Resumo
Para começar, para compreender o que é a aquaponia, é à etimologia que se deve recorrer. Com efeito, a palavra «aquaponia» é uma palavra-valise resultante da contração dos termos «aquacultura» e «hidroponia». Em resumo, a aquaponia é um método de cultivo que combina a criação de peixes com o cultivo de plantas hortícolas em água, sem terra. Trata-se de um sistema baseado na reciprocidade, uma vez que os peixes e os vegetais tiram partido uns dos outros para produzir legumes saudáveis. É sobretudo uma técnica de cultivo sustentável, um ecossistema sem solo que permite consumir legumes, pequenos frutos ou plantas aromáticas biológicos, enquanto se criam peixes (que também poderão ser consumidos ou simplesmente utilizados no sistema).
Procuremos compreender como funciona a aquaponia e como instalar um sistema de aquaponia.
O que é, afinal, a aquaponia?
A aquaponia é uma técnica revolucionária que combina a aquacultura, a criação de peixes, e a hidroponia, o cultivo de plantas em água. Este sistema cria um ecossistema no qual plantas e peixes coexistem de forma vantajosa. Embora aparentemente inovadora, a aquaponia é praticada há milénios por outras civilizações além da nossa, por exemplo na Ásia e na América Latina. Assim, os Astecas cultivavam plantas nas chinampas, jangadas de caniços e juncos, cobertas de lodo, nos lagos. As raízes das plantas atravessavam as jangadas para irem buscar à água os nutrientes de que necessitavam. Na Ásia, os agricultores praticavam a rizipiscicultura com peixes e camarões.
A aquaponia tal como é desenvolvida atualmente nasceu nos Estados Unidos nos anos 1970, como resposta à crise energética. Atualmente, a aquaponia desenvolveu-se em todo o mundo e já está a ser testada à escala comercial.

Um sistema aquapónico à escala comercial
Este método de cultivo, que funciona com base na simbiose entre os peixes e as plantas, pode perfeitamente aplicar-se a uma prática mais doméstica. Trata-se de um sistema de economia circular e sustentável que permite produzir alimentos. A aquaponia baseia-se em três intervenientes: os peixes (que poderão eventualmente ser criados para consumo), as plantas (sobretudo hortícolas) e as bactérias, que constituem a interface essencial ao bom funcionamento do sistema.
Como funciona um sistema aquapónico?
A aquaponia é um sistema fechado que funciona com base na interação entre peixes, bactérias e plantas. Concretamente, os peixes são criados e alimentados num tanque. Os seus dejetos, muito ricos em nutrientes como o azoto, o fósforo, o potássio, o cálcio, o ferro… acabam por chegar à água do tanque, que é encaminhada para o tanque de cultivo das plantas. Nesse local, as bactérias assumem o processo e transformam a amónia da água, proveniente dos dejetos, em azoto nítrico e, depois, em nitratos. Este processo chama-se nitrificação. A partir desse momento, as plantas, através do seu sistema radicular, podem absorver estes nitratos, mas também todos os nutrientes e elementos minerais contidos na água, para se alimentarem, se desenvolverem e produzirem.

A aquaponia é uma combinação da aquacultura e da hidroponia
A água fica assim livre do azoto, muito útil para as plantas, mas tóxico para os peixes. Volta purificada ao tanque dos peixes. Trata-se, portanto, de um circuito circular em que os resíduos são utilizados para produzir alimentos. A água é reciclada e utilizada indefinidamente. Basta acrescentar um pouco de água para compensar a evaporação.
A aquaponia reproduz praticamente o que acontece numa poça, num lago ou numa albufeira, utilizando o ciclo natural do azoto.
Aquaponia: que peixes? Que plantas?
Os sistemas mais simples de aquaponia funcionam com peixes-vermelhos, peixes resistentes que se adaptam perfeitamente à vida num tanque ou num lago. As carpas koi também são adequadas se for impensável comer os peixes!
Em contrapartida, para quem quiser combinar o consumo dos peixes com o cultivo de legumes, é necessário escolher peixes comestíveis, como a tilápia, a perca, a truta arco-íris, a carpa, o salvelino ou o peixe-gato.
Quanto aos legumes que podem ser cultivados, trata-se essencialmente de legumes de folha pouco exigentes em nutrientes para se desenvolverem. Assim, as saladas (alface, agrião, rúcula…), os espinafres, as couves chinesas, os alhos-franceses, o aipo-dos-pântanos, as ervilhas e os feijões, as acelgas, as couves (couve-flor, couve-brócolo)… mas também as ervas aromáticas, como a salsa, o manjericão, o coentro, o cebolinho, a hortelã, o endro… ou ainda as flores comestíveis.
Em contrapartida, os legumes-fruto (tomates, pimentos, beringelas…) exigem sistemas um pouco mais elaborados, com tanques maiores e um maior número de peixes. Quanto aos legumes de raiz, também são mais difíceis de cultivar, pois precisam de um leito de cultivo mais profundo.
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O ecossistema aquapónico, que assenta num justo equilíbrio e numa simbiose entre o orgânico e o biológico, apresenta numerosas vantagens:
- A aquaponia permite cultivar e produzir plantas hortícolas biológicas e perfeitamente saudáveis, uma vez que a utilização de adubos azotados e pesticidas é totalmente desnecessária e, sobretudo, prejudicial para o bem-estar e a saúde dos peixes. Além disso, este sistema não tem qualquer impacto no ambiente e não é absolutamente nada poluente para o ar ou para os solos.
- É um sistema económico em termos de água, uma vez que os tanques funcionam em circuito fechado. A água é reutilizada continuamente. Os especialistas estimam uma poupança de água da ordem dos 90 % em comparação com um sistema de rega tradicional. Além disso, as regas tornam-se desnecessárias e os legumes não são afetados pela seca.
- A aquaponia requer pouco espaço e pode ser instalada tanto no interior (por exemplo, numa garagem) como no exterior, em meio rural ou urbano. É também uma forma de tornar possível o cultivo dos próprios legumes, mesmo quando se dispõe de um solo pobre, infértil ou até poluído.
- As plantas hortícolas estão isentas de doenças transmitidas pelo solo.
- O crescimento dos legumes é mais rápido do que na jardinagem convencional, uma vez que dispõem de nutrientes em abundância e de forma contínua.
- A produção de legumes prolonga-se por um longo período. Além disso, com um sistema de iluminação adequado, é possível prolongar as épocas de produção.
- A aquaponia elimina o esforço, o trabalho físico e as dores associados à escavação, à binagem, às sachas… Além disso, os tanques encontram-se à altura de uma pessoa, pelo que deixam de existir lombalgias!
- O sistema aquapónico é divertido para as crianças, que veem os legumes crescer e os peixes desenvolver-se. Graças à facilidade da sementeira, das plantações e das colheitas, também podem participar.
Também há desvantagens e limitações!
No entanto, embora as vantagens sejam numerosas, há ainda alguns inconvenientes que é necessário ter em conta antes de iniciar a aquaponia. A gestão do equilíbrio entre as necessidades dos peixes e as das plantas exige uma compreensão e uma monitorização constantes. Um desequilíbrio pode provocar a morte dos peixes ou das plantas, comprometendo todo o sistema. Assim, é necessário manter uma temperatura da água constante e equilibrada, tanto para os peixes como para as plantas, entre 18 e 30°C. Este equilíbrio pode ser difícil de alcançar, sobretudo perante condições meteorológicas extremas. Quanto ao pH, deve situar-se entre 6 e 7, uma água demasiado alcalina ou demasiado ácida podendo rapidamente tornar-se mortal para os peixes.
Além disso, o arranque de um sistema aquapónico pode ser dispendioso, devido à infraestrutura necessária, como os reservatórios para os peixes, os sistemas de filtragem e os tanques de cultivo. A instalação inicial exige também uma fase de maturação biológica, durante a qual as bactérias necessárias à conversão do amoníaco em nitratos se devem desenvolver em quantidade suficiente. Esta fase pode prolongar-se por várias semanas, durante as quais é fundamental monitorizar atentamente os níveis de amoníaco, nitritos e nitratos.
A aquaponia exige uma alimentação equilibrada para os peixes, uma vez que a qualidade dos seus excrementos influencia diretamente a saúde das plantas. É, por isso, essencial escolher alimentos de elevada qualidade e adequados à espécie de peixe criada.
Por fim, embora a aquaponia seja um método de cultivo sustentável, depende fortemente da eletricidade para fazer funcionar as bombas e os sistemas de filtragem. Isto pode causar problemas em caso de falha prolongada de energia. Além disso, este consumo representa um custo considerável.
Como iniciar um projeto de aquaponia?
A forma mais simples de começar na aquaponia consiste em comprar um kit aquapónico. Se tiver alguma aptidão para trabalhos manuais, também pode montar o seu próprio sistema em várias etapas.
A escolha do sistema aquapónico é uma etapa importante. É necessário começar por escolher o tanque para peixes, que depende do volume de plantas e do número de peixes. De seguida, é necessário selecionar o leito de cultivo. Os sistemas mais comuns são o sistema de leito de cultivo, em que as plantas crescem num leito de cascalho ou de argila expandida, e o sistema NFT (Nutrient Film Technique), em que as raízes das plantas ficam suspensas num canal onde circula uma fina película de água rica em nutrientes.

Sistema aquapónico em fase de instalação
A instalação de uma bomba e de um sistema de filtragem é essencial para manter o equilíbrio do ecossistema. A bomba permite fazer a água circular entre a zona dos peixes e a zona de cultivo das plantas, enquanto o filtro ajuda a eliminar os resíduos sólidos e a manter a água limpa.
A última etapa consiste em escolher o local ideal, com uma temperatura estável, boa luminosidade e protegido das intempéries (estufa, sob uma varanda…). Por fim, será necessário selecionar os peixes e as plantas.
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