Resumo
Os solos arenosos, muito drenantes e frequentemente pobres em nutrientes, podem parecer difíceis de planear no jardim. No entanto, existem muitas árvores que se adaptam muito bem a estas condições, proporcionando um belo equilíbrio entre estética, resistência e adaptabilidade. Quer seja junto ao mar, onde também têm de tolerar a maresia, quer em regiões mais para o interior, estas árvores darão estrutura e carácter a um espaço verde. Eis uma seleção das árvores mais bem adaptadas aos solos arenosos, acompanhada de conselhos para ajudá-lo a fazer a escolha certa.
As árvores para as regiões mediterrânicas
No sul de França, o clima mediterrânico impõe condições rigorosas, com verões longos, quentes e secos. Para se desenvolverem nestes solos arenosos, frequentemente pobres em nutrientes e pouco capazes de reter água, as árvores têm de revelar uma grande resistência.
Entre elas, a oliveira (Olea europaea) é indispensável, símbolo do Mediterrâneo, graças à sua capacidade de prosperar em solos secos e drenantes, suportando longos períodos sem água. A sua folhagem prateada persistente e as suas pequenas folhas coriáceas, verde-acinzentadas, conferem encanto ao jardim.
Outro pilar da paisagem mediterrânica, a majestosa azinheira (Quercus ilex), de folhagem persistente e densa, instala-se facilmente em terrenos pedregosos ou arenosos, proporcionando sombra e resistência ao calor intenso. De crescimento lento, torna-se majestosa com o passar do tempo.

Oliveira e azinheira
O pinheiro-bravo (Pinus pinea), com a sua majestosa silhueta em forma de guarda-sol, é outra árvore emblemática do Sul, perfeitamente adaptada a solos arenosos e pobres, tolerando também bem a seca estival. É de salientar que esta árvore também se desenvolve bem na costa atlântica, de norte a sul, desde que o solo seja bem drenado.
Se preferir um toque exótico, a Phoenix canariensis (palmeira-das-Canárias) impõe-se como uma escolha decorativa, resistente ao calor e capaz de se adaptar a solos arenosos, suportando também os salpicos de água salgada.

O pinheiro-bravo e Phoenix canariensis
O cipreste-italiano (Cupressus sempervirens), apreciado pelo seu hábito esguio e pela sua capacidade de resistir aos ventos secos e quentes, é uma excelente escolha para estruturar as paisagens mediterrânicas, conferindo-lhes um toque contemporâneo.
Por fim, o eucalipto (Eucalyptus globulus) é uma árvore de crescimento rápido, capaz de se adaptar a condições áridas. As suas folhas prateadas libertam um agradável aroma característico e o seu hábito esguio confere-lhe uma presença imponente nas paisagens. Além disso, as suas raízes profundas permitem-lhe captar água em profundidade, garantindo a sua sobrevivência mesmo durante longos períodos de seca.

Cipreste-italiano e eucalipto
As árvores para o litoral atlântico
As zonas costeiras do litoral atlântico, com os seus solos arenosos e ventos carregados de sal, exigem árvores capazes de resistir à maresia e às condições difíceis.
A tamargueira (Tamarix) é conhecida pelos seus ramos finos cobertos de pequenas flores cor-de-rosa ou brancas, dispostas em espigas plumosas, que surgem na primavera ou no verão, consoante as variedades. Muito resistente às condições difíceis, aprecia solos pobres, secos e arenosos, e desenvolve-se particularmente bem junto ao mar, graças à sua tolerância à maresia e ao vento.
O pinheiro-bravo (Pinus pinaster), bem conhecido das costas atlânticas, nomeadamente da charneca, embora também se encontre nas costas do norte, suporta bem os solos arenosos. Este grande conífero de crescimento rápido é frequentemente utilizado na reflorestação das dunas e das zonas costeiras.
Por fim, o medronheiro (Arbutus unedo), embora esteja mais frequentemente associado às regiões mediterrânicas, pode adaptar-se às regiões mais frescas da fachada atlântica, nomeadamente em zonas protegidas dos ventos fortes. Oferece uma floração branca ou rosada no outono, seguida de frutos vermelhos semelhantes a morangos, que permanecem na árvore durante todo o inverno. Esta pequena árvore persistente acrescenta um toque exótico, sendo simultaneamente resistente às condições meteorológicas adversas.

Tamargueira, Pinheiro-bravo e Medronheiro
As árvores para solos arenosos e regiões mais frescas
Mesmo nas regiões mais frescas, onde os invernos podem ser rigorosos, algumas árvores adaptam-se perfeitamente aos solos arenosos, oferecendo simultaneamente robustez e beleza.
Entre elas, o bordo-comum (Acer campestre) é um excelente exemplo. Rústico e resistente ao frio do inverno, apresenta uma folhagem verde-clara na primavera, que adquire tons amarelo-dourados no outono. Adaptado a climas mais temperados, encontra-se tanto no norte de França como nas zonas de baixa montanha.
O amelenquer (Amelanchier lamarckii), por sua vez, é pouco exigente e rústico. A sua folhagem, inicialmente bronze na primavera, adquire tons vermelho-alaranjados no outono, enquanto a floração primaveril, em delicados cachos brancos, ilumina os jardins. Além disso, as suas bagas comestíveis atraem aves e polinizadores. Uma escolha estética e ecológica.
O freixo-do-maná (Fraxinus ornus) também é muito apreciado pela sua floração primaveril em cachos brancos cremosos, muito decorativa, e consegue suportar invernos rigorosos, resistindo também bem à seca estival. Esta árvore está particularmente adaptada às regiões de clima continental ou de planície, onde proporciona sombra e frescura nos jardins.

Bordo-comum, Amelanchier lamarckii e freixo-do-maná
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10 arbustos persistentes para beira-marAs árvores de floração ornamental
Mesmo em solos arenosos, algumas árvores oferecem uma floração espetacular.
Como não pensar na albízia (Albizia julibrissin), também conhecida como acácia-de-Constantinopla, que se distingue pelas suas flores cor-de-rosa emplumadas, que surgem no verão e dão um toque exótico aos jardins. Desenvolve-se particularmente bem em regiões com invernos amenos, como o sudoeste e a Costa Azul, mas também se encontra na Bretanha e nas regiões beneficiadas pela suavidade do Atlântico.
Outra incontornável: a acácia (Acacia dealbata), famosa pelos seus ramos de flores amarelo-douradas, é uma presença indispensável na Costa Azul e na costa atlântica (a sul da Bretanha). A sua capacidade de resistir à seca torna-a ideal para as regiões de clima ameno, embora tolere geadas ligeiras. Nas restantes regiões, cultiva-se também em vaso, para a resguardar no inverno.

Albízia e Acacia dealbata
Com a sua floração primaveril cor-de-rosa-magenta, aárvore-de-Judas (Cercis siliquastrum) é uma verdadeira maravilha para os amantes de árvores ornamentais. Originária das regiões mediterrânicas, desenvolve-se bem em solos arenosos e pedregosos, mas também pode ser plantada em jardins mais a norte, em zonas abrigadas e soalheiras. A floração é seguida pelo aparecimento de folhas em forma de coração, que dão um toque poético aos jardins.
A Sophora japonica, também conhecida como acácia-do-japão, é uma árvore majestosa que floresce no verão, com belos cachos de flores brancas perfumadas. Desenvolve-se tanto nas costas atlânticas como nas mediterrânicas, onde se adapta a solos pobres e arenosos.
Árvores resistentes para (quase) todas as condições
Algumas árvores distinguem-se pela capacidade de prosperar em solos arenosos, suportando simultaneamente condições ambientais variadas, como a seca, o frio ou os solos pobres.
A robínia (Robinia pseudoacacia), por exemplo, é conhecida pela sua resistência. Adapta-se a quase todos os tipos de solo, incluindo os solos arenosos, e resiste tanto à seca como ao frio. Cresce rapidamente e os seus cachos de flores brancas perfumadas na primavera acrescentam um encanto especial ao jardim.
O zimbro-da-virgínia (Juniperus virginiana) é outro campeão das condições difíceis. Esta conífera de folhagem persistente resiste muito bem aos ventos e à seca. Também se adapta bem aos ambientes costeiros, pois tolera a maresia. As suas agulhas verde-azuladas acrescentam um toque de cor durante todo o ano.
Por fim, o cedro-do-Atlas (Cedrus atlantica) é uma árvore majestosa e resistente, originária das montanhas do Atlas. Suporta bem os invernos frios, até -15 °C, e os verões secos. As suas agulhas verde-azuladas persistentes e a sua estatura imponente fazem dele uma escolha ornamental para grandes espaços ou parques.

Robínia, zimbro-da-virgínia e cedro-do-Atlas
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