Resumo
Se quiser plantar um castanheiro (Castanea sativa), uma árvore de grande porte da família das fagáceas, no seu jardim, é fundamental conhecer bem as suas necessidades e os seus pontos fracos. O castanheiro precisa de um solo ácido, profundo, leve e rico, bem como de um local soalheiro. Ainda assim, não requer cuidados especiais. Mas o castanheiro faz parte das árvores que sofrem com as alterações e o aquecimento climáticos. Aliás, ao longo do último século, e sobretudo nos últimos anos, muitas plantações de castanheiros foram afetadas por doenças ou pragas que se desenvolvem e propagam rapidamente.
Vejamos em conjunto quais são as principais doenças do castanheiro e os insetos parasitas que afetam os castanheiros? E, sobretudo, como prevenir e tratar naturalmente estes castanheiros?

O cancro do castanheiro
Que doença é esta?
O cancro do castanheiro é uma doença criptogâmica causada pelo fungo Cryphonectria parasitica (Endothia parasitica na sua forma imperfeita). Originário da Ásia, chegou à Europa através de Itália, em 1938. Afeta sobretudo os castanheiros, mas também os carvalhos (Quercus) ou os bordos (Acer).
É um fungo que se abriga sob a casca das árvores, sob a forma de micélios aglutinados. Os esporos deslocam-se graças ao vento e vão contaminar outras árvores. A contaminação é geralmente muito rápida e violenta, sobretudo em exemplares jovens ou árvores enfraquecidas.
O fungo provoca uma diminuição da circulação da seiva.
Os sintomas
- Aparecimento de pontos cor de laranja na casca do tronco e, depois, dos ramos, que acabam por ficar avermelhados
- Rutura da casca
- Aparecimento de rebentos ladrões nos caules
- Secagem dos ramos.
As sementeiras e as árvores jovens com menos de 15 anos podem definhar e morrer se o tronco e os seus ramos principais forem atacados. Em contrapartida, é mais raro que as árvores adultas morram.

©Joseph O’Brien e ©Departamento de Conservação e Recursos Naturais da Pensilvânia
Medidas preventivas e tratamento
- Cortar o ramo atacado e queimá-lo
- Limpar o cancro
- Como medida preventiva, recomenda-se podar, ou seja, cortar os ramos mortos ou doentes de uma árvore.
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O que é esta doença?
Esta doença causou graves danos às florestas de castanheiros nos séculos XIX e XX. Atualmente, afeta sobretudo as árvores que crescem no litoral atlântico e na Île-de-France, regiões onde as condições climáticas são bastante húmidas e quentes. O aquecimento climático apenas acelera o seu desenvolvimento.
Esta doença é causada por um micro-organismo, o Phytophthora cinnamomi ou Phytophthora cambivora. Estes micro-organismos deslocam-se através da água dos solos argilosos, onde encontram condições particularmente favoráveis. Atacam, por isso, as raízes e o colo. A doença alastra muito rapidamente e afeta o sistema radicular.

Doença da tinta num castanheiro (©Abrahami)
Os sintomas
- Podridão das raízes, que são invadidas por esporos que formam uma espécie de tinta preta, que escorre na base do tronco
- Necroses negras nas raízes e na base do tronco
- Folhas que se desenvolvem mal, murcham e ficam ananicadas; podem também adquirir uma coloração vermelha ou amarela
- Rebentos débeis
- Ramos secos
- Galhos que morrem
A árvore acaba por morrer ao fim de um a cinco anos.
Medidas preventivas e tratamento
Atualmente, não existe qualquer tratamento. A única solução consiste em cortar a árvore antes que a proliferação afete toda a floresta.
A profilaxia continua a ser a medida mais eficaz para evitar o aparecimento desta doença. É, por isso, essencial plantar variedades pouco sensíveis à doença da tinta num solo perfeitamente drenado. As variedades Maraval, Marigoule e Marlhac apresentam uma boa resistência às doenças.
Do mesmo modo, deve evitar-se o transporte de terra potencialmente contaminada durante a plantação de um castanheiro.
É também necessário evitar qualquer stress hídrico.
É de salientar que qualquer suspeita da presença da doença da tinta num castanheiro deve ser comunicada através da aplicação Vigil’encre ou no site do INRA
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A vespa-das-galhas-do-castanheiro
O que é este inseto?
A vespa-das-galhas-do-castanheiro (Dryocosmus kuriphilus) é uma pequena vespa, preta, com patas amarelas, com 2,5 a 3 mm de comprimento, originária da China, que surgiu na Europa nos anos 2000. Reproduz-se por partenogénese, ou seja, sem acasalamento. A fêmea produz cerca de 100 a 150 ovos, que deposita nos gomos entre junho e agosto. As larvas passam aí o inverno e transformam-se em pupas entre maio e julho, antes de voarem.
Os sintomas
Os primeiros sintomas surgem na primavera:
- São visíveis galhas nos gomos das folhas
- As folhas ficam deformadas
- Os ramos desenvolvem-se mal
- A floração e a frutificação são afetadas

Galha causada pela vespa-das-galhas-do-castanheiro
Medidas preventivas e tratamento
Não existe nenhum método para combater este himenóptero.
Tudo passa pela prevenção:
- Vigilância dos gomos na primavera para detetar a presença de galhas
- Poda e queima dos ramos infestados
O controlo biológico graças a outra espécie de vespa, a Torymus sinensis, dá bons resultados nas regiões onde os castanheiros estão bastante presentes, como Ardèche. Este auxiliar de biocontrolo deposita os ovos no interior das galhas, sobre as larvas da vespa-das-galhas-do-castanheiro.
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O que é este inseto?
Xyleborus dispar é um coleóptero que ataca castanheiros, carvalhos e faias. Deve o seu nome à diferença de tamanho entre o macho (1,8 a 2,4 mm) e a fêmea (3 a 3,8 mm). Depois de fecundada pelo macho, a fêmea voa do final de março ao início de abril, ou mesmo até maio, consoante as condições meteorológicas.
Quando encontra o seu alvo, escava galerias, uma longitudinal e as outras circulares, na madeira, onde põe os ovos. Ao mesmo tempo, as galerias são invadidas pelos esporos de fungos que transporta. O micélio desenvolve-se no seu interior e constitui a base da alimentação das larvas. Quando atingem a idade adulta, o macho e a fêmea acasalam no interior das próprias galerias.
Sintomas
- Murchidão das folhas dos caules ou ramos jovens
- Exsudação de seiva que emerge de pequenos orifícios negros dispersos pelo tronco e pelos ramos, eventualmente acompanhada de serradura
- Galerias bem visíveis na madeira dos ramos partidos
- Enfraquecimento da árvore.
Medidas preventivas e tratamentos
- Destruição dos ramos atacados
- Colocação de armadilhas adesivas vermelhas cheias de álcool etílico
- Aplicação de adubação para estimular o crescimento das árvores (o Xyleborus dispar ataca sobretudo árvores jovens ou enfraquecidas)
Doenças e pragas das castanhas
Outros insetos ou doenças atacam mais particularmente as castanhas:
A tortriz do castanheiro
A tortriz do castanheiro (Pammene fasciana) é uma borboleta que voa desde o início de junho até ao início de agosto. Ataca sobretudo os jovens ouriços ainda verdes, provocando a sua queda. Na realidade, são as larvas que se alimentam primeiro do limbo e depois dos ouriços, antes de penetrarem no fruto em formação, cujo conteúdo devoram. Depois de saciadas, as larvas deslocam-se para outros ouriços.
Como combater?
- Colocação de armadilhas de feromonas
- Pulverização de Bacillus thuringiensis
A carpocapsa do castanheiro
A carpocapsa do castanheiro (Cydia splendana) é uma borboleta noturna cujas larvas devoram o interior das castanhas antes e durante a colheita, da mesma forma que a tortriz.

Larva de Cydia splendana no interior de uma castanha
Como combater?
- Cavar junto ao pé dos castanheiros para trazer à superfície as larvas que passam o inverno no solo. O frio do inverno irá exterminá-las
- Utilizar armadilhas com isco e armadilhas de feromonas especialmente destinadas às carpocapsas
- Atrair predadores como chapins e tesourinhas, instalando hotéis para insetos e caixas-ninho
- Pulverizar a bactéria Bacillus thuringiensis
O balanino das castanhas
É um escaravelho que também ataca as bolotas. Com 6 a 9 mm de comprimento, está coberto por uma pubescência amarelada a acinzentada e possui um longo rostro rostrado. A fêmea põe os ovos nas castanhas, onde as larvas permanecem durante cerca de quarenta dias antes de abrirem um orifício para sair e passar o inverno. Os frutos caem antes do tempo.
Como combater?
- Cavar junto ao pé dos castanheiros para fazer sair as larvas do solo
A podridão negra da castanha
Esta doença é provocada pelo fungo Ciboria batschiana, que se desenvolve nas castanhas do ano anterior ou nas bolotas. Reconhece-se pelo aparecimento, entre setembro e dezembro, de apotécios castanho-acinzentados, brilhantes e em forma de taça.
Deixar as castanhas de molho durante alguns dias permite eliminar todos os vestígios de esporos.

Ciboria batschiana em desenvolvimento numa castanha
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