A cobertura morta, «é fantástica», dizem, «protege o solo, conserva a humidade, alimenta a terra». Pois… Se chegou até aqui, é porque não quer fazer como toda a gente. O que pretende é ter plantas com mau aspeto, uma terra seca e um exército de lesmas felizes.
Eis o método infalível para transformar uma técnica muito simples e eficaz num verdadeiro desastre no jardim.
Erro nᵒ 1: escolha o momento errado
O segredo de uma cobertura morta mal aplicada começa pela agenda. Para eliminar qualquer hipótese de crescimento, há duas opções:
- A opção «frigorífico»: espalhe uma camada espessa de palha sobre um solo ainda gelado no início da primavera. Parabéns! Acabou de isolar o frio na terra. As suas plantas vão esperar até julho para perceberem que o inverno terminou.
- A opção «deserto de Gobi»: espere até a terra estar seca, rachada e dura como betão em pleno mês de julho. Coloque a cobertura morta por cima. A partir de agora, mesmo que chova, a água ficará à superfície e o solo permanecerá desesperadamente árido. É limpo, é seco, é morto.

Erro nᵒ 2: sufoque as plantas com amor
Forme um magnífico «vulcão» de cobertura morta que suba ao longo do tronco dos arbustos ou envolva firmemente o caule dos tomateiros.
O resultado: humidade estagnada junto à casca ou ao caule. É a porta aberta aos fungos e ao apodrecimento do colo. Se a planta não cair ao fim de três semanas, é porque não colocou matéria suficiente.

Erro nᵒ 3: escolha os materiais mais inadequados
Para aplicar mal a cobertura morta, a escolha dos ingredientes é fundamental. Não escolha o que é adequado, escolha o que é incómodo:
- Relva acabada de cortar numa camada de 20 cm: é o melhor dos melhores! Vai fermentar, aquecer (cozinhando literalmente as suas plantas) e libertar um cheiro a lixeira.
- A cobertura morta quase inexistente: espalhe apenas 1 cm de palha, com medo de exagerar. Esta camada ridícula não conservará a água nem impedirá o crescimento das ervas daninhas, e não servirá rigorosamente para nada além de decorar.
- A cobertura morta «surpresa»: utilize as ervas daninhas que acabou de arrancar, sobretudo se já tiverem produzido sementes. Assim, garante uma futura monda dez vezes maior. Um investimento no futuro!
- Casca de pinheiro na horta: ideal para o impedir de plantar ou semear. E, além disso, permanecerá lá durante muito tempo...
Erro nᵒ 4: provoque uma «fome de azoto»
Quer deixar as suas plantas sem alimento sem utilizar produtos químicos? É possível! Utilize uma cobertura morta muito rica em carbono (como estilhaçado de madeira fresca ou palha de cereais em excesso) num solo pobre.
Os micro-organismos do solo vão lançar-se sobre esta madeira para a decompor. Para isso, vão absorver todo o azoto disponível na terra, deixando apenas algumas migalhas para as suas pobres alfaces, que ficarão todas amarelas. É a chamada fome de azoto. É cruel, mas tecnicamente brilhante.

Erro nᵒ 5: crie um complexo hoteleiro para pragas
Uma boa cobertura morta mal aplicada é uma cobertura morta que favorece os seus inimigos.
- Nunca verifique o que acontece debaixo da palha. Deixe as lesmas e os caracóis reproduzirem-se aí com toda a impunidade.
- Regue em pequenas quantidades, apenas o suficiente para molhar a cobertura morta, mas não o solo. Criará à superfície uma esponja morna, perfeita para os bolores, enquanto as raízes por baixo morrerão de sede.

Os verdadeiros conselhos: o momento de lucidez
Se, por acaso, quiser aplicar corretamente a cobertura morta, faça exatamente o contrário: aplique-a sobre um solo aquecido, mondado e húmido. Deixe sempre alguns centímetros livres à volta do caule. E, sobretudo, varie os materiais de acordo com as necessidades das suas plantas (o «castanho» seco para garantir uma ação prolongada, o «verde» fresco para alimentar, mas sempre com moderação).
Felizmente, nunca é tarde demais para fazer bem. Se preferir mimar o seu solo em vez de lhe dificultar a vida, descubra todos os bons procedimentos na nossa ficha de aconselhamento: Aplicar cobertura morta: porquê e como?
Comentários