Resumo

Modificado em 7 de janeiro de 2026  por Pascale 7 min.

Reconheçamos desde logo: a companhia de certas pessoas é-nos insuportável, enquanto outras nos trazem muito apenas com a sua presença. Por que haveria de ser diferente entre as plantas? É, aliás, neste pressuposto das plantas companheiras que se baseia a jardinagem biológica ou natural. Com efeito, é reconhecido, por jardineiros e botânicos, que certas plantas podem exercer uma influência positiva ou negativa sobre outras plantas vizinhas. Se algumas destas interações se explicam pela presença de toxinas ou de outras substâncias nos tecidos da planta, outras continuam a ser bastante misteriosas, embora estejam comprovadas.

Embora este companheirismo tenha mais de transmissão, experimentação e observação do que de ciência pura e dura, o respeito por este método de cultivo continua acessível e fácil de pôr em prática. As plantas companheiras também têm o mérito de evitar a utilização de adubos e de outros produtos fitossanitários que, embora sejam biológicos, nunca são totalmente inócuos para a fauna e a flora.

Façamos o inventário das principais plantas companheiras que, para além das suas propriedades alelopáticas, trazem uma (bio)diversidade bem-vinda à horta.

Dificuldade

O que são, afinal, as plantas companheiras?

Uma planta alelopática… Admita que o termo é suficientemente pomposo para conferir credibilidade científica ao tema do dia: as plantas companheiras. E, muitas vezes, perante termos um tanto enigmáticos, impõe-se recorrer à etimologia: alelopatia é formada por “allelon”, que significa “um pelo outro”, e “pathos”, que quer dizer “o sofrimento” em grego. Uma planta alelopática é, portanto, uma planta que exerce influência sobre outra graças aos compostos químicos que contém e liberta no seu ambiente próximo. Importa saber que essa influência pode ser benéfica e amplamente positiva, ou então nociva e negativa.

Todas estas plantas alelopáticas contêm compostos químicos diferentes que interagem com as plantas vizinhas. Entre esses compostos químicos encontram-se alcaloides, flavonoides, ácidos fenólicos… segregados nos tecidos da planta, nas raízes ou nas flores, passando pelos caules ou pela folhagem.

Em suma, as plantas companheiras definem-se, portanto, como plantas que exercem influência sobre outras plantas, estabelecendo relações favoráveis ou desfavoráveis com elas. E fazem-no de diferentes formas e com diferentes objetivos.

Plantas companheiras repelentes de pragas

Entre as plantas companheiras, as mais populares entre os jardineiros são, sem dúvida, as que têm o poder de afastar pragas e parasitas de todos os tipos. Estas plantas são aliadas orgulhosas, úteis e muito eficazes dos jardineiros, na medida em que evitam o recurso a inseticidas de todos os tipos e a outros métodos de extermínio, certamente biológicos, mas que podem ter consequências para a fauna e a flora.

Estas plantas companheiras são consideradas repelentes, pois têm o poder de afastar estes insetos indesejáveis. E fazem-no graças aos odores emitidos pela sua folhagem ou pelas suas flores. Outras, como o tagete (Tagetes) ou a calêndula (Calendula), têm poderes ainda maiores. Com efeito, o seu sistema radicular seria nematicida, matando os nemátodos (os nocivos, que não devem ser confundidos com os nemátodos auxiliares úteis no controlo biológico) presentes no solo.

Integrar estas plantas companheiras na horta permitiria, assim, evitar a invasão de determinadas pragas, afastando-as. São muitas as plantas companheiras repelentes que, para além das suas propriedades repelentes, dão um pouco de cor à horta:

  • O tagete e a calêndula são conhecidos por afastarem os pulgões, as moscas-brancas ou aleirodídeos, e as altisas
  • A artemísia (Artemisia), que difunde um odor canforado, afastaria os pulgões e as lagartas de muitas borboletas
  • A arruda (Ruta graveolens), também conhecida como arruda-fétida, mantém muitos insetos a uma distância segura
  • A sálvia, com o seu odor acre, repele as formigas que «criam» pulgões
  • O funcho-bastardo (Anethum graveolens) tem um efeito repelente sobre os pulgões e o coentro (Coriandrum sativum) sobre a mosca-da-cenoura
  • Plantar alho perto das roseiras protegeria estas últimas dos pulgões
  • O manjericão (Ocimum basilicum) afasta as moscas-brancas
  • A hortelã (Mentha) repele as formigas
  • O linho-escarlate (Linum grandiflorum) afastaria os escaravelhos-da-batateira…

Também se poderiam mencionar a alfazema, o alecrim, a segurelha… como plantas companheiras repelentes.

Outras plantas hortícolas estabelecem uma relação de reciprocidade para se protegerem das suas próprias pragas. E a associação mais conhecida neste contexto continua a ser a da cenoura e do alho-francês. Com efeito, o odor forte do alho-francês afasta a mosca-da-cenoura e, em troca, a cenoura afasta a mosca-do-alho-francês!

Outras atuam de forma diferente, atraindo as pragas. São plantas-armadilha que permitem detetar uma infestação e resolvê-la antes de esta se propagar. Entre as plantas companheiras, a capuchinha é a rainha! Com efeito, tem a capacidade de atrair os pulgões, que se vão concentrar nela. Quando estiver coberta de pulgões, não tenha piedade e destrua-a!

Plantas companheiras tonificantes

Algumas plantas companheiras nutrem e melhoram o solo e, por conseguinte, indiretamente, as plantas que nele crescem. É o caso das Fabáceas (antigas leguminosas), como os feijões, as ervilhas, as favas, os grãos-de-bico… mas também os tremoços-de-jardim, que têm a capacidade de captar o azoto atmosférico graças à nodulosidade das suas raízes, devolvendo-o ao solo. Assim, estas Fabáceas fertilizam o solo, uma vez que as plantas deste género botânico podem ser consideradas adubos verdes. Por isso, é aconselhável plantar estas leguminosas junto de plantas exigentes, como o tomate ou as abóboras-gigantes.

Outras plantas companheiras influenciam diretamente o desenvolvimento das plantas vizinhas, estimulando o seu crescimento ou melhorando a sua vegetação. Entre as plantas companheiras que influenciam as plantas vizinhas, estimulando o seu crescimento, podem citar-se:

Plantas companheiras que protegem contra as doenças

Algumas plantas são consideradas plantas companheiras porque têm o poder de proteger as plantas vizinhas contra as doenças mais comuns da horta. É certo que se trata de um facto difícil de provar cientificamente, mas gerações e gerações de jardineiros observam-no ou testam-no diariamente.

Entre estas plantas com superpoderes, não se pode deixar de mencionar o tagete. Mais uma vez o tagete, poderá pensar-se, mas esta pequena planta anual, com flores amarelas ou cor de laranja, possui uma verdadeira força que faz dela uma vizinha de muito boa companhia. As raízes do tagete produziriam, na realidade, toxinas (entre outras, o tiofeno) capazes não só de matar os nemátodos do solo, mas também de destruir os agentes causadores das doenças criptogâmicas.

A outra planta companheira popular entre os jardineiros é o manjericão. Cultivado junto dos tomateiros, protegeria os tomateiros do míldio. Só falta acrescentar a mozzarella e o azeite!

O alho é reconhecido pela sua eficácia contra a doença das manchas negras, que afeta frequentemente as folhas das roseiras.

Noutro registo, o cebolinho também é muito útil. Plantado junto das roseiras, limita a propagação da ferrugem. E, como vantagem adicional, podem aproveitar-se as suas folhas aromáticas.

→ Ler também: O que plantar junto às roseiras?

As plantas companheiras que ajudam na polinização

É também interessante cultivar no meio da horta plantas conhecidas pela capacidade melífera e nectarífera das suas flores. Os insetos irão precipitar-se para as visitar e recolher o néctar, ou mesmo para se alimentarem, e, de flor em flor, contribuirão para a polinização das hortaliças de fruto da horta.

plantas companheiras

A borragem é uma planta com flores muito melíferas

As plantas anuais ou perenes melíferas são bastante numerosas, mas, entre as campeãs, destacam-se o incontornável cravo-de-defunto, a borragem-comum, com bonitas florzinhas azuis, os tremoceiros com longas espigas coloridas, as centáureas, as equináceas, a facélia e o goivo-amarelo Estas plantas floridas terão também o mérito de atrair insetos auxiliares, como os sirfídeos, úteis no controlo biológico das pragas.

→ Ler também: Flores para as abelhas

As plantas companheiras que combatem as plantas invasoras

Neste capítulo, começa-se por abordar… a tagete! Esta planta anual florida reúne, decididamente, muitas qualidades! Plantada na horta, a tagete teria o mérito de limitar a expansão da corriola e da grama, dois inimigos declarados do jardineiro.

Para conhecer outras plantas companheiras com propriedades de monda, remete-se para o excelente artigo da Sophie: Herbicida natural: descubra as plantas alelopáticas! 

 

Resumo das plantas companheiras mais conhecidas

Não hesite em plantar na sua horta:

  • O absinto, associado a todos os legumes, para afastar os ácaros
  • O alho, que afasta todos os insetos, protege os morangueiros das doenças criptogâmicas e a roseira da doença das manchas negras (não plantar junto das couves, dos alhos-franceses e das Fabaceae)
  • O endro afasta os pulgões
  • A artemísia repele numerosos insetos (não plantar junto dos funchos, das batatas-inglesas e da sálvia)
  • O manjericão afasta os escaravelhos-da-batata e a mosca-branca, repele a mosca-da-couve e fortalece os tomateiros
  • A borragem favorece a produção de morangos e atrai os polinizadores
  • A camomila estimula o crescimento das plantas companheiras
  • O cebolinho limita a propagação da ferrugem
  • A consolda fornece minerais ao solo
  • A alfazema afasta os pulgões
  • O linho-escarlate repele os escaravelhos-da-batata
  • A erva-cidreira é melífera e afasta os ácaros
  • A hortelã repele as altisas, a mosca-da-couve e os pulgões
  • O miosótis afasta os vermes do framboeseiro
  • O tagete é a melhor planta companheira que existe!
  • O alecrim afasta a mosca-da-couve
  • A segurelha repele os pulgões-pretos e atrai as abelhas
  • A sálvia afasta a mosca-da-cenoura e a mosca-da-couve, a borboleta-da-couve, os escaravelhos-da-batata e as formigas
  • A calêndula é um poderoso repelente contra muitos insetos

Os legumes também podem associar-se entre si e tornar-se plantas companheiras eficazes. Fala-se, então, de associação de culturas (que inclui, naturalmente, as flores e as plantas aromáticas). Ingrid B. explica tudo no seu texto: A associação de culturas na horta: porquê, como? Vantagens e exemplos.

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