Resumo

Modificado em 7 de janeiro de 2026  por Olivier 7 min.

Os carvalhos são gigantes entre as árvores, simbolizando a força e a longevidade. No entanto, mesmo estes colossos da natureza não estão imunes aos ataques de diversas doenças e pragas. O impacto destes problemas pode ir de ligeiros danos estéticos a ameaças sérias para a saúde e a sobrevivência dos carvalhos. Do oídio à murchidão, passando pelas lagartas desfolhadoras e pelos ácaros, uma multiplicidade de problemas pode ameaçar a sua saúde.

Descubra nesta ficha de aconselhamento os sintomas destas doenças e ataques de pragas e, sobretudo, as medidas que pode tomar para os prevenir, controlar e favorecer a saúde dos seus carvalhos nos próximos anos.

Dificuldade

O oídio do carvalho

O oídio é uma doença fúngica que afeta uma grande variedade de plantas, entre as quais os carvalhos. É causado por várias espécies de fungos da família Erysiphales. O oídio manifesta-se geralmente através de um pó branco ou cinzento nas folhas e nos caules da árvore. Este “pó” branco-acinzentado é, na realidade, uma acumulação de esporos fúngicos. À medida que a doença progride, as folhas podem perder a cor, retorcer-se, murchar e, por fim, cair da árvore.

O oídio é habitualmente propagado pelo vento, que transporta os esporos do fungo de uma planta para outra. As condições quentes e secas favorecem a propagação do oídio, embora o fungo possa sobreviver numa grande variedade de condições.

Doenças e pragas dos carvalhos, fungo do carvalho

Tratamento e prevenção

Existem várias formas de tratar o oídio no carvalho. Os ramos e as folhas infetados podem ser retirados e eliminados para impedir a propagação do fungo. Existem fungicidas específicos que podem ser aplicados para controlar o oídio. No entanto, a vida da árvore não está verdadeiramente em perigo e o crescimento é pouco afetado. O oídio é sobretudo inestético, por isso, não trate, mas privilegie uma boa circulação do ar em redor das suas árvores.

Para prevenir o aparecimento do oídio, é importante vigiar regularmente os seus carvalhos, de modo a detetar qualquer sinal de infeção. Uma boa manutenção geral da árvore, como uma poda para assegurar uma boa circulação do ar, pode também ajudar a prevenir a doença. É de salientar que também existem variedades de carvalhos resistentes ao oídio que poderá ponderar plantar, como o carvalho-vermelho ou os carvalhos de folhagem persistente em geral (a azinheira, por exemplo).

→ Descubra nesta ficha-conselho tudo o que precisa de saber sobre o oídio.

Doença da tinta do carvalho

A doença da tinta, também conhecida como podridão das raízes, é uma doença fúngica grave que afeta uma variedade de árvores, incluindo os carvalhos. É causada principalmente por fungos do género Phytophthora, em particular Phytophthora cinnamomi, Phytophthora cambivora e Phytophthora quercina. A doença da tinta afeta sobretudo o carvalho-vermelho, a azinheira e o sobreiro.

A doença da tinta manifesta-se primeiro pelo amarelecimento e pela murchidão das folhas. A árvore pode também apresentar um crescimento reduzido e uma queda prematura das folhas. À medida que a doença progride, a árvore pode começar a perder os seus ramos e a apresentar sinais de declínio geral. Debaixo do solo, as raízes da árvore podem apresentar sinais de podridão e, em casos graves, podem tornar-se negras e parecer-se com tinta, daí o nome da doença.

Tratamento e prevenção

Os esporos do fungo responsável pela doença da tinta podem ser disseminados pela água, sobretudo em solos mal drenados. Os fungos Phytophthora preferem solos húmidos, o que significa que as árvores nestas condições estão particularmente em risco. A melhor forma de prevenir a doença da tinta consiste em assegurar uma boa gestão do solo, nomeadamente evitando os solos mal drenados e garantindo uma boa rega. Além disso, é importante vigiar regularmente as árvores para detetar sinais da doença.

Não existe uma cura definitiva para a doença da tinta depois de uma árvore ser infetada. As árvores gravemente afetadas devem geralmente ser abatidas para prevenir a propagação da doença.

A murchidão americana do carvalho

A doença da murchidão do carvalho é uma doença fúngica grave que afeta os carvalhos, em particular os carvalhos-vermelhos e outras espécies de carvalho americano. É causada pelo fungo Bretziella fagacearum (anteriormente conhecido pelo nome de Ceratocystis fagacearum). Na Europa, embora os exemplares afetados por esta doença ainda sejam relativamente raros, as autoridades competentes em matéria de gestão florestal levam o assunto muito a sério e mantêm uma vigilância para evitar a propagação desta doença, originária do continente norte-americano, nas nossas florestas.

A murchidão do carvalho caracteriza-se por uma murchidão progressiva e pelo amarelecimento ou acastanhamento das folhas, que começa frequentemente no topo da árvore ou na extremidade dos ramos e se propaga para baixo. As folhas podem também apresentar margens castanhas ou zonas mortas entre as nervuras. Em casos avançados, as folhas podem cair prematuramente, mas permanecem muitas vezes presas à árvore mesmo depois de morrerem. Se a casca da árvore for removida, podem observar-se por vezes estrias ou manchas escuras na madeira. O fungo causador da murchidão do carvalho pode propagar-se de várias formas. É frequentemente transportado por insetos coleópteros, entre nós sobretudo pelo escolítido intricado, que se alimenta da madeira de árvores infetadas e transporta depois os esporos fúngicos para outras árvores. O fungo pode também propagar-se através das raízes, de uma árvore infetada para outra árvore saudável.

Doenças e pragas dos carvalhos, fungo do carvalho

Tratamento e prevenção

A melhor forma de prevenir a murchidão do carvalho consiste em vigiar regularmente as árvores para detetar sinais da doença e evitar práticas que possam favorecer a propagação do fungo, como a poda durante os meses de maior atividade dos coleópteros. Recomenda-se também destruir a madeira das árvores infetadas para evitar a propagação da doença. Não existe tratamento curativo para a murchidão do carvalho. As árvores gravemente infetadas devem geralmente ser abatidas para evitar a propagação da doença. Em alguns casos, pode proteger as árvores vizinhas cortando as raízes para interromper a propagação do fungo.

O cancro colorido do carvalho

O cancro colorido, também conhecido como doença do carvalho castanho, é uma doença fúngica mortal que afeta os carvalhos e outras espécies de árvores. É causado por várias espécies de fungos, nomeadamente Ceratocystis fagacearum na América do Norte e Ceratocystis platani na Europa. O primeiro sinal do cancro colorido é geralmente o aparecimento de cancros ou feridas na casca da árvore. Estes cancros podem alastrar em círculos concêntricos e produzir uma descoloração que vai do castanho ao preto. À medida que a doença progride, a árvore pode apresentar sinais de murchidão, queda das folhas e declínio geral. Se a casca for removida à volta das zonas infetadas, podem observar-se estrias acastanhadas ou arroxeadas na madeira. Os esporos dos fungos podem ser transportados pelo vento ou pela água, ou ser transferidos de uma árvore para outra por insetos. O fungo também pode ser transmitido através de ferramentas de poda contaminadas.

Tratamento e prevenção

A prevenção do cancro colorido consiste principalmente em vigiar regularmente as árvores para detetar sinais da doença e garantir uma boa higiene da poda. É igualmente importante evitar o stress das árvores, como a seca ou os ferimentos, que podem torná-las mais vulneráveis à infeção.

Não existe tratamento curativo para o cancro colorido. As árvores gravemente infetadas devem geralmente ser abatidas para evitar a propagação da doença.

A podridão radicular

A podridão radicular, também conhecida como podridão das raízes, é uma doença fúngica, frequentemente causada por diversas espécies de fungos do género Armillaria, entre as quais a armilária-cor-de-mel.

Os sintomas da podridão radicular podem variar, mas incluem um enfraquecimento progressivo da árvore, a queda prematura das folhas, um crescimento reduzido e, em casos graves, a morte da árvore. Debaixo do solo, as raízes da árvore podem apresentar sinais de podridão e, por vezes, é possível observar estruturas fúngicas chamadas rizomorfos, que se assemelham a fios negros. Em alguns casos, também podem ser observados aglomerados de fungos na base da árvore.

Importa notar que os fungos do género Armillaria se propagam sobretudo através dos seus rizomorfos, que podem crescer pelo solo e infetar as raízes de outras árvores. No entanto, este fungo também pode sobreviver na madeira morta, o que significa que a doença pode propagar-se a partir de cepos de árvores mortas ou de lenha infetada.

Tratamento e prevenção

A melhor forma de prevenir a podridão radicular consiste em manter as árvores saudáveis, pois as árvores sujeitas a stress ou enfraquecidas são mais suscetíveis à infeção. Isto pode incluir uma rega adequada, a fertilização, a poda e a melhoria da drenagem do solo. Além disso, é importante eliminar a madeira morta ou infetada, que pode alojar o fungo.

Não existe uma cura definitiva para a podridão radicular. O tratamento consiste geralmente em abater e eliminar as árvores infetadas, de modo a evitar a propagação da doença.

As lagartas processionárias do carvalho

A lagarta processionária do carvalho (Thaumetopoea processionea) é uma espécie de borboleta cuja larva (a lagarta) é considerada uma praga importante dos carvalhos, mas também de outras espécies arbóreas, em muitas regiões da Europa. As lagartas processionárias são facilmente reconhecíveis pelo seu comportamento distinto de se deslocarem em «procissão», umas atrás das outras, daí o seu nome. Apresentam uma cor acinzentada e estão cobertas de longos pelos urticantes.

As lagartas processionárias do carvalho alimentam-se das folhas dos carvalhos, o que pode enfraquecer a árvore e, em casos extremos, provocar a sua morte. As infestações graves podem desfolhar completamente uma árvore.

Doenças e pragas dos carvalhos, fungo do carvalho

Tratamento e prevenção

Existem vários métodos para controlar as lagartas processionárias do carvalho. Estes podem incluir a remoção e destruição dos ninhos de lagartas, a utilização de armadilhas de feromonas para capturar as borboletas adultas, ou a aplicação de tratamentos biológicos ou químicos.

Atenção! As lagartas processionárias do carvalho representam também um risco para a saúde humana e animal. Os pelos urticantes das lagartas podem ser libertados no ar e causar irritações da pele, dos olhos e das vias respiratórias nas pessoas e nos animais que entrem em contacto com estes pelos. Todo o cuidado é pouco!

As outras lagartas desfolhadoras dos carvalhos

Outras lagartas também podem atacar a folhagem dos carvalhos, sem causar grandes danos no final. Além disso, as aves tratarão rapidamente de regular um pouco a «invasão» nas suas árvores. As lagartas de borboletas que se alimentam das folhas dos carvalhos são principalmente: a lagarta-do-carvalho (Lasiocampa quercus), a tortrix-verde-do-carvalho (Tortrix viridana) e a lagarta-cigana ou lagarta-dispar (Lymantria dispar).

A galha do carvalho

A galha do carvalho (em francês, escreve-se com dois «l») não é, propriamente falando, uma doença. Trata-se de uma reação da planta causada por minúsculos ácaros da família Eriophyidae. Estes ácaros infiltram-se nos tecidos da árvore e provocam deformações chamadas «galhas». Estas galhas podem assumir muitas formas diferentes, desde pequenas saliências arredondadas até excrescências complexas e ramificadas. Podem apresentar cores diferentes, frequentemente verdes ou vermelhas no início, tornando-se depois castanhas com o tempo. As galhas aparecem geralmente nas folhas, mas também podem formar-se nos gomos, nos ramos e, por vezes, até nas raízes.

As galhas do carvalho representam mais uma preocupação estética (embora…) do que um verdadeiro perigo para a saúde da árvore. Os carvalhos conseguem tolerar sem problemas uma certa quantidade de galhas, sem sofrer danos significativos. No entanto, em casos muito raros de infestação grave, a árvore pode perder uma grande parte das suas folhas, o que pode enfraquecê-la e torná-la mais vulnerável a outras situações de stress.

→ Para saber mais sobre as galhas em geral, leia: Galhas nas plantas: o que são?

Doenças e pragas dos carvalhos, fungo do carvalho

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