Resumo
O catalpa, em poucas palavras
- A catalpa é uma árvore de médio a pequeno porte, dotada de uma ampla copa e de grandes folhas cordadas, reconhecível pelos seus frutos em forma de feijão, de cor verde a negra.
- De crescimento rápido, proporciona uma sombra espessa e benéfica no verão, enriquecida por uma espetacular floração em cachos eretos.
- Para além da catalpa-bola, de silhueta bem definida, algumas cultivares menos conhecidas apresentam folhagens coloridas de amarelo-limão (Catalpa bignonioides ‘Aurea’), de púrpura (Catalpa erubescens ‘Purpurea’) ou salpicadas de creme (Catalpa speciosa ‘Pulverulenta’).
- Muito fácil de cultivar, a árvore-dos-feijões desenvolve-se ao sol, em qualquer solo fresco e drenado, na maioria dos nossos climas.
A palavra da nossa especialista
A catalpa constitui uma magnífica árvore de sombra, apreciada pela sua floração branca estival em grandes cachos erectos e pela sua copa imponente de folhas caducas em forma de coração. Produz frutos originais em forma de feijão, daí o seu outro nome de árvore-dos-feijões ou árvore-dos-charutos.
O Catalpa bignonioides é o mais frequentemente plantado nos nossos jardins, mas por vezes somos surpreendidos pelas dimensões que atinge, oscilando entre 10 e 20 m de altura para 10 m de diâmetro! Felizmente, suporta bem o corte pela base ao nível do solo, emitindo então rebentos vigorosos de 3-4 m num só ano, que geram folhas com mais de 30 cm de comprimento. Esta técnica muito astuta permite, aliás, tal como com o Paulownia, dar um toque exótico a um pequeno jardim com uma planta muito rústica que basta tratar como uma planta perene através de uma poda drástica anual!
O Catalpa-em-bola (Catalpa bignonioides Nana) forma uma pequena árvore igualmente difundida como a espécie-tipo, útil para estruturar pequenos jardins com o seu hábito em sombreiro muito compacto de 3 m de diâmetro, até 5 m de altura. Pode sublinhar uma alameda, servir de ponto focal, marcar um cruzamento… De notar que não floresce, mas possui muitas outras qualidades: não necessita de poda, bastam-lhe 9 metros quadrados de espaço aéreo a 3-5 m de altura, com um canteiro de arbustos bem situado aos seus pés, e é verdadeiramente pouco exigente! O seu parente o Catalpa bungei é frequentemente confundido com ele, pois também possui um hábito em bola, mas atinge 8 m de altura e 4 m de largura. Floresce em cachos brancos estriados de violeta, frutifica e as suas folhas são grosseiramente dentadas.
Espécies muito belas ainda pouco conhecidas alargam a gama das catalpas, como o híbrido x erubescens Purpurea, que exibe uma folhagem primaveril matizada de púrpura-violeta, evoluindo para o verde-escuro, com grandes limbos lobados e pontiagudos em vez de cordiformes. A forma dourada ‘Aurea’ da espécie bignonioides, conduzida sobre tronco curto e de menor vigor, integra-se na perfeição num canteiro à inglesa, ladeada, por exemplo, por miscanto de espigas púrpuras, hortênsias ou roseiras paisagísticas. O seu tom amarelo-limão persiste durante uma boa parte do verão antes de verdejar.
Descrição e botânica
Ficha de identidade
- Nome latino Catalpa sp.
- Família Bignoniaceae
- Nome comum Árvore-dos-feijões, árvore-dos-charutos
- Floração entre junho e agosto
- Altura entre 5 e 30 m
- Exposição sol ou meia-sombra
- Tipo de solo qualquer solo fresco bem drenado
- Rusticidade Excelente (-30 °C)
As catalpas são árvores de crescimento rápido originárias da América do Norte e da Ásia Oriental. O género compreende 11 espécies, plantadas pelo seu valor ornamental ou pela qualidade da madeira, pertencentes à família das Bignonáceas. A espécie mais plantada ao longo das avenidas e parques é a Catalpa bignonioides. É nativa das regiões quentes do sudeste dos Estados Unidos, desde o oeste da Flórida até ao Mississípi, e aprecia os ambientes húmidos das margens de cursos de água ou de pântanos. É tolerante à poluição e aprecia situações quentes e abrigadas, bem como solos férteis.
Esta árvore de crescimento rápido atinge facilmente 8 m ao fim de 20 anos, podendo chegar aos 15 m de altura em cultivo. Desenvolve uma copa bastante aberta e irregular, dotada de grandes folhas em forma de coração. O abrolhamento é bastante tardio, em maio, e a queda das folhas precoce.
As árvores apresentam uma folhagem caduca oposta ou verticilada em grupos de três, de tamanho considerável, atingindo 10 a 25 cm de comprimento, reconhecíveis pelo odor desagradável que libertam ao serem amassadas. A folhagem é de um verde bastante claro, criando uma atmosfera fresca e sombreada que permanece luminosa. O verso do limbo é aveludado, enquanto a face superior é glabra, ao contrário das folhas do Paulownia, que são aveludadas em ambas as faces.

Catalpa bignonioides – ilustração botânica
Termina numa ponta fina ou em três pontas, como em Catalpa x erubescens. Este último resulta do cruzamento entre a catalpa e uma espécie chinesa, a catalpa-chinesa, de folhas trilobadas. A cultivar de folhagem amarelo-limão C. bignonioides ‘Aurea’ é menos vigorosa, com 8 a 10 m de altura por 5 a 8 de largura, e integra-se com sucesso num canteiro de arbustos de folhagem colorida, conservando uma tonalidade luminosa de verde-tenro ao longo do verão. A folhagem enegréce antes de cair de forma bastante precoce.
A floração das catalpas apresenta-se sob a forma de panículas piramidais eretas de 15 a 25 cm de altura, com flores campanuladas de 2,5 a 6 cm de diâmetro. A corola forma um tubo branco aberto em trompete com bordas dentadas, com a garganta salpicada de púrpura e maculada de amarelo na catalpa, branco puro e violeta na catalpa cordada ou elegante, (Catalpa speciosa). Esta última espécie, nativa da bacia central do Mississípi, capaz de atingir 36 m de altura, é cultivada pelo seu valor madeireiro e por vezes como ornamental na Europa. Distingue-se pelo hábito cónico, uma floração mais precoce em junho-julho, menos espetacular do que a da bignonioides, mas com flores maiores (6 cm) e em menor número. Os seus frutos pendentes medem de 20 a 50 cm de comprimento e encerram sementes de 2,5 cm. A sua cultivar ‘Pulverulenta’ dificilmente ultrapassa os 5 m de altura e possui uma folhagem original salpicada de branco, que permite iluminar os locais sombrios.
Os frutos da catalpa surpreendem o visitante, tanta é a semelhança com os feijões. O nome cherokee catalpa chegou até nós; significa «feijão indiano». Trata-se de uma síliqua, uma espécie de vagem cilíndrica dotada de uma membrana central, como nas Brassicáceas (couves), que a distingue da vagem verdadeira. Os feijões castanhos da catalpa, com a sua forma fina e alongada de 15 a 40 cm, criam uma espécie de radicular fino denso, no mínimo estranho na silhueta despida da árvore no inverno.

Catalpa bignonioides: folhagem (foto Maja Dumat), flores, árvore em ambiente (foto Gilles Douaire) e frutos
Leia também
A albízia: plantar, podar e cuidarAs principais variedades de catalpa
As nossas variedades preferidas
Catalpa speciosa Pulverulenta
- Período de floração Julho, Agosto
- Altura à maturidade 5 m
Catalpa bignonioides Aurea
- Período de floração Junho, Julho
- Altura à maturidade 7 m
Catalpa erubescens Purpurea
- Período de floração Agosto, Setembro
- Altura à maturidade 10 m
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Plantação
Onde plantar o Catalpa?
Os catalpas preferem solos profundos, frescos e férteis, mas são bastante tolerantes, aceitando solos temporariamente húmidos ou porosos (não compactados) e poluídos, como em meio urbano. Prefira solos bem drenados para evitar a podridão das raízes (armilária). Desenvolvem-se melhor em pleno sol, desde que beneficiem de um local abrigado dos ventos fortes e ressecantes, bem como da maresia, mas toleram uma sombra ligeira. As folhagens claras, douradas ou variegadas de creme, e mesmo as de cor púrpura, aceitam uma situação de meia-sombra.
Toleram mal a seca, mas apresentam uma excelente rusticidade que lhes permite resistir a geadas de -30 °C.
O Catalpa speciosa desenvolve um sistema radicular rastejante. Plante-o suficientemente afastado das construções para evitar danificar as fundações. Tolera solos hidromorfos e secos, ao contrário da espécie bignonioides, e exige pleno sol no que diz respeito à espécie-tipo.
Quando plantar?
Plante os catalpas durante o outono-inverno para garantir um enraizamento profundo antes de enfrentar a seca estival.
Como plantar?
Evite plantar exemplares com raízes nuas e prefira exemplares em contentor.
- Mergulhe o torrão num balde de água para o humedecer bem.
- Cave um buraco de plantação de 80 cm de largura por 60 cm de profundidade.
- Adicione uma camada drenante de 10 cm (cascalho, areia…) se o seu solo for argiloso.
- Incorpore estrume ou composto decomposto se a terra for arenosa.
- Coloque a planta no buraco de plantação.
- Reponha a terra e compacte ligeiramente.
- Regue e forme uma bacia de rega para garantir regas eficazes. Espalhe uma camada de mulch à volta da base para manter um bom frescor em torno das raízes. Isso limitará também o crescimento das ervas daninhas.
A pega é fácil e rápida e requer apenas um controlo regular das regas durante os 2 primeiros anos após a plantação.
Também é possível plantar um catalpa em vaso! Siga os nossos conselhos em: Plantar e cultivar um catalpa em vaso.

Catalpa em plena frutificação, também conhecido como a árvore-dos-feijões
Poda e manutenção
Na estação quente, as regas deverão ser regulares, sobretudo nos 2 a 3 primeiros anos após a plantação.
O catalpa não precisa verdadeiramente de poda. O catalpa em bola pode ser podado para dar uma forma mais regular à copa.
Para os restantes catalpas, limite-se a eliminar a madeira morta ou danificada, os ramos que se cruzam e os ramos baixos que dificultam a passagem. Opere no final do inverno.
→ Saiba mais no nosso tutorial: Como podar um Catalpa?
Fácil de cultivar e resistente a doenças, esta árvore não apresenta, em geral, qualquer problema sanitário se beneficiar de boas condições e receber água suficiente.
As árvores jovens recentemente plantadas sofrem por vezes de oídio (penugem branca nas folhas). Regue abundantemente na base em caso de seca prolongada e trate com enxofre quando a temperatura não ultrapasse os 25 °C (risco de toxicidade!). Um ataque de pulgões ou cochinilhas não requer tratamento num exemplar adulto. Aplique um tratamento com sabão negro e escove o tronco (no caso das cochinilhas) dos exemplares jovens.
O dessecamento de alguns ramos pode ser provocado pela verticiliose, um fungo que permanece muito tempo no solo. Corte os ramos afetados e evite replantar um catalpa nesse local caso a árvore venha a morrer.
→ Saiba mais sobre as doenças e parasitas do Catalpa na nossa ficha de conselho!
Multiplicação: sementeira, estaquia
O catalpa semeia-se no outono ou estaca-se no final da primavera-verão. A enxertia de escudo realiza-se no final do verão ou no inverno.
Sementeira
- Colha as sementes das espécies-tipo de catalpa depois de abrir as vagens bem castanhas.
- Semeie-as no outono numa caixa de sementeira cheia em partes iguais de areia e de terra vegetal.
- Coloque a cultura debaixo de um abrigo frio mantendo o substrato fresco.
Estaquia
Realize a operação no outono com madeira bem lenhificada.
- Prepare um vaso fundo enchendo-o com terra vegetal misturada com areia.
- Retire um ramo lenhificado de 15-20 cm com um talão.
- Introduza as estacas a 2/3 da sua altura evitando que se toquem.
- Pressione delicadamente em redor para eliminar as bolsas de ar e garantir um bom contacto entre a terra vegetal e a estaca.
- Coloque debaixo de um abrigo frio para proteger das chuvas intensas.
- Separe as estacas enraizadas na primavera para as plantar em vasos individuais e aguarde o outono seguinte para as colocar no local definitivo.
→ Saiba mais sobre os métodos de multiplicação do catalpa no nosso tutorial.
Usos e associações
O catalpa é uma árvore imponente que requer espaço para valorizar a sua copa aberta, de forma irregular, que se estende por vezes até ao solo. É um elemento de destaque em jardins amplos, mas também ao longo de avenidas, em forma semilivre (com elevação da copa), pois não teme a poluição urbana.

Um exemplo de associação num jardim campestre: Gerânios perenes entre os quais ‘Patricia’, Digitalis purpurea, Crambe cordifolia, Roseiras entre as quais Rosa versicolor e Alchemilla mollis, cuja cor complementa a do Catalpa bignonioides ‘Aurea’ em segundo plano
Preveja uma largura ao nível do solo de 8 a 10 m, a menos que corte pela base regularmente a árvore ou a conduza em «cabeça de gato» através de podas repetidas no mesmo local. Pode também conduzi-la com tronco curto a 50 cm do solo, cortando a guia quando o diâmetro do tronco não ultrapasse os 3 cm.
Pode associar as formas de folhagem dourada, púrpura ou mosqueada de creme com arbustos de flores e folhagens coloridas que prolongarão o interesse do canteiro no outono, quando o catalpa tiver perdido as folhas. Propomos flanquear o Catalpa Aurea com um Miscanthus sinensis ‘Ghana’, de espigas e folhagem rosa-púrpura, e alargar o canteiro de ambos os lados com diferentes hortênsias serrata, macrophylla, paniculata, etc., ou roseiras paisagísticas. O tom amarelo-limão do catalpa persiste durante boa parte do verão antes de virar para um verde tenro muito luminoso.
→ Descubra outras belas associações com o catalpa
Para saber mais
Descubra a nossa vasta gama de Catalpas.
Descubra belas associações com o catalpa
A nossa ficha de aconselhamento: Árvore de sombra: adote o catalpa para um jardim fresco e elegante.
Perguntas frequentes
-
É possível podar um catalpa para reduzir o seu volume?
A madeira da catalpa tolera mal os cortes profundos e apodrece facilmente se a cicatrização não ocorrer. Por outro lado, reage com bastante vigor a uma poda severa, emitindo rebentos longos e numerosos, o que aumenta o risco de quebra de ramos se não se intervir para aliviar o peso da copa. Uma condução em touceira, podada drasticamente todos os 3 a 5 anos, pode ser uma opção para manter a catalpa em forma arbustiva, ou então uma condução em cabeça de salgueiro (árvore-podada), que tem um carácter algo antiquado.
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