Como criar um belo canteiro de arbustos?

Como criar um belo canteiro de arbustos?

Conceção, escolha das plantas, plantação

Resumo

Modificado 0,01  por Jean-Christophe 11 min.

Criar um canteiro de arbustos ornamentais é uma alternativa aos canteiros de plantas perenes. Bonitos em todas as estações e muitas vezes fáceis de cuidar, muitos arbustos requerem, além disso, apenas uma manutenção reduzida. Onde plantá-los? Como escolhê-los, combiná-los e plantá-los? Neste artigo, pretende-se orientar e apresentar todos os conselhos úteis de que necessita para conseguir criar um canteiro arbustivo bem conseguido, decorativo durante todo o ano!

Dificuldade

Conceba o seu canteiro

1) Determinar a localização

A criação de um canteiro de arbustos é algo que convém ponderar antes de passar à ação. Com efeito, se por vezes for possível ou necessário, por uma razão ou por outra, mudar de ideias ou de ter de deslocar um arbusto, esta operação é mais delicada (e exigente fisicamente!) do que quando se trata de plantas perenes. Com efeito, o sistema radicular de alguns arbustos é vigoroso, penetra profundamente no solo ou estende-se amplamente, tornando a operação delicada. Em alguns casos, este stress pode ser fatal para a planta, sem falar no facto de que, quando plantados lado a lado, os sistemas radiculares dos diferentes exemplares podem acabar por se misturar sob o solo, correndo-se assim o risco de danificar as plantas vizinhas. Por outro lado, algumas plantas não são recomendadas junto de construções ou canalizações, que podem ser danificadas pelas suas raízes. É, portanto, importante escolher a localização certa desde o início.

A escolha da implantação de um grupo de arbustos pode ser motivada por várias razões: ocultar um elemento desagradável (uma construção inestética, um poste…), proteger-se de olhares indiscretos, assinalar o canto de um terreno, criar um ponto focal numa parte do jardim, atenuar os ventos dominantes. Em qualquer caso, a abordagem é diferente da adotada para a criação de uma sebe, onde as plantas são colocadas em linha ou em xadrez.

Por outro lado, as árvores pequenas e os arbustos podem ser caducifólios, o que significa que perdem as folhas no outono. Estas podem ser deixadas junto ao pé das plantas, servindo assim de cobertura morta que protege e nutre o solo, mas o vento pode decidir de outra forma e levá-las para outro lugar, obrigando o jardineiro a apanhá-las, uma tarefa ainda mais necessária e regular se houver uma piscina nas proximidades.

2) Escolher o estilo e a função.

A grande variedade de arbustos atualmente disponível permite criar cenários muito diferentes, consoante as plantas escolhidas. Não serão selecionadas as mesmas espécies consoante se pretenda criar, por exemplo, um jardim de estilo japonês, mediterrânico, romântico, moderno ou exótiquo.

Para além do estilo, talvez se pretenda atribuir uma função específica ao canteiro: filtrar o vento, abrigar a fauna selvagem, atrair insetos, produzir frutos comestíveis… Todos estes fatores influenciam a escolha dos arbustos a plantar, mas um canteiro de arbustos deve também ser bonito e decorativo. Assim, podem incluir-se arbustos com folhagem notável, com casca colorida, com frutos decorativos, ou ainda com magníficas cores outonais, sendo naturalmente ideal misturar todas estas qualidades para que o canteiro seja atrativo durante todo o ano.

Como criar um bonito canteiro de arbustos

A escolha das espécies será orientada, entre outros aspetos, pela função do canteiro: corta-vento, períodos de floração, melífero… aproveite para dar largas à imaginação, a escolha é infinita!

Que arbustos escolher para criar um canteiro?

1) Escolher as plantas adequadas

É raro um jardim poder acolher qualquer arbusto. Cada um tem, de facto, exigências relativas à textura do solo (argiloso, arenoso, limoso…), ao pH (solo neutro, mais ou menos ácido ou calcário), à drenagem (solo filtrante ou que conserva a humidade durante muito tempo) ou ainda à exposição (pleno sol, meia-sombra ou sombra ligeira, sombra mais densa). O clima também desempenha um papel essencial, pois nem todos os arbustos resistem da mesma forma ao frio (fala-se da rusticidade das plantas) ou ao vento.

2) Um canteiro de arbustos bonito durante todo o ano

Depois de conhecer todos estes parâmetros, é preciso pensar agora em tornar a composição bonita durante o máximo de tempo possível, ou seja, durante todo o ano, e isso está ao alcance de qualquer jardineiro! Muitos jardins são magníficos entre março e junho, mas perdem depois algum do seu esplendor, quando não se tornam simplesmente deprimentes no inverno.

a) As florações

É verdade que os arbustos de floração primaveril e os de floração estival são muito numerosos, mas outros também florescem no outono ou no inverno, alegrando assim estas 2 estações com corolas que encantam o jardineiro. Tente encontrar o equilíbrio certo para que haja sempre algumas flores (alguns arbustos são, além disso, bonitos e muito perfumados), seja qual for a estação.

Como criar um bonito canteiro de arbustos

Da primavera ao inverno: uma escolha criteriosa das espécies permitirá conferir interesse aos seus canteiros arbustivos em todas as estações

b) As folhagens

As flores não são, no entanto, as únicas a embelezar um jardim. Os arbustos com folhagem notável desempenham também um papel de primeiro plano, pois o seu efeito ornamental dura muito mais tempo, quer seja pelo tamanho das folhas, pelas suas formas (inteiras ou mais ou menos recortadas), mas também pelas suas cores (tons de verde, amarelos, alaranjados, púrpuras, negros, vermelhos, variegados…).

c) Bagas e madeiras decorativas

Alguns arbustos, depois de perderem a folhagem, revelam madeiras e cascas de cores vivas, que perduram durante todo o inverno e enfrentam os dias mais cinzentos. As bagas e os frutos decorativos, que geralmente atingem o seu apogeu no outono e que, em alguns casos, persistem durante toda a estação «má», também participam nesta sinfonia de cores.

d) Cores de outono

Também indispensáveis, os arbustos que se revestem de cores quentes no final da estação, fazem a ligação entre as florações tardias, as bagas e as madeiras coloridas.

e) Caducos e persistentes

Por fim, apostar também nos arbustos de folhagem persistente. Estes conferem uma estrutura permanente e forte ao seu canteiro. Também podem servir de fundo aos seus vizinhos, funcionando, por exemplo, como uma tela de fundo contra a qual as flores, os frutos e os ramos se destacam melhor. Longe de serem monótonos, os arbustos de folhagem persistente podem mudar de cor sob a influência das estações e das temperaturas, fenómeno que se observa com muita frequência em numerosos coníferos, incluindo os anões, adaptados aos pequenos jardins.

3) Jogar com as dimensões e os hábitos

São geralmente considerados arbustos as plantas lenhosas dotadas de um ou vários troncos de pequeno diâmetro ou de caules desde a base, ramificados e de aspeto arbustivo, que não ultrapassam 6 a 7 m de altura. Nesta categoria incluem-se também os arbustos e os subarbustos (mais pequenos), ou certos vegetais qualificados como árvores pequenas. Embora a designação não tenha, por si só, uma importância maior, as dimensões e a forma geral que a planta adulta adota são, pelo contrário, primordiais.

Como criar um bonito canteiro de arbustos

Jogar com os tamanhos e as silhuetas permite criar ritmo nos seus canteiros arbustivos (© Virginie Douce)

a) As dimensões

Ao conceber o seu canteiro paisagístico, tenha sempre em conta as dimensões da planta quando adulta. Algumas, de crescimento lento, podem demorar até atingir a maturidade plena. Coloque as maiores atrás se o seu canteiro estiver encostado a algo (muro, árvores grandes…) ou no centro do seu canteiro se se tratar de uma ilha isolada, visível de todos os lados.

Crie depois diferentes níveis de vegetação, selecionando arbustos mais baixos no meio e, em seguida, plantas de pequeno desenvolvimento ou plantas de cobertura no primeiro plano. Evite, no entanto, algo demasiado sistemático, sob pena de o resultado parecer pouco natural. O essencial é que cada arbusto possa mostrar todo o seu potencial ornamental, sem ficar completamente escondido atrás de outra planta.

b) Os diferentes hábitos

As dimensões têm em conta a altura, mas também a largura de um arbusto e influenciam, assim, o seu hábito geral. Crie uma espécie de pontuação através dos arbustos de porte ereto, colunar ou fastigiado, que podem assim sobressair entre plantas vizinhas de linhas mais arredondadas ou arbustivas. No primeiro plano, instale, por exemplo, arbustos prostrados ou de hábito rastejante, que funcionam como plantas de cobertura e «assentam» a composição, a menos que a opção seja deliberadamente diferente. Varie as formas e crie dinamismo através de plantas com silhuetas variadas: hábito pendente (conferem graça e romantismo), porte piramidal (transmitem uma sensação de solidez), contorcidos (particularmente bonitos quando os seus ramos se revelam no inverno), tabulares (apreciados pelo seu aspeto japonizante), irregulares (apreciados pelo seu lado selvagem e despretensioso), em forma de guarda-sol (proporcionam uma sombra benéfica, útil para o jardineiro ou para as plantas circundantes) ou ainda em bola regular (permitem criar belas ondulações)… Para saber tudo, leia o artigo de Olivier sobre os diferentes hábitos das árvores e dos arbustos.

c) Distâncias de plantação.

Quando planta os seus arbustos, as dimensões que apresentam nesse momento geralmente nunca são as que atingirão quando adultos. Consoante o tipo de apresentação, alguns podem até parecer-lhe ridiculamente pequenos. No entanto, seja prudente e antecipe o seu crescimento. Para isso, informe-se bem sobre as dimensões adultas (indicamo-las no site para todas as nossas plantas) e deixe entre eles o espaço adequado.

Como criar um bonito canteiro de arbustos

Os canteiros devem ser plantados tendo em conta o desenvolvimento futuro dos arbustos

A solução mais simples consiste em somar a largura dos diferentes arbustos e dividir depois o resultado por 2. Por exemplo, se um arbusto A atingir 1 metro de envergadura e um arbusto B atingir, por sua vez, 2 metros, o total será de 3 metros e, portanto, a distância de plantação entre os dois arbustos será de 1,50 m. Assim posicionados, terão espaço para desenvolver livremente a sua silhueta natural e para se unirem sem se incomodarem. Para os arbustos seguintes, plante-os também tendo em conta as dimensões dos 2 anteriores, e assim sucessivamente. Claro que pode decidir plantá-los mais juntos, mas isso significa que, mais tarde, talvez tenha de usar a tesoura de poda para evitar que se incomodem mutuamente. Note também que a manutenção é mais fácil se deixar espaço suficiente entre cada planta.

Tenha também em conta a altura, pois um arbusto alto, com a base desimpedida e a copa mais elevada, pode acolher uma planta vizinha mais baixa, de hábito prostrado ou espalhado, por exemplo, que cobrirá a sua base sem impedir o desenvolvimento da sua copa. Nesse caso, poderá plantar as duas plantas mais próximas uma da outra, se não quiser deixar um espaço vazio.

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Encomendar os seus arbustos

Uma vez definido o esquema de plantação e selecionados os arbustos, só falta encomendá-los. Consoante os géneros e as espécies, propomos diferentes formatos, desde vasinhos de 9 cm até vasos com mais de 50 litros. Alguns arbustos estão também disponíveis com raízes nuas (entre o final do outono e o inverno).

  • A vantagem dos exemplares pequenos é serem mais fáceis de manusear e plantar, mais económicos e pegarem facilmente. Alguns chegam mesmo a alcançar rapidamente o desenvolvimento de exemplares maiores plantados anteriormente.
  • Os formatos maiores permitem obter um aspeto mais desenvolvido mais rapidamente, mas são mais pesados, exigem covas de plantação maiores e o seu custo é, naturalmente, diferente. Mais sujeitos ao stress da plantação do que os exemplares pequenos, podem exigir um pouco mais de atenção no início para ajudá-los a instalar-se.
  • Os arbustos com raízes nuas também são económicos e pegam muito bem!
Como criar um belo maciço de arbustos

Propomos os arbustos em diferentes formatos; cabe escolher!

Para saber tudo, consulte o artigo da Marion sobre os diferentes formatos dos arbustos.

Consoante as suas necessidades, oferecemos grande flexibilidade quanto à data de entrega das encomendas, sendo possível escolher quando receber as plantas, o que deixa todo o tempo necessário para preparar o solo.

Preparação do solo e plantação

1) Quando plantar um canteiro de arbustos?

  • A época ideal para plantar arbustos é o outono, quando a terra está aquecida e o tempo volta geralmente a ser mais chuvoso. As raízes têm então tempo para se desenvolver bem antes de enfrentarem o inverno e, sobretudo, para irem buscar água mais profundamente a partir da primavera seguinte.
  • Nas regiões com invernos frios e húmidos, e ainda mais em solo pesado, é preferível esperar pela primavera, sobretudo no caso de algumas plantas menos resistentes nestas condições.
  • De modo geral, plante de preferência entre outubro e março, sempre fora do período de geada, embora seja possível plantar durante todo o ano, desde que sejam prestados cuidados mais regulares.

2) Preparação do solo antes da plantação

Preparar bem o solo é uma das chaves para o sucesso do seu projeto. Comece por eliminar as ervas e/ou raízes. Para isso, pode adotar várias técnicas:

  • Monda por ocultação: esta operação consiste em cobrir o solo durante vários meses com uma lona ou cartão (sem tinta nociva), que deixa a água passar, mas priva as plantas de luz solar e acaba por fazê-las morrer naturalmente. Por uma questão estética, cubra, por exemplo, tudo com material triturado (se utilizar cartão ou um material biodegradável, esta combinação também enriquece o solo). É um método mais demorado, mas muito menos cansativo e mais respeitador da vida do solo. Depois, basta aperfeiçoar o trabalho, retirando as últimas raízes que tenham resistido e descompactando o solo com uma pá de cova ou uma forquilha biológica.
  • Remoção da camada superficial: com uma pá de cova, retire os primeiros centímetros de relva para deixar a terra a descoberto. Os resíduos obtidos podem ser colocados no monte de composto, onde se decompõem pouco a pouco. É um trabalho físico, mas permite plantar rapidamente. Ainda assim, trabalhe um pouco o solo e descompacte-o, retirando as raízes e as pequenas ervas que restarem.
  • Cava: o solo é revolvido com uma pá de cova e a relva fica enterrada no solo. Mais uma vez, é uma operação muito exigente fisicamente e existe o risco de ocorrer uma decomposição prejudicial para as plantas, além do risco de as ervas-daninhas voltarem a crescer rapidamente.
  • Lavrar: um motocultivador permite revolver a terra sem grande esforço. A terra fica desfeita e misturada com a relva mais ou menos triturada. Muitas vezes desaconselhada, por perturbar a vida do solo, esta técnica também implica vigiar o reaparecimento das plantas indesejadas.

Depois de limpar o canteiro, passe um ancinho ou um garfo para desfazer grosseiramente a superfície e, se necessário, incorpore um corretor de solo para nutrir o solo e estimular a vida microbiana, como composto, por exemplo. Em solo pesado, a incorporação de areia também ajuda a melhorar a drenagem.

3) Plantação dos arbustos

Depois de definir o local de cada arbusto (pode assinalá-los com estacas ou tutores), é altura de cavar as covas de plantação. Durante esta operação, ponha as plantas que aguardam a plantação de molho num grande volume de água, para humedecer todo o substrato.

  1. Escave uma cova de plantação com pelo menos o dobro da largura e da profundidade do recipiente e solte bem a terra retirada.
  2. Incorpore na terra retirada materiais que possam ser úteis, de acordo com as necessidades da planta e a natureza do solo. Pode tratar-se de areia ou cascalho para melhorar a drenagem e/ou de matéria orgânica humífera, como composto ou estrume bem decomposto, por exemplo, para as plantas mais exigentes. É, por isso, importante informar-se previamente sobre as características de cada planta.
  3. Deite uma grande quantidade de água no fundo da cova e deixe a água infiltrar-se.
  4. Retire o arbusto do vaso e coloque-o no centro da cova, de modo que o topo do torrão fique ao nível do solo. Se o arbusto tiver raízes nuas, verifique se não enterra o colo (ponto de união entre os ramos e as raízes).
  5. Preencha com a sua mistura, calque ligeiramente e regue abundantemente!
  6. Cubra o solo à volta da base com os materiais que preferir (palha, cortes de relva, folhas secas, coberturas orgânicas ou coberturas minerais disponíveis no comércio…)

Nas semanas e meses seguintes, regue abundantemente, mas com pouca frequência, tendo em conta a precipitação.

O toque final!

Como criar um belo canteiro de arbustos

Delimite as bordaduras e aplique uma cobertura morta orgânica para dar o toque final aos seus canteiros

  • Aplique uma cobertura morta em todo o canteiro, com uma boa espessura (5 a 10 cm), para conservar uma boa frescura e limitar o crescimento das ervas-daninhas. Também pode plantar plantas perenes de cobertura, que formarão um enquadramento para os seus arbustos. Algumas desenvolvem-se muito bem sob as árvores, como Michael explica neste artigo.

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