Que gramíneas escolher para um solo ácido?
A nossa seleção de 10 espécies que se adaptam a um pH inferior a 7
Resumo
Elegantes e resistentes, as gramíneas formam uma vasta família de plantas monocotiledóneas, caracterizadas por uma folhagem estreita e inflorescências em espigas ou panículas. Trazem, sem dúvida, movimento e leveza aos canteiros, às bordaduras e aos jardins de rochas. Ainda assim, nem sempre se associam as gramíneas a solos ácidos, frequentemente relacionados com zonas arborizadas e húmidas, charnecas e florestas. Mas não é bem assim! Algumas espécies de gramíneas, particularmente versáteis, desenvolveram adaptações específicas que lhes permitem prosperar em solos ácidos, contribuindo para a criação de espaços originais e duradouros.
Descubra a nossa seleção de gramíneas que se tornarão excelentes aliadas nos jardins com solo ácido, bem como todos os nossos conselhos de manutenção e as associações vegetais mais bem-sucedidas.
Quais são as características e as vantagens de um solo ácido?
Um solo é considerado ácido quando o seu pH se situa abaixo de 7, geralmente entre 5 e 6 nos solos mais comuns. Esta acidez deve-se sobretudo a fatores naturais, como a decomposição da matéria orgânica, a lixiviação dos minerais, a presença de uma rocha-mãe como o granito ou ainda a aplicação de determinados adubos químicos. Os jardineiros tendem a apreciar pouco este tipo de solo, uma vez que a atividade dos micro-organismos é relativamente reduzida. Do mesmo modo, as carências são frequentes.
Ainda assim, um solo ácido nem sempre é uma terra pobre. Assim, os solos humíferos, ricos em húmus, são geralmente solos ácidos. Além disso, um solo ácido beneficia de uma drenagem natural devido à sua leveza. Pode também ser bem provido de determinados micronutrientes, como o ferro.
Por isso, há que fazer da necessidade virtude. É certo que o solo é ácido, mas pode ser uma vantagem se forem escolhidas plantas que aí prosperam naturalmente. E algumas gramíneas apreciam particularmente estas condições.
Dez belas gramíneas adaptadas ao cultivo em solo ácido
As gramíneas são plantas herbáceas que se adaptam tanto a solos ricos como a solos pobres em nutrientes. É por isso que algumas delas, frequentemente prósperas no seu estado natural em charnecas e zonas arborizadas, se desenvolverão particularmente bem num solo ácido. Foram selecionadas as dez gramíneas mais interessantes.
A erva de Hakone (Hakonechloa macra)
No seu habitat natural, a erva de Hakone (Hakonechloa macra) desenvolve-se na orla de bosques, em encostas de meia-sombra com solo fresco e humífero. É por isso que se adapta bastante bem a um solo ácido. Com o tempo, forma belos tufos de folhagem lanceolada e exuberante, que cai em cascatas sobrepostas. A Hakonechloa macra oferece também uma floração em espiguetas finas, duradouras durante o inverno. Rica em numerosos cultivares, a erva de Hakone apresenta uma vasta paleta de folhagens coloridas, do verde ao amarelo-dourado (‘All Gold’), passando pelo laranja e pelo amarelo-bronze (‘Nicolas’), do vermelho-mogno (‘Naomi’) ao vermelho-bordeaux (‘Mulled Wine’) no final da estação.
A erva de Hakone desenvolve-se tão bem à sombra como em meia-sombra ou ao sol, desde que o solo seja suficientemente fresco.

A erva de Hakone
A molínia azul (Molinia caerulea)
A molínia azul (Molinia caerulea) é uma gramínea autóctone, originária de charnecas ácidas e batidas pelos ventos. Escusado será dizer que encontra o seu lugar num solo ácido. Esta gramínea forma belos tufos densos de folhagem, relativamente discretos no verão. No outono, a sua folhagem adquire magníficas tonalidades amarelo-douradas a alaranjadas. As variedades mais altas, como ‘Fontäne’ ou ‘Skyracer’, são impressionantes, enquanto as mais compactas ganham quando plantadas em grupos.

A molínia azul ao longo das estações
O caniço (Phragmites australis)
O caniço (Phragmites australis) é uma gramínea de grande porte, com caules e folhas espessos e rígidos. Estes colmos verticais, providos de folhas, podem ser variegados de dourado (‘Variegatus’), tornando-se mais ornamentais. O caniço produz inflorescências púrpura em agosto, que se tornam prateadas no outono. O caniço gosta de ter as raízes submersas. Devido ao seu caráter invasor, deve evitar-se em espaços pequenos.
A cana-de-açúcar púrpura (Saccharum officinarum violaceum)
A cana-de-açúcar púrpura (Saccharum officinarum violaceum) é uma gramínea de grande porte que pode atingir 2,50 m de altura e 2 m de largura. Reservada para regiões de clima ameno, pois é sensível à geada a partir de – 5 °C, esta gramínea oferece uma bela folhagem em forma de fita, estreita e arqueada, sustentada por enormes caules. Esta folhagem caducifólia nasce em púrpura-escuro antes de passar a verde-escuro, matizado de púrpura e vermelho.
A lúzula (Luzula sylvatica)
A lúzula (Luzula sylvatica) é uma gramínea da família dos juncos (Juncáceas). Forma um tufo mais largo do que alto, constituído por folhas rígidas, glabras, lisas e brilhantes, como se fossem plastificadas, com margens não cortantes. Produz espigas soltas e pouco coloridas entre junho e agosto, que apresentam interesse ornamental, sobretudo quando plantada em grupos. As variedades de folhagem dourada (‘Solar Flar’) ou variegada (‘Marginata’) trazem luminosidade às zonas de sombra. É uma gramínea ideal como planta de cobertura ou para uma bordadura.

A lúzula
Os juncos (Juncus)
Os juncos (Juncus) são plantas herbáceas próprias de meios húmidos ou mesmo aquáticos. Plantam-se frequentemente junto a cursos de água ou lagos, onde se espalham através dos seus rizomas. Os juncos formam tufos de grandes caules sem folhas, muito direitos e flexíveis. Algumas variedades, como o junco espiralado (Juncus effusus ‘Spiralis’), são muito originais, com os seus caules torcidos. Os juncos florescem em espigas castanho-avermelhadas.
A canche flexível (Deschampsia flexuosa)
A canche flexível (Deschampsia flexuosa) forma um tufo denso e baixo de folhas persistentes, verdes e muito finas. De junho a agosto, a folhagem desaparece literalmente sob uma profusão de caules finos, terminados por inflorescências muito leves, bege-douradas matizadas de bronze, que criam um efeito de neblina. Esta gramínea é facilmente autossemeadora e desenvolve-se em qualquer exposição. É uma gramínea “bem-comportada”, que transmite a impressão de uma pradaria selvagem.

A canche flexível
A cárice (Carex sylvatica) e o carriço-dependurado (Carex pendula)
A cárice (Carex sylvatica) e o carriço-dependurado (Carex pendula) são duas gramíneas graciosas e vigorosas, perfeitamente adaptadas a solos ácidos. A cárice forma um tufo hirsuto de folhas lineares verde-vivo. O carriço-dependurado assume a forma de um grande tufo de folhas persistentes, largas e arqueadas. Oferecem hastes finas e altas, de grande elegância, constituídas por uma espiga terminal de flores masculinas e por duas a três espigas femininas.

Cárice e carriço-dependurado
A festuca-das-ovelhas (Festuca ovina)
A festuca-das-ovelhas (Festuca ovina) é uma gramínea compacta e ereta, muito resistente. Forma um pequeno tufo de folhagem fina, verde-azulada, que se torna amarelo-palha no inverno. As suas inflorescências surgem em espigas verdes que passam a violáceas. Adapta-se a todos os tipos de solos, incluindo os ácidos, e planta-se em bordaduras, jardins de rochas ou canteiros.
Como plantar e cuidar destas gramíneas de solo ácido?
Depois de escolher as gramíneas mais adaptadas aos solos ácidos, chega o momento da plantação. Embora pouco exigentes, estas gramíneas mostrarão maior vigor num solo bem preparado. Além disso, a sua retoma será bastante facilitada.
Num solo ácido, a aplicação de composto ou de matéria orgânica permite equilibrar o pH e enriquecer o solo com nutrientes. É também essencial eliminar as ervas daninhas que podem competir com as jovens gramíneas. Por fim, deve adicionar-se um pouco de areia ou cascalho ao fundo da cova para facilitar a drenagem. Depois de plantar e regar abundantemente as gramíneas, deve aplicar-se uma cobertura morta orgânica, como BRF, folhas mortas ou agulhas de pinheiro, para conservar a frescura do solo e limitar o crescimento das ervas daninhas.
Em termos de manutenção, as gramíneas não exigem muito mais cuidados do que no momento da plantação. Será necessário regá-las regularmente durante as semanas seguintes à plantação e, depois, em caso de calor intenso ou de seca. Também será necessário eliminar os caules secos no final do inverno para estimular um novo crescimento na primavera.
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10 plantas perenes a cultivar em solo ácidoComo combinar gramíneas em solo ácido?
Associar as gramíneas a outras plantas adaptadas aos solos ácidos permite criar cenários harmoniosos, ricos em texturas, cores e formas. Mas, para garantir o sucesso, é obviamente necessário escolher plantas acidófilas ou, pelo menos, tolerantes aos solos ácidos. Entre as plantas perenes, podem mencionar-se as astilbes, as tiarela e sinos-de-coral, ou ainda as hostas, para proporcionar contrastes interessantes.
No que diz respeito aos arbustos, as urzes formam associações sempre bem-sucedidas com as gramíneas. Também se podem plantar estas gramíneas na companhia de rododendros e azáleas, bem como de uma Hydrangea macrophylla.

Em solo ácido, podem associar-se os juncos às urzes, astilbes e tiarela
Os fetos do género Dryopteris ou Athyrium e a gaultéria-rastejante (Gaultheria procumbens) combinam muito bem com a lúzula pelo seu aspeto de planta de cobertura. Por fim, na primavera, os bolbos dos narcisos, açafrões-da-primavera e camássias proporcionam um bonito toque de cor antes do reinício do crescimento das gramíneas.
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