Resumo
A rúcula em poucas palavras
- A rúcula é uma planta hortícola conhecida pelas suas folhas de sabor picante e ligeiramente apimentado
- Planta da família das Brassicáceas, a rúcula divide-se em dois géneros: a rúcula-brava pertence ao género Diplotaxis, enquanto a rúcula cultivada pertence ao género Eruca
- A rúcula desenvolve-se bem em solos ricos, frescos e bem drenados
- Esta salada, muito utilizada na mistura de saladas, prefere um local de meia-sombra e regas regulares
- Ao escalonar as sementeiras e colher regularmente as folhas, pode colher-se rúcula durante vários meses, desde que seja protegida do frio
A opinião da nossa especialista
Desde a década de 1980, com o boom das misturas de saladas nas secções de frescos dos supermercados, a rúcula voltou a estar em destaque na gastronomia. Frequentemente associada à cozinha mediterrânica, esta planta hortícola reconhece-se entre mil graças ao sabor apimentado e picante das suas longas folhas multilobadas. Rica em fibras, antioxidantes e vitaminas, a rúcula merece, por isso, ocupar um lugar de destaque nos nossos pratos. Mas também na horta…
O jardineiro aprecia também esta salada pela facilidade de cultivo. Na horta, cultivam-se essencialmente duas variedades com um sabor ligeiramente diferente. As folhas da rúcula-selvagem (Diplotaxis erucoides ) são geralmente menos tenras e têm um sabor mais intenso do que as da rúcula cultivada (Eruca sativa). Do mesmo modo, a rúcula cultivada beneficia de um crescimento mais rápido.
A sementeira da rúcula faz-se de abril a junho, assim que o solo atinge uma temperatura de 16 °C, e retoma-se em setembro para uma colheita de inverno. Pouco apreciadora de temperaturas muito elevadas, que favorecem o espigamento e tornam as folhas mais rijas, a rúcula necessita de regas regulares. Quanto à colheita, estimula o crescimento de novas folhas.
Descrição e botânica
Ficha de identidade
- Nome latino Eruca sativa ou Diplotaxis erucoides
- Família Brassicáceas
- Nome comum rúcula-selvagem, rúcula cultivada, rúcula, riqueta, mostarda-persa
- Floração outonal
- Altura até 50 cm
- Exposição meia-sombra ou soalheira
- Tipo de solo Solo ; comum, rico, fresco e drenado
- Rusticidade até - 12 °C

Rúcula-selvagem
É inegável que a rúcula confere um toque picante a uma simples salada. Certamente originária da bacia do Mediterrâneo e conhecida desde a Antiguidade, a rúcula é uma salada com personalidade. Os Gregos, os Romanos e os Turcos consumiam-na como salada ou como condimento, crua durante as festas.
Atribuíam-lhe também virtudes medicinais e até afrodisíacas. O deus da fecundidade, Priapo, era aliás homenageado com oferendas de folhas de rúcula. Esta reputação acompanhou a rúcula ao longo dos séculos, pois, durante a Idade Média, a rúcula era banida dos jardins monásticos! Mais tarde, surge, contudo, mencionada no Capitular de Villis, que enumera as plantas a cultivar nos jardins dos castelos. No final do século XX, na década de 1980, a rúcula recupera o seu prestígio e invade as prateleiras refrigeradas dos supermercados, acompanhando a tendência da mistura de saladas, esta mistura de origem meridional composta por folhas jovens. Os consumidores redescobrem-na ao lado das folhas de alface, chicória ou erva-benta, ou de rebentos de espinafre, de beldroega ou de beterraba.
A rúcula pertence à família das Brassicáceas (antigas Crucíferas), que inclui numerosas plantas hortícolas, como a couve, o nabo, a mostarda e o rabanete… Pode dizer-se que as Brassicáceas pertencem à categoria de plantas utilizadas tanto na alimentação como pelas suas propriedades oleaginosas, condimentares, medicinais e até forrageiras. É uma planta herbácea que, no estado natural, cresce em terrenos incultos ou pousios, sendo muitas vezes considerada uma erva-daninha. A sua forma cultivada faz as delícias dos jardineiros. Com efeito, a rúcula tem a particularidade de designar duas espécies de plantas algo diferentes: a rúcula-selvagem pertence ao género botânico Diplotaxis, enquanto a forma cultivada pertence ao género Eruca sativa. Além desta distinção de género, o sabor destas duas rúculas difere ligeiramente. A rúcula-selvagem apresenta um sabor mais intenso e folhas mais pequenas e finas. A rúcula cultivada oferece folhas mais tenras, com um sabor menos apimentado e, portanto, menos picante.

Consoante as variedades, as folhas de rúcula são mais ou menos lobadas e mais ou menos picantes
A rúcula é uma planta herbácea e hortícola, com caules eretos e ramificados, de 20 a 60 cm. A sua folhagem é espessa, carnuda e multilobada. As folhas verde-escuras são dentadas nas margens, penatifidas (divididas simetricamente de cada lado da nervura) e compostas por lóbulos oblongos. São as folhas jovens que se consomem, pois as folhas mais velhas são mais duras e amargas. Pela forma, as folhas de rúcula são bastante semelhantes às folhas de erva-das-bruxinhas.
No final do verão, nascem flores esbranquiçadas a amareladas, com nervuras castanhas ou violetas. Estão agrupadas num racemo (inflorescência simples) terminal. Cada flor possui 4 sépalas e 4 pétalas espatuladas que formam uma cruz.

As flores creme da rúcula abrem no final do verão
Com o mesmo sabor das folhas, estas flores também podem ser consumidas. Depois das flores, surgem sementes globulosas que se naturalizam com bastante facilidade.
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Alfaces para cortar: muitas vantagensAs diferentes variedades de rúcula
Na rúcula, há muito por onde escolher! Por um lado, a mostarda-persa cultivada ou mostarda-persa de jardim (Eruca sativa) possui folhas largas e tenras, delicadamente apimentadas, com um ligeiro sabor a avelã. Distinguem-se vários cultivares, como Eruca sativa ‘Astra’, uma variedade inglesa vigorosa, com folhas finamente recortadas, ou Eruca sativa ‘Sweet Oakleaf’, outra variedade inglesa de sabor suave.
Por outro lado, a rúcula-selvagem (Diplotaxis erucoides) produz folhas mais finas, mas mais duras e espessas, sobretudo com um sabor muito apimentado. O seu desenvolvimento é bastante mais lento, mas também é mais lenta no espigamento e mais rústica.
Rúcula Astra Bio
- Altura à maturidade 15 cm
Rúcula Pronto
- Período de floração Julho à Outubro
- Altura à maturidade 30 cm
Rúcula Selvagem Sylvetta
- Período de floração Julho à Outubro
- Altura à maturidade 20 cm
Rúcula selvagem Bio Rocky Wild
- Período de floração Julho à Outubro
- Altura à maturidade 20 cm
Rúcula-selvagem Dragons Tongue
- Período de floração Junho à Outubro
- Altura à maturidade 20 cm
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A plantação de rúcula
Onde plantar?
A rúcula aprecia solos drenantes e arejados, frescos e férteis. Quanto à natureza do solo, é-lhe indiferente.
Em contrapartida, mostra-se um pouco mais exigente quanto à orientação. Durante o verão, a rúcula desenvolve-se bem à meia-sombra, pois o calor intenso acentua o sabor picante das suas folhas e faz com que espigue. Na primavera e no final do verão, prefere um local soalheiro. Por isso, semeia-se idealmente à sombra dos tomates, das beringelas, ou à sombra dos feijões de vara ou das ervilhas. A rúcula ocupa, além disso, pouco espaço na horta, pelo que é possível semeá-la em qualquer pequeno espaço livre.
Na horta, todos os legumes podem ser cultivados nas proximidades da rúcula.
Quando plantar?
Em plena terra, a sementeira de rúcula faz-se em duas épocas distintas. Pode começar a semear a partir do final de março, nas regiões onde já não haja risco de geadas, e até ao final de junho, início de julho. A sementeira deve ser interrompida durante o calor intenso do verão e retomada em setembro e outubro, para uma colheita de inverno. Naturalmente, será necessário proteger as plantas com uma manta quando as temperaturas baixarem.
A rúcula também pode ser semeada numa estufa ou em vaso.
Para obter colheitas escalonadas ao longo do tempo, semeie de duas em duas semanas.
Como semear?
A rúcula semeia-se em linhas ou a lanço diretamente no local definitivo. Também pode tentar a sementeira em vasinhos, tomando algumas precauções.
A sementeira faz-se em linhas espaçadas 25 cm, a 1 cm de profundidade. A germinação ocorre ao fim de uma semana. Quando as plântulas atingirem a fase de 2 a 3 folhas, faça um desbaste, deixando uma planta a cada 5 a 15 cm.

Quando as plantas jovens de rúcula tiverem 3 a 4 folhas, podem ser desbastadas
Como a transplantação causa stress às plantas de rúcula, a sementeira em vasinhos pode não ser bem-sucedida. Ainda assim, pode tentar semear apenas uma semente por vasinho. A transplantação deve ser feita com o torrão, para não partir a planta.
Que cuidados são necessários para obter uma colheita abundante de rúcula?
A rúcula não aprecia solos demasiado secos, pelo que é fundamental regar regularmente. Sem rega, as folhas tornam-se picantes, fibrosas e demasiado duras. Além disso, a seca do solo favorece o espigamento. Portanto, para manter as folhas tenras, regue! Para espaçar as regas, a cobertura morta revela-se eficaz. Tem também o mérito de limitar o crescimento das ervas daninhas.
Além disso, a binagem e as sachas também são recomendadas para facilitar a penetração da água.
Quanto aos inimigos da rúcula, são poucos. A altisa da couve é a única que pode atacar as folhas, perfurando-as com uma grande quantidade de pequenos buracos. Este pequeno escaravelho desaparece naturalmente com a rega e a binagem ou através de pulverizações de decocções de alho ou de chorume de absinto, tanaceto ou urtiga. As redes anti-insetos são também muito eficazes como medida preventiva. Do mesmo modo, é preferível manter a rúcula afastada das couves ou dos nabos, regularmente atacados pela altisa.
Em contrapartida, é motivo de satisfação saber que as lesmas evitam ostensivamente as plantas jovens de rúcula.
Quando e como colher a rúcula?
Cerca de quarenta dias após a sementeira, já é possível colher as primeiras folhas jovens de rúcula. Corte as folhas à medida das necessidades, mesmo por cima do colo. Algumas semanas mais tarde, surgem outras folhas. No entanto, com o passar dos dias, as folhas tornam-se cada vez mais rijas e picantes.
A rúcula conserva-se apenas durante 3 a 4 dias na gaveta dos legumes do frigorífico.
Se pretender colher algumas sementes, deixe a planta florescer. Depois das flores, surgem pequenas cápsulas em forma de cone. Corte os caules e deixe-os secar para recolher as sementes. As sementes de rúcula conservam a capacidade germinativa durante 3 a 4 anos.
Como consumir as folhas de rúcula?
Além da sua qualidade gustativa, a rúcula é rica em propriedades nutricionais. Contém um bom teor de fibra, vitaminas A, C, E, K e B9, oligoelementos e antioxidantes, sendo simultaneamente pobre em calorias. Por isso, incluí-la na ementa apresenta inúmeras vantagens.
Como é evidente, a rúcula é excelente em saladas, simplesmente temperada com azeite e mostarda. Combina também facilmente com presunto, ou com queijos como o roquefort, o queijo de cabra, a feta ou o parmesão.
Na cozinha italiana, encontra-se frequentemente em pizzas ou em risotos.

Cruas, as folhas de rúcula dão sabor às pizzas
Também confere muito sabor a guisados ou sopas. Por fim, pode preparar-se um excelente pesto para acompanhar um prato de massa.
A minha receita de pesto de rúcula
- 250 g de folhas de rúcula
- 40 g de manjericão
- 80 g de pinhões ou nozes
- 100 g de Parmigiano Reggiano (na realidade, parmesão)
- 120 ml de azeite
- 1 dente de alho
- sal e pimenta.
Toste os pinhões e as nozes numa frigideira durante alguns minutos. Em seguida, coloque-os no copo da liquidificadora com a rúcula, o manjericão, o parmesão, o alho e o azeite. Junte um pouco de água se a mistura estiver demasiado compacta. Tempere com sal e pimenta.
Sabia que?
- Na ilha de Ischia, situada na baía de Nápoles, fabrica-se um licor à base de folhas de rúcula, ao qual se juntam cascas de citrinos, ervas e raízes. Trata-se do Rucolino, um licor de cor âmbar e ligeiramente amargo.
- O óleo de tamarima ou jamba é um óleo à base de rúcula. É conhecido por nutrir o cabelo e aliviar a acne.
- As sementes de rúcula também se consomem como condimento, à semelhança das sementes de mostarda.
Para saber mais
Adora a rúcula integrada numa mistura de saladas de rebentos jovens? Descubra a nossa seleção de misturas de saladas mais ou menos suaves para semear na horta
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