Folhagens: zoom sobre as formas de folhas mais frequentes

Folhagens: zoom sobre as formas de folhas mais frequentes

Saber reconhecê-las para melhor as integrar no jardim

Resumo

Modificado em 19 de março de 2026  por Gwenaëlle 8 min.

O mundo vegetal oferece-nos uma quantidade incrível de formas na folhagem, tornando cada árvore, arbusto, gramínea ou pequena planta perene única e facilmente reconhecível.
Inicialmente classificadas de acordo com a sua posição no caule, em folhas opostas ou alternas, as folhas apresentam limbos ovais, redondos ou mais ou menos recortados, palmados e, por vezes, até perfeitamente cilíndricos, como acontece, por exemplo, com os nenúfares. Tal como acontece com as formas das flores, o dicionário botânico dedica-lhes um vocabulário rico e muito específico, que vale a pena descobrir neste artigo inteiramente dedicado às folhas!

diferentes formas de folhas

Fazer um herbário é entrar no maravilhoso mundo das folhas, todas tão diferentes!

Dificuldade

Reconhecer uma folha

Reconhece-se uma espécie vegetal pela forma que a sua folhagem assume, sendo frequentemente esta que nos chama a atenção. No entanto, as folhas que a compõem integram uma complexidade anatómica muito mais ampla.
Neste artigo, abordaremos apenas a forma do limbo, isto é, da parte dominante, plana e larga, embora as folhas apresentem, na realidade, outras características próprias de cada espécie, que permitem aperfeiçoar a sua identificação ou reconhecer determinadas espécies ou variedades, entre as quais:

  • o facto de serem simples (com um único limbo, como a folha do lilás) ou compostas (formadas por vários folíolos, pinados ou por vezes bipenados, como a folha da acácia): esta é a primeira chave de identificação em botânica.
  • a sua posição no caule e entre si, oposta (as folhas enfrentam-se, com duas folhas em cada nó) ou alterna (uma única folha em cada nó), para referir apenas as duas mais comuns: fala-se então de filotaxia, a segunda chave de identificação.
  • o seu modo de inserção no caule, que permite aperfeiçoar o reconhecimento: inserção geralmente peciolada, mas também invaginante, perfoliada, séssil (sem pecíolo) e muitas outras…
  • a forma das suas margens: os contornos ou bordaduras podem ser inteiros, dentados, incisados, ondulados, denteados, espinhosos, sinuados, ciliados, etc.
  • a sua nervação, ou seja, a forma e a posição das suas nervuras (a botânica emprega cerca de quinze qualificativos surpreendentes, como campilódroma, paralelódroma, para nervuras paralelas, palinactinódroma, etc.)
  • a sua cor, do verde ao bronze e ao azul, passando pelo púrpura, vermelho ou preto.
  • mas também a sua dimensão, o comprimento do pecíolo e a sua textura glabra ou pubescente, etc.

A forma, por sua vez, que nos interessa neste tema, fornece-nos geralmente uma indicação sobre a espécie de uma planta. Constitui um marcador importante na morfologia vegetal e na classificação das espécies. Encontra-se frequentemente a meio caminho entre duas formas, consoante a espécie ou o grau de desenvolvimento da folha (folhas basais ou superiores). Analisamo-las de seguida.

As folhas ovais

Só ao nível da morfologia das folhas, contam-se cerca de quarenta formas, com outros tantos qualificativos, o que demonstra bem a diversidade do mundo vegetal! E, entre estas, muitas são semelhantes e várias apresentam nuances subtis.
Sem as citar todas aqui, agrupei as formas das folhas por grandes “famílias” e escolhi as mais clássicas ou fáceis de identificar, para facilitar a compreensão deste vasto universo foliar. Comecemos pelas folhas ovais mais comuns, entre as quais se distinguem:

As folhas ovais

Folhas com forma oval, mais largas a meio. Um grande número de folhas pode simplesmente ser qualificado como oval.

Alguns exemplos: azevinho (com margem dentada), magnólia-de-soulange, Malus sp. (macieiras), borracheira.

exemplos de folhagens ovais

Azevinho, macieira e borracheira

As folhas elípticas

Trata-se de uma variante elegante das folhas ovais, cuja forma se torna graciosamente mais estreita. Estas folhas, com forma de elipse, mais largas a meio e afiladas nas duas extremidades, evocam uma elipse perfeita. O termo “elíptico” vem do grego “elleipsis”, que significa elipse.

Alguns exemplos: o folhado (oval), mas também o jasmim-dos-poetas, afilado na ponta, a aspidistra, o Feijoa, entre outros.

folhagens lanceoladas

Folhado, aspidistra e jasmim-dos-poetas

As folhas oblongas

Estas folhas são alongadas, quase paralelas nas margens. A sua forma oblonga, mais comprida do que larga, é um grande clássico entre as folhas!

Alguns exemplos: prímula-dos-jardins, Sophora japonica, aspidistra (entre elíptica e oblonga).

As folhas obovais

Trata-se de uma folha oval em forma de ovo, mas invertida, com uma base mais estreita e um ápice mais largo, generosamente arredondado.

Alguns exemplos: magnólia, bergénia, Peperomia obtusifolia.

As folhas lanceoladas

Com forma de lança ou de espada, estas folhas, pontiagudas nas duas extremidades, conferem dinamismo ao limbo. A base é ligeiramente mais larga do que o ápice. Encontram-se em algumas plantas bolbosas, em numerosas plantas perenes e também em arbustos.

Alguns exemplos: oliveira, eleagno, piracanta, nogueira, Sansevieria, iúca, montbrécia; muitas fetos, como os Dryopteris ou os Matteucia, também são descritos como lanceolados.

folhagem lanceolada

Hesperis matronalis, Dryopteris e Cotoneaster

As folhas espatuladas

São geralmente alongadas e ovais, mas arredondadas no ápice (parte superior do limbo) e progressivamente mais estreitas na base, até ao pecíolo. Estas folhas lembram a forma de uma espátula (também se utiliza o termo espatuliforme). Esta pode ser apenas a forma juvenil da folha.

Alguns exemplos : búgula, Corokia.

As folhas redondas

São folhas de forma mais ou menos circular, que recebem qualificativos precisos:

As folhas orbiculares

É o termo botânico utilizado para designar folhas quase perfeitamente circulares. A sua forma orbicular provém do latim “orbis”, que significa círculo ou esfera. Estas folhas são únicas e um modelo de perfeição no mundo vegetal. São frequentemente peltadas (peltata), ou seja, o pecíolo está ligado ao centro da face inferior do limbo, e não à sua base, como acontece com a maioria das folhas. Por vezes, aproximam-se das folhas cordiformes.

Alguns exemplos: umbigo-de-vénus (Umbilicus rupestris), ásaro ou pilea.

exemplo de folha orbicular

Umbilicus rupestris, Asarum europaeum e Pilea peperomioides

As folhas circulares

São completamente redondas! Como os nenúfares, o lótus (Nelumbo nucifera) ou a capuchinha. As suas margens são por vezes onduladas, como acontece com a capuchinha, dentadas a denteadas no Darmera peltata e na Saxifraga stolonifera, ou em forma de pá, como acontece com o nenúfar-gigante-da-amazónia.

exemplos de folhagens circulares

Capuchinha, lótus e Victoria amazonica

As folhas reniformes

Literalmente, em forma de rim (do latim reniformis), estas folhas conferem um toque de originalidade com os seus contornos arredondados e a sua reentrância característica. Reconhece-se o seu limbo por esta forma surpreendente, semelhante a um assento de trator.

Exemplos: a planta-leopardo, o petasite e o ásaro.

exemplo de folhagem reniforme

Petasites, Asarum e Farfugium

As folhas em forma de coração ou cordiformes

Também é uma subcategoria das folhas redondas, com esta pequena diferença que lhe confere encanto. Aqui, a base da folha, ligada ao pecíolo por dois lóbulos arredondados, e a forma pontiaguda da parte superior da folha dão o nome a estas folhas, lembrando a forma de um coração. «Cordata» vem, de facto, do latim «cor, cordis», que significa coração. Encontra-se esta designação em numerosas espécies, como o Tilia cordata.

Alguns exemplos bem conhecidos: Cercis sp., planta-camaleão (Houttuynia cordata), hostas, taro (Colocasia), algumas violetas, Tilia cordata, Alnus cordata, Cercidiphyllum ou árvore-do-caramelo, ipomeia, cobeia, o coração-de-maria, mais conhecido pelo nome Dicentra, catalpa, jibóia e filodendro (Epipremnum) entre as plantas de interior… Nota: a folha do lilás tem a base cordiforme, mas faz parte das folhas ovais, embora seja afilada na extremidade.

folhagens em forma de coração

Jibóia, olaia (Cercis canadensis) e Houttuynia cordata

folhas triangulares

Estas folhas têm forma triangular, como o nome indica. Encontram-se principalmente em alguns choupos e nas bétulas e em algumas heras (forma jovem da folha, ainda não lobada), mas também no Kalanchoe de Grémont.

Nota: as folhas ditas cuneiformes também fazem parte destas folhas triangulares, embora sejam muito menos frequentes.

folhagens triangulares

Populus nigra, Hedera e Betula

As folhas estreitas e as folhas finas

São folhagens mais ou menos afiladas, muito mais compridas do que largas, ou até com as duas margens paralelas, que recebem diferentes designações:

As folhas subuladas (subulata)

Estas folhas são muito estreitas e pontiagudas, mais ou menos compridas, em forma de agulha. A sua forma subulada, do latim “subula”, que significa agulha, é um dos muitos exemplos da delicadeza que se encontra na natureza. O qualificativo subulata também se encontra em algumas espécies de Phlox, de musgo da Irlanda, etc.

definição de folhagem subulada

Sagina subulata (©Forest and Kim Starr) e Phlox subulata ‘Atropurpurea’

As folhas lineares

São compridas e estreitas, com margens paralelas. A sua forma simples e depurada é um dos elementos do jardim contemporâneo.

Exemplos: as dos bambus, como os Fargesia, dos Carex (que se aproximam de uma forma graminiforme), das liátrises (pena roxa) ou da fiteira.

exemplos de folhas estreitas

Fargesia nitida, Carex oshimensis e Cordyline australis

As folhas lanceoladas

Estas folhas são muito finas, em forma de lança, e estreitam-se nas duas extremidades.  Encontram-se, por exemplo, em espécies de jardins mediterrânicos e em plantas que se adaptaram a climas secos, reduzindo a sua superfície foliar. Muitas árvores ou arbustos apresentam folhas a meio caminho entre a forma lanceolada e a oblonga, como a azinheira.

Alguns exemplos: muitos salgueiros (vimeiro, salgueiro tortuoso, salgueiro-chorão), a oliveira, a azinheira, o castanheiro-comum, mas também as persicárias, etc.

exemplo de folhagem lanceolada

Oliveira, salgueiro tortuoso e castanheiro

As folhas em forma de fita

O limbo foliar apresenta aqui a forma de uma fita, comprida e plana, por vezes muito flexível. São as folhas típicas do clívia, do agapanto, de algumas íris, etc. É comum falar-se de folhas em forma de espada ou ensiformes nas íris ou nas montbrécias, também assimiladas a folhas lanceoladas.

As folhas aciculares

Em forma de agulha e rígidas, estas folhas são típicas das coníferas. O seu nome, derivado do latim “acus”, que significa agulha, reflete a sua forma fina, terminada numa ponta.

Exemplos: Pinus sp., Picea sp., zimbro, Larix, etc.

definição de folhagem acicular

Juniperus, Cedrus deodara e Pinus sylvestris

As folhas palmadas

As folhas palmatilobadas e palmilobadas

Estas folhas são uma subcategoria das folhas lobadas, que não se aborda aqui na totalidade devido à sua complexidade. Com lobos ou segmentos que irradiam a partir de um ponto central e cuja nervação é palmada, lembram a forma de uma mão aberta. Os lobos ultrapassam metade da folha. São simultaneamente penadas e lobadas. Podem apresentar de 3 a 5 lobos principais, ou até uma dezena, e por vezes muitos mais no caso das palmeiras com folhagem palmada. O seu nome deriva do latim “palma”, que significa palma da mão. Fala-se de folhas digitadas quando a folha lembra dedos formados pelos cinco lobos.

Encontram-se algumas diferenças nas folhas designadas palmatífidas, como as do Tetrapanax: as divisões são menos profundas e atingem apenas metade da folha.

Exemplos: bordos (Acer sp.), liquidâmbar, plátano, hepática (perene), Fatsia japonica, Schefflera taiwaniana, sinos-de-coral, mas também o mata-lobos, cujos lobos são particularmente profundos e estreitos, como os de alguns bordos do Japão.

exemplos de folhas palmadas

Bordo, Fatsia japonica e mata-lobos

Folhas originais

São menos comuns, mas atípicas e distintas, sendo por vezes as únicas representantes de um género ou de uma espécie!

— As folhas labeladas ou flabeliformes: isto é, em forma de leque, como as folhas, únicas, do Ginkgo.
— As folhas truncadas, como a folha singular do tulipeiro (tulipeiro-da-Virgínia), também qualificada de quadrilobada.

— As folhas romboidais, do grego rhombos, que significa pião, têm uma forma losangular. Também se fala de folhas losângicas, como no choupo da Itália.
— As folhas sagitadas: o limbo da folha assume a forma de uma seta em certas plantas tropicais ou aquáticas, entre outras, como o inhame (taro), a sagitária (Sagittaria sagittifolia), o Xanthosoma sagittifolium, o Caladium, o singônio ou o Arum italicum. Explicam-se todas as diferenças para distinguir corretamente a orelha-de-elefante e o taro: como reconhecê-los?

— As folhas hastadas: parecem-se com as sagitadas, mas é habitual defini-las como semelhantes às lâminas das alabardas. Encontra-se o qualificativo «hastata» em várias espécies, como o salgueiro de folhas hastadas (Salix hastata) ou a verbena-azul.

Sem esquecer as folhas perfuradas, como as do Monstera deliciosa, embora este termo não seja específico da botânica.

exemplos de formas de folhas

Arum italicum, Sagittaria sagittifolia e orelha-de-elefante

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folhas de feto