Há alguns anos, enquanto o nosso planeta aquece inexoravelmente, muitos procuram encontrar uma solução e adaptar progressivamente os jardins a uma nova era. O jardim dos antípodas é uma das respostas para todos os jardineiros, propondo que se explore o potencial notável das plantas de climas extremos, como o das plantas austrais.
Veja-se como utilizar algumas plantas suculentas até agora consideradas adequadas apenas para as regiões meridionais e integrá-las em diferentes tipos de jardins, entre jardins de rochas secos e ambientes mexicanos.
A origem do jardim dos Antípodas
No ano passado, um dos espaços da Chelsea Flower Show da RHS (Royal Horticultural Society) surpreendeu muitos visitantes: em pleno Londres, este jardim efémero recriava uma paisagem saída diretamente do matagal sul-africano. O Karoo Succulent Garden, imaginado pela paisagista Katie Lewis e pelo botânico Ernst van Jaarsveld, apresentava, num cenário mineral caótico, uma sublime composição com suculentas excecionais, plantas arbustivas espinhosas notáveis, Aloes, coleções de Haworthia e Gasteria… Verdadeiro manifesto e reflexão sobre o jardim do futuro, este jardim dos antípodas apresentava apenas plantas indígenas da África do Sul, resilientes, capazes de sobreviver a secas acentuadas, que se adaptaram ao ambiente grandioso, mas ainda assim árido e hostil da região do Karoo.

No canto superior direito, Sarcocolon crassicaule cresce no Little Karoo
Num jardim de rochas seco junto ao mar
As nossas costas, desde o Canal da Mancha até ao Atlântico e, naturalmente, ao Mediterrâneo, oferecem um clima ideal para estas plantas provenientes do Cabo. Inspire-se no magnífico jardim de Eze, perto de Nice. Ali cultivam-se numerosas plantas originárias do México, mas também plantas da África do Sul, como os Aloes e diferentes tipos de eufórbias.
Pode-se, por exemplo, reunir numa exposição muito quente, sem que sofram, plantas provenientes do Cabo, como o Aloe ferox, o Delosperma cooperi e uma Euphorbia caerulescens. O aloé mantém um aspeto muito gráfico mesmo depois de perder as flores, com as suas inflorescências em hastes alaranjadas a embelezarem o jardim no inverno e na primavera. Depois, o Delosperma, de hábito rasteiro, florescerá em tons de malva sem interrupção durante todo o verão. Quanto à eufórbia, acrescenta um belo toque verde e suculento a um jardim de rochas. Será agradável instalar ali outras plantas perenes que suportem uma luminosidade intensa, um solo muito drenante e que tenham rusticidade suficiente neste contexto litoral: Euryops pectinatus ou Euryops evansii, Protea, plumbago-do-outono, para uma floração totalmente azul e original no final do verão, entre outras.

Num jardim mediterrânico ou num jardim seco sem rega
O jardim seco, sem dúvida um dos jardins do futuro, é o tipo de jardim que melhor se adequa a estas plantas sul-africanas, que crescem localmente em solos pobres e áridos. Convidar estas plantas dos antípodas para os nossos jardins mediterrânicos ou para regiões com invernos amenos é uma boa ideia para renovar um pouco a paleta vegetal destes jardins concebidos sem rega.
Arbustos ramificados como o Tylecodon wallichii, uma magnífica planta aparentada com as crássulas, que forma com o tempo um pequeno tronco com folhas agrupadas na parte superior, uma urze da África do Sul, a Erica arborea, ou a urze do Cabo (Phylica ericoides) serão as companheiras perfeitas neste ambiente simultaneamente mediterrânico e selvagem. Um aloé muito original, com aspeto de dragoeiro, o Aloe dichotoma, causará sensação depois de desenvolver o tronco. Todas estas plantas apreciam um substrato perfeitamente drenante, pobre e leve. Plantas mais conhecidas, como as Sansevieria (língua-de-sogra), também originárias da África do Sul, podem ser plantadas em vaso para acrescentar o seu grafismo incomparável.
As florações dos diferentes arbustos e subarbustos sul-africanos, devido à inversão dos hemisférios, ocorrem sobretudo no inverno ou na primavera. Acrescentam-se, por isso, algumas plantas de interesse estival para trazer toques coloridos a este universo atípico, como as diáscias (anuais ou perenes) e a malva arbustiva do Cabo (Anisodontea capensis), em flor até às primeiras geadas, que, ao contrário das outras plantas, necessitará de alguma rega enquanto se instala bem.

Num pátio abrigado, como no México, ou numa varanda soalheira!
Embora sejam insensíveis aos raios ardentes do sol, as plantas suculentas e outras plantas indígenas da África do Sul não têm rusticidade suficiente no nosso hemisfério. É então necessário plantá-las em vasos em determinadas regiões onde poderiam sofrer, sobretudo com a humidade invernal.
Por que não evocar um pátio sul-americano para sonhar com horizontes longínquos, num pátio, num logradouro ou num terraço abrigado e muito soalheiro? Depois, bastará recolhê-las para o interior, num local bem aquecido, durante os meses de inverno.
Voltam a estar em destaque plantas fáceis de cuidar, desde que se respeitem as suas reduzidas necessidades de rega e se lhes proporcione uma exposição quente. Aqui, juntam-se, em belos vasos envernizados, um Senecio serpens 'Blue Chalk', ou 'Dwarf Blue', uma Haworthia fasciata 'Big Band', também conhecida como planta-zebra, encantadora pelo seu hábito ultracompacto e pelas suas estrias características na folhagem carnuda.
Considere-se a utilização de cores vivas nas paredes ou nos vasos, como o laranja, o terracota, o turquesa e o verde, para acompanhar as plantas neste pátio decididamente colorido e reforçar assim o ambiente sul-americano. As plantas aqui mencionadas também podem ser colocadas numa pequena varanda urbana virada a sul ou a oeste, desde que não se esqueça de as proteger em casa durante o inverno, entre o final do outono e a primavera.

Descubra a nossa seleção de suculentas na nossa página "Jardim dos antípodas" em linha, e inspire-se no caderno de tendências 2026 !
Os ambientes austrais estão na moda: abordámos este tema em vários artigos: Alexandra fala sobre a sua viagem botânica à África do Sul, os nossos conselhos sobre a plantação e o cultivo de plantas austrais, e a nossa sequência de inspiração Exotismo austral.
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