Resumo
A verónica-espigada, em poucas palavras
- As verónicas são plantas herbáceas perenes ou anuais que, consoante o seu hábito, se adaptam tanto a bordaduras e canteiros como a jardins rochosos ou para ornamentar um muro baixo.
- As espécies arbustivas como longifolia, spicata formam longas espigas eretas de cores variadas, com efeito estruturante no jardim.
- As espécies rasteiras espalham-se com leveza através de pequenas corolas de azul luminoso, por vezes brancas, isoladas ou em curtos cachos, entre uma delicada folhagem.
A palavra da nossa especialista
As verónicas são plantas perenes de aspeto variado, seja de porte arbustivo bastante rígido, erguendo espigas em direção ao céu e atingindo entre 40 e 100 cm de altura, seja de cepa anã e rasteira, coberta de pequenos cachos de flores planas azuis ou brancas. As primeiras (Veronica longifolia, V. spicata), cuja cor varia do azul intenso ao malva, violeta e rosa, passando pelo branco, têm um efeito estruturante e, num jardim de aspeto selvagem, combinam bem com gramíneas de porte médio (cabelos-de-anjo, Muhlenbergia capillaris) ou com outras plantas de hábito pouco definido, como os gerânios perenes. Também se adaptam bem a jardins modernos, num terraço, colocadas num vaso grande, em contraste com plantas de hábito arredondado ou tabular, como o buxo, um azevinho podado em nuvem ou um Viburnum plicatum ‘Watanabe’.
As segundas (Veronica umbrosa, V. austriaca) são perfeitas em jardins rochosos, adaptando-se à forma das rochas, mas também como cobertura vegetal num talude, ou ainda para cobrir o topo ou as fendas de um muro baixo.
Bastante rústicas e de cultivo fácil, as verónicas preferem exposições ensolaradas ou de meia-sombra e crescem em solos comuns, frescos e leves. A maioria não tolera terras muito pesadas e encharcadas no inverno, à exceção, talvez, da Veronica gentianoides.
As verónicas-arbustivas originárias do hemisfério sul foram separadas do género Veronica há alguns anos e são agora designadas pelo nome de género Hebe.
Descrição e botânica
Ficha de identidade
- Nome latino Veronica
O género Veronica reúne cerca de 180 espécies de plantas herbáceas distribuídas essencialmente no hemisfério norte (25 espécies crescem nas montanhas africanas).
A verónica-dos-rios (Veronica beccabunga) é uma verónica aquática. As verónicas-arbustivas, nativas do Chile ou da Nova Zelândia, estão atualmente integradas no género Hebe. A classificação filogenética considera as Veronica próximas das tanchagens e incluiu, desde 2009, o género na família das Plantagináceas (anteriormente Escrofulariáceas), que se enriqueceu entretanto com cerca de uma centena de géneros.
A espécie mais comum nas nossas pradarias é a verónica-da-Pérsia (Veronica persica), uma planta anual, velosa e rastejante, reconhecível pelas suas pequenas corolas solitárias de azul vivo, sustentadas por um longo pedúnculo, com 4 pétalas venadas de azul-escuro (a pétala inferior é branca), encimadas por 2 estames, e pela sua folhagem verde-clara, oval, oposta, munida de um curto pecíolo. Originária do oeste da Ásia, a espécie difundiu-se por toda a Europa temperada ao longo de 2 séculos e encontra-se frequentemente nos campos cultivados.
As espécies ornamentais cultivadas rastejantes dizem essencialmente respeito às espécies prostrata, austriaca, petraea e pectinata. Formam tapetes de 30 a 50 cm de diâmetro com 5-10 a 30 cm de altura. As espécies arbustivas são constituídas pelas verónicas-espigadas (spicata), de folhas longas (longifolia) ou do Cáucaso (gentianoides).

Veronica longifolia – ilustração botânica
As folhas de Veronica são caducas ou mesmo semi-persistentes, como em V. prostrata, e adotam uma forma oval a muito alongada, como em Veronica longifolia, mais ou menos denteada nas margens. A disposição das folhas é verticilada ou oposta, por vezes alterna na parte superior dos caules, como em Veronica persica.
As flores, sempre de dimensões reduzidas (entre 5 e 12 mm), estão densamente agrupadas em cachos ou racemos (com pedúnculo), mais raramente em espigas (sem pedúnculo), que oferecem uma floração generosa, estival na maioria dos casos. A cor dominante é o azul, que vai do azul-celeste ao violeta vivo, passando por tons de azul genciana, mas encontram-se também formas brancas ou cor-de-rosa. As inúmeras cultivares oferecem cores novas, como os cachos de Veronica longifolia Candied Candle, que revelam um belo degradê de rosas.
Para maior precisão ao nível botânico, as pétalas soldadas na base são em número de 4, mas não são rigorosamente idênticas como na família das Brassicáceas (couve), onde a flor é dita regular: a pétala inferior, situada no plano de simetria bilateral do esquema floral, é mais reduzida do que as 2 laterais, enquanto a superior é, pelo contrário, muito mais larga, o que leva a concluir que resultou da fusão de 2 pétalas posteriores. Esta teoria permitia explicar a razão pela qual outros membros da família das Escrofulariáceas (hoje Plantagináceas), como o verbasco, apresentavam 5 pétalas. O cálice é constituído por 4 sépalas irregulares, por vezes 5. O ovário é prolongado por um único estilete, enquanto 3 dos estames terão abortado, deixando apenas 2 estames.
O fruto é uma cápsula achatada ou globosa, frequentemente em forma de coração.
A floração primaveril ou estival das verónicas atrai, em geral, numerosos insetos polinizadores.
A presença dos dois estames salientes confere um aspeto singular à flor, que evoca um rosto, e valeu-lhe o nome de Verónica. No caminho da cruz, Santa Verónica enxugou o rosto de Cristo, que deixou uma impressão no véu chamada veronicon, «a verdadeira imagem». Conta-se que este pano curou a lepra do imperador Tibério.

Algumas verónicas arbustivas: Veronica longifolia ‘Charlotte’, Veronica spicata ‘Blue Candle’, Veronica longifolia ‘Lila Karina’, Veronica gentianoides ‘Variegata’

Algumas verónicas tapizantes: Veronica prostrata, Veronica liwanensis, Veronica petraea ‘Madame Mercier’, Veronica umbrosa ‘Georgia Blue’
A verónica é conhecida por ter algumas virtudes medicinais, como Veronica officinalis ou chamaedrys, utilizadas outrora pelas suas propriedades adstringentes, cicatrizantes e digestivas, embora a sua eficácia seja atualmente contestada.
Os caules floridos de Veronica longifolia ou prostrata são adequados para flor de corte.
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A manutenção das plantas perenesAs principais variedades de verónica
Veronica austriaca Knallblau
- Período de floração Julho, Agosto
- Altura à maturidade 30 cm
Veronica petraea Madame Mercier
- Período de floração Junho à Agosto
- Altura à maturidade 15 cm
Veronica prostrata
- Período de floração Junho à Outubro
- Altura à maturidade 15 cm
Veronica umbrosa Georgia Blue
- Período de floração Abril à Junho
- Altura à maturidade 15 cm
Veronica First Match
- Período de floração Agosto à Novembro
- Altura à maturidade 60 cm
Veronica gentianoides Variegata
- Período de floração Maio à Julho
- Altura à maturidade 40 cm
Veronica spicata First Love
- Período de floração Agosto à Outubro
- Altura à maturidade 30 cm
Veronica spicata Blue Candles
- Período de floração Julho à Setembro
- Altura à maturidade 60 cm
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Plantação
Instale as verónicas num solo fértil, de preferência fresco e bem drenado, ou mesmo húmido nas espécies gentianoides, filiformis (solo limoso-humífero não calcário para esta última), longifolia (solo argiloso independentemente do pH). À parte algumas exceções, um solo pedregoso, fresco em profundidade é bem adequado mesmo que seja calcário. Mesmo que a floração seja mais abundante e a vegetação mais exuberante em terreno fresco, as verónicas toleram a seca uma vez instaladas, nomeadamente as formas de folhagem aveludada e acinzentada como a Veronica spicata subsp. incana.
As espécies spicata, longifolia, capazes de tolerar geadas de -35 a -40 °C, estão adaptadas ao clima de montanha.
Uma exposição de meia-sombra confere mais frescura ao solo e uma floração mais exuberante, mas a planta tolera também o pleno sol.
Quando plantar?
O melhor período de plantação situa-se em março-abril ou em setembro.
Como plantar?
O cultivo da verónica não apresenta dificuldades particulares.
Eis como plantar:
- Mergulhe o vasinho num balde de água para o humedecer bem.
- Cave um buraco 3 vezes mais largo do que o torrão e aere a terra em redor com os dentes da forquilha de cavar.
- Cuide da drenagem se o solo for argiloso: adicione algumas punhadas de areia e cascalho no fundo do buraco ou opte por uma plantação em canteiro elevado ou numa roçalheira.
- Acrescente estrume ou composto decomposto para favorecer a floração.
- Coloque a planta no buraco de plantação.
- Reponha a terra e compacte ligeiramente.
- Regue e instale uma generosa camada de mulching para manter a frescura do solo.
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- Regue regular e abundantemente durante o primeiro verão em especial. Depois, proceda a regas pontuais em caso de seca prolongada.
- Corte os espigos murchos para estimular a floração durante a estação.
- Aguarde a primavera para fazer uma poda dos ramos secos, logo após o início da vegetação, e aplique uma boa camada de cobertura morta de folhas.
- A folhagem das verónicas-de-folhas-longas fica por vezes coberta de um pó esbranquiçado devido ao oídio em condições demasiado secas. Transplante, aplique cobertura morta ou regue mais a planta.

Veronica longifolia ‘Blauriesin’ em plena floração e Veronica spicata ‘Rotfuchs’ cujos espigos murchos são decorativos no inverno, sobretudo quando a geada os cobre de branco
Multiplicação
A multiplicação mais simples consiste em dividir a touça, mas a sementeira também é bastante simples de realizar com as espécies-tipo. As verónicas semeiam-se também frequentemente de forma espontânea.
Divisão de touça
- No outono, puxe os caules rastejantes para extrair um fragmento enraizado.
- Replante de imediato, adicionando um pouco de substrato no buraco, e regue.
Sementeira
- Semeie as verónicas na primavera, de abril a junho, num solo aquecido, ou mesmo no outono.
- Num tabuleiro de sementeira cheio de substrato próprio para sementes ou em plena terra, espalhe as sementes cobertas com uma fina camada de areia.
- Mantenha o substrato húmido até à germinação.
- Transplante as plântulas para vasinhos assim que seja possível manuseá-las. As mais precoces podem florescer no próprio ano.
Utilizações e associações
As verónicas apreciam terrenos frescos, e as formas arbustivas como longifolia formam canteiros exuberantes ao lado das bergamotas, do flox, da flor-cardeal, dos eupatórios, etc. Em terrenos mais secos, em rochedos, podem igualmente acompanhar a Stokesia, roseiras reflorentes como Cornelia, Anthemis tinctoria ou cretica, e a camomila.

Um exemplo de associação em canteiro: Veronica longifolia ‘Charlotte’ (ou ‘Schneeriesin’ se preferir uma folhagem verde), Eupatorium maculatum ‘Atropurpureum’ em segundo plano, Hydrangea arborescens ‘Annabelle’ ou ‘Incrediball’, Verbena bonariensis, Echinacea purpurea ‘Little Magnus’ e Sedum Autumn Joy’
A verónica-espigada (spicata) aprecia solos bem drenados, mesmo pedregosos e calcários, de preferência ao sol. É uma escolha indicada para um jardim de montanha com solo rochoso. Se preferir um pouco de frescura na base, uma vez bem instalada, tolera razoavelmente a seca. Esta planta perene será muito útil para cobrir a base de roseiras arbustivas, em canteiro elevado, num talude, numa rocha, associada a equináceas, estipas, sálvias arbustivas, papoilas-da-califórnia ou alfazemas. As suas espigas relativamente flexíveis conferem verticalidade e cor a um canteiro baixo composto por plantas muito tapizantes, como as aubrécias, as campânulas-da-Sérvia ou ainda as neve-do-verão.
As formas rastejantes anãs podem formar bordaduras ensolaradas com Rhodanthemum hosmariense (em climas não demasiado frios), Antennaria dioica Rubra, Globularia repens, pulsatila, carvalhinha, Potentilla nitida ou ainda gerânio perene sanguíneo. Sob a copa de arbustos pouco densos, podem conviver com o lâmio, a Waldsteinia ternata ou o epimédio (Epimedium). Uma rocha alpina, uma tina de pedra ou uma bordadura acolherá com prazer a Verónica petraea Madame Mercier, capaz de se estender por 50 cm de diâmetro, deixando cair a sua folhagem verde-escura avioletada e brilhante, semi-persistente, coberta de uma renda de corolas azuis com nervuras violetas. Esta última pode também acompanhar locais frescos plantados com coridalias, ásteres dos Alpes, um tapete de Azorella trifurcata, lágrima-de-bebé, ou ainda cobrir a base de íris alemãs ou de erva-besteira. Pode igualmente combinar as pequenas verónicas primaverais com bolbos de tulipas ou narcisos, para que os seus caules flexíveis se insinuem na folhagem com muita elegância.

As verónicas (Veronica liwanensis) como cobertura vegetal formam também um belo quadro colorido com pequenas violetas
A verónica-rasteira (prostrata), com os seus caules radicantes vigorosos e hirsutos de deliciosas espigas, presta-se naturalmente ao ornamento de rochedos com alguma vegetação, como pradarias alpinas reconstituídas, mas também se dá bem em grandes taludes ensolarados, mesmo pontualmente secos. Será muito útil e muito bela ao longo de uma alameda, plantada em massa e orlada de alquemilas ou ibéris, ou então num rochedo.
Para saber mais
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