A teína e a cafeína devem, por vezes, ser banidas da alimentação. As pessoas que sofrem de problemas digestivos e de refluxo ácido - o famoso RGE - devem procurar sobretudo alternativas aos cafés e chás que consumiam até então. Outras desejam privilegiar bebidas que não provenham do outro lado do planeta, numa perspetiva ecológica, enquanto as grávidas ou as mulheres que amamentam procuram produtos sem estimulantes.

O que mais se aproxima, em termos de sabor, do café e do chá? Quando se fala em alternativas a estas duas bebidas intemporais, a chicória é imediatamente uma das opções que vêm à cabeça, mas há algumas outras que vale a pena descobrir. Eis os melhores sucedâneos do café e do chá sem cafeína nem teína para pessoas intolerantes ou sensíveis, ou para todas aquelas que procuram novos sabores.

sucedâneo de chá e café quais escolher
Um pequeno café ou chá? Por vezes, não é possível por razões de saúde...

As alternativas ao café: não são assim tão recentes!

Embora, em 2025, alguns consumidores millennials e por vezes um pouco burgueses, há que dizê-lo, se entusiasmem com os substitutos do café, foi sobretudo durante os períodos mais sombrios da História que se tentou substituí-lo. Foi o caso, nomeadamente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando começaram a procurar-se alternativas numa época de extrema escassez. Nessa altura, recorria-se sobretudo à chicória, mas também a cereais ou frutos secos, como bolotas de carvalho, farelo, cevada ou centeio.

Ainda mais cedo, em 1895, nasceu nos Estados Unidos o Postum, uma bebida resultante da torrefação de farelo, à qual se adicionava melaço. Já nessa época havia interesse pelos efeitos secundários do café. O Postum foi muito consumido durante a Segunda Guerra Mundial na América e depois no Canadá, bem como nas comunidades mórmones, que não consomem café.

As alternativas ao café

Na realidade, existem poucos sucedâneos que proporcionem a mesma sensação de uma chávena de café a ferver, pois o sabor fica frequentemente bastante distante. A torrefação é um truque que permite recuperar a cor negra e os aromas tostados que imitam o café.

A chicória

Recordarei sempre os pacotes de chicória Leroux em casa dos meus avós bretões, como se estivéssemos a antecipar o futuro! E, no entanto, esta marca histórica é originária do Norte e a chicória é um dos seus grandes símbolos, tal como as endívias ou a cerveja.
A chicória é A bebida que veio substituir o café nas mesas de pequeno-almoço de milhões de franceses nos anos 50, embora já fosse consumida desde finais do século XIX. Proveniente de uma bonita planta perene com flores azuis, o Cichorium intybus var. sativum, a chicória é extraída das suas raízes, que são torradas. Pouco a pouco, desenvolveram-se chicórias solúveis, a par das chicórias em grão, por uma questão de praticidade, mas também uma versão líquida, um pouco mais doce, e, mais recentemente, chicórias biológicas.
A sua característica é o amargor e o toque ligeiramente caramelizado. É um pó solúvel que se dilui em água ou leite a ferver, ao qual se adiciona, consoante o gosto, açúcar ou não, tal como no café.
N.B.: Para contar um pouco da sua história, a chicória já era cultivada no Egito e na Grécia antigos, onde as suas raízes eram torradas para extrair o seu sabor intenso. Mais tarde, durante a época napoleónica, foi elevada ao estatuto de estrela graças a um bloqueio às importações de café inglês!
Atenção para não comprar produtos que misturem café e chicória, no caso de pessoas intolerantes. Mas, claro, é possível fazer a própria mistura em casa quando se pretende apenas reduzir a dose de cafeína!
A minha opinião: é preciso apreciar, evidentemente, o seu lado amargo, pois, pura, é realmente muito intensa na boca. Talvez seja o substituto que mais se aproxima do café com leite da manhã, pois o leite atenua esse amargor, além de ser interessante pelo preço: embora seja mais cara do que o café, continua a ser económica para quem aprecia cafés longos.

melhor alternativa ao café

Os cereais torrados

São opções muito interessantes, que tentam aproximar-se do café graças ao processo de torrefação, que produz aromas maltados e tostados, amargos e mais ou menos encorpados ou terrosos. O mais conhecido e fácil de encontrar é o café de cevada, mas também se encontra café de espelta ou café de centeio em lojas especializadas. A vantagem destes produtos é serem provenientes de cadeias de produção biológicas e, em geral, artesanais e locais (muitos são atualmente obtidos na Bretanha). Preparam-se como um café, em vários tipos de máquinas (percolador, cafeteira de filtro, de êmbolo, italiana…).

O café de cevada

É um dos substitutos mais ambiciosos para substituir a cafeína e aquele que os italianos adotaram durante o embargo imposto à Itália fascista durante a Segunda Guerra Mundial, daí o nome (em italiano caffè d'orzo, que significa café de cevada).
A minha opinião: gosto de recuperar o ritual do café, com a chávena de expresso, a cor negra e a ligeira espuma quando é preparado num percolador. O sabor não deve ser comparado com o do café, caso contrário fica-se desiludido, pois é muito mais suave. Encontro-lhe alguma semelhança com um café de filtro. Mas, para pessoas intolerantes à cafeína ou com problemas de estômago, é, para mim, um dos melhores aliados, deixando na boca um sabor agradável.

N.B.: também se encontram no comércio ou em lojas online preparações já prontas que misturam chicória, cevada, centeio, bolotas e/ou figos.

substituto do café

Os substitutos do café provenientes de sementes de flores, frutos... ou caroços

Ao contrário da chicória, são provenientes de sementes ou de frutos secos:

O café de tremoço

É uma das alternativas de produção local desenvolvidas recentemente em França e, há mais tempo, em Itália e na Alemanha, à base das sementes contidas nas vagens do tremoço-de-jardim, esta magnífica planta perene da família das leguminosas. Também neste caso, trata-se de um consumo muito antigo, que remonta ao Egito antigo!
Talvez seja o sabor que mais se aproxima do café. É torrado em diferentes graus, consoante a marca, adquirindo notas mais ou menos achocolatadas e tostadas. A sua particularidade? A moagem é mais grossa do que a do café, pelo que é necessário utilizar menos - entre 20 e 50% menos - do que as quantidades habituais de pó de café, pois aumenta mais de volume.
A minha opinião: considero que tem um pouco mais de "corpo" do que o café de cevada, com um sabor mais encorpado. Não passa bem num percolador, por isso utilizo a minha pequena cafeteira turca, um "cezve"!
N.B.: deve ser evitado por pessoas intolerantes aos amendoins ou à soja.

que bom substituto do café

O café de bolota

Atualmente, já se encontram algumas receitas e vídeos em sites de culinária selvagem online. E, no entanto, foi também durante a Segunda Guerra Mundial que este sucedâneo do café surgiu. A ideia consiste em secar, descascar, lavar e ferver em várias águas e, por fim, torrar as "amêndoas" que se encontram no interior das bolotas de carvalho, triturá-las e voltar a torrá-las, desde que o processo seja bem executado, pois as bolotas de carvalho são inicialmente tóxicas para o ser humano. Se o fizer depois de um passeio na floresta, tenha atenção e respeite devidamente estas diferentes etapas para eliminar os taninos muito tóxicos contidos nos frutos do carvalho.

sucedâneo do café

O café de tâmaras

... ou melhor, de caroços de tâmaras! É evidentemente mais complicado prepará-lo em casa, a não ser que se viva nos países da faixa mediterrânica. E mesmo assim, é necessário triturar as tâmaras, pelo que não é nada simples. Ainda assim, o café de tâmaras é atualmente outro produto a considerar. Tem a vantagem de valorizar este resíduo vegetal.
É uma opção recente que se encontra em lojas biológicas, onde os caroços são torrados e moídos. Atribui-se-lhe um sabor caramelizado. Naturalmente, é o menos local dos substitutos do café.
A minha opinião: ainda não o experimentei, um pouco desencorajada pelo preço apresentado na embalagem (perto de 15 euros por 200 gramas, embora seja mais barato online). Se já o conhece, não hesite em deixar a sua opinião nos comentários!

café de tâmaras substituto do café

As alternativas ao chá

Para quem aprecia chá e gosta de bebidas mais claras, como infusões ou decocções, mas já não pode beber chá com teína por razões de saúde, há também várias alternativas aromáticas a experimentar.

O rooibos

Ainda pouco conhecido há alguns anos, o rooibos, "arbusto vermelho" em neerlandês, impôs-se como a alternativa mais interessante para substituir o chá. Em primeiro lugar, porque, ao escolher rooibos aromatizados (de baunilha, de amêndoa, de frutos vermelhos, etc.), aproxima-se surpreendentemente do chá. Depois, porque não contém absolutamente nenhuma teína. Por fim, porque contém antioxidantes, tal como o chá verde.
A sua cor vermelha deu-lhe o sobrenome de chá vermelho ou chá africano, mas não tem nada que ver com o chá, como se percebe quando se abre a saqueta. Originário da África do Sul, o rooibos provém de um pequeno arbusto, o Aspalathus linearis, da família das leguminosas, que cresce nos solos arenosos em redor da Cidade do Cabo. Utilizam-se os caules e as finas folhas aciculares, que são triturados e, por vezes, fermentados.
Prepara-se como um chá, deixando em infusão os caules triturados vendidos nas lojas ou as saquetas.
Nas lojas especializadas em chá encontram-se rooibos natural e toda uma gama de rooibos aromatizados. O seu sabor amadeirado é interessante para quem estava habituado a chás pretos.

A minha opinião: é o melhor dos substitutos do chá, amplamente distribuído e atualmente disponível numa gama muito vasta.

N.B.: o "honeybush", proveniente de Cyclopia, ou arbusto-do-mel, outra planta sul-africana, é menos intenso no sabor e mais doce.

o melhor substituto do chá

O sobacha ou infusão de trigo-sarraceno

Aqui temos novamente um cereal torrado: o trigo-sarraceno, que substitui o chá. De longa tradição japonesa (soba significa trigo-sarraceno em japonês), esta infusão à base de sementes de trigo-sarraceno torradas tem uma cor muito clara, amarela, e notas específicas de trigo-sarraceno. Por vezes, fala-se em chá de trigo-sarraceno, por extensão, embora, em rigor, se trate de uma infusão.
Na minha opinião, o preço continua elevado em comparação com as outras alternativas aqui mencionadas, mas fica mais acessível quando se compram as sementes de trigo-sarraceno numa loja e se prepara a bebida torrando as sementes.

sobacha substituto do chá

Mugicha: infusão de cevada

Eis novamente a cevada torrada, desta vez numa versão mais "light", semelhante a uma infusão. O tempo de infusão é mais longo, cerca de 10 minutos. Também tem origem numa tradição japonesa (é consumida principalmente fria nesse país), que, na minha opinião, será apreciada sobretudo por quem gosta de chás verdes ou muito leves.

A moringa

A moringa é uma árvore-da-vida originária da Índia. O seu nome também é utilizado para designar a infusão feita com as folhas da árvore. O seu sabor é muito herbáceo, semelhante ao matcha. Tem, no entanto, um efeito estimulante e energizante.

Os chás com menos teína

Para as pessoas sensíveis à teína, é sempre possível optar pelos chás com menor teor de teína, como o chá Kukicha, de sabor iodado e mentolado (feito a partir dos caules), ou o chá Bancha, adstringente, produzido à base de folhas maduras colhidas tardiamente, ou ainda o Hojicha, um chá verde torrado, com notas amadeiradas. Os chás Lapsang Souchong são fumados, o que lhes confere um sabor intenso. O chá branco com jasmim é, por fim, outra opção.

O leite dourado ou golden latte

Falei recentemente sobre esta bebida no artigo dedicado às utilizações do açafrão-da-índia na cozinha. Originária da Índia, esta bebida está longe de querer parecer-se com qualquer bebida com teína ou cafeína. Aqui, o destaque vai para a suavidade e o prazer, podendo substituir o momento acolhedor do tradicional chá no inverno. Tornou-se o meu pequeno lanche preferido nos dias frios de inverno: leite, açafrão-da-índia, canela e mel, uma delícia.

golden latte

A saber

  • Atenção ao mate e ao chá matcha: contêm tanta, ou até mais, teína/cafeína do que outras bebidas!
  • O teor de teína não depende da cor do chá (preto, verde, branco), mas sim do processo de transformação das folhas e, sobretudo, da "juventude" das folhas (as primeiras folhas da colheita são as mais ricas em teína, enquanto as mais maduras contêm menos)
  • Os chás ou cafés ditos descafeinados sofrem um tratamento à base de solventes químicos... A evitar!
  • Para as pessoas sensíveis à teína, continua a ser possível "retirar" parcialmente e de forma natural a teína da bebida, deitando fora a primeira água de infusão ao fim de cerca de 30 segundos.

Para saber mais

Saiba muito mais sobre o rooibos neste excelente artigo da National Geographic: O rooibos, a infusão "milagrosa" originária da África do Sul.

Já experimentou algumas destas alternativas? Conte-nos!