7 gramíneas para pessoas alérgicas
Gramíneas ornamentais no jardim quando se sofre de alergias? É possível!
Resumo
Entre as plantas responsáveis pelas alergias ao pólen, as gramíneas são frequentemente apontadas, e muitos jardineiros optam por não as cultivar, receando os incómodos que provocam. No entanto, muitas delas não se encontram entre as plantas utilizadas pelo seu valor ornamental e, quando se analisam os estudos científicos realizados sobre o tema, constata-se, com satisfação e alívio, que muitas gramíneas ornamentais não apresentam risco, pois produzem pouco pólen ou porque este não é alergénico.
Neste artigo, apresenta-se a questão das alergias ao pólen das gramíneas, procurando descobrir quais deve evitar em caso de alergia, mas também dar a conhecer 7 belas “ervas” ornamentais que podem ser acolhidas no jardim sem preocupações.
Alergias às gramíneas: sintomas, períodos e como lidar com elas?
As gramíneas fazem parte da família das Poáceas, que representam cerca de 1/4 da cobertura vegetal do planeta, o que permite compreender que é praticamente impossível não estar exposto a elas de uma forma ou de outra. Entre as pessoas alérgicas, 20 % são sensíveis aos pólenes das gramíneas, o que faz com que as receiem, naturalmente.
Os sintomas
Conhecidas pela designação comum de ‘febre dos fenos’, estas alergias ao pólen provocam sintomas bastante característicos, tais como:
- comichão no nariz, nos olhos, na boca ou na garganta
- rinite alérgica (nariz entupido ou a pingar, acompanhada ou não de espirros)
- dores de cabeça
- dificuldades respiratórias, asma
- olhos vermelhos, com sensação de areia
Estes incómodos, mais ou menos intensos, surgem durante a floração das gramíneas, conhecida por espigamento.
Os picos de pólen
Entre abril-maio e até ao outono, consoante as gramíneas, as espigas atingem a maturidade e libertam pólenes microscópicos que estão na origem das alergias. Anemófilas, estas ‘ervas’ precisam do vento para dispersar os seus gâmetas masculinos e poderem fecundar os gâmetas femininos de outros exemplares, assegurando assim a sua descendência. Este modo de dispersão torna a sua propagação no ar ainda mais difícil de controlar e, quando a humidade se junta ao processo e provoca bolores, o risco de alergia aumenta ainda mais.

Quando as espigas estão maduras, libertam os seus pólenes alergénicos (Phleum pratense)
Como controlar as alergias?
Para limitar o risco de reação alérgica aos pólenes das gramíneas, há algumas regras simples a seguir:
- evitar sair com o cabelo molhado, mas lavá-lo ao regressar a casa e antes de se deitar
- mudar de roupa ao chegar a casa
- estender a roupa dentro de casa, em vez de o fazer no exterior
- circular com os vidros do carro fechados e arejar a casa de manhã cedo ou ao fim do dia, quando a humidade do ar torna os pólenes mais pesados e limita assim a sua dispersão.
- Em caso de reações fortes, não hesite em consultar um profissional de saúde.
→ Para se manter informado sobre os picos de pólen em função das épocas do ano e das regiões, consulte o site da Réseau National de Surveillance Aérobiologique, que disponibiliza também ferramentas para acompanhar e controlar melhor as alergias, sob a forma de aplicações para smartphones.
Nesta fase da leitura, é muito provável que pense que está completamente fora de questão adotar gramíneas no jardim, pois isso seria procurar problemas? Não é bem assim! Se algumas gramíneas são, de facto, muito alergénicas, outras, pelo contrário, entre as quais numerosas gramíneas ornamentais, não representam qualquer risco e podem trazer beleza e leveza aos canteiros, sem os inconvenientes das suas parentes! Seria uma pena privar-se delas!
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Alergia ao pólen: como preveni-la?As gramíneas responsáveis pelas alergias
Nem todos os pólens de gramíneas apresentam o mesmo potencial de causar problemas no que diz respeito às alergias.
É possível classificar os mais problemáticos em 3 categorias, consoante a sua utilização.
Gramíneas forrageiras
- Fleo-dos-prados (Phleum)
- Dáctilo (Dactylis)
- Agróstide (Agrostis)
- Bromo (Bromus)
- Festuca comum (Festuca, mas as variedades ornamentais de folhagem azulada, Festuca glauca, não são, por sua vez, alergénicas)
- Erva-de-cheiro (Anthoxanthum)
- Holco-lanoso (Holcus)
- Azevém (Lolium multiflorum ou azevém italiano, Lolium perenne ou azevém inglês)
- Poa-dos-prados (Poa)
- Grama-francesa (Elytrigia ou Agropyron repens, Elymus repens)
- Rabo-de-raposa-dos-prados (Alopecurus)
A maioria destas gramíneas encontra-se nos campos, nas bermas das estradas ou nas valas. Algumas são utilizadas na criação de relvados. Para limitar os riscos, corte regularmente a relva, de modo a não a deixar espigar.
Gramíneas cerealíferas
- Trigo (Triticum)
- Aveia (Avena)
- Centeio (Secale)
- Cevada (Hordeum)
Gramíneas ornamentais
São as que mais nos interessam, enquanto jardineiros. Conhecer o seu potencial alergénico permite escolher as mais adequadas à sensibilidade de cada pessoa.
Gramíneas ornamentais de risco elevado
Trata-se das principais gramíneas decorativas a evitar em caso de alergia às gramíneas.
- Arrhenatherum bulbosum, na versão variegada ou não
- Deschampsia cespitosa (Deschampsia cespitosa e os seus diferentes cultivares)
- Festucas (exceto Festuca glauca e os seus diferentes cultivares, que apresentam pouco risco)
- Caniço-bastardo (Phalaris arundinacea)
Gramíneas de risco médio
Podem ser utilizadas, mas evite plantá-las em grande quantidade.
- Cana-de-penas (Calamagrostis acutiflora)
- Rabo-de-lebre (Lagurus ovatus)
- Trigo-azul ou estipa-das-areias (Leymus arenarius)
- Aveia-dourada (Stipa gigantea)
Felizmente, a Natureza é rica e bem concebida, e é possível utilizar muitas gramíneas nos canteiros sem risco.
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Que gramíneas escolher para pessoas com alergias?
Mesmo que seja alérgico, eis uma lista de gramíneas que pode instalar tranquilamente no jardim ornamental, pois não apresentam riscos.
Festuca glauca
A festuca-azul é uma pequena gramínea que forma um tufo hemisférico de folhas densas e rígidas, em tons glaucos a azulados intensos. Entre as variedades mais coloridas, ‘Intense Blue’ e ‘Elijah Blue’ causam sempre sensação, inclusive em pleno inverno, pois são gramíneas persistentes. Uma floração prateada e ligeira eleva-se acima do tufo a partir do mês de junho. Rústica, resistente à seca e fácil de cultivar, encontra lugar ao longo de um caminho, num jardim de rochas, num talude ou até em vaso numa varanda soalheira.

Festuca glauca
Imperata cylindrica ‘Red Baron’
A Imperata é outra gramínea de pequeno porte, cuja folhagem caducifólia se eleva verticalmente no início da estação, em tons verde-azeitona, antes de adquirir progressivamente uma tonalidade vermelha, mais intensa à medida que o verão avança. Adepta de solos frescos, não deve ficar sem água para revelar toda a sua beleza, e alarga-se lentamente, mas com segurança, formando bonitas manchas coloridas. Muito rústica, reserve-lhe um local luminoso, que intensifica as suas cores, ou eventualmente uma meia-sombra clara. Também pode ser facilmente cultivada em vaso.

Imperata cylindrica ‘Red Baron’
Miscanthus sinensis e Miscanthus giganteus
Os miscantos apresentam um número muito elevado de variedades, algumas atingindo pouco mais de 1 m de altura, enquanto outras podem chegar a cerca de 2 m. Conhecidos pelas suas florações de tonalidades variadas, muitos são espetaculares em plena floração (‘Silberfeder’, ‘Nepalensis’, ‘Ferner Osten’…). As folhagens, mais ou menos largas, adotam frequentemente um hábito gracioso, em forma de fonte, e não se limitam a ser verdes. Algumas apresentam uma magnífica variegação branca ou creme ao longo das folhas (‘Variegatus’, ‘Cosmopolitan’, ‘Cabaret’) ou em bandas horizontais (‘Strictus’, ‘Little Zebra’). Outras, como ‘Little Miss’, misturam muito cedo na estação tonalidades púrpuras e violáceas, e muitas adquirem tonalidades incríveis no outono (‘Malepartus’, ‘Ghana’, ‘Purpurascens’). Geralmente muito rústicos, resistem também bem à seca, mas apreciam alguma frescura junto à base. Desenvolvem-se tanto em solo calcário como em terreno ácido e apreciam o sol; alguns podem mesmo ser cultivados em vaso. A sua folhagem seca no final do outono, mas continua decorativa até bastante tarde no inverno.

Miscanthus sinensis
Miscanthus giganteus faz jus ao seu nome, pois é um verdadeiro gigante! Em plena floração, pode ultrapassar os 3 metros de altura, o que faz dele uma peça central, de forte impacto gráfico e visível à distância. Tal como os seus parentes, é particularmente indicado para criar sebes densas durante boa parte do ano. A sua folhagem e os seus caules adquirem bonitas tonalidades no outono, reforçando ainda mais a sua presença já marcante.
Molinia caerulea
A erva-de-atar-a-palha é uma gramínea de hábito simultaneamente ereto e flexível, com uma altura entre 40 cm e 3 metros, consoante as variedades. Do verão ao outono, a sua floração longa e muito generosa forma uma nuvem vaporosa de grande beleza. A folhagem, com reflexos azulados, apresenta variegação em variedades como Molinia ‘Variegata’, e o outono tinge estas gramíneas de amarelo ou laranja, tornando-as indispensáveis nos cenários de final de estação. A sua silhueta e a sua tonalidade de palha continuam a animar os canteiros durante o inverno. Muito rústica, é uma gramínea perfeitamente adaptada a solos pesados, ou mesmo húmidos, e preferencialmente ácidos, mas adapta-se a situações muito diversas. Por vezes um pouco lenta a instalar-se, aprecia tanto o sol como a meia-sombra.

Molinia caerulea
Stipa tenuifolia (sin. Nassela tenuissima)
Os cabelos-de-anjo são talvez as gramíneas mais leves, com os seus colmos aéreos a balançarem à mais ligeira brisa. Verdes no início, tornam-se depois dourados e, por fim, cor de palha, exigindo apenas uma pequena limpeza no final do inverno. Com cerca de 50 a 70 cm de altura, a estipe pode ser utilizada em jardins de qualquer dimensão, desde os mais românticos aos mais contemporâneos. Frugal e rústica, contenta-se com solos pobres e é também muito resistente à seca.

Stipa tenuifolia
Panicum virgatum
O painço ereto apresenta variedades de pequeno, médio ou grande porte. É sobretudo pelo seu hábito ereto, muito arquitetónico, e pela cor da sua folhagem que é apreciado. Verde, azul, alaranjado ou púrpura intenso, cobre-se de uma floração vaporosa a partir do verão e permanece decorativo durante parte do inverno. Muito rústico e fácil de cultivar, o painço adapta-se a qualquer tipo de solo, ao sol ou à meia-sombra.

Panicum virgatum
Pennisetum (P. alopecuroides, P. orientale, P. macrourum)
A erva-dos-penas é um grande clássico dos jardins de gramíneas, nos quais a sua silhueta em fonte aberta é realçada por uma floração plumosa particularmente decorativa. Consoante as espécies e as variedades, as alturas variam entre cerca de trinta centímetros e quase 2 m. Verde ou francamente dourada, a folhagem oferece ainda tonalidades quentes no outono. É uma gramínea muito rústica (P. macrourum é um pouco menos rústica), ideal para o sol e para qualquer tipo de solo, mesmo seco, sendo particularmente indicada para jardins junto ao mar, pois não teme o vento nem a maresia.

Pennisetum alopecuroides
Outras plantas e alternativas
Os bambus de sebe são também gramíneas sem risco de alergia (existem variedades não invasoras que não se propagam por todo o jardim), e muitas plantas apresentam uma folhagem graminiforme sem pertencerem a esta família, eliminando também qualquer inconveniente. É o caso, por exemplo, do carriço, do junco, da lúzula ou do ofiopógão.
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