Resumo
Rainha dos pequenos frutos vermelhos, o morango é amplamente cultivado nas hortas. Primeiro, porque a gama de variedades, remontantes ou não, é suficientemente vasta para satisfazer o prazer de todos os gourmets. Depois, porque os morangueiros (Fragaria), plantas perenes da família das Rosáceas, cultivam-se relativamente facilmente, desde que se lhes forneça sol, garante de frutos doces e perfumados, um solo fértil e humífero, preferencialmente solto e bem trabalhado, uma boa cobertura morta e regas regulares. Finalmente, a rusticidade desta planta rastejante permite colher morangos em todo o país, em plena terra, mas também em vaso numa varanda ou num terraço. Embora seja fácil de cuidar, o morangueiro pode estar sujeito a um certo número de ataques, essencialmente devidos a doenças criptogâmicas ou, mais raramente, a algumas pragas. Explicamos detalhadamente como detetar, prevenir e tratar naturalmente as doenças do morangueiro.
As doenças criptogâmicas do morangueiro
Uma higrometria elevada acompanhada de temperaturas suaves favorece o aparecimento de fungos, estes micro-organismos vetores de doenças criptogâmicas. O morangueiro não escapa a estas doenças, que podem ter graves consequências na produção de frutos.
O botrítis ou podridão cinzenta
Descrição
É o fungo denominado Botrytis cinerea que está na origem desta doença chamada de podridão cinzenta. O Botrytis pode desenvolver-se desde o início da primavera até ao outono, com condições climáticas chuvosas e quentes.
Sintomas
Uma penugem branca a acinzentada e manchas castanhas aparecem nas flores e nos frutos, que se tornam impróprios para o consumo. Os frutos apodrecem e depois secam.

Podridão cinzenta ou Botrytis num morango
Prevenção
- Cubra as plantas de morangueiro desde a floração com uma cobertura morta de horta de linho ou de cânhamo
- Reduza as regas
- Monda bem os canteiros de morangueiros, pois as ervas-daninhas podem abrigar o fungo
- Limite os aportes de adubo azotado
Tratamentos naturais
- Elimine imediatamente os frutos atacados e as flores murchas
- A calda bordalesa pode ser eficaz contra a podridão cinzenta
- Recomenda-se a pulverização de uma decocção de cavalinha.
A antracnose
Descrição
Esta doença criptogâmica é provocada pela presença de um fungo chamado Colletotrichum fragariae. Novamente, este aparece em tempo húmido e quente.
Sintomas
Aparecem lesões de aproximadamente 1 a 2 cm de diâmetro nos frutos. De cor bronze no início, tornam-se rosadas e depois castanhas. Acompanham-se de uma depressão central, como se se tivesse pressionado o dedo no morango.
Prevenção
- Limitar os aportes de adubos azotados
- Regar sem molhar a folhagem
- Arejar as plantações
Tratamentos naturais
- Remover os frutos afetados para evitar a propagação
- Tratar com calda bordalesa
O oídio do morangueiro
Descrição
É frequentemente o fungo Sphaerotheca macularis o responsável pelo oídio do morangueiro. Esta doença aparece em caso de alternância de episódios chuvosos e de períodos de sol.
Sintomas
Uma penugem branca desenvolve-se em todas as partes da planta, até às hastes florais e aos frutos. Da mesma forma, a face inferior das folhas cobre-se de uma cor avermelhada. Estas enrolam-se e acabam por secar.
Prevenção
- Não plante demasiado perto
- Evite adubações demasiado ricas em azoto
Tratamentos naturais
- Pulverize soluções de bicarbonato de sódio
- Aplique uma decocção de cavalinha
A Fitóftora ou míldio do morangueiro
Descrição
Observa-se sobretudo na primavera. A fitóftora é favorecida pela humidade do solo e é provocada por Phytophthora fragariae.
Sintomas
São essencialmente as folhas que são afetadas, pois ficam castanhas e secam. As plantas definham e os frutos não aparecem, ou aparecem pouco, e são incomestíveis.
Prevenção
- Areje as plantas não as plantando demasiado perto
- Em caso de ataque de míldio, plante os morangueiros noutro local no ano seguinte
Tratamentos naturais
- Pulverize uma solução de bicarbonato de sódio ou calda bordalesa
- Arranque as plantas afetadas para retardar a propagação da doença
A doença das manchas púrpuras
Descrição
Favorecida pela humidade, é uma doença menos grave que ocorre frequentemente no outono. A doença das manchas púrpuras pode ser provocada por diversos fungos, sendo o mais comum o Diplocarpon earlianae, mas também Mycosphaerella fragaria, Dendrophoma obscurans e Septogioeum fragariae.
Sintomas
Surgem manchas redondas de 3 a 5 mm na face superior das folhas, lembrando queimaduras. São inicialmente púrpuras com um centro mais claro e depois tornam-se castanho-escuras antes de se desenvolverem. A folhagem acaba por secar e a planta murcha.

Doença das manchas púrpuras provocada por Mycosphaerella fragaria
Prevenção
- Regue sem molhar a folhagem
- Areje não plantando demasiado perto
- Limite os aportes de azoto
Tratamentos naturais
- Remova as folhas contaminadas
- Queime os resíduos de cultura potencialmente contaminados
- Pulverize regularmente uma decocção de cavalinha
- Em caso de ataque forte, pulverize preventivamente, na primavera, calda bordalesa
A queima fomopsiana
Descrição
Bastante próxima da antracnose, esta doença criptogâmica deve-se a Phomopsis obscurans.
Sintomas
As folhas cobrem-se de manchas que lembram queimaduras. Estas manchas são redondas, castanhas e rodeadas por uma coroa vermelha.
Tratamento natural
- Pulverize bicarbonato de sódio
A verticiliose
Descrição
É uma doença devida ao fungo Verticillium, que é desencadeada frequentemente por tempo fresco e húmido.
Sintomas
As folhas começam por amarelar e depois murcham. Em seguida, os morangueiros definham.
Prevenção
- Aterre os morangueiros
- Prefira a rega gota-a-gota
- Faça rotações de culturas superiores a 4 anos
Tratamento natural
- Elimine as plantas infetadas
Leia também
Morangos na horta: chega de pilhagem!As pragas dos morangueiros
Os morangueiros são também alvo da cobiça de inúmeras pragas, mais ou menos discretas.
A blaniule mosqueada
Descrição
Também chamada de iule dos morangueiros, a blaniule mosqueada (Blaniulus guttulatus) é um milípede de corpo branco com manchas cor-de-rosa ou vermelhas nas laterais. Alimenta-se de matéria orgânica em decomposição.

A blaniule mosqueada
Sintomas
Os morangos são comidos.
Prevenção
Como a blaniule põe os seus ovos no solo, basta aplicar cobertura morta para se proteger.
O tarsonema do morangueiro
Descrição
Trata-se de um ácaro minúsculo (Tarsonemus pallidus) transmitido por plantas infetadas, de forma oval e cor âmbar, que se alimenta das folhas do morangueiro. A fêmea põe os ovos em março no coração das plantas e as gerações perduram.
Sintomas
Os danos são raramente importantes. As folhas deformam-se e definham, ficam gofradas e acastanhadas. Os botões e as flores murcham e secam.
Prevenção
- Associe os morangueiros com alho, cebola e alho-francês
- Regue com infusões de cascas de alho ou de cebola
Tratamento natural
- Pulverize regularmente uma infusão de dentes de alho ou óleo essencial de alho
- Renove as plantações com mudas saudáveis
Os pulgões
Descrição
Como acontece com muitos outros vegetais, os morangueiros podem ser infestados por pulgões. Pouco nocivos por si só, os pulgões podem, no entanto, enfraquecer as plantas das quais extraem a seiva para se alimentar e, sobretudo, facilitar a introdução de doenças como a fumagina, a frisolada ou a marmoreada. Nos morangueiros, encontram-se mais frequentemente pulgões verdes ou amarelos.
Sintomas
As folhas enrolam-se sobre si mesmas e os botões florais deformam-se. Um líquido pegajoso chamado melada deposita-se nas folhas.
Prevenção
- Pulverizações regulares de purin de urtiga ou de decoção de alho
- A introdução de larvas de joaninhas ou de crisopas.
Tratamento natural
O tratamento natural mais eficaz contra os pulgões é o sabão preto diluído em água quente, na proporção de colheres de sopa por litro de água.
O anthonome do framboeseiro ou do morangueiro
Descrição
O anthonome do framboeseiro e do morangueiro (Anthonomus rubi) é um coleóptero preto de 2 a 4 mm. Em maio, a fêmea põe os ovos nos botões florais do morangueiro. Depois, a larva, branca e sem patas, permanece três semanas nesse botão ou nos botões caídos antes de se transformar em pupa. O adulto hiberna no solo ou sob matéria vegetal morta, e só está ativo a partir de 18 °C.

O anthonome encontra-se no morangueiro e no framboeseiro
Sintomas
A haste floral é roída, os botões florais secam e soltam-se.
Prevenção
- Cobrir o solo, no início da primavera ou após a colheita, com folhas de fetos.
- Colocar tufos de palha nos morangueiros e queimá-los no inverno.
Tratamentos naturais
- Recolher os botões florais caídos e destruí-los
- Tratar o solo com um purin de tanaceto logo após a colheita.
- Pulverizar óleo essencial de alho ou de cravo-da-índia antes de os morangueiros florescerem.
O otiorrinco
Descrição
O otiorrinco (Otiorrhynchus sulcatus) é um coleóptero preto de 10 mm. Dotado de uma cabeça alongada, o adulto emerge a partir do final de maio. Após se alimentar à noite, essencialmente de folhas, durante 4 a 5 semanas, põe os seus ovos no solo. As larvas, vermes branco-amarelados com a cabeça castanha, aparecem depois e atacam o colo e as raízes dos morangueiros.

O otiorrinco pode provocar a morte das plantas de morangos
A disseminação dos otiorrincos acelera-se sob abrigo, em locais abrigados ou em plantações de morangueiros em vaso.
Sintomas
As folhas comidas ficam profundamente recortadas. Os danos podem ser importantes, levando até à morte dos morangueiros.
Prevenção
- Cobrir o solo com uma camada de serradura de madeira enriquecida com composto.
- Trabalhar o solo frequentemente
- No momento da plantação dos morangueiros, sacudir bem a muda para fazer cair eventuais larvas.
Tratamentos naturais
- Recolher os adultos durante a noite.
- Desenterrar as larvas junto às raízes
- Regar as plantas com infusões de tanaceto e pulverizar as folhas.
- Colocar uma armadilha à base de nemátodos anti-otiorrincos ao pé das plantas. Estes vermes microscópicos parasitam e matam os adultos.
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Outras pragas para os morangueiros
Outros predadores, como os caracóis, as lesmas e as aves, deliciam-se com os morangueiros e, sobretudo, com os morangos acabado de amadurecer. Contra caracóis e lesmas, uma cobertura morta de agulhas de pinheiro ou de palha é bastante eficaz, tal como a recolha manual das pragas, que serão convidadas a procurar outro lugar. Contra a gula das aves, a solução mais radical continua a ser a colocação de redes de proteção.
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