que podem também ser utilizadas no fundo dos canteiros, sozinhas ou em conjunto com outras essências de folhagem outonal, como os Prunus, aveleiras, árvores-do-caramelo, parrótias-da-Pérsia ou bordos. Podem ser integradas numa sebe campestre, acompanhadas de grandes arbustos como o espinheiro-marítimo (Hippophae rhamnoides), o Cotoneaster ‘Cornubia’, o evónimo (Euonymus myrianthus) e, claro, as espireiras com as suas cores flamejantes no outono.

Associar a sorveira

Um exemplo de associação em canteiro estival: Sorbus aucuparia, roseiras ‘Castor’ e ‘Munstead Wood’ entre outras, Hydrangea quercifolia ‘Burgundy’ (fotos Virginie Douce).

Grandes gramíneas como os Miscanthus, um Rhamnus frangula Asplenifolia, algumas plantas de Helianthus ou de crisântemos cor de laranja acompanharão as sorveiras até ao final da estação.

As sorveiras enraízam-se de forma superficial, sobretudo quando o solo está compactado em profundidade, e não é raro ver um exemplar adulto derrubado por uma tempestade. Evite por isso colocá-las demasiado perto de edifícios e em locais expostos ao vento.

Sabia que?

O nome genérico Sorbus vem do latim sorbeo, do verbo «beber», para designar a adstringência dos frutos cujo consumo dá sede. O nome específico aucuparia significa «que apanha os pássaros», enquanto «torminalis» indica que «é bom contra as cólicas» (tormina).

A tramazeira era considerada uma planta da sorte e era costume plantá-la em redor das casas para as preservar do mal, bem como trazer consigo um fragmento de madeira, ou colocá-lo no gado, para proteção contra os raios.

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Descubra a nossa vasta gama de sorveiras.

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