Cultivo em estufa: os erros mais comuns
Os nossos conselhos para gerir da melhor forma as suas culturas em estufa
Resumo
Para um jardineiro, uma estufa é o equipamento ideal para aumentar a produção de legumes e pequenos frutos. Com efeito, a estufa permite proteger as culturas das intempéries, prolongar as estações e proporcionar um ambiente controlado para culturas exigentes. No entanto, cultivar em estufa não garante automaticamente o sucesso. Até os jardineiros mais experientes podem cair em armadilhas clássicas, por excesso de confiança ou simplesmente por negligência ou desconhecimento. Enquanto espaço confinado, a estufa pode revelar surpresas muito desagradáveis e revelar-se até contraproducente.
Conheça os erros mais comuns cometidos numa estufa, que podem comprometer seriamente as suas culturas, e, sobretudo, os conselhos úteis para os evitar.
Não ter em conta o microclima da sua estufa
Uma horta ao ar livre oferece, é certo, condições de cultivo por vezes aleatórias, mas as plantas têm capacidade para se adaptar às variações naturais. Em contrapartida, uma estufa impõe, na realidade, um microclima ideal, mas confinado, que pode rapidamente tornar-se extremo se não se conseguir controlá-lo.
A principal dificuldade da estufa fria é precisamente… o efeito de estufa! É, aliás, o seu próprio princípio. Capta o calor do sol e retém-no. Embora esta característica seja muito interessante durante os períodos frios ou frescos, no verão, a estufa pode rapidamente tornar-se uma verdadeira fornalha. Este desequilíbrio térmico pode ter consequências graves, sobretudo se for combinado com uma humidade elevada.
Por isso, parece essencial equipar a estufa com instrumentos de medição que podem revelar-se muito eficazes, nomeadamente o termómetro e o higrómetro, ou até uma estação meteorológica conectada. Estes instrumentos permitem acompanhar a evolução do microclima e ajustar as práticas em conformidade. Do mesmo modo, no verão, quando o sol incide intensamente, poderá ser necessário prever um sistema de sombreamento. Existem, por exemplo, telas de sombreamento adequadas para túneis e estufas de plástico, ou então tintas (geralmente à base de giz) para estufas de vidro, que são removidas naturalmente pela precipitação.
Falta depois evitar os principais erros cometidos pelo jardineiro, que não dependem de instrumentos, mas simplesmente do bom senso.
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Uma das armadilhas mais traiçoeiras no cultivo em estufa é descurar a ventilação. Para um jardineiro pouco experiente, deixar a estufa fechada parece uma forma de não perder o calor acumulado. É certo que se conserva o calor do sol, mas cria-se sobretudo uma atmosfera abafada, onde o ar não se renova. E as consequências não tardam: a humidade fica estagnada, provocando o apodrecimento dos tomates ou dos pepinos aí plantados. Outras plantas hortícolas, menos sensíveis ao apodrecimento, vão sofrer de stress hídrico, sinónimo de um crescimento mais lento.
Convém recordar sempre que uma estufa é um espaço fechado. Seria capaz de viver num espaço completamente fechado? À partida, não, pois areja regularmente a sua casa…

Uma ventilação regular da estufa é essencial
Por isso, uma estufa deve ser arejada e aberta diariamente, tanto no verão como no inverno, para permitir a renovação do ar. É também uma forma muito simples de equilibrar a temperatura e de a manter dentro de uma margem aceitável para as plantas hortícolas. Consoante os modelos de estufa, basta abrir a porta ou as portas, ou então as janelas laterais, durante algumas horas por dia (as mais quentes!) na primavera, no outono e no inverno, e durante todo o dia no verão.
Não preparar o solo da sua estufa
Numa estufa, o solo é frequentemente sujeito a maior desgaste, por ser mais utilizado do que ao ar livre. As rotações de culturas nem sempre são respeitadas, e as culturas são mais densas e numerosas. Como resultado, o solo esgota-se mais depressa, pois os nutrientes são absorvidos a grande velocidade pelas plantas hortícolas. Por vezes, acontece precisamente o contrário. O jardineiro zeloso pode fertilizar excessivamente o solo da estufa, provocando desequilíbrios minerais e até carências.
Por isso, numa estufa, é essencial preparar o solo, tal como se faria na horta ao ar livre. É, portanto, necessário destorroá-lo e arejá-lo com a forquilha de cavar ou com a forquilha biológica, e depois fertilizá-lo, aplicando um corretivo do solo, como composto bem decomposto ou estrume decomposto. Este trabalho de preparação do solo pode ser realizado no outono ou na primavera, consoante a utilização dada à estufa.

Numa estufa, o solo esgota-se rapidamente. É, por isso, fundamental trabalhá-lo e aplicar-lhe regularmente corretivos do solo
Numa estufa, tal como na horta, também é possível semear adubos verdes para enriquecer e estruturar o solo. Do mesmo modo, ao longo das culturas, a utilização de chorume de urtiga ou de consolda permitirá estimular as culturas e reforçar as defesas imunitárias contra as doenças. Por fim, embora seja bastante difícil numa estufa, tente aplicar, pelo menos, a rotação de culturas.
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Como conservar o calor numa estufa no inverno?Plantar demasiado densamente numa estufa
Quando um jardineiro investe numa estufa, é evidente que deve rentabilizá-la. E terá muitas vezes tendência para plantar em excesso, sem ter sempre em conta as distâncias de plantação habitualmente recomendadas. Ora, semear ou plantar com demasiada densidade é um erro compreensível que pode ter consequências nefastas. Em primeiro lugar, por não disporem de espaço vital suficiente, as plantas vão competir entre si e o seu crescimento será mais lento. Os legumes correm o risco de ser menos numerosos e mais pequenos. Além disso, uma cultura demasiado densa cria condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças de criptogamia ou à invasão de pragas comuns, como os pulgões, as cochinilhas, os aranhiços vermelhos… uma vez que a circulação do ar não é assegurada.
É por isso que é fundamental reservar espaço suficiente para cada planta. Mais vale semear ou plantar menos, mas melhor. A produção será ainda melhor.
Semear demasiado cedo (ou demasiado tarde)
Numa estufa, é possível prolongar as sementeiras e as plantações. É um facto, mas, ainda assim, é necessário ter em conta as condições meteorológicas próprias de cada região. É evidente que, graças a uma estufa, é possível antecipar ou prolongar as culturas algumas semanas, mas imaginar cultivar tomates ao ar livre em pleno inverno é totalmente ilusório em certas zonas.
Com efeito, o estado do tempo tem um forte impacto no aquecimento do solo ou do ar, mesmo dentro da estufa. Se semear demasiado cedo ou demasiado tarde, as sementes correm simplesmente o risco de não germinar. E, se germinarem, as plantas não terão necessariamente as condições necessárias para se desenvolverem da melhor forma.
Por isso, numa estufa, há que ter bom senso. É possível antecipar ou prolongar as suas sementeiras, mas dentro de limites razoáveis e tendo em conta as previsões meteorológicas.
Gerir mal a rega na estufa
Na estufa, a rega depende de um equilíbrio certo: nem de mais, nem de menos. Ao abrigo da chuva, as plantas dependem inteiramente do jardineiro para receberem água. Mas atenção: regar como ao ar livre é um erro frequente, muitas vezes com consequências graves. Água em excesso abre a porta à humidade estagnada, aos fungos, à asfixia radicular e às doenças criptogâmicas. Água insuficiente faz com que as culturas sofram stress, produzam menos ou espiguem prematuramente.
Como a humidade do ar é naturalmente mais elevada sob a estufa, a evaporação é menor, sobretudo se a ventilação for insuficiente. Ainda assim, o substrato pode secar rapidamente à superfície devido ao calor acumulado. Daí a importância de não confiar apenas no que se vê, mas de verificar a humidade do solo em profundidade. Enfiar um dedo na terra é muitas vezes suficiente para evitar uma avaliação errada.

a rega depende de um equilíbrio certo: nem de mais, nem de menos
Por isso, é preferível optar pela rega manual numa estufa ou, quando muito, pelo sistema de rega gota-a-gota, que permite fornecer água de forma direcionada e regular, sem excessos. Do mesmo modo, é essencial regar de manhã, para que as plantas tenham tempo de absorver a água antes dos períodos de maior calor e para evitar que a humidade fique estagnada durante a noite. Por fim, a rega deve ser adaptada às necessidades de cada espécie de planta hortícola cultivada sob a estufa. Acima de tudo, deve ser gerida com uma regularidade absoluta.
Por fim, tal como na horta, a cobertura morta é essencial sob a estufa, pois reduz a evaporação e permite limitar as regas.
Negligenciar a manutenção da estufa
Um dos erros frequentes cometidos por quem tem uma estufa é pensar que, por se tratar de um espaço fechado, está protegida contra doenças, ataques de insetos nocivos, sujidade… Mas não é nada disso! Deixar acumular resíduos das culturas, ervas-daninhas, folhas secas e tutores antigos é um erro grave. Com efeito, tudo isto cria um ambiente propício ao desenvolvimento de esporos de fungos e de parasitas, que passarão tranquilamente o inverno à espera do regresso da primavera. A eliminação dos resíduos orgânicos, por vezes portadores de doenças, é, por isso, indispensável e deve ser regular para limitar os riscos.
No final da estação, é essencial fazer uma grande limpeza profunda : esvaziar a estufa, limpar os vidros para maximizar a luminosidade, escovar as estruturas e desinfetar as ferramentas. A utilização de produtos naturais, como o vinagre branco ou o sabão preto, é muitas vezes suficiente para eliminar os micro-organismos indesejáveis sem prejudicar o ecossistema. Marion deixa alguns conselhos para esta grande limpeza profunda: A limpeza de outono da estufa.
Por fim, é importante verificar regularmente o estado das estruturas: uma lona danificada, um vidro rachado ou um sistema de rega gota-a-gota entupido podem comprometer toda uma estação.
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