9 dicas de paisagista para criar um jardim branco

9 dicas de paisagista para criar um jardim branco

para um ambiente elegante e refinado

Resumo

Modificado 0,01  por Gwenaëlle 8 min.

Tom neutro, o branco pode surgir como cor única num jardim, ou numa zona específica do jardim. Tornado tendência e inspirado em magníficos jardins ingleses, o jardim monocromático branco é sinónimo de elegância e de pureza, transmitindo uma sensação de serenidade e leveza. Frequentemente romântico nos jardins ingleses, adapta-se muito bem a estilos contemporâneos ou até mediterrânicos.

Mas um jardim monocromático, sobretudo branco, exige composições e arranjos que não se improvisam. Não basta escolher plantas com floração branca para criar um espaço bonito. Atrativo sobretudo em pleno verão, este tipo de jardim singular é, na verdade, essencialmente sazonal. Saber tirar partido dos diferentes tons de branco, criar volumes, contrastes de folhagens e de texturas para um resultado visual conseguido, e compor com as estações para um jardim branco perene é fundamental.

Siga os nossos conselhos para criar um jardim branco: descubra a extraordinária paleta branca que o mundo vegetal tem para oferecer!

O célebre jardim branco de Sissinghurst, em Inglaterra (Foto: M. Manners)

→ Leia também o nosso guia Combinar flores brancas

Dificuldade

Imagine o seu tipo de jardim

Do pequeno jardim ao terraço, assim como ao grande jardim, o branco combina-se com inúmeras configurações de espaço. Cor que traz muita luminosidade, o branco sente-se à vontade em espaços reduzidos que amplia visualmente, e impõe-se com caráter conquistador em jardins de maior dimensão, onde irradia. Pode também simplesmente criar um jardim dentro do jardim.

Jardim naturalista, contemporâneo, de campo… Não se escolhem as mesmas plantas! Os jardins ingleses ou naturais apoiam-se em plantas leves, que parecem ter sempre estado ali, em canteiros mistos sabiamente concebidos para parecer os mais naturais possível, com uma associação de hábitos livres e flexíveis, e a introdução de plantas de bolbo.
Em jardins mais estruturados de tipo contemporâneo, ou até de inspiração japonesa, a aposta recai em plantas mais lenhosas e com forma definida, com hábitos propícios à poda, perenes erectas ou esculturais, compondo essencialmente com plantas perenes de flores brancas, elementos indispensáveis do jardim branco.

O jardim romântico adorna-se, de bom grado, com roseiras, clematites, glicínias, lírios, séduns, talíctros, anémona-do-japão ‘Honorine Jobert’… O jardim natural ou silvestre é soberbo composto de lisimáquias, milefólios, ervilhas-de-cheiro, amor-em-nevoeiro, camomila, açafrões, narcisos, margaridas, cosmos, dedaleiras, lilás… O jardim contemporâneo apresenta hábitos mais esguios, tonificantes e com forma definida: iúcas, velas-do-deserto, miscantos. Na versão exótica, a aposta vai para as amplas folhagens luxuriantes dos jarros, rodgérsias, fetos e acantos… enquanto um jardim branco mediterrânico privilegiará as cactáceas e combinará estevas, iúcas e séduns.

Pode mesmo ir mais longe com um jardim de inspiração japonesa, escolhendo variedades selecionadas de cerejeiras, magnólias, azaleias e rododendros, andrómedas, Viburnum plicatum!

jardim branco conselhos de composição

Jardim branco de Buscot Park em Inglaterra (Foto: A. Harris)

Branco e Brancos

Redutor, o branco? Ao mesmo tempo simples e sofisticado, evoca pureza e suavidade. Longe de ser redutora, a sua paleta é, pelo contrário, rica e subtil, passando de brancos puros a brancos creme, rosados, tingidos de amarelo-pálido, de verde ou ligeiramente acinzentados. E ainda as flores brancas malhadas ou raiadas, e as folhagens prateadas e variegadas.

É com esta paleta muito diversa que será necessário compor para evitar o efeito monótono e sem relevo que o branco pode provocar. Associe brancos imaculados a brancos matizados por estames frequentemente tingidos de amarelo, flores orladas de lilás ou de amarelo, ou mesmo ligeiramente salpicadas. Para as hortênsias, escolha as que ficam verdes no outono, para uma maior harmonia.

Brancos puros: Galanthus, Platycodon, numerosas urzes, lírios, Davidia involucrata, Magnolia stellata, Cornus kousa
Brancos creme: Hortênsias, Magnólias, Tulipas, Astilbes, numerosas roseiras…
Brancos rosados: Acanthus ‘Whitewater’, Erigeron karvinskianus, Gauras, alguns heléboros, numerosas roseiras, Kolkwitzia…
Brancos esverdeados: Galanthus nivalis ‘Flore Peno’, Hydrangea paniculata ‘Limelight’, numerosos heléboros
Brancos amarelados: Íris, Heléboros, Ásteres, Potentilla fruticosa ‘Limelight’
Brancos malhados: Digitalis purpurea, Clematis cirrhosa ‘Balearica’, estevas…
Brancos contrastados (frequentemente por um centro colorido) a inserir em toques pontuais, rodeados de folhagens que os diferenciam das outras flores brancas: Papoilas, Romneya coulteri, estevas, cosmos, camomilas, margaridas, narcisos…

Leia também o nosso artigo sobre a criação de um jardim branco prateado!

paleta de brancos, florações brancas

A multiplicidade de tons de branco: Magnolia stellata, Kolkwitzia, flox, gaura, tulipa, campainha-branca ‘Flore Pleno’, papoila

Associe as folhagens

Para acompanhar harmoniosamente as floraisons imaculadas, aposte e abuse das folhagens! Cria-se assim uma atmosfera única, onde a verdura sublima as floraisons. Os tons prateados, variegados de branco e azulados revelam maravilhosamente a brancura das inflorescências. É necessária atenção para afastar as folhagens que abrolham ou terminam nos tons vermelhos, que destoariam, e para selecionar cuidadosamente as possíveis floraisons, que devem ser brancas!

Aposte também em formas de folhas muito diversas para criar efeitos de texturas e volumes interessantes: alongadas como as Helleborus foetidus, largas como as hostas, finas como os salgueiros arbustivos e todas as gramíneas, recortadas como os acantos, leves como os fetos, etc.
Em exposição luminosa, as folhagens mais escuras conferem mais relevo.

folhagens prateadas e acinzentadas: artemísias, Stachys officinalis ‘Alba’, Convolvulus cneorum, Helianthemum ‘The Bride’, Salix rosmarinifolia, Phillyrea angustifolia
folhagens variegadas, marginadas de branco fazem ressaltar subtilmente as inflorescências: numerosos evónimos, hostas e Carex
Folhagens marmoreadas (Brunnera macrophylla ‘Mr Morse’, Pittosporum ‘Irene Patterson’, Lamium maculatum ‘White Nancy’, Heuchera ‘Sugar Plum’)…
folhagens salpicadas de branco como Pulmonaria ‘Sissingurst White’, Euonymous japonicus ‘Pierrolino’, Fatsia ‘Spider Web’, Salix integra ‘Hakuro Nishiki’, etc.
folhagens glaucas: Hosta ‘Halcyon’, trovisco-macho ‘Wulfenii’, Euphorbia characias ‘Glacier’, Leymus arenarius, Dianthus plumarius ‘Heytor White’, etc.
folhagens verdes: uma vasta gama de evónimos (folhagem brilhante), de eufórbias (aveludadas), o sino-de-coral ‘Little Cutie Blondie in Lime’, Santolina rosmarinifolia virens, os verdes chartreuse acidulados das Choisyas
– em pequenos apontamentos apenas, folhagens púrpuras a negras com inflorescências brancas podem integrar-se no jardim branco: sino-de-coral ‘Binoche’, ofiopógões, Dahlia ‘Happy Single Princess’, Physocarpus

Brunera, Euphorbia characias ‘Glacier’, feto-macho-escamoso Dryopteris affinis, Evónimo ‘Pierrolino’, Pittosporum ‘Irene Patterson’, Hosta ‘Fire and Ice’

Traga volume e leveza

Privilegie plantas perenes aéreas e naturais para o seu pano de fundo: barba-de-cabra (Aruncus), Lychnis, Gauras, mosquitinho, anémones-do-Japão, a lista é longa… As roseiras botânicas e inglesas são incontornáveis nos jardins brancos de estilo campestre ou inglês, trazendo uma graça infinita e muita leveza. Muitas plantas perenes ou arbustos possuem uma versão branca (frequentemente denominada ‘Alba’), menos conhecida, mas de real interesse para a composição de um jardim branco: Skimmia japonica ‘Fragrant Cloud’, Buddleja davidii ‘White Profusion’, marmeleiros-do-Japão, a giesta branca (Cytisus x praecox ‘Albus’). O ceanoto, a alfazema, existem igualmente em cor branca, assim como o tremoceiro e a camassia.

Misture as formas das inflorescências: espigas (Eremurus, tremoceiros, agastaches, Veronicastrums, lisimáquias, pimpinelas…), esferas (Alliums, Echinops, agapantos, hortênsias…), com inflorescências planas (milefólios, séduns, erigerons…), com as grandes pétalas dos íris, jarros e dálias, e com os amentilhos dos pennisetums, etc…

Às plantas perenes bem escolhidas, que proporcionarão floração contínua de maio a setembro, associe alguns arbustos e pequenas árvores: trazem a altura e o volume necessários num jardim. Um ou dois exemplares são suficientes para guiar o olhar e criar profundidade: Amelanchier lamarckii ‘Ballerina’, Davidia involucrata, corneiro-do-Japão, olaia (Cercis siliquastrum ‘Alba’), extremosa, loendro, por exemplo.

Jogue com os volumes escolhendo plantas trepadeiras, podadas e estruturadas em alguns casos, e outras mais leves, com portes e texturas variados.

Aposte também nalguns arbustos e gramíneas persistentes que continuarão a encantar o espaço em todas as estações e criarão volume, sejam ou não podados: aderno, oleária e alfazema (de folhagem acinzentada), buxo, pitósporo-do-Japão perfumado, pitósporo negro, pennisetums, aveia azul, carriços, Stipa barbata

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Uma cena do jardim branco de Sissinghurst em Inglaterra: os volumes criam-se entre as formas eretas e o arredondado dos canteiros arbustivos (Foto: M. Manners)

Tire partido da exposição

O branco, sendo adaptado a todas as exposições, basta apenas fazer a sua escolha entre as inúmeras florações brancas, que associará a folhagens em diversas tonalidades de verde. Aqui fica uma seleção não exaustiva das mais belas florações e folhagens brancas entre as plantas perenes, trepadeiras, arbustos, coberturas vegetais e gramíneas:

O norte ou uma exposição sombria oferece nomeadamente uma vasta gama de florações brancas que iluminam essas zonas: numerosas hortênsias (incluindo a trepadeira Hydrangea petiolaris), camélias e azáleas, o acanto branco, as astilbes, as alegrias-da-casa, o coração-de-maria, as pulmonárias, muitas coberturas vegetais como o Lamium maculatum ‘White Nancy’, e em folhagem a lágrima-de-bebé, a hera…

A sul ou a pleno sol: a paleta é quase infinita! Roseiras, glicínia branca, agapantos, alfinetes, íris, papoilas, filadelfo, giesta branca, alhos, velas-do-deserto, Gauras, espireiras, Iberis sempervirens, ervas-dos-penas, mosquitinho, Libertias, velas-do-deserto, a vasta gama de Deutzias, Magnolia stellata e numerosas cultivares brancas, verónicas-arbustivas, arbustos-pérola, sálvias, santolinas, alecrins e tomilhos brancos…

A meia-sombra: também aqui há escolha para todos os gostos… Astilbes, jarros, astrâncias, lírios, anémonas-do-japão, inúmeros viburnos, incluindo os magníficos Viburnum plicatum ou roseum, as laranjeiras-do-México, os jasmins-estrelados, os lilases, as madressilvas, as gardénias…

Uma paleta infinita para todas as exposições: hortênsias, coração-de-maria, verónica-arbustiva, alecrim branco, astrância, Viburnum plicatum

Prolongue as estações

A maioria das florações brancas é primaveril (explosão de branco das árvores de fruto e outros arbustos, bolbos em flor em abundância) e sobretudo estival, com uma miríade de plantas perenes e arbustos.

A dificuldade do jardim branco é mantê-lo colorido ao longo do ano. Muitos «White Gardens» ingleses são, de facto, muito pobres durante os meses de inverno.

Para colmatar esta dificuldade do jardim branco, prolongue a suavidade dos toques de branco no outono e no inverno: séduns, Camellias sasanqua, ásteres, Cimicifugas, e no inverno cipó-do-reino, Lonicera fragrantissima, urzes de inverno, borla-de-seda, folhado… A partir de janeiro, suceder-se-ão os heléboros, campanhas-brancas, narcisos, forsítia-branca (Abeliophyllum distichum), Edgeworthia chrysantha, Cyclamen coum, Cornus alba ‘Sibirica Variegata’, uva-de-neve… a paleta é rica, não vai faltar onde escolher para enriquecer os seus espaços com florações e bagas brancas durante a época mais cinzenta do ano.

Sedum spectabile ‘Stardust’, Erica darleyensis ‘White Perfection‘, clematite-da-china, cimicífugas, Edgeworthia chrysantha, camélia-do-outono (Foto: H.Koh)

Materiais e mobiliário

Diferentes acessórios são bem-vindos num jardim branco para criar um ponto focal e efeitos de textura que vêm acompanhar delicadamente as florações puras. Não se trata de adicionar cores vivas, mas de integrar materiais naturais no solo, nos recipientes, ou mobiliário que se enquadre naturalmente neste universo aéreo.

Cascalho e seixos nas alamedas acentuam a brancura. Assim, uma calçada de seixos (seixos organizados num percurso ou praça) é perfeita, por exemplo, num jardim provençal ou mediterrânico. Ardósia, tijolo, pedra ou telhas contrastam subtilmente. Ou simplesmente uma relva para sublinhar e valorizar os canteiros. Deve evitar-se apenas a pedra calcária demasiado clara, que se perde no branco.

O ferro forjado ou o aço Corten associam-se bem em jardins naturais e modernos. Pérgolas ou treliças em madeira fundem-se na decoração, trazendo ao mesmo tempo uma estrutura vertical interessante. Algumas cadeiras antigas podem pontuar um jardim inglês, assim como vasos de barro monocromáticos que se fundem no verde.

Uma estatuária em pedra integra-se muito bem em jardins clássicos, românticos ou exóticos, e vem decorar o cenário monocromático. Da mesma forma, bancos em madeira ou em metal trazem pontos focais e recantos de descanso propícios à meditação a que convida o jardim branco.

O jardim branco de Barrington Court, em Inglaterra, um belo arranjo em torno de uma estátua

Um plano ideal?

Não exatamente… Trata-se antes, como acabámos de ver, de uma variação de ritmo que joga com as alturas das plantações, os contrastes de silhuetas e a diversidade de formas, texturas e cores de folhagens, que vão estruturar o jardim branco.

Tenha em conta que, para um jardim contemporâneo, privilegiam-se as linhas puras e retas: as formas dos canteiros serão quadradas ou retangulares, complementando-se nos seus tamanhos, e os caminhos serão retos ou oblíquos. Para um jardim campestre, natural ou inglês, convém antes organizar os diferentes vegetais em formas curvas, criando contornos arredondados que conferem muita suavidade e naturalidade ao conjunto.

Barrington Court Inglaterra

Linhas curvas para este belíssimo canteiro no jardim branco de Barrington Court, em Inglaterra (Foto: G. Bowman)

Uma manutenção mínima

Uma vez estabelecido e plantado o seu jardim branco, resta mimá-lo ao máximo para que conserve esse belo aspeto imaculado: as florações brancas mudam frequentemente de cor no fim da floração, tomando por vezes suaves tons rosados que suavizam ainda mais a impressão de branco e acrescentam um charme inegável.

Algumas vão, pelo contrário, adquirir tons castanhos, pouco atraentes: convém cortar as inflorescências murchas para não comprometer o aspeto branco do conjunto e para estimular, na maioria das plantas perenes, uma nova floração, ou então recolher as flores caídas no chão (de magnólias ou camélias, por exemplo). Uma exceção: pode conservar as cabeças das hortênsias, que criam uma decoração única nos dias de geada.

Por fim, as folhagens prateadas ou acinzentadas de folhas pequenas são conhecidas pela sua adaptação ao sol e pelas suas reduzidas necessidades hídricas. Muitas plantas perenes e subarbustos de pleno sol exigirão uma rega muito limitada… uma vantagem para este jardim branco que se revela, afinal, um verdadeiro precursor em matéria de ambiente!

Algumas flores necessitam de cuidados específicos na manutenção quando murcham e amarelecem: roseiras, urzes, crisântemos…

Para saber mais

Descubra também as nossas fichas de conselhos e inspiração:

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