A crespeira do pessegueiro
Prevenir e tratar esta doença
Resumo
Muito frequente nas nectarineiras e pessegueiros, a Bolha do pessegueiro é causada por um fungo que se manifesta sobretudo após uma primavera fresca e chuvosa. Logo em março, as folhas engrossam, adquirem um aspeto bolhoso, enrolam-se e viram a vermelho-alaranjado em junho, ficando cobertas de penugem branca. Acabam por cair prematuramente, provocando o enfraquecimento da árvore.
Não é possível tratar a árvore depois de a doença estar instalada, mas é possível tratá-la preventivamente contra a bolha por diferentes meios.
Quais são as espécies sensitivas?
A pessegueira, a brugnoneira e a nectarineira são as 3 árvores de fruto geralmente afetadas pelo fungo Taphrina deformans, mas existem casos raros de infeção na amendoeira.
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A vigilância deve ser feita entre maio e agosto para fazer face ao menor sinal de ataque.
A crespeira pode manifestar-se nos jovens rebentos primaveris através de uma deformação do limbo, que se espessa e apresenta um aspeto bolhoso. As folhas enrolam-se e adquirem uma coloração amarelada, depois vermelho-violácea, antes de cair.

Deformação das folhas
Consoante a data do ataque, o impacto na planta difere:
- Se, no final de março, as primeiras folhas que saem do gomo murcham rapidamente, a árvore, já esgotada pela floração, ficará seriamente enfraquecida e não terá outra alternativa senão recorrer às suas reservas para formar novos rebentos capazes de realizar a fotossíntese. O comprimento dos entre-nós fica reduzido e os ataques repetidos enfraquecem a árvore, que se torna mais suscetível a outras agressões. Escusado será dizer que a colheita dos pêssegos fica gravemente afetada.
- Se o ataque ocorrer no final de abril – maio, apenas uma parte dos limbos fica afetada pela crespeira e, geralmente, a árvore liberta-se dela e reconstitui uma folhagem sã ao longo do verão, sem consequências graves. No entanto, os frutos podem acabar por se deformar e cobrir-se de um feltro cinzento-acastanhado.
Em caso de ataques virulentos ou nas variedades particularmente sensíveis, não só as folhas caem como os jovens ramos se deformam e torcem até apresentarem escorrências de goma, que são o sinal de que a árvore se defende, mas à custa da sua energia.
Risco de confusão:
As descolorações e as deformações de gomos podem dever-se a carências em diversos oligoelementos, mas o enrolamento das folhas associado ao empolamento dos frutos continuam a ser sintomas distintivos da crespeira do pessegueiro.
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Os fatores que favorecem o encarquilhamento do pessegueiro
A sensibilidade da árvore à bolha-da-folha situa-se entre o estádio “ponta verde”, quando as gemas de madeira começam a abrir-se, até ao estádio “folhas abertas” e apenas em caso de chuva e de temperaturas superiores a 7 °C.
Alguns fatores são particularmente favoráveis ao desenvolvimento da bolha-da-folha do pessegueiro:
- Um inverno húmido e ameno favorece a sobrevivência dos esporos do fungo, sob a casca, entre as escamas da gema e à superfície do solo, ao passo que uma geada intensa contribui para a sua erradicação.
- Posteriormente, uma primavera chuvosa e fresca (10 mm de chuva/24 h e temperaturas entre 10 e 20 °C) contribui para a germinação dos esporos. Pelo contrário, a germinação é nula quando as temperaturas são inferiores a 8 °C e superiores a 30 °C.
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Para combater preventivamente a instalação ou as consequências da crespeira do pessegueiro, pode:
- reforçar o estado geral da árvore com adições regulares de composto ou estrumes decompostos à sua base, no outono;
- suprimir os ramos portadores de cancros (enrugados, com a casca rasgada), que deverá queimar para evitar a disseminação dos esporos restantes;
- realizar dois tratamentos com cobre (hidróxido de cobre) por ano: na primavera e no outono. Com efeito, o fungo hiberna sob as escamas dos gomos; o tratamento com cobre dos ramos vai inibir a germinação dos esporos, sendo recomendado antes do abrolhamento dos gomos na primavera e na queda das folhas no outono.
Como realizar um tratamento com cobre?
O hidróxido de cobre contém 50% de cobre; recomenda-se uma dose de 5 a 10 g/l de hidróxido de cobre ou de 25 g/l de calda bordalesa (sulfato de cobre), que tem uma ação mais prolongada, mas apresenta problemas de toxicidade para a planta e para o solo. Estas doses podem variar consoante as formulações utilizadas; consulte o valor (a não ultrapassar!) indicado na embalagem relativamente ao tratamento da crespeira do pessegueiro. Pode, por outro lado, reduzir para metade esta dose adicionando simplesmente um molhante, como leite magro na proporção de 1 l para 10 l de preparação, ou sabão líquido (10 g/l).
Para preparar um tratamento com cobre:
- Encha um terço de um pulverizador de bico fino com água;
- Adicione a dose de pó ou de líquido para tratar em função do volume total de produto pulverizado;
Se não tiver qualquer ideia do volume necessário para tratar a sua planta:
Faça um primeiro ensaio com água pura ou comece por preparar apenas 1 ou 2 l de solução. É preferível não guardar produto no pulverizador, pois este tende a entupir o bico e a deteriorar-se. Se sobrar produto, não o deite no lava-loiça nem no solo, mas adicione pelo menos o dobro de água e pulverize-o sobre plantas a proteger contra doenças.
- Ajuste o volume de água, feche o pulverizador e agite;
- Trate toda a planta desde o tronco até aos ramos e folhas.
- Interrompa a pulverização assim que comecem a formar-se gotículas nos limbos, ou seja, até ao limite do escorrimento.
Para limitar o uso do cobre, pode também administrar decocção de cavalinha:
Para isso, comece por reunir 100 g de planta fresca ou 20 g de planta seca e, em seguida:
- mergulhe 100 g de cavalinha fresca ou 20 g de cavalinha seca picada em 1 l de água da chuva (não calcária).
- Deixe macerar durante 24 h, tapando o recipiente.
- Verta depois a preparação num tacho e leve à ebulição durante 20 minutos.
- Filtre a solução e guarde-a numa garrafa opaca durante cerca de 15 dias.
- Para pulverizar a folhagem, dilua esta preparação a 20% (1 l de decocção + 4 l de água). Inicie o tratamento no início da primavera e repita de 15 em 15 dias até agosto, se necessário.

Cavalinha-dos-campos (Equisetum arvense)
As variedades resistentes à crespeira do pessegueiro
Importa saber que certas variedades são menos sensíveis do que outras a esta doença. Assim, para limitar os inconvenientes de um tratamento repetido, escolha variedades reconhecidas como resistentes como Amsden (sin. May Flower), Belle de Montélimar, Charles Roux, Madame Girer, Madame Guilloux, Reine des Vergers, Redwing, Roussane de Rodez, Sanguine de Savoie, os pêssegos sanguíneos e os pêssegos de vinha, a Nectarineira Morton… ‘Orion’, ‘Alexandra’, ‘Sundor’ ou ‘Topaze’

Pêssegos Amsden, um must resistente à crespeira do pessegueiro!
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