São muitas as boas razões para cultivar a sua horta, e a possibilidade de fazer crescer legumes originais, que não se encontram facilmente no comércio, é uma delas. Entre eles encontram-se os legumes asiáticos, mas também plantas aromáticas que, a menos que se viva numa cidade com bairro asiático, são uma raridade nas bancas dos mercados!

No entanto, estes legumes chineses, mas também japoneses, por vezes curiosos, crescem às vezes muito bem nas nossas latitudes... e aqui está uma pequena lista que vai encantar todos os amantes da cozinha exótica... mas também dos pratos mais tradicionais.

1) O Daikon ou rabanete branco

O Daikon (Raphanus sativus longipinnatus) é um grande rabanete branco de inverno. Primo do rabanete negro, oferece uma polpa suave e suculenta e conserva-se muito bem.

Na cozinha japonesa, consome-se cru, em salada, à maneira das cenouras raladas. Por vezes é marinado, ou ainda cozido a vapor ou salteado. Drenante e diurético, é frequentemente considerado um verdadeiro alimento saudável.

O seu cultivo na horta não apresenta qualquer dificuldade, desde que se tenha o cuidado de mobilizar bem o solo previamente.

2) O Pak choi ou Bok choy

O Pak Choi, também conhecido como Bok choy (Brassica rapa chinensis), é uma couve chinesa de cabeças tenras, compostas por folhas verde-claras com bases brancas. Esta couve oferece um sabor que evoca ao mesmo tempo a chicória, a couve clássica e o nabo.

Pode preparar-se cru ou cozinhado, rapidamente salteado no wok ou estufado. O seu sabor combina muito bem com o gengibre, mas também com o dos shiitakés, se tiver a sorte de os encontrar perto de si (é inútil procurá-los na natureza, estes cogumelos japoneses não crescem espontaneamente por cá!).

3) O Pe-tsaï ou Couve de Pequim

O Pé-Tsaï, dito Couve de Pequim (Brassica rapa pekinensis), é outro tipo de couve chinesa, bem diferente do Pak choi. Um pouco mais próximo das nossas couves brancas tradicionais, produz belas cabeças densas e alongadas. As suas folhas verde-brilhante são dotadas de grandes nervuras.

Vai apreciar o seu sabor suave e delicado degustando-o cru, em salada, mas também cozinhado no wok com pequenos legumes crocantes. Esta couve chinesa pode igualmente servir de base a receitas menos exóticas e acompanhar salsichas e outras carnes fumadas.

Na horta, estas duas couves cultivam-se de forma semelhante às couves clássicas, mas exigem um pouco mais de calor. Para saber tudo sobre o seu cultivo, não hesite em consultar a nossa ficha de conselhos: Cultivar couves chinesas com sucesso.

Legumes asiáticos: as couves

o Pak choi e o Pe-tsaï: duas couves asiáticas bem diferentes

4) Os Crosnes do Japão

Os Crosnes do Japão (Stachys affinis) pertencem à categoria dos legumes perpétuos. São plantas hortícolas rizomatosas cultivadas não pelas suas partes aéreas, mas pelos seus tubérculos, cuja forma evoca a das raízes da avença-de-colar.

Se os crosnes são tão apreciados, é pelo seu sabor fino, a meio caminho entre a alcachofra e o girassol-batateiro, mas também porque são vendidos a preço de ouro, já que a sua colheita não é mecanizável.

No jardim, é num solo suficientemente rico e de preferência arenoso que se desenvolvem melhor. E como é necessário desenterrá-los com a forquilha de jardim, a colheita fica facilitada. Atenção: têm alguma semelhança com a hortelã — evite plantá-los na proximidade, para não ter de os "desenredar" antes da colheita!

Introduzidos em França desde o século XIX, os crosnes já tiveram tempo de conquistar o seu lugar nas cozinhas, onde se consomem geralmente à maneira clássica, um pouco como as batatas-inglesas: salteados, fritos ou em puré.

Legumes japoneses: os crosnes

Os Crosnes do Japão: um legume de raiz de origem asiática

5) O Mizuna ou mostarda japonesa

O Mizuna (Brassica rapa nipposinica), tal como a rúcula, pertence à grande família das Brassicáceas. É uma agradável salada de folhas finas e lacinadas. Este legume nipónico oferece um sabor bastante suave, realçado por uma nota apimentada que resulta muito bem em salada.

Na horta, o mizuna cultiva-se com muita facilidade: semeia-se em plena terra ou sob abrigo (estufa, caixilho) de maio a setembro. Tem a vantagem de crescer e rebrotar rapidamente, oferecendo as suas deliciosas folhas mesmo no inverno.

Na cozinha, é muito apreciado em salada, mas pode igualmente servir de base para um pesto, decorar e acompanhar toda a sorte de pratos asiáticos. Cozinhado, o mizuna consome-se um pouco como o espinafre: rapidamente salteado ou mesmo em sopa.

Legumes asiáticos: o mizuna

O Mizuna: uma pequena salada japonesa a descobrir!

Descubra todos os nossos conselhos para cultivar o Mizuna com sucesso.

6) A Bardana japonesa tokinogawa ou Gobo

A bardana japonesa (Arctium lappa) é uma planta de grande porte cultivada pela sua longa raiz, cuja forma e sabor evocam os do salsifi. É uma bienal, mas não é preciso esperar muito tempo para a colher, pois extrai-se apenas 3 meses após a sementeira.

A raiz de bardana, rica em vitaminas, é também reconhecida pelas suas numerosas propriedades (depurativa, antisséptica, antifúngica…).

Não vamos esconder a verdade: a bardana não é uma planta fácil na horta. É bastante exigente quanto ao solo, que prefere solto e profundo, mas também quanto às regas, que devem ser regulares e abundantes durante todo o período de cultivo. Se dispuser de boa terra... e de um sistema de rega automático fiável, não hesite!

A sua longa raiz castanha consome-se crua ou cozinhada. Extremamente rara em Portugal, este legume de raiz, um pouco fibroso, cozinha-se finamente ralado, em salada ou cortado em juliana e depois salteado.

Legume de raiz asiático: a bardana

A bardana japonesa, um legume asiático quase impossível de encontrar em Portugal

7) A Capim-cidreira

A capim-cidreira (Cymbopogon citratus), a não confundir com a erva-cidreira nem com a lúcia-lima, é uma planta herbácea também conhecida pelo nome de capim-cidreira de Madagascar. E se os anglófonos a chamam "lemongrass", é porque é, de facto, uma gramínea que exala um delicioso perfume a citrinos. Encontra-se amplamente em todo o Sudeste Asiático, e todos aqueles que a descobriram numa viagem ao Vietname ou à Tailândia guardam uma lembrança maravilhosa.

No jardim, a capim-cidreira aprecia solos ricos, calor, mas também água, nomeadamente durante o seu período de crescimento. É uma planta sensível ao frio, não rústica, que muitas vezes se cultiva em vaso, colocado ao abrigo durante o inverno. O seu cultivo é possível em estufa fria, nas regiões de invernos amenos.

Refira-se também que a capim-cidreira (planta e óleo essencial) é reconhecida por afastar os mosquitos.

Na cozinha, são as bases dos seus caules que se consomem. Uma vez peladas, são picadas finamente para aromatizar os molhos de carnes brancas (o famoso "frango com capim-cidreira"), de peixes, caldos e marinadas. Combina muito bem com o gengibre, o caril e o leite de coco.

Aromática asiática: a capim-cidreira

A capim-cidreira: uma planta aromática que vai fazer viajar!

Esta lista de legumes asiáticos não é, evidentemente, exaustiva. Se é curioso, se aprecia os sabores exóticos e tem gosto pela viagem, mesmo que apenas gustativa, convidamo-lo a descobrir a nossa seleção "Sabores do mundo", que reúne uma bela gama de frutos, legumes e aromáticas vindos dos 5 continentes... para cultivar no seu jardim!