Se comprar substrato numa loja, há uma probabilidade muito elevada de este conter turfa. De facto, esta é quase sistematicamente integrada nos substratos pelas suas qualidades físicas, em termos de leveza e retenção de água. No entanto, a generalização do seu uso tem um impacto ambiental pesado! Implica a destruição de zonas húmidas com grande importância ecológica. Felizmente, existem soluções para as preservar. Analisemos em conjunto as vantagens da turfa no jardim, as consequências da sua utilização, e descubra como preservar este recurso!
1- O que é a turfa e de onde vem?
A turfa é uma matéria orgânica fóssil que resulta de uma lenta acumulação de matéria orgânica num meio ácido, saturado em água e muito pobre em oxigénio. Estas condições impedem os micro-organismos, bactérias e fungos, de decompor a matéria orgânica, que se acumula assim progressivamente. Estes meios particulares recebem o nome de turfeiras.
Como a matéria orgânica não é decomposta, estes meios são muito pobres em elementos minerais, o que favorece o desenvolvimento de uma fauna e flora específicas. Encontram-se aliás muitas plantas carnívoras (droseras, sarracénias, etc.) nas turfeiras: capturam insetos para completar as suas necessidades nutritivas, uma vez que não conseguem retirar nutrientes do solo, demasiado pobre.
A turfa pode demorar entre 1000 e 7000 anos a formar-se. Não será, portanto, renovável à escala humana. E, a longo prazo, ao fim de um milhão de anos, a matéria orgânica que constitui as turfeiras transforma-se em carvão.

Existem diferentes tipos de turfa:
- A turfa loira: provém dos esfagnos. É relativamente jovem (entre 3000 e 4000 anos) e fibrosa. É a parte que se encontra mais à superfície numa turfeira. Tem uma excelente capacidade de retenção de água, pois os esfagnos embebem-se de água. É a turfa mais utilizada em horticultura e no jardim.
- A turfa castanha: provém de vegetais lenhosos (árvores, arbustos), de carriços, juncos e ericáceas. É mais antiga (cerca de 5000 anos) e encontra-se em maior profundidade. Também pode ser utilizada no jardim, ainda que o seu uso seja menos frequente.
- Existe ainda turfa negra, mais antiga (até 12000 anos). É utilizada principalmente no tratamento de águas residuais.
Assim, quanto mais escura for a cor da turfa, mais antiga ela é.
2 - As vantagens da turfa no jardim
A turfa tem inúmeras qualidades de que as plantas necessitam, a tal ponto que é difícil substituí-la. Não é por acaso que a sua presença se tornou quase sistemática nos substratos comercializados.
A turfa funciona como uma esponja: armazena a água e os elementos minerais, e evita que o substrato seque demasiado rapidamente. Tem uma excelente capacidade de retenção de água. A turfa é, por isso, ideal para plantas em vaso: como armazena água, é possível espaçar as regas ou esquecer algumas vezes de regar as plantas sem que estas sofram demasiado. Trata-se de uma matéria particularmente leve e arejada, que não compacta: é, portanto, ideal para um bom desenvolvimento radicular. De facto, em vaso, o substrato tem tendência a compactar e a asfixiar as raízes. A turfa tem ainda a vantagem de constituir um substrato estável, que não se decompõe nem se altera.
A turfa é particularmente útil nos substratos destinados à mudança de vaso de plantas de interior, de plantas floridas para o terraço, etc. É também muito utilizada no cultivo de plantas carnívoras, uma vez que corresponde perfeitamente ao seu meio natural.
Existem ainda pastilhas de turfa desidratada, utilizadas nomeadamente para sementeiras. Incham assim que são reidratadas. A turfa é também utilizada para fabricar vasos de turfa comprimida, biodegradáveis.
3 - Quais são os problemas colocados pela utilização da turfa?
Como as turfeiras são meios muito particulares (ácidos, saturados em humidade, pobres em oxigénio), com o tempo, uma flora e uma fauna específicas desenvolvem-se nelas, que não se encontram em mais lado nenhum. Muitas espécies raras e protegidas vivem nas turfeiras e não conseguem adaptar-se a outros meios. São principalmente plantas de solo húmido e ácido. O esfagno é muito característico das turfeiras: trata-se de um género de musgo que se embebe de água e que tende a acidificar o meio. É ele que está na base da formação das turfeiras. Encontram-se também nestas zonas húmidas plantas carnívoras, bem como ericáceas, ciperáceas, ervas-do-algodão, juncos... Da mesma forma, certas plantas (feto-real, molínia, carriço...) formam tufos: estas plantas crescem sobre as suas antigas raízes e folhas mortas, pois estas não se conseguem decompor, formando assim estruturas em torrão ou micro-socalcos.

Para além da sua grande diversidade biológica, as turfeiras funcionam como uma verdadeira esponja... não apenas ao nível do substrato, mas o mesmo acontece à escala de uma região. Limitam os riscos de inundação e restituem também água durante os períodos de seca. Desempenham um papel crucial no equilíbrio hidrológico de certas regiões. Além disso, as turfeiras armazenam enormes quantidades de carbono (uma vez que podem ser compostas por 50 % de carbono), limitando assim o aquecimento global. Participam na regulação do clima à escala mundial e criam também microclimas frescos. As turfeiras têm ainda a vantagem de filtrar a água: purificam-na, eliminando os diferentes poluentes, funcionando assim como uma estação de tratamento de águas natural! As águas que libertam para o ambiente são, por isso, particularmente puras.
A turfa forma-se à velocidade muito lenta de cerca de 1 mm por ano, ou menos, o que significa que não será renovável à escala humana. Demora milhares de anos a formar-se!
A importância das turfeiras não é "apenas" ambiental: têm também um verdadeiro interesse histórico. Como a turfa se forma de forma muito lenta e a matéria não se decompõe, os objetos bem como os restos vegetais ou animais permanecem intactos, o que permite reconstituir fielmente a história de uma região. Trata-se de verdadeiros arquivos arqueológicos! Foram assim encontrados em turfeiras cadáveres humanos mumificados, em perfeito estado de conservação, com vários milhares de anos. Da mesma forma, os grãos de pólen estão muito bem conservados na turfa, o que permite reconstituir a vegetação e o clima de uma região de milhares de anos atrás.

A exploração das turfeiras é um verdadeiro desastre ecológico. Estas são drenadas e secadas para extrair a turfa. Em geral, o solo torna-se depois seco e pobre, e as plantas típicas das turfeiras não poderão regressar.
A destruição das turfeiras não é, infelizmente, recente. No passado, eram frequentemente consideradas meios inúteis e inexploráveis como tal, pelo que foram drenadas para se tornarem superfícies agrícolas.
Os números são reveladores: em França, metade das turfeiras desapareceu nos últimos 50 anos. Felizmente, as que restam estão hoje protegidas, o que não impede a exploração das turfeiras de outros países. Cerca de 70 % da turfa utilizada em França para a horticultura provém dos países bálticos (Estónia, Letónia, Lituânia) ou da Irlanda. Assim, o problema mantém-se, uma vez que são agora as turfeiras desses países que estão ameaçadas.

4 - Os nossos conselhos e as boas práticas a seguir para preservar este recurso
Felizmente, existem alternativas à turfa, sendo que certos materiais têm a vantagem de ser leves e arejados, retendo ao mesmo tempo a água e os nutrientes: é o caso das fibras de coco, cascas compostadas, fibras de madeira, cascas de pinheiro... Da mesma forma, a vermiculite é ideal para aligeirar o substrato. Existem também substitutos patenteados que são verdadeiras alternativas, como o Turbofibre® (fibra de casca de resinosas, substituto da turfa loira) ou o Hortifibre® (fibra de madeira).
Se cultivar plantas acidófilas, aconselhamos a utilizar agulhas ou cascas de pinheiro compostadas.
O composto de folhas é também uma boa alternativa à turfa, com a vantagem acrescida de ser rico em elementos minerais e micro-organismos. Pode assim preparar o seu próprio substrato, misturando composto bem decomposto, terra de jardim e areia grossa.
Encontram-se hoje no mercado cada vez mais substratos sem turfa, frequentemente compostos de fibras de coco, cascas, fibras de madeira... São perfeitamente eficazes. Descubra, por exemplo, o substrato universal Père François Or Brun ou o substrato universal Ecolabel.
Por outro lado, desconfie da certificação «Bio», que não garante a ausência de turfa — bem pelo contrário! De facto, sendo a turfa por definição um material natural e biológico, pode perfeitamente entrar na composição de substratos «bio». Leia atentamente os rótulos e analise a composição antes de comprar. Prefira a certificação Ecolabel, que garante um substrato sem turfa.
Se apesar de tudo continuar a utilizar substratos com turfa, faça-o com moderação. Limite a sua utilização reservando-a, por exemplo, às plantas de interior e às plantas mais sensíveis, cultivadas em vasos pequenos com fracas reservas de água e elementos minerais, ou às que não toleram a seca. Para as plantas menos frágeis em exterior, em canteiros grandes, pode preparar o seu próprio substrato composto de composto, terra de jardim e areia grossa.

Para saber mais:
- O site do Pôle-relais tourbières
- Um guia da Maison de l'Environnement de Franche-Comté, destinado a jardineiros
Se comprar substrato numa loja, há uma probabilidade muito elevada de este conter turfa. De facto, esta é quase sistematicamente integrada nos substratos pelas suas qualidades físicas, em termos de leveza e retenção de água. No entanto, a generalização do seu uso tem um impacto ambiental pesado! Implica a destruição de zonas húmidas com grande […]
Cada jardineiro, amador ou profissional, é confrontado com uma escolha crucial quando deseja adicionar uma nova árvore ao seu jardim: optar por uma árvore enxertada ou não? Mas o que é exatamente uma árvore enxertada? Em termos simples, a enxertia é uma técnica hortícola que consiste em unir duas plantas de modo a que cresçam juntas. O porta-enxerto alimenta o garfo de enxerto com água e nutrientes, enquanto o garfo de enxerto oferece ao jardineiro frutos, flores ou uma folhagem particular.
Este método apresenta inúmeras vantagens e benefícios, pois permite frequentemente obter árvores com características específicas, seja em termos de resistência, de frutificação ou de aparência. Mas o tema da enxertia de árvores e arbustos é por vezes alvo de debate. Então: a favor ou contra a enxertia? Analisemos as vantagens e as desvantagens da compra de uma árvore enxertada para ajudar a fazer uma escolha informada.
Somos totalmente a favor!
Multiplicar sem preocupações
Por vezes, a sementeira nem sempre é fiel à planta-mãe. Noutros casos, a estaquia não é viável, pois é demasiado complicada (ou mesmo impossível!). Nestas situações, para multiplicar fielmente uma variedade ou cultivar específica, resta apenas uma solução: a enxertia.
Adaptação ao solo
Consoante o solo, certas variedades ou espécies de árvores ou arbustos não conseguiriam crescer no jardim. O que fazer nesse caso? Escolhe-se um porta-enxerto adaptado ao solo e botanicamente muito próximo do sujeito a enxertar. E o problema fica resolvido! Exemplo: as pereiras enxertadas em pilriteiro para solos calcários.
Resistência a doenças e insetos
Na mesma linha da adaptação ao solo, pode escolher-se um porta-enxerto selecionado pela sua resistência a certas doenças do solo ou a determinadas pragas. Exemplo: alguns citrinos testados pela sua resistência à gomose por fitóftora, ou a enxertia sistemática das videiras contra a filoxera.
Aumentar o vigor ou, pelo contrário, reduzi-lo
Seja adotando um porta-enxerto muito vigoroso, seja, pelo contrário, utilizando um porta-enxerto ananiante. Isto permite adaptar uma árvore ou um arbusto à forma ou ao tamanho desejado.
Seleção genética
É possível fixar certas mutações naturais que podem surgir numa árvore frutuosa, mas também em árvores e arbustos ornamentais. Aparece uma flor especial e completamente diferente no arbusto? Hop! Enxerta-se e reproduz-se essa «mutação». O mesmo se aplica aos frutos ou a uma folhagem de cor particularmente intensa, por exemplo.
Colheita mais precoce
A enxertia permite uma entrada em frutificação mais rápida: possibilita frequentemente uma primeira produção de frutos logo nos 2-3 primeiros anos, contra por vezes dez anos (ou mesmo mais) para um sujeito obtido por sementeira.
Mais frutos e mais flores
Enxerta-se também para obter mais flores num arbusto afinal bastante compacto. O mesmo se aplica às árvores frutuosas.
Polinização cruzada
Certas plantas necessitam de polinização cruzada para frutificar. Ou seja, o pólen das flores de outra árvore da mesma espécie deve vir fecundar o óvulo das flores da primeira árvore. Assim, para evitar plantar várias pereiras, por exemplo, pode enxertar-se dois garfos de enxerto de variedades diferentes no mesmo porta-enxerto.
A enxertia pode também ser considerada quando a espécie é dioica: pés masculinos separados dos pés femininos. Nesse caso, basta enxertar uma parte feminina num pé masculino (ou inversamente).
Dar uma segunda juventude
Torna-se raro nos dias de hoje, mas é perfeitamente possível rejuvenescer uma árvore velha através da sobre-enxertia. Ou seja, poda-se drasticamente a ramagem e enxerta-se diretamente sobre a árvore.
Pode proceder-se desta forma para mudar de variedades frutíferas numa árvore já existente.
Por vezes somos um pouco contra...
Nem tudo é perfeito na enxertia e pode haver alguns inconvenientes. Vejamos abaixo os principais inconvenientes inerentes à enxertia.
Fragilização da árvore
A soldadura entre o porta-enxerto e o garfo de enxerto, mesmo que tudo tenha corrido bem, é uma ferida ou, em todo o caso, um ponto de fragilidade. Na maior parte das vezes, esta fragilidade não representa um problema. Exceto se as árvores enxertadas estiverem expostas a céu aberto. Uma rajada de vento mais violenta do que o habitual pode partir a árvore no ponto de enxerto.
Diminuição da longevidade
As árvores enxertadas vivem menos tempo do que as suas congéneres obtidas por sementeira ou reproduzidas por estaquia. Além disso, existe uma diferença de longevidade em função do vigor do porta-enxerto. Por exemplo: uma macieira enxertada em baixo-tronco viverá apenas entre 30 e 40 anos, 60 anos no caso de médio-tronco, ou mais de 100 anos para um alto-tronco. Ao passo que uma macieira obtida por sementeira pode atingir sem dificuldade os 300 anos.
Enxertia sem interesse
A enxertia é por vezes praticada por razões pouco claras em árvores e arbustos que se dariam muito bem nas suas próprias raízes. Para dar alguns exemplos: algumas roseiras botânicas são por vezes comercializadas enxertadas em Rosa canina ou noutra roseira botânica indígena, quando poderiam simplesmente ser plantadas nas suas próprias raízes sem risco na maioria dos jardins. O mesmo se aplica aos Cornus controversa, demasiado frequentemente enxertados em Cornus amomum ou Cornus alba. Por outras palavras, convém informar-se sobre a planta que se deseja adotar no jardim e questionar se vale realmente a pena adquirir uma árvore enxertada.
Preço mais elevado
A enxertia de uma árvore ou arbusto requer mão de obra especializada, cuidados durante a fase de pega da enxertia e a utilização de um porta-enxerto e de garfos de enxerto. Por conseguinte, o preço de compra de uma árvore enxertada é mais elevado do que o de uma planta produzida por sementeira ou estaquia.
Empobrecimento genético a longo prazo
Uma enxertia sistemática ou em grande escala (tal como a estaquia) reduz fortemente a mistura e a evolução genética natural do vegetal, uma vez que a reprodução sexuada não intervém. Por conseguinte, se surgir uma doença, a planta não poderá «evoluir» para uma resistência natural. Por outras palavras, a população será dizimada em apenas alguns anos. É provavelmente o que precipitou a morte da quase totalidade dos ulmeiros de cultura pela grafiose do ulmeiro.
Cada jardineiro, amador ou profissional, é confrontado com uma escolha crucial quando deseja adicionar uma nova árvore ao seu jardim: optar por uma árvore enxertada ou não? Mas o que é exatamente uma árvore enxertada? Em termos simples, a enxertia é uma técnica hortícola que consiste em unir duas plantas de modo a que cresçam […]
Em todos os tempos, as plantas e os jardins atraíram os homens, tanto para se alimentarem como para se relaxarem e admirarem a natureza em ação. A história foi assim marcada por numerosos homens que se distinguiram pelo seu contributo para os jardins. De André Le Nôtre a Gilles Clément, passando por La Quintinie e Capability Brown, acompanhe-nos para descobrir os percursos de alguns dos jardineiros, botânicos e paisagistas mais criativos da história.
Carl von Linné, inventor da nomenclatura binomial
Entre os séculos XV e XVIII, numerosos naturalistas europeus partiram em expedição pelo mundo. O seu objetivo era recensear a fauna e a flora desconhecidas nos seus países e trazer amostras para tentar aclimatá-las. Médico, naturalista e jardineiro, Carl von Linné (1707-1778) faz parte desses homens. Partiu nomeadamente em 1732 para a Lapónia para estudar as plantas. A sua maior obra é a invenção da classificação dos seres vivos, que empreendeu com Peter Artedi, reservando para si o domínio das flores. Publicou sobre este tema numerosas obras, em particular Systema naturae e Species plantarum. O seu principal contributo científico é a invenção da nomenclatura binomial, que permite designar de forma muito precisa e universal os seres vivos e, portanto, as plantas, através do uso de um género seguido de um nome de espécie.

André Le Nôtre, criador dos jardins à francesa
Jardineiro do rei Luís XIV, André Le Nôtre (1613-1700) é sem dúvida o mais célebre dos jardineiros. Nascido numa família de jardineiros, é conhecido por ter inventado a arte do jardim à francesa, com os seus bordados de flores, as suas topiárias e as suas formas geométricas bem alinhadas. Começou por criar os jardins do Castelo de Vaux-le-Vicomte, após o que foi contratado por Luís XIV para desenhar os grandiosos jardins do Castelo de Versalhes. Desde então, a arte dos jardins à francesa tornou a França famosa em todo o mundo e conferiu grande celebridade a André Le Nôtre, que também desenhou o jardim das Tulherias, onde criou a perspetiva que ainda hoje se prolonga até aos Campos Elísios.
La Quintinie, criador da Horta do Rei
Contemporâneo de Le Nôtre, com quem colaborou, Jean-Baptiste de La Quintinie (1626-1688) é o criador da Horta do Rei no Castelo de Versalhes, bem como de outras hortas em Sceaux, Chantilly e Rambouillet. Este fabuloso jardineiro dedicou-se à melhoria da produção de frutos e legumes. Experimentou em particular o cultivo sob abrigos e campânulas de vidro, a aclimatação de novas espécies, o cultivo em espaldeira de árvores de fruto e a utilização da enxertia em arboricultura. La Quintinie consignou todas as suas reflexões em torno da arte da horta num livro publicado em 1690 e intitulado Instruction pour les jardins fruitiers et potagers.
Capability Brown, um dos maiores jardineiros de Inglaterra
Se o jardim à francesa conhece um sucesso que ainda hoje não se desmente, o jardim à inglesa nasceu no século XVIII do espírito de Lancelot Brown (1716-1783) e dos seus contemporâneos William Kent e Charles Bridgeman. Esta nova forma de jardim contraria o jardim geométrico francês para adotar um estilo mais selvagem, onde a natureza dispõe de uma maior liberdade. Lancelot Brown é também apelidado de Capability Brown, porque mencionava de forma sistemática aos seus clientes todo o potencial (capability em inglês) dos jardins que criava. É nomeadamente o autor dos jardins do Palácio de Blenheim, do Castelo de Warwick, do parque de Burghley e da residência de Croome Court.
Gilles Clément, por um jardim em movimento
Façamos uma viagem até ao século XX! Engenheiro hortícola, paisagista e jardineiro francês de renome, Gilles Clément inventou uma nova forma de pensar os jardins através de três conceitos: o Jardim em Movimento, o Jardim Planetário e o Terceiro Jardim, que deram origem à publicação de obras. O princípio do Jardim em Movimento inspira-se na ideia de terreno inculto e foi aplicado no jardim pessoal de Gilles Clément, La Vallée, situado na sua Creuse natal, e depois nas suas realizações de jardins públicos como o Parque André Citroën, o jardim do museu do Quai Branly, ambos em Paris, bem como o domínio do Rayol no Var. Este princípio resume-se assim: «fazer o máximo possível com a natureza, o mínimo possível contra ela». A ideia de Jardim Planetário foi objeto de uma grande exposição coordenada por Gilles Clément em 2000 na Grande Halle de la Villette. Trata-se de um projeto de ecologia humanista que visa explorar a biodiversidade sem a destruir.
Patrick Blanc, inventor da parede vegetal
Botânico e investigador no CNRS, Patrick Blanc é o inventor de uma das formas de jardim mais inovadoras: a parede vegetal. Este tipo de jardim contribui para o bem-estar da população nas cidades e para o desenvolvimento da biodiversidade. Patrick Blanc é conhecido por ter criado a parede vegetal do museu do Quai Branly Jacques Chirac, que alberga 376 espécies de todo o mundo. Posteriormente, prosseguiu a sua obra com a criação de numerosas outras paredes vegetais em França e no mundo. Pode admirar em Paris, por exemplo, as da Estufa do Museu de História Natural (teto vegetal), a Fundação Cartier, o Hotel Pershing Hall e o BHV Homme. Investigador incansável de novas plantas pelo mundo, descobriu uma nova espécie nas Filipinas chamada Begonia blancii.
Para ir mais longe...
Ao longo dos últimos séculos, foram muitos os jardineiros e paisagistas que contribuíram para um melhor conhecimento das flores e para a criação de jardins e parques com formas cada vez mais belas. Podem citar-se, por exemplo, Frederick Law Olmsted (1822-1903), criador do Central Park em Nova Iorque em 1857 e precursor dos parques urbanos; Adolphe Alphand (1817-1891), engenheiro e criador dos parques de Paris; Louis Benech, paisagista que renovou o jardim das Tulherias em 1990; Alain Baraton, atual jardineiro-chefe do Castelo de Versalhes; André Eve, criador de numerosas roseiras; Christopher Lloyd, criador do jardim Great Dixter em Inglaterra; bem como os paisagistas Michel Corajoud, Michel Desvignes, Alexandre Chemetoff, Pascal Cribier, Jacques Sgard, Charles Jencks, ... Consulte as obras que publicaram para descobrir as suas ideias e criações. São fontes de inspiração formidáveis para o seu próprio jardim!
Em todos os tempos, as plantas e os jardins atraíram os homens, tanto para se alimentarem como para se relaxarem e admirarem a natureza em ação. A história foi assim marcada por numerosos homens que se distinguiram pelo seu contributo para os jardins. De André Le Nôtre a Gilles Clément, passando por La Quintinie e […]
Falhar a plantação de uma árvore é mais fácil do que parece. Apesar da sua robustez geral em comparação com as anuais ou as perenes, com um pouco de jeito, consegue-se muito bem. Siga os nossos conselhos passo a passo e também poderá em breve falhar com sucesso a plantação das suas árvores e arbustos!
Lição n.º 1: Descuide a preparação do buraco de plantação
Os fanáticos da pá e do sacho que conseguem as suas plantações recomendam cavar uma cova 2 a 3 vezes maior do que o torrão e colocar composto, materiais de drenagem e outras práticas de permacultura que favorecem o desenvolvimento das raízes. Para falhar bem, eis os passos a seguir com aplicação:
- Cave um buraco pequeno à pressa, com picareta, enxada, plantador ou até com uma colher de sobremesa. Quanto mais estreito e menos fundo, melhor.
- Disponha as raízes, que terá previamente deixado secar ao ar livre e ao sol durante um dia inteiro. Forme uma massa compacta e não corte de forma alguma as extremidades danificadas — é a melhor maneira de deixar os fungos desenvolverem-se e parasitarem a sua árvore.
- MUITO IMPORTANTE: enterre bem o colo! Sabe, essa parte que delimita as raízes e o tronco. É o gesto-chave para falhar a plantação. Enterre-o a mais de 3-4 cm abaixo do solo — as raízes não conseguirão respirar e a árvore morrerá mais ou menos rapidamente na primavera ou durante o verão. Método a reservar especialmente para as grandes árvores: carvalhos, faias, bétulas, etc.
- Se o seu solo é húmido ou pobre, não acrescente materiais drenantes nem composto, NUNCA!
- Não compacte! E sobretudo, não regue, de modo a conservar o máximo de bolsas de ar no solo e assim asfixiar as raízes.
É um método que já provou o seu valor e que recomendamos. Um buraco de plantação exíguo é também a melhor técnica para que as raízes formem um novelo e se sufoquem por si mesmas. Falhanço garantido!
Lição n.º 2: Plante quando lhe apetecer!
"Por Santa Catarina, toda a madeira cria raiz", ouve-se da boca dos velhos jardineiros experientes. E só eles é que metem as mãos na terra no final de novembro, quando o tempo está cinzento e frio, enquanto o bom senso nos manda ficar quentinhos debaixo das mantas (ou à lareira com um bom livro) durante todo o inverno...
Se quiser falhar com estilo, plante antes de mais quando QUISER. A começar pelas árvores de raízes nuas, que instalará na primavera, precisamente no momento em que produzem as suas novas raízes e os seus ramos se enchem de seiva. Bloqueará assim o seu crescimento e fá-las-á definhar com toda a certeza.
As temperaturas ultrapassam os 25 °C e o sol brilha? Vista o seu melhor calção, calce os chinelos e vá a correr para o jardim... E sobretudo, não se esqueça de partir de férias logo a seguir, durante pelo menos três semanas. É o método expresso para falhar! Terá com efeito a sorte de ter uma árvore que não conseguirá aclimatizar-se ao seu terreno, nem terá tempo de enraizar e ir buscar água em profundidade. Se por milagre a árvore sobreviver, passe então diretamente para a lição n.º 5.


Lição n.º 3: Dispense-se da tutoragem!
Os jardineiros mais rigorosos, obcecados com tudo o que cresce direito, dir-lhe-ão talvez que é indispensável tutorar toda a árvore plantada em local ventoso. Esses mesmos excêntricos dir-lhe-ão também que este tutor deve ser dimensionado em função do tamanho da árvore. Empregarão termos estranhos, quase de dialeto, como "tutores em oblíquo", "tutores bipodes" ou "tutores tripodes". Falarão de uma técnica chamada "estaiamento", que permite ancorar solidamente as grandes árvores.
Para falhar convenientemente a plantação de árvores expostas ao vento ou plantadas num solo demasiado solto, elimine evidentemente qualquer suporte. Cave, plante e deixe a natureza fazer o seu trabalho. Às primeiras rajadas, a árvore inclinará e acabará por tombar. E para um crescimento bem torto, além da ausência de tutor, não compacte de forma alguma o solo na plantação. Que coisa mais encantadora do que uma árvore que rasteja pelo chão depois do primeiro golpe de vento?
Lição n.º 4: Escolha as variedades que quiser!
"Tenha em conta o seu solo, o seu clima, a sua exposição e o seu saber-fazer para plantar bem", pode ler-se no Plantfit, a nova aplicação que os jardineiros experientes utilizam sem moderação.
Para falhar as suas plantações, plante o que QUISER! Tem um jardim de clima frio e esta bonita azaleia ficaria maravilhosa nos seus canteiros? Plante-a! A folhagem deste arbusto de solo ácido amarelará em contacto com o solo alcalino e acabará por vegetar e morrer. Muito bem! Farto de cultivar plantas de clima mediterrânico no seu jardim? Sucumba ao encanto dos fetos-arbóreos e plante-os na primavera, quando sopra vento forte. A sua folhagem verde-maçã tingir-se-á rapidamente de uma bela cor acastanhada. Efeito decorativo garantido.
Assim, quando escolher as suas árvores e arbustos, esqueça completamente o princípio de "plantar de forma adaptada" em função do seu jardim e do seu saber-fazer: é a melhor maneira de não os ver crescer, ou de ter de recorrer e abusar de adubos e outros fertilizantes — gestos tão responsáveis!
Lição n.º 5: Regue de vez em quando, se se lembrar!
Se a sua árvore ainda está viva, é porque a tratou bem de mais. Os apaixonados pela clorofila que conseguem as suas plantações citam frequentemente excertos da sua literatura esotérica. Pode ler-se que o primeiro ano é fundamental para a retoma da vegetação das árvores: é preciso regar regularmente para que desenvolvam o seu sistema radicular, criar uma bacia de plantação à volta do torrão para formar uma reserva de água indispensável, evitando que a árvore sofra no verão, ou ainda espalhar madeira ramial fragmentada (designada MRF) ao pé das suas árvores para manter o torrão fresco durante o período estival.
Esqueça tudo isto! Para falhar a plantação, esqueça a sua árvore! Deixe-a viver a sua vida e desenrascar-se sozinha!
Boa sorte!
-> Encontre todas as nossas variedades de árvores aqui.
Falhar a plantação de uma árvore é mais fácil do que parece. Apesar da sua robustez geral em comparação com as anuais ou as perenes, com um pouco de jeito, consegue-se muito bem. Siga os nossos conselhos passo a passo e também poderá em breve falhar com sucesso a plantação das suas árvores e arbustos! […]
Os resíduos fazem parte da nossa vida. Mesmo que tendamos cada vez mais a reduzi-los ao mínimo indispensável, há sempre alguma coisa que sobra. O cartão é um deles.
E é fácil ficar rapidamente soterrado sob toneladas de cartão se não se tomar atenção. Especialmente quando se encomenda plantas online!
Felizmente, todo esse cartão pode ser reutilizado no jardim para várias utilizações: cobertura morta, criação de novos canteiros, composto...
Este tipo de material está a fazer furor no jardim. Descubra como utilizá-lo.
Que cartão utilizar?
O mais natural possível! Cartão castanho não tratado e com o menor número possível de impressões, ou mesmo nenhuma. Com efeito, as tintas contêm compostos químicos, nomeadamente metais pesados, que irão poluir o solo. Nunca utilize cartão branco ou colorido pelas mesmas razões. Deverá também retirar do cartão tudo o que não seja biodegradável, como agrafos, fita adesiva...
A utilização do cartão como cobertura morta
Nunca se dirá vezes suficientes: não deixe o seu solo a descoberto!
O ideal é plantar muito e em densidade, utilizar plantas de cobertura vegetal ou, quando tal não é possível (na horta, por exemplo), depositar sobre o solo descoberto uma boa camada de cobertura morta. Os benefícios da cobertura morta são múltiplos: manter a humidade do solo, melhorar a sua estrutura, evitar a compactação e a lixiviação, e reduzir a proliferação de ervas-daninhas.
Para a cobertura morta, tem várias opções: palha, BRF (Madeira Ramial Fragmentada), palha de linho, triturado de miscanto, casca de árvore... e, como não podia deixar de ser, o CARTÃO.
A utilização de cartão como cobertura morta oferece grandes vantagens para além das de qualquer outra cobertura morta: o cartão é gratuito e a sua reciclagem livra-nos dele; o cartão está também disponível durante todo o ano, ao contrário de certas coberturas mortas mais sazonais como as folhas mortas ou as aparas de relva, por exemplo. Além disso, as minhocas parecem nutrir uma verdadeira devoção pelo cartão, pois tratam de se alimentar dele assim que é colocado. O cartão constitui uma excelente fonte de celulose para elas.
A colocação de cartão como cobertura morta é simples:
- Humedeça bem o solo descoberto;
- Coloque o cartão em grandes folhas ou em tiras (melhor para uma decomposição mais rápida) sobre o solo descoberto ou simplesmente à volta das plantas;
- Regue tudo ainda mais abundantemente do que da primeira vez, para humedecer bem o cartão.
É mesmo assim tão simples. Para os mais perfeccionistas (como eu), pode esconder-se o cartão, um pouco pouco estético nos primeiros dias, há que reconhecê-lo, com uma fina camada de ramos triturados, de palha ou de outro material.
A utilização do cartão para a criação de um novo canteiro
O cartão pode também ser um aliado precioso para a criação de um novo canteiro de horta ou de um novo canteiro ornamental. Cavar o solo é trabalhoso e perturba a sua estrutura e a sua vida. Porque não deixar então as minhocas e os restantes organismos do solo criarem para si um terreno propício à plantação? Com cartão, é uma tarefa bem simples!
- Roçe ou corte rente a vegetação da zona delimitada;
- Regue bem;
- Coloque os cartões de forma plana sobre toda a superfície;
- Regue abundantemente de modo a humedecer bem o cartão e coloque pedras grandes ou tijolos na periferia para evitar que o vento o leve para o jardim do vizinho;
- Pode depositar uma camada grossa de folhas mortas (se estiver no outono) ou de aparas de relva (se estiver na primavera ou no final do verão) para enriquecer um pouco o canteiro. Pessoalmente, fiz uma vez sem esta camada e... funcionou na mesma.
A título de curiosidade pessoal... Quando uma amiga me falou desta técnica pela primeira vez, fiquei cético. Como não queria melindrar o sentimento dela, tentei à mesma, convicto de que não ia resultar e de que teria de ir buscar a minha pá e a enxada na primavera seguinte. E, no entanto... Um resultado tão surpreendente quanto eficaz! Bastou plantar diretamente. E isto apesar de ter naturalmente em casa uma terra pesada e compacta.
Cartão nas lasanhas?
E a lasanha, afinal? Falo evidentemente das culturas em lasanha, não das do seu prato. A técnica é simples: consiste em fazer sobre o solo uma alternância de camadas de resíduos verdes e de resíduos castanhos. Um pouco como se se cultivasse diretamente num composto em formação. O objetivo é criar rapidamente uma superfície cultivável e fértil. É uma excelente ideia se o seu solo for difícil de cultivar (solo pobre, compacto, com demasiadas pedras...). Além disso, permite preparar o terreno para o ano seguinte sem perder um ano de cultura. Uma cultura em lasanha dura apenas um ano mas, por baixo, o solo ficará perfeito para cultivar ou criar um canteiro, por exemplo (evidentemente, não resolve um eventual problema de pedras...).
O cartão pode portanto ser utilizado numa cultura em lasanha. Desde logo para a camada de base, como visto anteriormente, mas também para as camadas de resíduos castanhos. O cartão pode fazer as vezes de "camada castanha" em alternância com os resíduos verdes.
Pode colocar-se cartão no composto?
Sim, perfeitamente! E o cartão é mesmo bem-vindo para equilibrar a relação carbono/azoto (C/N).
Nos nossos jardins particulares, temos frequentemente muitos elementos ricos em azoto (resíduos verdes): aparas de relva, resíduos de cozinha, ervas-daninhas que ainda não foram à semente... mas, afinal, poucos resíduos castanhos para compostar, como madeira, palha ou folhas mortas. Ora, para que um composto se transforme da melhor forma, também precisa de carbono. O cartão, rico em celulose, é um resíduo "castanho" e será perfeito para fornecer carbono e assim reequilibrar a sua pilha de composto.
→ Para saber mais sobre a arte de conseguir um bom composto, siga os conselhos da Ingrid sobre o assunto.
Ainda tem cartão em stock?
O cartão pode também ser utilizado para sementeiras que precisam de frescura para germinar. Proteja a sua sementeira com o cartão enquanto os jovens rebentos saem da terra. Basta colocar o cartão sobre o solo semeado e verificar todas as manhãs se os germes ainda não emergiram. Se for esse o caso, retire o cartão rapidamente!
Pode também recuperar tiras de cartão para manter torrões de substrato. Poupará assim vasinhos de plástico para as suas sementeiras de plantas jovens hortícolas ou de flores antes da repicagem. Prefira para isso cartão canelado, que suporta melhor a humidade. Os rolos de papel higiénico são igualmente muito eficazes e têm a vantagem de já terem a forma desejada. Evidentemente, o cartão assim utilizado não pode ser mais do que uma solução provisória, enquanto a planta cresce o suficiente para ser plantada em plena terra.
Os resíduos fazem parte da nossa vida. Mesmo que tendamos cada vez mais a reduzi-los ao mínimo indispensável, há sempre alguma coisa que sobra. O cartão é um deles. E é fácil ficar rapidamente soterrado sob toneladas de cartão se não se tomar atenção. Especialmente quando se encomenda plantas online! Felizmente, todo esse cartão pode […]
É inverno. Está frio. E por frio, entenda temperaturas que descem por vezes abaixo dos 0 °C. Sim, sim, mesmo no Sul. O que nos traz um estranho fenómeno físico: a água torna-se sólida. A isso chama-se vulgarmente gelo. Surpreendentemente, o inverno regressa todos os anos, apesar das repetidas tentativas do Homem para aquecer o clima, e, igualmente surpreendente, continua a apanhar muitos jardineiros desprevenidos, que perdem algumas plantas frágeis deixadas sem qualquer vigilância.
Então porque é que a sua planta teve de repente a ideia descabida de gelar sem pedir autorização? Explicamos já a seguir.
Também pode ouvir este podcast:
Porquê a si?
Os vizinhos nunca se queixam do inverno. Quando muito uma resmunguice ou outra quando é preciso retirar a neve de um abeto ou aguardar um período mais ameno para plantar uma árvore, mas fica por aí. E aliás, a neve no jardim é uma maravilha!
Mas para si, o inverno é sinónimo de angústia permanente. Escruta o céu e a sua própria estação meteorológica profissional mal surge uma nuvem no horizonte ou um conhecido se queixa das suas dores reumáticas. Para a maioria dos jardineiros, uma pequena fase de gelo não é minimamente problemática, mas sabe que para si será muito pior! Sente o drama a aproximar-se! Ah! Que vida ingrata!

Porquê ela?
Pois é, porquê ela? Todas as outras plantas sobrevivem normalmente ao inverno e ao gelo sem qualquer problema. E então, zás! É precisamente a sua favorita que leva o golpe. Aquela que o seu tio das Antilhas lhe enviou em caixa climatizada e que teve de ser colocada no jardim com ajuda de helicóptero. Custou uma verdadeira fortuna e era motivo de orgulho, pois ninguém (e por boas razões!) tinha igual na vizinhança. E eis que ela perece do dia para a noite sem sequer avisar. Todas as outras, plantadas mesmo ao lado, não custaram uma décima parte e sobreviveram sem o mínimo problema. Para mais, até parece que estão a rir à socapa...
A sorte ensaia-se! Mas o que é que aconteceu afinal?
Porquê, pura e simplesmente?
O inverno é uma ocasião de mudança de ritmo para as plantas
Os arbustos caducifólios entram em dormência quando perdem as folhas. Trata-se de uma adaptação à dificuldade de absorver água do solo, pois esta torna-se sólida assim que a temperatura desce para valores negativos. Por isso, para não perder demasiada água por evapotranspiração ao nível das folhas, nada mais eficaz do que deixá-las cair simplesmente para o solo. As coníferas, com as suas agulhas, encontraram a engenhosa solução de reduzir a superfície das suas folhas, que são também mais espessas e envernizadas. Mas e as outras persistentes? Abrandam o ritmo, sim, mas não entram em dormência.
Efeito fisiológico durante os períodos de gelo
A maioria das plantas que pode crescer entre nós está preparada para o inverno. Reduzem o teor de água (perdendo as folhas, por exemplo) e aumentam a concentração de sais minerais e de açúcares, o que tem como efeito elevar também o ponto de congelação da água nos tecidos. Se o frio aumentar ainda mais, uma parte da água é expulsa das células para se acumular nos espaços intercelulares. A água que permanece nas células não gelará, pois a concentração de açúcares e sais minerais será ainda mais elevada. Se o frio persistir, aí, é o fim das defesas anticongelação! A água torna-se sólida no interior das próprias células. A água sólida ocupa mais volume do que a água líquida e, pum! A célula rebenta como uma garrafa de vidro que parte quando a água gela no seu interior. Isso manifesta-se através de diversas lesões nas plantas em período de gelo: folhas queimadas, tronco fissurado... Tudo isto pode causar a morte da planta.
O que fazer perante isto?
- Privilegiar plantas resistentes e adaptadas
Se uma planta é reconhecida como rústica até -15 °C, tudo correrá bem. As plantas indígenas da sua região são igualmente a privilegiar.
- Ter em conta as zonas de rusticidade... ou não
Para se orientar, existem as chamadas zonas de rusticidade. Dão uma ideia dos extremos de temperatura, mas não são precisas ao ponto de se aplicarem a cada jardim em particular. Tudo dependerá do solo, das exposições, do vento, da orientação do jardim...
- Olhar à volta
Se um determinado tipo de planta cresce em casa dos vizinhos há anos sem qualquer problema, há todas as razões para acreditar que também resistirá no seu jardim. Além disso, será uma boa oportunidade para conversar com o vizinho sobre o tema favorito de ambos: o jardim.
- Proteger as plantas frágeis
Se não teve em conta nenhum dos três pontos anteriores (como todos nós!), será necessário proteger as plantas com uma boa camada de composto vegetal ou mineral (pois as pedras podem aquecer durante o dia e restituir o calor durante a noite). Também pode agasalhar a planta com tela de inverno, aniagem... ou mesmo cartão, se não tiver outra coisa à mão. Contamos tudo sobre a proteção das plantas no inverno neste artigo.

- Evitar a água estagnada
É absolutamente necessário evitar que a água fique junto às raízes. Para isso, não regue antes de um período de gelo e pense sobretudo em colocar uma camada drenante aquando da plantação de uma planta frágil: alguns cascalhos ou um pouco de areia. Ou plante diretamente num pequeno montículo.
- Plantar no local certo e na altura certa
Conhece o jardim melhor do que ninguém. Sabe portanto onde ficam os locais mais frios e, a contrario, os mais quentes. Identifique-os e instale aí as plantas mais sensíveis ao frio! Evite também plantar estas pequenas preciosidades no outono: não terão tempo de desenvolver um sistema radicular suficiente para passar o inverno sem problemas. Plante de preferência na primavera, quando todo o risco de gelo tiver desaparecido.
Apesar de tudo, a minha planta gelou na mesma! O que faço agora?
A planta parece ter gelado apesar de todas as precauções e outras súplicas... Em primeiro lugar, retire a proteção, se tiver colocado alguma, para a deixar respirar um pouco. Se se fizer sentir um período mais ameno relativamente prolongado (pelo menos duas semanas), regue bem ao pé com água morna. É absolutamente necessário evitar que desidrate. E depois... aguarde! Algumas plantas parecem definitivamente perdidas e... acabam por renascer das cinzas como uma fénix assim que a primavera chega. Aqui está um breve artigo de Michaël sobre o assunto.
O frio não é uma coisa má!
É difícil perder uma planta, sem dúvida. Uma bela e rara, ainda por cima. Mas não se esqueça de que todas as outras plantas precisam do frio para florescer bem, germinar ou fazer madeira: é o que se chama a vernalização. Este período de frio é indispensável a muitos vegetais para passarem da fase vegetativa à fase reprodutiva, ou seja, para desenvolverem a sua floração.
Por isso, não amaldiçoe demasiado o inverno! Este período de frio é variável consoante as espécies e mesmo as variedades, e algumas precisam dele mais do que outras. É por isso que certas plantas só conseguem crescer no Norte.
Em conclusão
"A planta certa no lugar certo." dizia Beth Chatto
E acrescentaria ainda no clima certo e na altura certa. É muito divertido tentar coisas mais exóticas, protegendo-as bem ou encontrando-lhes um microclima. E é aliás muito gratificante ver que algumas prosperam durante muitos anos. Mas chega inevitavelmente o momento fatídico em que a temperatura será demasiado baixa para que aguentem. Pelo menos desfrutou delas durante algum tempo. É nisso que deve pensar...
Não se esqueça também dos períodos de plantação. Não tente plantar uma planta sensível ao frio quando ainda há risco de geadas. O exemplo clássico da plantação demasiado precipitada das dálias, por exemplo...
Em conclusão, se mesmo assim quiser tentar algumas exóticas no jardim: pense em colocar uma camada drenante no fundo do buraco de plantação e plante num local protegido. E sobretudo... deixe fluir. Se a planta sobreviver e prosperar: ótimo! Se morrer: paciência! Ficará espaço para uma nova adoção...
É inverno. Está frio. E por frio, entenda temperaturas que descem por vezes abaixo dos 0 °C. Sim, sim, mesmo no Sul. O que nos traz um estranho fenómeno físico: a água torna-se sólida. A isso chama-se vulgarmente gelo. Surpreendentemente, o inverno regressa todos os anos, apesar das repetidas tentativas do Homem para aquecer o […]
« É necessário tutelar sempre as árvores ? » Boa pergunta! Desde tempos imemoriais, a resposta era contudo muito clara: Planta-se uma árvore. Coloca-se-lhe um tutor. Ponto final. No entanto, segundo as últimas investigações, parece que as árvores nem sempre precisam disso. Pior ainda! Alguns afirmam mesmo que as árvores sem tutor se estabelecem melhor do que as suas companheiras com muleta.
As razões são várias, mas as primeiras cabem ao próprio jardineiro...

Atenção durante a tutoragem das suas árvores !
Não se tutela de qualquer maneira, nem com qualquer material! Eis os principais erros a evitar:
- espeta-se o tutor como um bruto através do torrão ou diretamente nas raízes: quando decidir tutelar uma árvore jovem, evite ferir as raízes. Coloque o tutor bem fora do torrão! O mais simples é colocá-lo, ou colocá-los, antes de plantar a árvore.
- utilizam-se atilhos que podem ferir a casca da árvore jovem: utilize apenas materiais naturais, se possível, ou materiais « suaves » para a casca! Existem sistemas concebidos para esse fim, mas a borracha, como câmaras de ar velhas, é uma excelente solução. Esqueça categoricamente os arames ou outros materiais rígidos e não aperte demasiado! A árvore deve ser sustida mas não estrangulada; não hesite em mover e afrouxar os atilhos durante o crescimento da árvore.
- esquece-se de retirar o tutor: pessoalmente, no primeiro ano após a instalação, retirei no meu jardim dezenas de tutores velhos de árvores e arbustos, esquecidos ali há décadas (para piorar, eram uma espécie de velhas barras de ferro enferrujadas atadas com cordel de plástico...). Nunca se esqueça de retirar o tutor no máximo um ano após a sua colocação! Se esperar mais tempo, arrisca-se a ferir as raízes da árvore.
Uma tutoragem nem sempre bem-vinda
Estudos recentes demonstraram que fixar demasiado solidamente uma árvore pouco depois da plantação pode ser-lhe por vezes prejudicial. Com efeito, as árvores jovens precisam de se mover um pouco ao sabor do vento. Isso permite-lhes desenvolver um sistema radicular muito robusto, com raízes que se ancorem mais profundamente no solo.
Além disso, a árvore desenvolverá um tronco mais grosso e mais resistente aos diversos fatores externos. Este irá também produzir mais ramos desde a sua juventude. Mais uma prova de que a tutoragem não é obrigatória, bem pelo contrário.
Para dispensar a tutoragem, basta plantar bem! Ou seja, assentar bem o torrão ou as raízes no fundo do buraco que tiver cavado e compactar bem a terra em seguida. Se fizer isso, a sua árvore não oscilará demasiado ao sabor do vento e, mesmo que pareça um pouco inclinada no primeiro ano, é muito provável que se endireite mais tarde.

Mas uma tutoragem por vezes necessária
Sejamos honestos: a tutoragem pode revelar-se necessária em circunstâncias particulares :
- se o terreno apresenta uma inclinação digna da Serra da Estrela ou da Peneda-Gerês: uma boa tutoragem permitirá à árvore crescer direita independentemente do declive.
- se o seu jardim é tão varrido pelo vento que até o jardineiro precisa de um tutor
- se plantar um exemplar de grande porte com um sistema radicular reduzido em relação aos seus ramos, é nomeadamente o caso das árvores apresentadas em raízes nuas. Nesta situação, a sua árvore sem tutor ficará na situação de um boneco com uma cabeça grande e pés pequenos. Cairá à menor brisa!
- se a « copa » já está alta num tronco muito (demasiado!) delgado : é um pouco caso a caso, mas por vezes rapidamente se percebe que, se não tutelar a árvore jovem, ela acabará por partir ao meio na primeira rajada de vento (o que por vezes é desejável, se quiser obter uma cepa). Verifique sempre, no momento da compra, se a sua árvore está bem equilibrada.
A palavrinha do Oli: se for paciente, económico ou ambos como eu, pode também optar por árvores muito jovens. São evidentemente menos dispendiosas na compra, mas essa não é a sua única qualidade. Com efeito, a plantação é uma experiência traumatizante para uma árvore, sobretudo se foi arrancada de uma valeta de armazenamento no viveiro. Se a plantação for realizada nos seus primeiros anos, terá mais hipóteses de se recuperar. Além disso, uma árvore jovem não terá o problema do enovelamento das raízes que se pode encontrar nos exemplares criados em contentor. Será também menos sensível às intempéries e estará melhor ancorada no solo. Por fim, é igualmente mais simples plantar e transportar um exemplar jovem de um ano do que um exemplar de grande porte de cinco anos. Em definitivo, pensa-se ganhar tempo ao plantar árvores já imponentes, mas as árvores jovens plantadas ao mesmo tempo depressa alcançarão as suas irmãs mais velhas em tamanho e envergadura, sendo ao mesmo tempo menos exigentes ao pegar.
Para ir mais longe
Encontre os conselhos do Oli, ou melhor, o seu artigo para falhar a plantação das suas árvores em 5 lições.
« É necessário tutelar sempre as árvores ? » Boa pergunta! Desde tempos imemoriais, a resposta era contudo muito clara: Planta-se uma árvore. Coloca-se-lhe um tutor. Ponto final. No entanto, segundo as últimas investigações, parece que as árvores nem sempre precisam disso. Pior ainda! Alguns afirmam mesmo que as árvores sem tutor se estabelecem melhor do que […]
A sua roseira de flores vermelhas começa a florescer a branco ou a rosa e pensa que está a degenerar? Vamos investigar juntos para resolver este mistério e encontrar a origem deste estranho fenómeno! Com um pouco de observação, veremos que se trata afinal de uma questão de porta-enxerto, de « ladrões » e que uma simples poda deverá resolver o problema.
Porquê estas flores estranhas?
Que tipos de roseiras degeneram?
Apenas as roseiras enxertadas são afetadas pela degenerescência!
Com efeito, enxerta-se, quando necessário, uma variedade de roseira conhecida e apreciada pelas suas flores (é o garfo de enxerto) sobre uma roseira botânica, apreciada pelo seu vigor, pela sua resistência às doenças ou pela sua adaptação ao solo (é o porta-enxerto). Os rosicultores que multiplicam estas roseiras utilizam diferentes porta-enxertos: Rosa multiflora, Rosa laxa e Rosa canina são os mais utilizados. São as flores da roseira brava do porta-enxerto, brancas ou ligeiramente rosadas, que está a confundir com uma degenerescência.

Como identificar esta parte degenerada?
Na base da sua roseira, um pouco acima do solo se não tiver sido enterrada, encontra-se o ponto de enxerto, que se assemelha a um calo formado no caule. Foi daqui que partiram os primeiros ramos da sua roseira de belas flores vermelhas! Mas, entretanto, não a viu crescer todos os dias e, para a castigar, a matreira acabou por produzir rebentos abaixo do ponto de enxerto...
Chamam-se « ladrões » porque consomem muita seiva, que vão buscar diretamente à fonte, nas raízes. São, portanto, os rebentos do porta-enxerto selvagem que se desenvolveram, e com grande vigor! Poderá observar que a cor dos caules é diferente da da sua variedade de roseira preferida, geralmente de um verde mais claro. O mesmo se passa com as folhas, e nem vale a pena falar nas flores...
O aparecimento destes ladrões é favorecido por uma cava profunda que, ao ferir as raízes do porta-enxerto, o estimula a ativar os seus gomos dormente. Por isso, é preferível não remexer demasiado o solo em redor das roseiras e contentar-se com sachas superficiais.

Atenção: no caso de uma roseira enxertada, fala-se de "ladrão" e não de "rebento"! Com efeito, este último resulta de um fenómeno natural que não enfraquece a planta. Uma roseira pode criar rebentos, claro, mas nesse caso não era enxertada, a menos que tenha enterrado o porta-enxerto e a roseira se tenha libertado dele.
Como recuperar a minha bela roseira transformada em roseira brava?
Para eliminar este fenómeno, basta cortar rente os rebentos aéreos deste porta-enxerto selvagem, até ao calo do ponto de enxerto, ou desenterrar e arrancar pela base o ladrão que cresceu numa raiz principal, para evitar que reapareça. Se se limitar a cortá-lo, o ladrão vai fortalecer-se e acabará por sufocar a variedade.
Não esqueçamos o caso particular da roseira em tronco ou chorona, na qual também podem surgir ladrões ao longo do caule principal, abaixo do ponto de enxerto, que se encontra em altura. Será necessário, naturalmente, eliminá-los.
Se restarem ramos sãos da boa variedade acima do porta-enxerto, a sua roseira acabará por recuperar. Convém manter-se vigilante e verificar que nenhum ladrão aparece. Aproveite os períodos de poda, de monda ou de colheita de flores de corte para observar tudo isso. Com um pouco de prática, aprenderá rapidamente a identificar os ladrões e nada lhe escapará!
A sua roseira de flores vermelhas começa a florescer a branco ou a rosa e pensa que está a degenerar? Vamos investigar juntos para resolver este mistério e encontrar a origem deste estranho fenómeno! Com um pouco de observação, veremos que se trata afinal de uma questão de porta-enxerto, de « ladrões » e que uma simples […]
Uma amiga parisiense, também ela famosa cronista de jardim (e apesar de tudo excelente jardineira, o que faz duas diferenças importantes entre nós), dizia-me recentemente: «é uma frustração, não consigo manter a alfazema…».
Foi, é preciso dizê-lo, um imenso alívio para mim: não era o único a carregar este vergonhoso segredo: falhar, de forma repetida, com uma das plantas consideradas mais fáceis no jardim, a alfazema.
Foi isso que me decidiu a fazer um coming out público, e a partilhar com os jardineiros ávidos de novas experiências este conhecimento específico: como estragar uma alfazema em 5 lições!

Claro que nem todos estão em pé de igualdade: quem tiver, como eu, a sorte de viver num clima frio e chuvoso com terra pesada terá muito mais facilidade em estragar bem uma alfazema do que quem tem o azar de viver ao sol do Alentejo.
Mas seguindo com atenção estes simples e práticos conselhos, acessíveis a todos, tenho a certeza de que muitos conseguirão também matar as suas alfazemas.
Lição n.° 1: para matar a alfazema, sufoque-a!
A alfazema vem do Sul, aprecia os solos do Sul, pedregosos e drenantes. Detesta os solos pesados, que fazem apodrecer as suas raízes no inverno, razão pela qual os bons jardineiros preferem uma plantação na primavera em vez de no outono.
Pode ser plantada em terreno pesado, mas isso exige um trabalho de drenagem: cova de plantação grande, de pelo menos duas vezes o tamanho do vaso, com adição de brita, areia de rio e, se necessário, turfa.
Portanto, para estragar a sua alfazema, plante-a na época errada (entre novembro e fevereiro, por exemplo) numa argila pesada que não terá aliviado nem descompactado, de preferência numa cova de plantação demasiado pequena (se necessário, dê alguns calcanhares raivosos para que entre);
É um método muito fiável para estragar a alfazema, que pratiquei bastante nas nossas terras de batata do Norte.
Uma variante bastante perversa deste método consiste em colocar as suas alfazemas na situação de gladiadores dos jogos do circo: plante alfazemas muito juntas, digamos a 15 cm umas das outras: farão sombra umas às outras e, à força de se baterem, enfraquecer-se-ão mutuamente, e pelo menos alguns pés acabarão por morrer, os outros escurecerão, o que produz um efeito verdadeiramente notável.
Lição n.° 2: para estragar a alfazema, afogue-a!
A alfazema não aprecia os excessos repetidos de rega: é uma planta de clima mediterrânico.
Para matar a alfazema, regue abundantemente, não só após a plantação (o que ela aprecia, como todas as plantas), mas também ao longo da sua (curta) vida: desaparecerá logo no primeiro inverno. Para acelerar a sentença de morte, forme uma bacia de rega que manterá o torrão húmido durante a estação sombria — sucesso garantido!
Lição n.° 3: para estragar a alfazema, ponha-a à sombra
A alfazema adora o sol… À sombra, estioliza-se, alonga tristemente os seus ramos à procura de luz, não floresce, ou floresce pouco, e morre rapidamente.
Ao plantar à sombra (uma sombra intensa mesmo, pois aceita razoavelmente bem florescer com sombra ligeira) chegará sensivelmente ao mesmo resultado que com a lição anterior. Pode aliás combinar as lições 1, 2 e 3 para um resultado ainda melhor.
Lição n.° 4: para estragar a alfazema, farture-a!
Habituada a solos pobres, a alfazema comporta-se muito mal em meios ricos: come demais, cresce, cresce… E muito rapidamente desmorona-se lamentavelmente, deixando um feio buraco negro ao centro.
Este método menos conhecido é particularmente recomendado às almas sensíveis; permite estragar a alfazema (e muitas outras coisas) com toda a boa consciência, por excesso de cuidado: plante-a num substrato rico, generosamente melhorado com composto, complementado por uma sobredosagem regular de adubo, de preferência químico: talvez não a mate, mas dar-lhe-á com toda a certeza um aspeto bastante monstruoso de Tchernobyl vegetal.
Regra geral, basta plantar mal para falhar. No entanto, por segurança, caso a sua alfazema demonstre resistência, eis um conselho de manutenção:
Lição n.° 5: para estragar a alfazema, pode-a regularmente à «para»
Como a quase totalidade das plantas de folhagem persistente, a alfazema não gosta de uma poda demasiado severa nem demasiado curta.
Claro que se pode cortar sem problema uma vez por ano as hastes de flores secas (e fazer com elas bonitos ramos de flores perfumados), ou alguns ramos jovens demasiado exuberantes. Mas não se deve podar a madeira: nunca rebenta na madeira velha!

Portanto para estragar a alfazema, pode-a sem piedade e o mais curto possível: no mínimo ficará consideravelmente feia e não conseguirá florescer corretamente; no pior dos casos, matá-la-á. Note-se que mesmo em pleno Alentejo este método funciona bem.
Pequeno bónus para quem teve a coragem de ler tudo, com um método de preguiçoso que recomendo particularmente pela sua simplicidade: também se pode estragar a alfazema em vaso. Para isso, basta plantar num vasinho pequeno (digamos menos de 20 cm) e não regar. Certo é que a alfazema não gosta dos excessos de rega, mas não é um cacto: precisa de água, que vai buscar graças a um sistema radicular profundo. Por essa razão, instala-se mal em vasinhos pequenos (e detesta acima de tudo ser deslocada).
Pode portanto estragá-la guardando-a simplesmente no minúsculo vasinho onde se encontrava quando a comprou, contentando-se em esquecer as regas!
Por fim, e para consolar os menos habilidosos que, mesmo seguindo estes sábios conselhos, mantêm uma bela alfazema perfumada no jardim: mesmo em boas condições de cultura — sol, terreno drenante, rega moderada — a alfazema não envelhece muito bem. Raramente ultrapassa os 10 anos, sobretudo nos nossos jardins do Norte, e geralmente torna-se bastante pouco atrativa após 5 anos: provavelmente terá portanto a oportunidade de a ver morrer um dia!
Descubra tudo o que precisa de saber sobre a alfazema para escolher bem, conseguir cultivá-la, fazer estacas ou ainda secá-la.
Uma amiga parisiense, também ela famosa cronista de jardim (e apesar de tudo excelente jardineira, o que faz duas diferenças importantes entre nós), dizia-me recentemente: «é uma frustração, não consigo manter a alfazema…». Foi, é preciso dizê-lo, um imenso alívio para mim: não era o único a carregar este vergonhoso segredo: falhar, de forma repetida, […]
A força de ir alargando cada vez mais os canteiros, as zonas relvadas foram-se reduzindo de ano para ano. O tempo de corte foi dividido por três, o que é uma alegria para o meu marido, a quem cabe esta tarefa. Dito isto, mesmo que a superfície de relva seja agora bastante modesta, sonho com um corta-relva manual. E acessoriamente, sonho que toda a minha aldeia adote o corta-relva de mão e a boa e velha gadanha ao mesmo tempo... Sem barulho, sem cheiros... sim, eu sei, sempre se pode sonhar! Aqui ficam as minhas 5 excelentes razões para adotar um corta-relva mecânico.
O corta-relva manual é económico
Vou partilhar algo de sensacional: o corta-relva manual é económico! Incrível, não é? Mais a sério, o facto de não consumir energia fóssil não renovável nem eletricidade é uma vantagem que pesa muito na minha balança. Como qualquer equipamento de jardim, o corta-relva de mão exige um investimento inicial, mas em modelos de gama equivalente, fica mais barato do que um corta-relva motorizado. O que vejo pessoalmente são as poupanças inegáveis a longo prazo e uma total independência em relação ao petróleo. A única energia gasta é a da tablete de chocolate negro com casca de laranja ingerida algum tempo antes. É preciso arranjar forças!
Além disso, o custo de manutenção é negligenciável e a sua vida útil é mais longa do que a dos outros corta-relvas.

Os novos corta-relvas manuais são leves e manejáveis
Continua a ser uma ferramenta prática, leve e de fácil manuseamento, sem fazer concessões ao nível do desempenho. Não é preciso deslocar um ombro para a arrancar, nem fio ou extensão para a alimentar! O corte é igualmente de qualidade. Tudo isto graças ao seu sistema helicoidal, um cilindro equipado com lâminas que arrastam os fios de erva para os seccionar de forma limpa em vez de os esmagar. Aliás, os ingleses perceberam muito bem as vantagens deste dispositivo e, caso se coloque a questão, o famoso corta-relva inglês é um corta-relva helicoidal (ainda que, consoante os modelos, possam ser manuais, a gasolina ou elétricos)! De nada, é de borla! Saiba também que quanto mais regular for a tosa, mais estético será o resultado.
Acrescente-se ainda que ocupa pouco espaço e cabe facilmente num cantinho da garagem ou da casinha de jardim.
O corta-relva manual é ecológico
Sem gasolina, sem poluição e sem maus cheiros, está dito! Como referi anteriormente, a única energia utilizada é a energia humana. O corta-relva manual não recorre a energias fósseis nem elétricas. Por outro lado, sem combustível significa sem emissões poluentes e, portanto, sem impacto negativo sobre o equilíbrio da natureza e, consequentemente, sobre a saúde humana. Certo, o consumo de um único corta-relva pode parecer negligenciável. Mas pense nisso à escala planetária... de que arrepiar!
O corta-relva manual requer pouca manutenção
Com efeito, há apenas duas coisas a fazer para o manter:
- passar um jato de água (eventualmente uma escova macia) sobre o cilindro, no mínimo a cada 4 a 5 cortes;
- lubrificar a corrente de transmissão de vez em quando, tal como numa bicicleta, e pronto.
Esqueça a muda de óleo do motor, a gasolina ou a substituição das velas. O sistema é tão simplificado que o mecanismo é uma brincadeira de criança para substituir ou reparar. Quanto à afiação, também não há preocupações, pois é feita automaticamente. Explicando melhor: as lâminas afia-se naturalmente de cada vez que rodam e se desgastam sobre a contra-lâmina. Basta efetuar um pequeno ajuste se necessário, apertando a contra-lâmina na direção da hélice.

O corta-relva manual é silencioso
Guardei o melhor para o fim. Como não tem motor, o corta-relva manual é silencioso, acabou a poluição sonora, que felicidade! É assim possível cortar a relva de manhã cedo, ao final da tarde, ao domingo, nos feriados, em plena noite à luz da lua ou com uma lanterna frontal. Neste último caso, os vizinhos podem olhar de forma um pouco diferente, mas isso é um pormenor, não é verdade?
Não consigo deixar de pensar também na fauna do jardim. Com efeito, o barulho dos nossos equipamentos motorizados perturba o mundo vivo na sua globalidade. Foi demonstrado que a poluição sonora interfere na comunicação das aves ou mesmo na polinização, por exemplo.
Em conclusão, o corta-relva manual é, na minha opinião, uma excelente alternativa nos jardins pequenos. É económico, respeitador do ambiente e duradouro, sem comprometer a eficácia, desde que se respeitem as condições de utilização, claro.
A força de ir alargando cada vez mais os canteiros, as zonas relvadas foram-se reduzindo de ano para ano. O tempo de corte foi dividido por três, o que é uma alegria para o meu marido, a quem cabe esta tarefa. Dito isto, mesmo que a superfície de relva seja agora bastante modesta, sonho com […]





















