Semear sementes: tudo o que é preciso saber, conselhos e dicas
para ter sucesso em todas as suas sementeiras
Resumo
Semear sementes é relativamente fácil, mas conseguir fazê-las germinar pode revelar-se mais complicado, pois esse sucesso depende essencialmente do conhecimento das necessidades das sementes.
Na verdade, uma semente, apesar das aparências, está viva: está simplesmente em dormência e aguarda encontrar-se num meio favorável para poder germinar. Compreender e responder às suas necessidades (água, calor, luz) constitui um dos principais fatores de sucesso das sementeiras.
Nesta ficha de conselhos, encontrará os grandes princípios da germinação, mas também todos os aspetos práticos: poder germinativo, duração da germinação, estratificação, escarificação e os principais métodos de sementeira.
Os elementos essenciais à germinação
1) A água
É bem sabido que a água é indispensável à vida, sendo, portanto, o primeiro fator essencial para uma boa germinação das sementes. Quando entra em contacto com a água, a semente começa por se embeber e inchar, o invólucro protetor da semente (a testa) amolece, as células enchem-se de água, e desencadeiam-se as reações enzimáticas que dão início à germinação. Assim que a semente começa a estar em contacto com a água, é indispensável manter o meio húmido até à germinação e à sua transformação em plântula.
Os meus conselhos de jardineiro:
- Regue as suas sementeiras com delicadeza. Um erro clássico e recorrente ao fazer sementeiras é regar com gotas demasiado grandes. No caso de uma sementeira em plena terra, este erro pode provocar a formação de uma crosta de batência, a terra compacta-se à superfície e as sementes (sobretudo as pequenas) terão dificuldade em romper essa crosta e germinar sem problemas. Para as sementeiras em tabuleiro, uma rega demasiado brusca pode deslocar as sementes. Use de preferência um pulverizador manual, em especial para as sementes pequenas. Para as sementeiras em plena terra, munha-se de um regador com crivo de débito reduzido. Por fim, no jardim ou em estufa, instale um sistema de rega com micro-aspersores.
- Para uma sementeira em tabuleiro ou em vasinho, pode usar uma técnica complementar: a rega por capilaridade. Consiste em deixar a água subir pelo substrato por capilaridade, enchendo um prato de água. Uma boa rega por capilaridade dura pelo menos 15 minutos, após os quais o tabuleiro é retirado do prato.
- Para as sementes que demoram a germinar (como a salsa e, de um modo geral, as Apiáceas), coloco uma tela de juta húmida sobre a sementeira. Isto permite manter um nível de humidade regular durante mais tempo, o que facilita a germinação. Assim que as plântulas saírem da terra, retire a tela de juta.
- Para as sementeiras diretas em plena terra, saiba que o sol resseca rapidamente a superfície de um substrato ou de uma terra leve, o que pode ser prejudicial para a sobrevivência das sementes. Pense em ensombrar as suas sementeiras, nomeadamente no verão, com uma tela de ensombramento ou caixotes virados ao contrário.

Para as sementes pequenas, rega-se sempre com delicadeza. Um pulverizador com bomba de pressão é muito prático para regar com um nevoeiro fino.
2) A temperatura
A temperatura é outro fator determinante para uma boa germinação das sementes. Quanto mais se aproximar da temperatura ideal (específica de cada espécie), melhor decorrerão as reações metabólicas. Para germinar, a semente precisa de se encontrar numa gama de temperatura nem demasiado fria, nem demasiado elevada. Para ter sucesso nas sementeiras, é importante conhecer bem estas gamas de temperatura específicas de cada espécie vegetal. Esta informação consta geralmente nas embalagens de sementes.
Os meus conselhos de jardineiro:
- Os legumes da família das Solanáceas (tomates, pimentos, beringelas) precisam de uma temperatura bastante elevada para acelerar a sua germinação numa época em que as temperaturas exteriores ainda não são suficientes. É possível iniciar a sementeira junto a um fogão a lenha, a uma lareira, ou recorrer a um tapete de aquecimento ou a um propagador com aquecimento.
- Certos legumes germinam mal no verão; é o caso, por exemplo, da alface, que deixa de germinar acima dos 27 °C, pelo que a substituo por Chicórias, menos sensíveis ao calor.
3) A luz e a obscuridade
A luminosidade é o último fator com influência na germinação, sendo contudo menos determinante do que os dois anteriores. A maioria das sementes germina na obscuridade; no entanto, existem casos particulares em que as sementes precisam de luz para desencadear a germinação, como é o caso do manjericão e da dedaleira. Por outro lado, assim que as sementes germinam, algumas são sensíveis à falta de luz e as plântulas “estiolam”. Para saber tudo sobre este fenómeno, descubra o nosso artigo: “As minhas plântulas estão a estiolar… Porquê?”
4) A faculdade germinativa
A faculdade germinativa corresponde ao tempo de vida das sementes, variando conforme a espécie mas também consoante as condições de conservação. Esta duração pode ir de alguns dias (Anthurium) a várias centenas de anos (acácia, loto). Nas espécies hortícolas, varia geralmente de um ano (a pastinaca) a uma dezena de anos (o tomate).
Os meus conselhos de jardineiro:
- Conservo os meus pacotes à temperatura ambiente em casa, o que os preserva de calores intensos e do gelo.
- Se guardar as suas próprias sementes, evite conservá-las em frascos de vidro herméticos; prefira os sacos de papel kraft, mais respiráveis.
5) A duração da germinação
A duração da germinação é o tempo médio que uma semente demora a germinar, variando conforme a espécie e a temperatura. Em condições ideais, este tempo será reduzido. Para os legumes, consulte este quadro resumo da faculdade germinativa e da duração de germinação das sementes.
A duração da germinação pode ser muito curta: em condições ideais, uma semente de chicória pode germinar em 2 dias, uma semente de rabanete em 3 dias, ao passo que uma semente de salsa demorará cerca de 20 dias. É nas plantas ornamentais que se encontram períodos ainda mais longos; a maioria das plantas perenes que requerem vernalização demoram a germinar: as astrâncias, os heléboros e as peónias precisam de dois a três meses para germinar. No caso das árvores, o processo pode ser ainda mais demorado, com as Davidia a demorar dois anos para germinar. O Rehderodendron macrocarpum levará mesmo 5 anos para germinar!

Sem pressa, o Rehderodendron macrocarpum demorará 5 anos para germinar!
Os meus conselhos de jardineiro:
- Aponte para a gama alta de temperatura de cada espécie para ganhar alguns dias na germinação.
- Deixe as sementes de molho durante uma noite em água para ganhar alguns dias na germinação. Esta técnica é mais prática com sementes grandes (ervilhas, feijão) do que com as pequenas (cenoura, couve, etc.), mas também é possível com estas últimas!
Leia também
As minhas plântulas estão a estiolar… porquê?Reproduzir a natureza: a chave do sucesso
1) Semear na altura certa: respeitar o calendário de sementeira
É importante respeitar bem as estações do ano ao semear. Com efeito, em clima temperado, as plantas adaptaram-se às estações. Uma planta anual completa o seu ciclo num ano: a semente germina na primavera, a planta cresce, floresce e reproduz-se produzindo sementes, perpetuando assim a sua espécie. As sementes são capazes de resistir ao frio invernal e permanecem em dormência durante todo esse período.
Dicas: Respeite bem as indicações nas saquetas de sementes. Por exemplo, semear tomates em setembro em Portugal Continental está inevitavelmente condenado ao fracasso!
3) Desencadear a germinação: a estratificação e a escarificação das sementes
Certas sementes precisam de um “despertador” para sair da dormência. Na natureza, é o frio, a passagem pelo estômago das aves ou o tempo que o permite. Para algumas sementes, será necessário imitar esse processo.
A estratificação consiste em levantar a dormência das sementes imitando artificialmente as condições invernais para as fazer germinar. A semente está viva e em dormência; o frio vai desencadear reações ao nível do embrião da semente, indicando-lhe que o inverno passou e que as condições voltaram a ser favoráveis para germinar. Nem todas as espécies necessitam desta fase de frio.
A estratificação a frio consiste em colocar sementes de maiores dimensões cuja casca é impermeável e muito dura, como os caroços de pêssego, de alperce, de cerejeira, de noz, de avelã, mas também sementes de árvores ou de flores como as equináceas, as astrâncias, as prímulas, num substrato drenante, na maior parte das vezes areia. Num vaso, alternam-se assim camadas de areia e de caroços. A areia é então humedecida e o vaso é colocado no lado norte da casa ou no frigorífico. Os caroços vão assim amolecer e a germinação torna-se possível após um período médio de dois a quatro meses.
A escarificação é uma técnica que consiste em fragilizar mecanicamente as camadas externas mais resistentes de certas espécies. É possível lixar com uma lima para madeira, papel de lixa ou utilizar um x-ato para fazer um pequeno furo na camada externa. A escarificação diz respeito a sementes de acácia, alfarrobeira, coronilhas, embondeiro, etc.
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Escolher o método de sementeira certo, uma etapa determinante
Todo o segredo para o sucesso de uma sementeira está na escolha do método adequado em função da época do ano. Num jardim, podem empregar-se diferentes técnicas:
- a sementeira a quente,
- a sementeira sob abrigo,
- a sementeira direta,
- a sementeira em viveiro
Para conhecer as práticas de sementeira, consulte este artigo sobre a sementeira de sementes hortícolas.
1) A sementeira a quente
A sementeira a quente é feita no interior da habitação no inverno e no início da primavera, ou em cama quente, em estufa ou sob abrigo. Este tipo de sementeira permite preparar plantas que necessitam de calor para germinar bem, e isso logo no início do ano. A vantagem da sementeira a quente é que permite ganhar tempo nas culturas de ciclo longo e sensíveis às geadas. O objetivo é obter plantas fortes e atarracadas para plantar assim que as condições permitam cultivar na horta — para a maioria das plantas, após os Santos de Gelo.
A sementeira a quente diz respeito às plantas hortícolas originárias de climas quentes, como as Solanáceas (tomates, pimentos, pimentos vermelhos, beringelas, fisális), que de outro modo não conseguiriam completar um ciclo de vegetação até à frutificação. Mas também plantas que demoram a germinar e a crescer, como o aipo-bola e o aipo-de-talos. Algumas aromáticas como o manjericão, ou plantas ornamentais como as cóbeias, as glórias-da-manhã e a Mina lobata, beneficiam igualmente de ser semeadas desta forma.
A ler, o nosso artigo: Sementeira em interior: ferramentas e acessórios úteis e práticos
2) A sementeira sob abrigo (estufa fria)
Este tipo de sementeira pode ser feita diretamente sob uma estufa ou abrigo, com o objetivo de produzir plantas em vasinhos ou de antecipar uma cultura diretamente em plena terra. Pratica-se este tipo de sementeira no final do inverno, na primavera e no outono. A vantagem é que permite acelerar o crescimento das plantas e protegê-las do frio e das eventuais geadas primaverais, habituando-as às diferenças de temperatura entre o dia e a noite, o que as torna plantas particularmente robustas.
Diz respeito a numerosas espécies hortícolas, como as Cucurbitáceas, a alface, a cebola, as couves, o milho, o funcho e a acelga. Estas espécies poderão ser transplantadas em plena terra posteriormente. Este tipo de sementeira é também muito praticado para as anuais, como os cosmos e os tagetes.

A sementeira em estufa permite controlar mais parâmetros. Mesmo uma estufa pequena é muito prática para quem jardina por lazer.
3) A sementeira direta
Este tipo de sementeira é feita diretamente no local definitivo, em plena terra. Diz respeito à maioria das espécies de legumes, em particular os legumes de raiz, as sementes grandes como os feijões, as favas e as ervilhas, bem como a erva-benta e o espinafre. Muitas flores podem também ser semeadas desta forma. A vantagem da sementeira direta é que as plantas se adaptam muito bem ao seu local, pois as raízes não são perturbadas por uma repicagem. Na horta, os legumes de folha sobem a semente com menos frequência.
4) A sementeira em viveiro
A sementeira em viveiro é feita diretamente em plena terra na horta, com ou sem abrigo. Quando as plantas jovens atingem o estádio desejado, são transplantadas para o seu local definitivo. Este tipo de sementeira realiza-se do final do inverno ao outono. Deve procurar-se um local ensolarado na primavera e no outono, e um local mais sombrio no verão.
O objetivo é semear de forma densa e depois selecionar os legumes mais vigorosos para transplantar. Este tipo de sementeira diz respeito à maioria dos legumes: beterraba, Chicórias, couves, flores anuais, endívias, alface, cebola, alho-francês. A vantagem é que permite fazer uma seleção das melhores plantas e eliminar as mais débeis.
5) A boa escolha do substrato
No caso das plantas hortícolas, um substrato especial para sementeira é suficiente para fazer germinar as plantas.
No que diz respeito às plantas ornamentais, é importante dispor de substratos suficientemente drenantes, que podem ser misturados com areia, perlite ou vermiculite. Alguns exemplos:
- Para a maioria das plantas anuais e das plantas aromáticas, utilize uma mistura composta de metade de composto e metade de perlite ou vermiculite.
- A malva-real germina bem numa mistura composta de um terço de composto fino, 1/3 de vermiculite (ou perlite) e 1/3 de areia fina.
- As escabiosas semeiam-se numa mistura leve de turfa (70%) e areia (30%).
- A tumbérgia semeia-se numa mistura leve de turfa e areia em partes iguais.
Prevenir os problemas de germinação
1) O tombamento das plântulas
O tombamento das plântulas é um problema causado por fungos patogénicos que atacam sementes recentemente semeadas ou quando estas se encontram na fase de plântula. Uma humidade elevada e permanente é o principal fator que favorece esta doença.
O meu truque de jardineiro:
Para as sementeiras no interior, é possível polvilhar o tabuleiro com carvão vegetal esmagado ou canela em pó, muito menos sujo e igualmente eficaz. Coloca-se um pouco na palma da mão e sopra-se para o tabuleiro (atenção aos olhos).
2) Controlar a taxa de germinação das suas sementes
Verifique de vez em quando a germinação das suas sementes, testando algumas num germinador ou em algodão embebido em água, por exemplo no final do inverno, antes das sementeiras de primavera.

Verifique uma vez por ano a taxa de germinação das suas sementes
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