Resumo
A hera-terrestre ou Glechoma é uma planta perene de cobertura fácil de cultivar. Possui uma folhagem persistente, decorativa durante todo o ano, e apresenta uma floração primaveril azul-violeta agradavelmente perfumada.
Sem manutenção, robusta e rústica, a hera-terrestre desenvolve-se rapidamente, trazendo um toque de luz ao jardim ou ao vaso. Tolera qualquer exposição, desde que o solo se mantenha fresco, preferindo a meia-sombra.
Eis as nossas 5 ideias de associação para se inspirar e adotar a hera-terrestre em casa.
Como planta de cobertura, ao pé das árvores
Aos pés de árvores, num bosque pouco denso, a nossa hera-terrestre sentir-se-á muito bem. Para trazer um verdadeiro toque de luz, opte pela sua variedade variegada Glechoma hederacea ‘Variegata’, com folhagem verde marmoreada de branco-creme.
A nossa planta de cobertura acompanhar-se-á de búgulas, que darão continuidade à floração no final da primavera e no verão. Para trazer ainda mais luz, experimente as variedades de folhagem clara, como ‘Gold Chang’ ou ‘Golden Glow’. Se, pelo contrário, pretender criar contrastes, escolha ‘Black Scallop’ com folhas bronzeadas cor de chocolate ou ‘Atropurpurea’, com as suas folhas púrpura-escuro.
Os indispensáveis sinos-de-coral trarão cor, enquanto pequenas avencas acrescentarão textura (Adiantum, Asplenium, Polystichum, …). Pense também na hera ornamental Hedera helix ‘Kolibri’, uma forma anã de folhagem variegada.
Acrescente a elegante floração daíris de telhado ou do lírio japonês, que apreciam solos frescos a húmidos. Complete com jacintos-dos-campos, anémonas-dos-bosques, astrâncias de brácteas coloridas, uma barba-de-cabra-anã com pequenas panículas brancas e até, porque não, lírios-do-vale.
Por fim, algumas gramíneas baixas trarão estrutura e leveza para completar este cenário. Opte pelas faixas coloridas das Hakonechloa ou pelos populares carr iços. Os ofiopógãos, pequenas plantas perenes que facilmente se confundiriam com gramíneas, também resultarão muito bem.

Glechoma hederacea ‘Variegata, Ajuga reptans ‘Gold Chang’, Hedera helix ‘Kolibri’ e Cila Nutans
Num quadrado de ervas aromáticas e medicinais
A hera-terrestre é uma planta comestível, simultaneamente aromática e apreciada pelas propriedades medicinais que lhe são atribuídas. Encontrará, por isso, naturalmente o seu lugar num canteiro de aromáticas ou num pequeno jardim de plantas medicinais.
Associe-lhe plantas da mesma família (as Lamiáceas), apreciadas tanto na cozinha como pelas suas propriedades naturais.
As hortelãs serão, naturalmente, companheiras perfeitas, robustas e capazes, tal como a hera-terrestre, de se espalharem rapidamente. A floração estival suceder-lhes-á. A folhagem aromática, com um perfume fresco, combinará muito bem com os aromas libertados naturalmente pela nossa hera-terrestre.
Igualmente exuberante, a erva-cidreira encontrará o seu lugar na sua companhia. A floração branca, rosa ou malva combinará na perfeição com a da hortelã no verão. Para variar, opte por uma luminosa Melissa officinalis ‘Aurea’, com folhagem variegada verde e dourada, ou pelo cultivar ‘Altssima’, com um surpreendente sabor a laranja.
Conhecida sobretudo pelo efeito euforizante que provoca nos gatos, a erva-dos-gatos também faz parte destas plantas aromáticas e utilizadas pelas suas propriedades naturais. A floração, geralmente em espigas azul-violetas, lembra a alfazema e ficará em perfeita harmonia com as suas companheiras. Opte pelas variedades que toleram melhor a meia-sombra e os solos frescos, como a Nepeta subsessilis ou a govaniana, com a sua surpreendente floração amarelo-pálida.
Acrescente também consoldas, lâmios e betónicas, como o Stachys monieri ‘Rosea’, com a sua folhagem gofrada, que acrescentará textura.
Todas estas florações melíferas atrairão inevitavelmente os insetos polinizadores, que proporcionarão um verdadeiro bailado aéreo durante várias semanas e favorecerão a polinização das plantas circundantes.

Glechoma hederacea, hortelã, Melissa officinalis ‘Aurea’, Symphytum azureum e Lamiastrum
Em vasos floridos
A hera-terrestre adapta-se bem ao cultivo em floreira ou em vaso suspenso, de onde cairá em cascata de folhas. Numa floreira de varanda, num parapeito de janela ou num terraço, associe-a aos indispensáveis gerânios vivazes para vasos em tons rosa, azuis ou malva (‘Lea’, ‘Dreamland’, ‘Lilac Ice’, …). Acrescente uma pervinca-maior e uma hera como planta de cobertura (as luminosas Hedera helix ‘Little Diamond’ ou ‘Jake’). Obterá assim uma profusão de folhagens que transbordam do recipiente.
Para um vaso um pouco menos selvagem e de aspeto mais cuidado, pense nos bolbos de verão. Adote amarílis de pequeno porte, como ‘Sweet Sixteen’ ou ‘Alasca’. Acrescente begónias, gloxínias e lírios anões, como ‘Garden Party’ ou ‘Orange Pixie’. Para um toque tropical e colorido, pense também nos achiménes ou nas alstroemérias.

Glechoma hederacea, Gerânio vivaz ‘Dreamland’, Vinca major e Hedera helix ‘Little Diamond’
Para um ambiente mais campestre, experimente uma combinação de plantas perenes e anuais com uma campânula (‘Royal Wave’, ‘Joan Elliott’), picões (‘Lemon Moon’, ‘Yellow Charm’) e petúnias (‘BeautiCal Pearl White’). A folhagem decorativa em forma de trevo roxo e a floração delicada do Oxalis triangularis também resultarão muito bem. Pense também na longa floração das nemésias ou das fúcsias, que se cultivam facilmente em vaso.
Com plantas bolbosas numa bordadura de primavera
A hera-terrestre combinará sem dificuldade com pequenos bolbos primaveris, que apreciam, tal como ela, os solos frescos. Permitirão delimitar com encanto uma bordadura baixa, anunciando o regresso dos dias soalheiros.
Na primavera, uvas-de-jacinto, jacintos e açafrões-da-primavera em tons azul-violeta serão ideais.
Narcisos em tons amarelos ou brancos darão, respetivamente, um toque quente complementar ou um toque leve e requintado. Opte por variedades pequenas, como ‘Rip Van Winkle’, com as suas flores duplas desgrenhadas, ou o Narcissus bulbocodium ‘Cantabricus’, com a sua surpreendente flor branca em forma de crinolina.
Acrescente cilas, como bifolia, com as suas bonitas estrelas azuis, e Chionodoxa, mas também algumas tulipas botânicas, como a delicada Tulipa humilis ‘Albocaerula Oculata’.
Estrelas-da-primavera de floração prolongada, que começa logo no inverno, darão cor e um perfume a mel. Complete com anémonas-dos-bosques ou uma anémona-silvestre, que florescerá no final da primavera.
Por fim, acrescente alhos ornamentais, que darão alguma altura e um belo toque gráfico com as suas bonitas flores em forma de esfera.

Glechoma hederacea, narciso ‘Rip Van Winkle’, Chionodoxa e Ipheion uniflorum
Num canteiro fresco
A hera-terrestre poderá também integrar-se perfeitamente na primeira fila de um canteiro em meia-sombra. Ao seu lado, instale uma pachisandra, que formará um belo tapete brilhante durante todo o ano, bem como um ásaro de folhagem lisa ou variegada.
Para uma floração original, pense nas leves plantas-dos-elfos, cujas cores brancas, lilases ou amarelas combinarão facilmente com a nossa Glechoma. As bergamotas de floração desalinhada acrescentarão cor e perfume. As verónicas ou as centáureas-das-montanhas serão também boas companheiras.
Quanto à folhagem, acrescente um Hakonechloa e um sino-de-coral, como ‘Green Spice’, mas também uma aspérula-cheirosa pelas suas belas folhas persistentes.
Em segundo plano, cultive um selo-de-Salomão pela sua silhueta arqueada, uma solar ligulária e uma astilbe branca (‘Professor van der Wielen’). Em segundo plano, uma bela Hydrangea aspera com flores lilases (‘Villosa’, ‘Goldrush’, ‘Sargentiana’) dará volume, mantendo a harmonia.

Glechoma hederacea, Bergamotas, Pachisandra terminalis e Hydrangea aspera
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