Criar um jardim sob os pinheiros: todos os nossos conselhos
Dicas e ideias para plantar sob coníferas
Resumo
Quando se vive em La Baule-les-Pins, na bacia de Arcachon e no litoral atlântico em geral, nas Landes ou na região mediterrânica, sabe-se bem: o jardim encontra-se muitas vezes sob os pinheiros. Um ambiente magnífico, sem dúvida, com estas coníferas de hábito único e majestoso, que realçam tão bem a arquitetura das casas, mas um jardim que não é propriamente fácil de cultivar.
Que plantas crescem bem sob os pinheiros? Que intervenções considerar neste contexto? Neste artigo, orientamos na escolha e damos todos os conselhos para cuidar bem do jardim!

Os inconvenientes de um jardim sob os pinheiros
Embora o ambiente criado pelos pinheiros seja único e proporcione uma verdadeira mudança de cenário, com o seu hábito em forma de guarda-sol, que evoca frequentemente a proximidade do mar, não deixa de ser verdade que estas coníferas apresentam características muito específicas. Quer se trate de pinheiros-bravos, de pinheiros-bravos ou de pinheiros-silvestres, todas estas árvores criam um ambiente nem sempre fácil de gerir:
- Formam um revestimento persistente, mais ou menos denso: a sombra pode ser um problema. Os pinheiros e outras coníferas persistentes, cuja copa (conjunto da ramagem e da massa foliar) é densa, deixam passar pouca luz. Isto acontece menos quando os exemplares são adultos, pois as copas são geralmente muito altas e deixam filtrar melhor a luz solar. Contudo, quando estão plantados em grande número, como sucede frequentemente num jardim junto ao mar, na orla de uma floresta ou na charneca, é necessário gerir uma luminosidade mais reduzida.
- A concorrência radicular é forte, pois os pinheiros estendem as suas raízes superficialmente por uma área ampla. A concorrência pela água é, portanto, o principal obstáculo, prejudicando muitas vezes o cultivo de outras plantas junto às suas raízes.
- O solo arenoso é frequentemente pobre, seca rapidamente e dispõe de poucos nutrientes, limitando a variedade de plantas que poderão desenvolver-se bem.
- As agulhas de pinheiro cobrem o solo, acumulando-se progressivamente, até formarem um tapete onde será difícil plantar se a manutenção não for assegurada.

A floresta de Landes dá-nos vários exemplos da vegetação capaz de crescer num solo arenoso e pobre
Que plantas escolher?
A sombra sob os pinheiros pode ser densa ou mais ligeira, consoante a idade das árvores, mas também de acordo com a espécie e a forma da copa (o pinheiro-bravo, o pinheiro-bravo que cresce em terrenos arenosos que estabiliza no litoral sudoeste, sendo menos denso ao nível da copa, o pinheiro-de-alepo, o pinheiro-silvestre, este mais denso, em regiões mais frias, etc.). Isto irá necessariamente influenciar escolhas diferentes, caso se pretenda plantar sob estas árvores.
O que cresce sob os pinheiros? Inspiremo-nos na natureza para o verificar. Quando se passeia por uma floresta de pinheiros, percebe-se rapidamente que poucas plantas resistem: por cá, observam-se sobretudo fetos, giestas e urzes. O que têm em comum? Apreciam solos ácidos, mesmo secos. Estas três plantas são campeãs sob os pinheiros que recebem sol suficiente. Assim, pode criar-se sob os pinheiros uma cobertura de urzes, escolhidas entre diferentes espécies, que permite uma floração quase todo o ano, formando um tapete colorido, baixo e ondulante.
Entre as mais interessantes, encontra-se a Erica vagans, habitual nas florestas das Landes, as Erica x darleyensis, pela floração invernal, as Erica carnea, a Calluna vulgaris e os seus híbridos, e a Erica cinerea (queiroga), ávida de terrenos arenosos e ácidos.

Um tapete de urzes é muito indicado e extremamente ornamental sob os pinheiros
A solução consiste também em plantar espécies que entram em dormência no verão, bem como plantas extremamente resistentes: Arbutus unedo, iúcas, palmeiras-anãs, que reforçam o espírito de um jardim litoral, e bolbos como os ciclames-de-nápoles também serão bem-vindos, fazendo uma pausa em pleno verão.
Poucas plantas herbáceas se instalarão, mas pode contar-se com a infalível Arenaria montana, com bonitas flores brancas no final da primavera, uma planta de cobertura fácil de manter, bem como com a Armeria maritima, a Armeria juniperifolia ou o alyssum-das-areias, em locais bem desimpedidos para receberem sol suficiente, e com gerânios tolerantes à meia-sombra seca. Também pode apostar-se numa massa de gramíneas adaptadas, plantadas aqui e ali sob os pinheiros (entre as melhores encontram-se os Carex testacea e a delicadeza da sua folhagem, clara como a de ‘Lime Shine’, ou os cárices de Buchanan, ou ainda as seslérias: este tipo de gramíneas baixas realça verdadeiramente a imponência dos pinheiros). À sombra densa, no caso de um bosque de pinheiros muito compacto, conte sobretudo com a lúzula.
Também podem instalar-se plantas com grande capacidade de adaptação a terrenos áridos, como os heliântemos, a solos arenosos, como as linárias, e plantas pioneiras, como, ao sol, as artemísias, a perpétua e a Cistus salviifolius, ou esteva-de-flores-de-sálvia, que acompanha maravilhosamente o pinheiro-bravo e que também se desenvolve bem em locais sombrios.
Por fim, as plantas cujo sistema radicular penetra profundamente no solo serão ideais, como a Lithodora, que oferece ainda a vantagem de ser persistente e forma uma bonita planta de cobertura com flores azuis.
Os arbustos de terra de urze, como as azáleas e os rododendros, devem naturalmente ser considerados para acrescentar um toque de cor na primavera: deverão ser plantados na orla de um bosque ou de um maciço de árvores, beneficiando assim de uma exposição solar ideal para o seu desenvolvimento.
→ Leia também o nosso artigo: 5 dicas para ter sucesso com os arbustos de terra de urze.
Os nossos conselhos de plantação e manutenção
É no outono que é preferível plantar sob os pinheiros, sendo esta estação a mais propícia ao estabelecimento das plantas persistentes que irão constituir esta estrutura. Beneficiam então das chuvas de outono e de inverno, benéficas, que permitirão um melhor enraizamento.
Deixe espaço suficiente entre as plantas: muitas urzes ou plantas perenes irão desenvolver-se, alargando-se, pelo que a distância de plantação deve ter isso em conta (pelo menos 1 metro de distância entre cada planta, para obter um resultado harmonioso).
Escolha três ou quatro plantas de destaque, não mais, preferencialmente para plantar em massa ao pé das coníferas: o efeito será magnífico! Instale, por exemplo, plantas em tufo, como as gramíneas, fetos pelo grafismo da sua folhagem, e uma planta com flores, como urzes ou azáleas, para criar um efeito de “almofada”. Aposte também na coloração da folhagem, incorporando folhagens verde-amareladas a douradas. O ideal é plantar em múltiplos de 5, para obter um belo efeito de massa com plantas de pequenas dimensões, como as gramíneas.
Para as plantas de terra ácida, mesmo que se adaptem a solos secos, será necessário recriar condições favoráveis para garantir uma boa instalação. Serão abertas covas de plantação, de modo a enriquecer minimamente o solo e dar um bom impulso às plantas durante o seu estabelecimento. Em alternativa, pode plantar-se numa camada superior, adicionando substrato.
Mais tarde, tal como se faz com arbustos ou árvores num contexto mais favorável, deve prestar-se especial atenção à rega, mas também à cobertura morta. A rega deverá ser assegurada durante os dois anos seguintes à plantação, para estimular o desenvolvimento do sistema radicular, e deverá colocar-se cobertura morta em torno de todas as plantas, para conservar uma frescura benéfica.
Também são possíveis enrocamentos ou estruturas de estilo japonês, que contribuirão ainda mais para dar um carácter único ao jardim. A cobertura morta pode ser constituída por casca de pinheiro, e os caminhos podem ser feitos de areia, evocando ainda mais a proximidade do mar no caso dos jardins costeiros.
O airial, este grande espaço em redor das antigas casas das Landes, merece ser valorizado e mantido sem plantações à sua volta, ou requer uma abordagem específica.
Por último, se desejar realmente uma planta que não faça parte das plantas adaptadas ao pé dos pinheiros, utilize, naturalmente, alguns vasos, de preferência à volta de um terraço, deixando o seu pequeno pinhal tranquilo!

Inspire-se em jardins que visitou, como o do Parc Floral de Vincennes, que apresenta uma vegetação colorida composta por rododendros
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