Resumo
Ovais, globosos, translúcidos… os frutos da groselheira-espinhosa (Ribes uva-crispa) são fáceis de reconhecer. Com um diâmetro de 1 a 3 cm, consoante as variedades, as groselhas-espinhosas apresentam um sabor mais ou menos suave, doce ou ácido. E, se se perguntar por que razão este pequeno fruto tem este nome, deve-se simplesmente ao facto de os ingleses gostarem de preparar com ele um molho agridoce que combinava bem com o peixe, especialmente com a cavala. Em França, também lhe atribuem outros nomes igualmente caricatos e sugestivos: «uva frisada», «come-piolhos», «rameira» ou ainda outros nomes populares pitorescos! Talvez seja por causa destes nomes pouco apelativos que a groselheira-espinhosa é menos cultivada do que a groselheira-de-cachos. Ainda assim, apresenta inúmeras vantagens, tanto na cozinha como na horta.
A groselheira-espinhosa forma, de facto, um belo arbusto vigoroso e bem ramificado, que raramente ultrapassa 1,50 m de altura e 75 cm de largura. Apresenta uma folhagem caduca, dentada e pubescente, bem como flores primaveris branco-esverdeadas muito discretas. Muito rústica (resiste a temperaturas inferiores a – 20 °C), a groselheira-espinhosa cultiva-se em plena terra ou em vaso, de preferência à meia-sombra, num solo fresco a húmido.
Para ajudar na escolha entre as múltiplas variedades de groselheira-espinhosa, descubra a nossa seleção, elaborada segundo diferentes critérios de sabor, cultivo, produtividade…
Consoante a cor das groselhas-espinhosas
Os frutos da groselheira-espinhosa distinguem-se facilmente das groselhas em cachos. Antes de mais, pela forma como crescem! Com efeito, as groselhas em cachos desenvolvem-se em cachos, enquanto as groselhas-espinhosas são produzidas diretamente nos caules, mais ou menos espinhosos consoante as variedades. As groselhas-espinhosas são, portanto, frutos solitários, que se colhem um a um, consoante o seu grau de maturação. Já as outras groselhas colhem-se em cachos inteiros.
As groselhas-espinhosas distinguem-se também pelo tamanho dos seus frutos, muito maiores e translúcidos. Podem apresentar diferentes cores consoante a variedade. Além disso, são ricos em vitaminas A, B e C e em sais minerais (cálcio, ferro, potássio e fósforo) e são pouco calóricos.
As groselhas-espinhosas verde-amareladas
Algumas variedades de groselheiras-espinhosas produzem frutos cuja cor varia entre o verde e o amarelo, com mais ou menos pelos. Quanto à polpa, é geralmente amarelada. Assim, a variedade ‘Lady Sun’ produz frutos amarelo-escuros, muito sumarentos. Como o nome deixa supor, a variedade ‘Golden Drop’ oferece frutos mais amarelos do que verdes. Apresentam mesmo uma tonalidade amarela e ácida, e são ligeiramente aveludados.
A groselheira-espinhosa ‘Hinnonmaki vert’ é muito interessante pelos seus frutos amplamente tingidos de verde muito claro, com polpa muito clara. Em contrapartida, os frutos da variedade ‘Lady Delameen’ são de um verde muito translúcido e, sobretudo, de grande calibre.

As groselheiras-espinhosas apresentam frutos verde-amarelados, vermelhos ou cor-de-rosa
A variedade ‘Invicta’ oferece frutos de um amarelo-esverdeado muito claro, que parece quase branco. Em contrapartida, são firmes e sumarentos.
As groselhas-espinhosas vermelhas
Algumas variedades de groselheiras-espinhosas produzem bonitas bagas de um vermelho muito escuro. ‘Captivator’ produz frutos vermelho-bordeaux logo no primeiro ano, com polpa sumarenta, firme e bem aromática. A groselheira-espinhosa ‘Hinnonmaki Rouge’ oferece, por sua vez, frutos arredondados de grande calibre, com epiderme vermelho-escura e polpa amarela. Os frutos de ‘Freedonia’ apresentam um vermelho vínico muito característico, tal como os de ‘Winham’s Industry’.
As bagas da variedade ‘Worcesterberry’ também são vermelhas, mas de uma tonalidade muito mais clara.
As groselhas-espinhosas cor-de-rosa
Os frutos da variedade ‘Pixwell’ são verde-claros no início, tornando-se depois avermelhados a cor-de-rosa arroxeados quando amadurecem. Ao adquirirem a sua cor quase de ameixa, estes frutos tornam-se também mais doces.
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Groselheira: plantar, podar e cuidarConsoante o sabor das bagas
As groselhas-espinhosas são frutos muito saborosos pelo seu sabor frutado e equilibrado, simultaneamente doce e ácido. Porém, a acidez é mais acentuada em algumas variedades, enquanto outras apresentam um sabor muito mais suave. Assim, a variedade ‘Freedonia’ é reconhecida pelo seu sabor muito frutado, simultaneamente suave e doce, e bem equilibrado. O mesmo acontece com a ‘Golden Drop’, cujos frutos são suaves e doces. A ‘Captivator’ apresenta as mesmas características em termos de sabor: as suas groselhas-espinhosas são bem equilibradas, talvez um pouco mais ácidas do que doces.

As groselhas-espinhosas da variedade ‘Golden Drop’ são especialmente suaves e doces
Mais ácidos são os frutos da variedade ‘Lady Sun’, tal como os de ‘Lady Delameen’. Ainda assim, o açúcar é perfeitamente percetível durante a degustação. As groselhas-espinhosas da variedade ‘Winham’s Industry’ apresentam um elevado teor de açúcar, mas têm um sabor muito ligeiramente ácido.
Por outro lado, nos frutos grandes de ‘Worcesterberry’, é a acidez que predomina, mas de forma delicada e subtil, fazendo vibrar as papilas gustativas. Além disso, são muito aromáticos.
Recorde-se que os frutos surgem nos ramos principais com 2 a 3 anos, que se recomenda reduzir em dois terços para favorecer e desenvolver a ramificação. Em contrapartida, os caules antigos, mortos ou secos, cortam-se rente ao solo.
Consoante a produtividade
Consoante as variedades, a colheita das groselhas-espinhosas ocorre em julho-agosto e prolonga-se por cerca de um mês. Os frutos são colhidos à medida que amadurecem, um a um. Em média, uma planta adulta produz entre 1,5 e 3 kg de frutos por ano. As groselheiras-espinhosas são também autoférteis, ou seja, a polinização não requer a presença de várias plantas. Trata-se, por isso, de uma pequena fruteira muito interessante para plantar na horta, que beneficia de uma longevidade de cerca de 12 a 15 anos.
Entre as diferentes variedades, algumas são reconhecidas pela sua excelente produtividade. É o caso de ‘Invicta’, que produz, a partir de julho, frutos grandes e ovóides, de polpa amarela, simultaneamente sumarentos e aromáticos. Com esta variedade, fica garantida uma colheita abundante, da ordem dos 3 a 5 kg por planta. É também uma groselheira muito resistente às doenças frequentes que afetam esta espécie de fruteiras, nomeadamente o oídio e as manchas foliares. O seu único pequeno defeito, que torna a colheita um pouco difícil, reside no facto de ser muito espinhosa. É indispensável usar luvas para colher os frutos.
‘Freedonia’ afirma-se também como uma das variedades mais produtivas. Menos precoce do que ‘Invicta’, esta variedade produz, a partir de agosto, frutos bem redondos, com pele vermelho-rosada e polpa rosa translúcida, aromáticos e bem equilibrados entre os sabores doces e acidulados. Como vantagem adicional, esta variedade é praticamente desprovida de espinhos, o que facilita bastante a colheita.
Quanto a ‘Pixwell’, um cultivar de origem americana, também se destaca pela sua elevada produtividade. Consoante as condições de cultivo, a colheita pode atingir 6 kg por planta, com frutos de tamanho médio, de polpa doce e pele acidulada, que passam do verde ao roxo-rosado à medida que amadurecem. O ideal, com esta variedade, é colher os frutos precisamente entre as fases verde e vermelha.
Consoante a facilidade de colheita
Com as groselheiras-espinhosas, a colheita pode parecer fácil devido ao tamanho dos arbustos. Com efeito, este pequeno arbusto ramificado, de hábito rígido, ereto ou ligeiramente curvado, e com folhagem caduca, de cor verde média e pubescente, mede entre 80 cm e 1,50 m, apresentando uma largura quase idêntica. Por isso, não é necessário utilizar um escadote ou uma escada para colher groselhas-espinhosas. Este arbusto encontra também o seu lugar numa sebe fruteira com framboeseiros ou groselheiras-pretas.

Os espinhos tornam dolorosa a colheita das groselhas-espinhosas
A maior dificuldade da colheita das groselheiras-espinhosas reside nos espinhos. Com efeito, este arbusto, dotado de ramos delgados, apresenta espinhos com três pontas nos seus caules, muito aguçados. A presença destes espinhos muito afiados pode tornar a colheita demorada e incómoda. No entanto, algumas variedades hortícolas são conhecidas pela ausência de espinhos. É o caso de ‘Captivator’, uma das raras variedades sem espinhos, com frutos de um vermelho-granada bastante escuro e sabor ácido.
Outra variedade torna a colheita menos dolorosa: ‘Lady Sun’. Embora tenha espinhos, esta variedade apresenta nitidamente menos do que as outras. Outra variedade distingue-se por praticamente não ter espinhos: ‘Freedonia’, uma variedade tardia que produz groselhas bem redondas, de pele rosada e ligeiramente aveludada.
Para facilitar o cultivo das groselheiras-espinhosas, também é possível conduzi-las em espaldeira. Olivier explica como proceder num vídeo curto, filmado com Patrick Chantry.

A variedade ‘Captivator’ não tem espinhos
Consoante a sua resistência às doenças
A groselheira-espinhosa pode revelar-se sensível a algumas doenças bastante comuns, de origem criptogâmica. Entre as doenças mais comuns, destaca-se o oídio, reconhecível pelas manchas brancas e pulverulentas nas folhas, nos rebentos jovens e nas bagas. A doença das manchas foliares também é bastante frequente nas groselheiras, sobretudo nas groselheiras-espinhosas. Manifesta-se através de manchas que aparecem e aumentam na folhagem a partir de junho. Cada mancha apresenta uma zona central de cor clara, com uma bordadura castanha. As folhas amarelecem e caem.

As variedades ‘Hinnonmaki vermelho’ e ‘ Hinnonmaki verde’ revelam-se resistentes ao oídio
Os obtentores desenvolveram variedades vigorosas, muito mais resistentes a estas doenças criptogâmicas. As variedades ‘Hinnonmaki vermelho’ e ‘Hinnonmaki verde’ são reconhecidas pela sua grande robustez, tal como ‘Worcesterberry’ e ‘Freedonia’.
→ Saiba mais em: As doenças e pragas das groselheiras.
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