As doenças e pragas da paulónia
Sintomas, prevenção e tratamentos
Resumo
A paulónia ou Paulownia destaca-se pela sua magnífica floração primaveril malva e pela sua espetacular folhagem cordiforme. Não se conhecem pragas específicas da paulónia em França, e esta resiste bem à seca depois de instalada. Embora as geadas tardias lhe sejam prejudiciais, devido à subida precoce da seiva, e possam danificar os botões florais, a paulónia tem, ainda assim, alguns inimigos, essencialmente fungos, e pode ser afetada por determinadas doenças e ataques de parasitas. Neste artigo, encontrará os principais inimigos da paulónia, os respetivos sintomas, bem como os tratamentos preventivos e curativos a privilegiar, numa abordagem respeitadora do ambiente.
Para saber tudo sobre a paulónia, descubra o nosso dossier completo: Paulownia, paulónia: plantação, cultivo e manutenção

A floração azul-malva de Paulownia tomentosa
doenças fúngicas
O oídio
O oídio é uma doença fúngica comum que afeta muitas espécies vegetais, incluindo o Paulownia.
- Os sintomas: o oídio manifesta-se pelo aparecimento de uma penugem branca ou acinzentada nas folhas, nos caules e nos rebentos. As folhas afetadas podem deformar-se, secar e cair prematuramente.
- Tratamento preventivo: para prevenir o oídio, favorecido por uma atmosfera húmida, recomenda-se plantar o Paulownia num local bem arejado e soalheiro, evitar regas excessivas e podar regularmente os ramos mortos ou doentes. A utilização de chorume de urtiga ou de cavalinha em pulverização foliar pode também reforçar as defesas naturais da árvore.
- Tratamento curativo: em caso de ataque de oídio, pode utilizar-se uma solução à base de bicarbonato de sódio (1 colher de chá por litro de água) ou de enxofre (2 a 3 gramas por litro de água), pulverizando as partes afetadas de quinze em quinze dias, na primavera e no verão. Respeite cuidadosamente as doses e as precauções de utilização. Tome medidas preventivas no outono, eliminando todos os rebentos doentes para impedir que o fungo passe o inverno.
→ Saiba mais no nosso artigo O oídio ou a doença do branco

A armilária ou podridão radicular
Trata-se de um fungo que provoca o apodrecimento das raízes. É frequentemente responsável pelo declínio rápido da árvore.
- Os sintomas: as árvores atacadas desenvolvem-se mal. No final do verão, formam-se na base do tronco cogumelos de cor creme, reunidos em grupos muito compactos. As raízes são as primeiras a ser afetadas, tornando-se negras, e sob a casca desenvolve-se uma penugem em forma de placas esbranquiçadas.
- Tratamento preventivo: evite a acumulação de água estagnada.
- Tratamento curativo: uma vez instalado, o fungo sobrevive nas raízes mortas. É, portanto, necessário eliminar a árvore, tendo o cuidado de retirar o máximo possível de raízes, e evitar replantar nessa zona.
→ Saiba mais no nosso artigo A armilária ou podridão radicular: reconhecer e combater este fungo das árvores
A antracnose
A antracnose é uma doença fúngica bem conhecida no feijão ou no pepino da horta, e na nogueira-europeia e no salgueiro entre as árvores, mas o Paulownia também pode ser afetado. Isto pode enfraquecer a árvore, sobretudo enquanto é jovem.
- Os sintomas: as folhas apresentam manchas redondas e irregulares que se tornam elípticas, de cor castanho-amarelada, frequentemente no final da estação, antes de caírem tardiamente. Os limbos são afetados, mas também os pecíolos, os rebentos jovens e, por vezes, as vagens. As folhas afetadas acabam por necrosar-se e cair prematuramente.
- As soluções: a antracnose surge em condições meteorológicas muito húmidas no outono, sobretudo quando o calor e a humidade se acumulam. Não há muito a fazer, a não ser cortar as partes afetadas, bem como as folhas doentes caídas no solo, e levá-las ao ecocentro.
- Tratamento preventivo: é o melhor método para evitar que a doença se desenvolva em clima húmido e/ou em condições de humidade prolongada. A calda bordalesa ou o chorume de cavalinha diluído a 10% e pulverizado sobre toda a massa foliar de uma árvore jovem são eficazes como tratamento ao longo da primavera e no verão (renovar duas vezes).
→ Leia também o nosso artigo completo sobre a antracnose.

A verticiliose (Verticillium dahliae)
Esta doença fúngica afeta o sistema vascular da árvore, limitando o fornecimento de água e nutrientes.
- Os sintomas: murchidão das folhas, amarelecimento e queda prematura. Os ramos podem morrer progressivamente.
- Tratamento preventivo: um solo bem drenado e uma rega adequada são fundamentais.
- Tratamento curativo: uma vez instalada, o combate à verticiliose é complexo. Retirar e destruir as partes afetadas pode ajudar a limitar a propagação. Reforçar a árvore com composto e cobertura orgânica favorece a sua resistência.
A cercosporiose (Cercospora spp.)
Esta doença foliar provoca manchas nas folhas do Paulownia.
- Os sintomas: manchas circulares acastanhadas a negras nas folhas, frequentemente com um halo amarelo.
- Tratamento preventivo: evite o excesso de humidade na folhagem, regando junto à base da árvore. Um espaçamento adequado entre as árvores favorece uma boa circulação do ar.
- Tratamento curativo: eliminar as folhas infetadas e aplicar fungicidas naturais, como bicarbonato de sódio diluído, pode ajudar a controlar a doença.
Os fungos xilófagos
Alguns fungos podem atacar a madeira do Paulownia, provocando o seu apodrecimento.
- Os sintomas: os fungos xilófagos manifestam-se pelo aparecimento de frutificações (cogumelos) no tronco ou nos ramos, bem como pelo apodrecimento da madeira, que pode tornar-se esponjosa e decompor-se.
- Tratamento preventivo: para prevenir os ataques de fungos xilófagos, é importante escolher cuidadosamente o local de plantação do Paulownia, evitando os solos encharcados e mal drenados. Recomenda-se também podar regularmente os ramos mortos ou doentes e aplicar uma pasta cicatrizante nas feridas de poda.
- Tratamento curativo: em caso de ataque de fungos xilófagos, é infelizmente difícil tratar a árvore de forma eficaz. Recomenda-se eliminar as partes afetadas e aplicar uma pasta cicatrizante nas feridas, tendo o cuidado de desinfetar bem as ferramentas de poda entre cada corte.
As pragas
Os pulgões
Os pulgões são pequenos insetos sugadores que podem causar danos às paulónias ao alimentarem-se da sua seiva.
- Os sintomas: As folhas infestadas por pulgões enrolam-se, perdem a cor e podem cair prematuramente. Os pulgões (de cor verde ou preta, frequentemente visíveis) segregam também uma substância pegajosa chamada melada, que pode favorecer o desenvolvimento de fumagina, um fungo negro.
- Tratamento preventivo: Para prevenir as infestações de pulgões, é importante manter um bom equilíbrio ecológico no jardim, favorecendo a presença de insetos auxiliares, como as joaninhas, os sirfídeos e as crisopas. Também pode pulverizar chorume de urtiga sobre as folhas para reforçar as suas defesas naturais.
- Tratamento curativo: Em caso de infestação, pode utilizar um jato de água forte para desprender os pulgões das folhas ou pulverizar uma solução de sabão preto (50 gramas por litro de água) ou um tratamento à base de óleo de neem sobre as partes afetadas. Também podem ser introduzidas larvas de joaninha para combater os pulgões.
→ Leia a nossa ficha de aconselhamento Pulgões: identificação e tratamento

Os escolítidos
Estes insetos xilófagos escavam galerias na madeira, enfraquecendo a árvore. Atacam sobretudo exemplares adultos já debilitados.
- Os sintomas: Orifícios na casca e serradura de madeira junto ao pé da árvore.
- Tratamento preventivo: Mantenha a árvore saudável para a tornar menos atrativa. Evite ferir a casca, pois essas lesões podem atrair os escolítidos.
- Tratamento curativo: É difícil tratar uma infestação de escolítidos depois de instalada. Pode ser necessário remover as partes gravemente infetadas. As armadilhas com feromonas podem ajudar a reduzir a população de escolítidos.
Conselhos de cultivo
São sobretudo as plantas jovens de Paulownia que podem ser atacadas pelas diferentes pragas ou doenças, pelo menos na Europa. A sua madeira é considerada imputrescível e muito resistente, e são realmente as condições de humidade elevada que podem afetá-lo em França, o que continua a ser raro.
Tenha, por isso, presentes as condições de cultivo necessárias para esta árvore:
- um solo drenante, humífero e profundo (não apreciará um solo pesado e argiloso, que fará apodrecer as suas raízes). Trabalhe bem o solo em profundidade antes da plantação.
- uma exposição soalheira e um local quente, protegido dos ventos frios: precisa de pelo menos 6 horas de girassol perene por dia.
- Uma rega regular durante os três primeiros anos, para permitir que as raízes se estabeleçam bem.
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