Grafiose do Ulmeiro: identificação e tratamento

Grafiose do Ulmeiro: identificação e tratamento

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Resumo

Modificado 0,01  por Eva 4 min.

A Grafiose do ulmeiro ou Doença holandesa é uma doença tristemente célebre que literalmente devastou as populações europeias de ulmeiros adultos, tanto na floresta como ao longo das estradas, nas sebes campestres ou mesmo nas praças das aldeias.

Surgiu nos Países Baixos em 1917 e chegou à América do Norte por volta de 1940, antes de regressar à Europa ocidental nos anos 70. Os fungos responsáveis pela Grafiose Ophiostoma ulmi ou O. novoulmi (em Inglaterra) obstruem os vasos condutores de seiva bruta e provocam o rápido declínio dos Ulmeiros. São transmitidos por insetos coleópteros, os Escolítidos, que realizam a sua postura sob a casca, em especial quando a árvore está sujeita a stress.

Dificuldade

Quais são as espécies sensíveis à grafiose?

O ulmeiro-inglês (Ulmus procera), que se reproduz vegetativamente (por rebentos ou por estacaria), desapareceu totalmente em Inglaterra num espaço de 10 anos. Esta espécie foi muito plantada ao longo das estradas em França por Sully (1559-1641), durante o reinado de Henrique IV, consciente da necessidade de restaurar as florestas de ulmeiros abatidas para as necessidades da artilharia, mas também para reter a terra ao longo das estradas e para muitos outros usos (madeira, forragem…). Como a espécie possui o mesmo material genético, nenhum espécime resistiu ao parasita, mesmo em França.

As outras duas espécies europeias de ulmeiro, Ulmus glabra e minor, não foram totalmente dizimadas graças à mistura genética. Os rebentos de alguns exemplares a partir da toiça foram poupados, mas até quando? Seja como for, surgiram híbridos que parecem revelar-se resistentes à Grafiose, tais como:

  • Ulmus LUTECE® ‘Nanguen’ (resultante da fecundação cruzada de 6 variedades francesas, uma inglesa e uma chinesa),
  • Ulmus RESISTA® ‘Sapporo Gold n°2’,
  • Ulmus VADA® ‘Wanoux’,

e que a pequena espécie chinesa Ulmus parvifolia, frequentemente utilizada na arte do bonsai, também se revela tolerante.

Como reconhecer a grafiose?

  • Observa-se na primavera ou no verão o amarelecimento súbito seguido da dessecação dos ramos do topo da árvore. Estes declínios progridem para baixo até que a totalidade da árvore perde as folhas e morre em menos de um ano. As folhas permanecem presas aos ramos durante algum tempo e caem em julho-agosto. Nos exemplares mais velhos, as extremidades dos ramos curvam-se em báculos chamados «cajado de pastor».
  • No ano seguinte, apenas algumas gemas abrem, emitindo folhas reduzidas, a casca fende-se por vezes e destaca-se em longos pedaços.
  • Em corte transversal do tronco ou de um ramo morto, podem observar-se manchas coloridas delimitadas pelos anéis de crescimento, com por vezes pequenos pontos negros ao nível dos vasos da madeira.
  • Sob a casca desprendida de troncos ou ramos mortos, um desenho característico está gravado na madeira, representando uma linha vertical de onde partem galerias mais ou menos sinuosas de ambos os lados desta linha central. Esta rede é escavada pela fêmea do escolítido e depois pelas larvas resultantes da sua postura, que empupam e saem por orifícios de 2-3 mm visíveis na casca.

Nota: A maioria dos escolítidos que se encontram nas árvores de fruto (oliveira, figueira, amendoeira, macieira…) ou nas florestas de resinosas (pinheiro, pícea, lariço…) não transmitem necessariamente doenças, mas interrompem a circulação da seiva através da escavação de galerias no câmbio (camada de células que gera os novos vasos condutores de seiva) e na madeira, conduzindo por vezes à morte da árvore.

Grafiose: sintomas, danos, tratamento

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Os fatores que favorecem a Grafiose

A Grafiose é transmitida na Europa por duas espécies de escolítidos, que são pequenos coleópteros negros com riscas cinzentas ou completamente negros, atacando ora o tronco e os ramos grossos, no caso do Grande Escolítido do Ulmeiro (Scolytus scolytus), ora os ramos jovens, no caso do Pequeno Escolítido do Ulmeiro (Scolytus multistriatus).

Existe outra espécie de escolítido, vetor da Grafiose na América do Norte, Hylurgopinus rufipes. Estes pequenos coleópteros de 2 a 7 mm de comprimento dedicam-se, na maioria das vezes, a decompor madeira morta em associação com fungos microscópicos. Basta que a árvore sofra de seca para que emita substâncias denominadas fitohormónios, que atraem o inseto, tal como o odor a madeira recém-cortada ou a madeira morta. São, portanto, geralmente árvores enfraquecidas por secas repetidas que atraem os escolítidos.

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Luta e tratamento contra a Grafiose

Os tratamentos inseticidas ou fungicidas são ineficazes quando o escolítido já se encontra bem abrigado sob a casca e infetou o lenho tenro. A paragem da circulação da seiva, tendo provocado a morte dos ramos, pode contudo ser seguida pelo aparecimento de rebentos a partir da cepa, que permitem prolongar a vida do ulmeiro, pelo menos até o tronco atingir 20 cm de diâmetro.

Para combater a grafiose:

  • Corte os ramos mortos ou fracos dos ulmeiros, que atraem em primeiro lugar o escolítido.
  • Elimine evidentemente os ramos que secam bruscamente e queime-os rapidamente de forma a eliminar as eventuais larvas.
  • Certifique-se de regar bem a árvore em caso de seca prolongada e de lhe fornecer composto à vertical do limite da copa, onde se encontram as raízes absorventes, de forma a dar-lhe vigor.
  • A instalação de armadilhas de feromonas para desviar os escolítidos adultos e impedi-los de pôr ovos pode ser eficaz. Existem modelos destinados a desviar tanto os Xiléboros como os Escolítidos, concebidos nomeadamente para proteger as árvores de fruto.

Sabia que?

Ao que parece, as populações de ulmeiros já sofreram um declínio significativo no noroeste da Europa há cerca de 6000 anos, de acordo com o que indicam estudos sobre pólenes. Este fenómeno foi provavelmente provocado por uma doença comparável à grafiose. Assim, alguns botânicos consideram que a plantação limitada a clones resistentes de ulmeiros poderia ter consequências mais graves para a preservação do ulmeiro do que a conservação de numerosos exemplares mais ou menos tolerantes à doença.

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