Resumo
Símbolo das festas de fim de ano e outrora associado à magia, o visco (Viscum album) não é exatamente o tipo de planta da sorte que se aprecia encontrar no pomar. Considerado pelos especialistas como uma planta hemiparasita, pode enfraquecer as suas árvores de fruto, já fragilizadas nos últimos anos pelas perturbações climáticas. Aumentará também a exposição ao vento em caso de tempestade, o que pode provocar a queda das suas macieiras. Descubra os nossos conselhos para eliminar e limitar a propagação do visco nas suas árvores de fruto.
Como reconhecer o visco?
Facilmente reconhecível pelo seu hábito em forma de bola, o visco destaca-se claramente na copa das árvores com a chegada do outono. As suas folhas são espessas, persistentes, agrupadas aos pares e sem pedúnculos. As suas flores são pequenas e discretas e aparecem de março a maio. São polinizadas pelos insetos.
As bagas esbranquiçadas e translúcidas surgem depois e são o critério mais simples de identificação. Esta planta vive sempre sobre um hospedeiro e nunca está enraizada no solo.

O visco, uma prancha botânica, e as bagas bem reconhecíveis à direita
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O visco (Viscum album) é um subarbusto epífito. Isto significa que necessita absolutamente de um suporte para poder germinar e desenvolver-se.
Ao contrário da hera ou das orquídeas tropicais, o visco não se limita a agarrar-se à árvore: penetra-a através de uma raiz (chamada haustório) para extrair uma parte da seiva bruta e da água, o que é tanto mais problemático com os nossos verões cada vez mais secos e quentes! O visco é, ainda assim, capaz de praticar a fotossíntese graças às suas pequenas folhas carnudas. Por isso, é classificado como «hemiparasita».
Onde cresce o visco?
O visco ataca uma grande variedade de árvores: principalmente os choupos, macieiras, tílias, sorveiras, aveleiras-da-montanha, salgueiros, robínia, pilriteiros, … Por outro lado, raramente (ou mesmo muito raramente) atacará as suas pereiras, cerejeiras, aveleiras e castanheiros.
Uma vez instalado o visco numa árvore, esta poderá viver até 35 anos e atingir um diâmetro de um metro se nada for feito para o controlar. O visco cresce, ainda assim, muito lentamente. Tenderá a fixar-se em exemplares enfraquecidos ou stressados por diversos fatores (secas, feridas, empobrecimento do solo, velhice, doenças…).

Uma macieira severamente atacada pelo visco… (Foto: Jeppestown)
Como se propaga o visco?
As suas pequenas bagas esbranquiçadas são muito apreciadas pelas aves (em particular pelos tordos), que asseguram a dispersão das suas sementes. Estas são expelidas com os excrementos das aves nos ramos das árvores, onde aderem e germinam. Esta planta perene aprecia particularmente os fundos de vales húmidos. Tenderá a instalar-se nos ramos horizontais ou nas bifurcações, pois a humidade aí estagna com mais facilidade, favorecendo assim a germinação das sementes.
A notar: além dos danos no pomar, o visco é também temido pelos silvicultores, pois provoca deformações e deprecia a madeira. Fala-se então de «madeira parasitada pelo visco».
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Quando intervir?
É importante eliminar o visco logo que apareça! Em exemplares onde o visco já está instalado, intervenha no inverno, quando as árvores estão em dormência.
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Todo o material para cuidar das nossas árvoresComo se livrar do visco nas árvores?
O material necessário:
Para eliminar o visco das suas árvores, vai precisar:
- de uma serra, de umas tesouras de poda longas ou de um podão (consoante a idade do visco e a secção dos ramos a cortar)
- de uma escada
- de uma faca
- de um bálsamo cicatrizante
- de um par de luvas
Como eliminar o visco?
Não existem dezenas de métodos para o eliminar: o visco tem de ser podado. A poda é o meio mais eficaz para acabar com esta planta.
- Coloque a escada na árvore para aceder ao parasita;
- Corte todo o visco: pode o mais rente possível à base do ramo onde se fixou;
- Utilize depois uma faca para escavar o haustório que se insinuou no próprio ramo. Se saltar esta operação, o visco terá todas as condições para lançar novos rebentos a partir do haustório poupado no ano seguinte;
- Aplique um bálsamo cicatrizante para evitar o aparecimento de doenças (facultativo); alguns jardineiros preferem simplesmente deixar a ferida respirar.
O conselho de François: verifique pelo menos de dois em dois anos se o visco não está a lançar novos rebentos no local onde interveio!
Luta preventiva
A questão coloca-se frequentemente: O visco mata as árvores? O visco tem tendência a instalar-se em pomares envelhecidos e mal cuidados. Um único pé de visco não é em si uma catástrofe para a árvore, mas quando vários pés atacam ao mesmo tempo a sua macieira, esta acabará por definhar em poucos anos.
Quanto mais cedo o visco for detetado, mais se limitam os danos e a dispersão das suas sementes. Com efeito, quanto menos bagas produzir, menos poderá ser disperso pelas aves para as árvores vizinhas. Evitar que floresça e produza sementes é o melhor meio de limitar a sua expansão.
O conselho de François: Zelar pela boa saúde geral das suas macieiras no pomar será também uma boa forma de luta. Um aporte de adubo orgânico completo e/ou de composto bem decomposto pode revelar-se útil para assegurar a vitalidade e a produtividade dos seus exemplares. Uma poda adequada e regular permitirá também uma melhor circulação do ar na macieira e evitará a estagnação da humidade. Por fim, aconselha-se a esfregar o musgo nos ramos horizontais com uma escova macia, de forma a contrariar a germinação do visco.

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