Cultivar a couve-repolho e a couve-de-Milão
Conselhos e dicas para uma horta produtiva
Resumo
A couve-repolho e a couve-de-Milão são duas variedades de legumes muito apreciadas pela sua riqueza nutricional e versatilidade na cozinha. Podem ser consumidas cruas, em coleslaw, raladas, em sopa, em cozido, estufadas, ao wok, fermentadas ou em chucrute. São verdadeiros tesouros de vitaminas C, B6 e B9, fibras e minerais. Muito rústicas, embora emblemáticas do inverno, podem semear-se e colher-se durante quase todo o ano. Cultivar estas couves na horta pode parecer complicado, mas com as técnicas certas, o sucesso está ao alcance da mão. Descubra as etapas essenciais para plantar e ter sucesso no cultivo destes deliciosos legumes, otimizando ao mesmo tempo o seu rendimento. Boas colheitas, abundantes e saborosas!
Descubra também o nosso guia completo sobre a couve
Sobre a couve-repolho e a couve-de-Milão
A Couve (Brassica oleracea) é uma planta hortícola herbácea pertencente à grande família das Brassicáceas (ex-Crucíferas). A couve-repolho e a couve-de-Milão são duas variedades de couves cultivadas pela sua cabeça densa e folhuda, que pode ser consumida crua ou cozinhada numa grande variedade de receitas. A couve-repolho (Brassica oleracea capitata, capitata em latim significa «cabeça») agrupa na realidade as couves-repolho de cabeça lisa, como as couves vermelhas, brancas ou verdes, e as couves de cabeça frisada (Brassica oleracea var. sabauda), à semelhança da couve-de-Milão, composta por folhas muito enrugadas ou frisadas.
- A couve-repolho, ou couve-cabeça, caracteriza-se pela sua cabeça redonda e compacta, com folhas lisas e muito unidas umas às outras. As suas grandes cabeças ligeiramente achatadas distinguem-se pela cor (verde, vermelha ou branca) e pelo período de colheita (precoce, meia-estação ou tardio). A couve-repolho é particularmente rica em vitaminas C e K, em fibras e em antioxidantes, o que a torna uma excelente escolha para apoiar uma alimentação equilibrada.
- A couve-de-Milão, também chamada couve-de-sabóia ou couve crespa, é reconhecível pelas suas grandes folhas frisadas e gofradas, mais escuras e com nervuras mais marcadas do que as da couve-repolho. Pode apresentar-se em verde escuro, verde alourado ou com folhas verdes com tonalidades violeta. Oferece um sabor ligeiramente mais suave e uma textura mais tenra, particularmente apreciada em pratos de cozedura lenta ou sopas. Este tipo de couve é também uma fonte importante de nutrientes, fornecendo vitaminas A, C e K, bem como minerais como o potássio e o magnésio, sendo ao mesmo tempo, como todas as couves, pobre em calorias.
Leia também
A sementeira e repicagem das couvesComo semear a couve-repolho e a couve-de-Milão?
Quando semear?
A sementeira direta no local é possível, mas a preparação ou a compra de plantas para transplantar, que serão colocadas na horta depois de passado qualquer risco de geada, é o método mais utilizado.
Geralmente, as couves-repolho e a couve-de-Milão semeiam-se a partir de fevereiro (sob abrigo) até junho para uma colheita de agosto a dezembro. No entanto, a cada variedade de couve corresponde um período de sementeira ideal, mais ou menos longo: esta informação consta no pacote de sementes, sendo importante consultá-la. Assim, para uma colheita de:
- primavera, semeia-se de meados de agosto ao final de outubro (ex: Couve-repolho ‘Cœur de Bœuf Moyen de la Halle’, Couve-repolho ‘Express Eersteling‘)
- verão, semeia-se de meados de fevereiro ao final de março (ex: Couve-repolho ‘Tête de Pierre’, Couve-de-Milão ‘Wirosa’, Couve-de-Milão ‘Manon’)
- outono, semeia-se de início de março a meados de maio (ex: Couve-repolho ‘Tête noire 3‘, Couve-de-Milão ‘January King’)
- inverno, semeia-se de meados de maio a meados de junho (ex: Couve-repolho ‘Caïd’, Couve-repolho ‘Quintal d’Alsace‘, Couve-de-Milão ‘de Pontoise 2’)
Como semear?
Sementeira em vaso
Proceda sob abrigo do final do outono ao final do inverno, ou em viveiro no jardim no resto do ano.
- Encha vasinhos ou uma caixa de sementeira com um bom substrato para sementeiras.
- Semeie as sementes a uma profundidade de 1 a 2 cm.
- Cubra ligeiramente com substrato peneirado ou vermiculite.
- Regue em chuva miúda.
- Mantenha ao calor e à luz, a uma temperatura mínima de 7 °C e máxima de 30 °C, conforme as variedades, na maior parte das vezes à volta de 15 °C.
- Mantenha o substrato húmido, mas não encharcado, até à germinação.
- Quando as plantas estiverem suficientemente desenvolvidas para serem manuseadas, transplante para vasinhos as plântulas mais vigorosas.
- Transplante para o jardim quando os riscos de geada tiverem passado.
- Aquando da plantação, geralmente quando as plantas têm pelo menos 4 ou 5 folhas, respeite os espaçamentos conservando apenas uma planta a cada 35 a 80 cm, aproximadamente, conforme o seu desenvolvimento.
Sementeira direta
Pode também proceder por sementeira direta no local quando o risco de geada já não é de temer.
- Semeie as sementes em sulcos espaçados de 40 cm, a uma profundidade de 1 a 2 cm, espaçando cada semente cerca de 5 cm
- Cubra-as com uma fina camada de terra fina
- Compacte e regue em chuva miúda para não deslocar as sementes
- Mantenha o solo húmido até à germinação
- Desbaste, conservando apenas uma planta a cada 40 cm, aproximadamente
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Onde plantar a couve-repolho e a couve-de-Milão?
O cultivo destas duas couves é fácil em todos os climas, desde que se respeitem as suas poucas exigências. Revelam-se bastante rústicas e o seu cultivo é muito indicado nas regiões de clima fresco e chuvoso.
As couves-repolho (ou «couve-cabeça») e a couve-de-Milão cultivam-se ao sol, mas toleram uma sombra ligeira nas regiões mais quentes. São exigentes e precisam de uma terra bem estrumada, previamente enriquecida com um aporte de composto ou de estrume maduro (3 a 4 kg por m2). Plante-as em terra profunda, bem trabalhada e solta, rica em azoto e em potássio.

Couve-repolho
Quando e como os plantar?
Uma vez bem desenvolvidas, as plantas de couve instalam-se na horta no seu lugar definitivo. Pode também escolher entre as nossas mini-torrões de horta.
- Comece por molhar os torrões em água durante alguns instantes antes da plantação.
- Prepare o solo arrancando as ervas daninhas, descompactando-o com a pá ou a forquilha biológica, e de seguida nivelando a terra com um ancinho para obter uma terra fina. Não hesite em adicionar também composto ou estrume.
- Abra covas de plantação, respeitando uma distância de 50 a 65 cm entre as filas e de 40 a 35 cm entre cada planta.
- Coloque as plantas enterrando-as profundamente, até às primeiras folhas verdadeiras: novas raízes vão formar-se ao longo do caule enterrado, o que lhes garantirá uma melhor ancoragem ao solo.
- Cubra puxando terra fina à volta das plantas e, de seguida, compacte ligeiramente.
- Regue generosamente.
- No início da cultura, faça amontoa puxando terra para a base das couves.
Como os tratar?
Rega
As couves apreciam solos que se mantêm frescos. Regas regulares, mas sem excesso de água, são o segredo de uma boa colheita. O cuidado das couves consiste também em realizar sachas, binagens regulares. O crescimento da couve é lento, pelo que estas operações se repetem regularmente ao longo de um período prolongado. Poderão ser espaçadas ou muito reduzidas se cobrir o solo com mulch, com finas camadas sucessivas de relva previamente seca, misturada com folhas mortas, por exemplo.
Fertilização
A couve é um legume exigente que esgota o solo, razão pela qual necessita de uma excelente adubação de fundo. Durante o cultivo, podem espalharse 2 a 3 punhados de composto maduro na base das couves.
Luta contra doenças e pragas
As couves são bastante sensíveis a doenças e pragas. Durante o seu cultivo, podem ser ameaçadas por:
- a mosca-da-couve, cujas larvas devoram as raízes,
- a piéride, cujas lagartas destroem a folhagem,
- as altisas, que perfuram as folhas das Brassicáceas em geral.
Existem diferentes meios de luta contra estas pragas (colarinhos de cartão contra a mosca, pulverização de Bacillus thuringiensis, recolha manual das lagartas…), mas para as manter afastadas, a melhor prevenção consiste em colocar, de forma hermética, um véu anti-insetos.
No que diz respeito às doenças, a hérnia da couve é a mais virulenta. Manifesta-se pelo murchamento da folhagem associado ao aparecimento de nodulosidades no colo e nas raízes. Não existe solução natural, mas a melhor prevenção consiste em respeitar as rotações na horta, não cultivando a couve no mesmo local durante pelo menos 5 anos. Algumas variedades, como a couve-repolho ‘Kilaton F1‘, são reconhecidas como resistentes. A couve é também sensível à doença da couve cega, causada pelas larvas de uma mosca minúscula que inibem o crescimento, impedindo a cabeça ou as flores de se desenvolverem.

Couve-de-Milão ‘Wirosa F1’
Como as colher e conservar?
Colheita
A colheita ocorre entre 4 e 7 meses após a plantação, de agosto a dezembro, consoante as variedades. Realiza-se quando a couve forma uma bela cabeça e antes de as folhas começarem a amarelecer; corte simplesmente a cabeça com uma faca.
Conservação
Há várias formas de conservar as couves. Conserve as couves na gaveta de legumes do frigorífico, onde se podem guardar durante 2 a 3 semanas. Para as guardar por mais tempo, estas couves podem ser conservadas congeladas até 12 meses após terem sido escaldadas. Podem ser conservadas durante muitos meses por lacto-fermentação. Este método consiste em cortar a couve em finas tiras, salgá-la e depois compactá-la em boiões. O sal extrai o sumo da couve, criando um ambiente ácido onde as bactérias lácticas podem prosperar, fermentando a couve e conservando-a.
Como associar as couves na horta?
As couves combinam bem com muitos legumes, como a alface ou o tomate. Gostam da proximidade do aipo-dos-pântanos, cujo odor afasta a piéride. Formam também associações benéficas com a beterraba, o pepino, as abóboras-gigantes, as curgetes, as batatas-inglesas, ou com Fabáceas como o feijão e as ervilhas-anãs. Evite a proximidade das morangueiras e do funcho, das curgetes e dos alhos-franceses. Pense em rodear as suas couves de flores úteis como os tagetes, as zínias, os cosmos, as capuchinhas, que atrairão os pulgões, levando-os a abandonar as suas couves.
É importante efetuar rotações de culturas nos talhões onde foram plantadas couves, para evitar o aparecimento de doenças: aguarde quatro anos antes de as voltar a plantar no mesmo local.
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