Resumo
Essenciais na conceção de um jardim, os canteiros associam plantas, realçando as suas cores, formas, alturas e texturas. Toda a arte dos jardineiros e dos paisagistas consiste em combinar estas plantas, procurando alcançar um resultado equilibrado e estético.
Ao criar uma nova composição ou ao remodelar um antigo espaço plantado, surge a dúvida: como criar um belo canteiro? Reunimos aqui alguns erros frequentes e ideias que parecem boas, mas não o são, para evitar passos em falso e permitir-lhe criar uma composição vegetal atrativa em todas as estações e ao longo dos anos.
Desenhar um canteiro sobredimensionado, muito pequeno ou situado no meio da relva
A dimensão do canteiro e a sua localização são elementos preponderantes. Por vezes, pode sentir-se tentado a criar um pequeno canteiro para quebrar a monotonia de uma área relvada ou, pelo contrário, a criar um canteiro amplo para preencher o espaço. Os pequenos canteiros plantados no meio da relva parecem ter caído do céu e conferem um aspeto artificial e anedótico; os canteiros sobredimensionados dispersam o olhar e esmagam o resto do jardim.
→ Crie canteiros com dimensões harmoniosas em relação ao resto do jardim: os canteiros muito pequenos ficarão perdidos num jardim amplo. Os canteiros grandes impedirão que as áreas pequenas respirem.
→ Evite criar canteiros no meio de áreas relvadas: crie os seus canteiros na periferia, encostados à casa ou ao terraço. Um canteiro também pode dividir o jardim em dois espaços mais pequenos, verdadeiras divisões verdes separadas por uma passagem encantadora que convida à descoberta.

Colocados de forma ostensiva no meio da relva, os pequenos canteiros não são estéticos (à esquerda). Prefira, por exemplo, canteiros que dividam o espaço, suscitem surpresas e criem passagens
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Jardim inglês: o canteiro mistoCriar um canteiro de traçado complexo
Ao criar um canteiro, o erro mais comum consiste em querer (consciente ou inconscientemente) imitar a natureza. Privilegiam-se, por isso, os traçados sinuosos e as curvas suaves. A verdade é que o resultado nem sempre é feliz e nada tem de natural.
→ Muitas vezes, um traçado nítido e retilíneo dará um resultado muito mais bonito e elegante. Não impede a criação de composições de aspeto natural e facilita a disposição das plantas no interior do canteiro. São as plantas escolhidas que darão personalidade à composição:
- natural e campestre, com uma profusão de roseiras, de perenes (milefólios, agastaches, gauras ou sálvias) e de gramíneas flexíveis (miscantos),
- gráfico e contemporâneo, com plantas de formas arquitetónicas (acantos, bambus de sebe ou linhos-da-Nova Zelândia) e de gramíneas mais rígidas (carriços ou festucas),
- mediterrânico, com plantas emblemáticas do Sul (alfazemas, loendros, agapantos e santolinas),
- ou exótico, com palmeiras, cicas, aloés e agaves.

Os traçados retilíneos (à direita) são muitas vezes mais elegantes do que os traçados sinuosos e curvos (à esquerda)
Criar um estilo que contraste com o resto do jardim
Para muitas pessoas, o jardim é um espaço de evasão e liberdade, e existe a tentação de nele projetar os sonhos de viagem ou de estilo de vida. É fã da cultura japonesa e sonha embarcar rumo ao país do Sol Nascente? Infelizmente, a criação de um canteiro de inspiração asiática não produzirá necessariamente o melhor efeito num jardim bretão. A vida nos trópicos é tentadora? Mas um canteiro exótico talvez não encontre o seu lugar junto a um chalé da Alta Saboia?
→ Abandone-se a caricatura e retome-se princípios simples para criar um belo canteiro. Este deverá integrar-se harmoniosamente no ambiente da habitação e não destoar de forma inadequada. Encontre o estilo mais adequado (jardim regular, romântico, naturalista, selvagem ou ainda contemporâneo). A originalidade poderá resultar sobretudo das harmonias de cores escolhidas ou de uma seleção de algumas plantas de coleção (arbustos e perenes).

Criar ambientes inspirados noutras regiões nem sempre é uma boa ideia no jardim (à esquerda). As plantas locais integrar-se-ão melhor no cenário (à direita)
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Arranjar um jardim urbanoPlantar apenas plantas perenes e de pequeno desenvolvimento
Para preencher rápida, fácil e economicamente um canteiro, as plantas perenes são uma grande ajuda. Além disso, as suas florações são sempre maravilhosas quando associadas a algumas plantas anuais. No entanto, criar um canteiro exclusivamente com plantas perenes não apresenta apenas vantagens. A manutenção pode rapidamente tornar-se fastidiosa, entre podas, remoção das flores murchas e divisão de tufos. O interesse do canteiro também pode ficar limitado a alguns meses. O aspeto visual pode igualmente ser dececionante, com plantas demasiado pequenas. Para ser harmonioso, um canteiro deve ter uma estrutura, uma armação que os arbustos e as coníferas lhe conferem na perfeição.
→ Para estruturar um canteiro, comece por escolher elementos marcantes e persistentes que proporcionem verticalidade e dimensão. Para ser interessante durante todo o ano, será conveniente que inclua cerca de 2/3 de espécies de folhagem persistente: ciprestes-italianos ou limpa-garrafas no Sul, rododendros em terra ácida, bambus de sebe em composições gráficas, caneleiros em clima oceânico, ou ainda bolas de buxo para um canteiro cheio de elegância. Pense também nas trepadeiras que se elevarão num suporte, numa paliçada ou numa árvore próxima.
Componha depois o canteiro misturando coníferas, arbustos persistentes e caducos de menor porte e, naturalmente, desfrute das plantas perenes e de algumas anuais para preencher os espaços vazios, tendo em conta a sazonalidade das florações.

As plantas perenes e anuais não são, por si só, suficientes para criar belas composições (em cima). Precisam de plantas marcantes que as valorizem, como sebes, arbustos persistentes, plantas trepadeiras e grandes folhagens (em baixo)
Multiplicar as cores e as plantas diferentes
Um erro frequentemente cometido aquando da criação de um canteiro: deixar-se tentar, no momento da compra, por todo o tipo de plantas de cores variadas. A diversidade das plantas é tanta que é fácil escolhê-las de acordo com critérios de beleza individuais, sem ter em conta a forma como irão harmonizar-se entre si. Atenção à cacofonia: um belo canteiro não é um catálogo de plantas!

A mistura de demasiadas plantas e cores diferentes conduz à cacofonia
→ Opte desde logo, durante o planeamento, por uma harmonia de cores; a escolha é vasta:
- Os canteiros monocromáticos, optando por uma cor realçada pela folhagem (jardim branco, jardim azul, jardim amarelo, etc.).
- As combinações clássicas, baseadas na associação de 2 ou 3 cores: a prática demonstrou que determinadas cores combinam bem, dando origem a combinações frequentemente utilizadas. Assim, as folhagens prateadas são muitas vezes associadas a tons rosa, azul-claro, creme ou bordeaux, enquanto as folhagens verdes harmonizam com tons quentes como o amarelo, o laranja e o vermelho.
- As combinações de cores mais originais, à base de púrpura, verde-chartreuse, castanhos ou até preto.
- Tenha em mente que um canteiro bem conseguido inclui, no máximo, 2/3 de flores, sob pena de ferir o olhar e de adquirir um peso visual que roça o mau gosto.

Escolha uma harmonia de cores de que goste e mantenha-se fiel a essa escolha no momento de comprar as plantas que irão compor o seu canteiro
→ Consulte o artigo de Gwenaëlle sobre a perceção da cor das flores.
Plantar em linhas direitas
Outro princípio essencial: o efeito de massa. Não disponha as suas plantas em filas direitas como os legumes da horta. Para ser bonito, um canteiro deve ter um aspeto natural.
→ Distribua as plantas de forma uniforme por toda a superfície do espaço a plantar, colocando as mais altas atrás, distribuídas por 2 a 4 filas, consoante o tamanho da área plantada. Cada planta deverá ficar disposta em xadrez em relação às plantas vizinhas, sendo esta a melhor forma de evitar alinhamentos. Se pretender obter visualmente um efeito de massa, cada planta deverá ocupar cerca de 1 m². Será o ligeiro desequilíbrio harmonioso desta área entre as espécies a garantir o sucesso do canteiro. Agrupe as plantas em números ímpares: 3, 5 ou 7 para as mais pequenas. As plantas mais vigorosas podem ser colocadas aos pares, para criar um efeito de simetria e equilíbrio.
Cascalho, seixos, pozolana: usar demasiado material mineral
Numa tentativa de acrescentar cor, manter a humidade do solo e evitar o crescimento das ervas-daninhas, algumas pessoas sentem-se tentadas a espalhar cobertura mineral em grandes superfícies. Seixos, ardósia, pozolana, cascalho de todas as cores: não faltam opções… Infelizmente, o resultado nem sempre é muito feliz, por ser pouco natural. A natureza não faz este tipo de coisas, pelo que o jardineiro avisado só tem a ganhar em não fazer o mesmo.
→ Poupe as quantias que pretendia investir nestes materiais e invista-as em belas plantas e numa cobertura orgânica, que poderá até fazer em casa, graças à compra de um pequeno triturador de resíduos vegetais.
A criação de superfícies minerais nos canteiros só faz sentido na criação de um jardim seco, por exemplo, numa região mediterrânica. Se, ainda assim, pretender introduzir o elemento mineral no canteiro, opte antes pela criação de um jardim de rochas, se este for adequado à sua região, ou espalhe aqui e ali algumas pedras locais, dispostas de forma natural entre as plantas.

Os diversos tipos de cobertura de origem mineral nem sempre ficam bem nos canteiros
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